No último dia 26 de outubro eu escrevi este texto. Tratei, como é óbvio, da gravíssima situação política e social que a meu aviso caracteriza este estado do Amapá.
Alguns dias depois, descobri que o citado texto não agradou a algumas pessoas. Fui notificado por um gentil oficial de justiça para prestar alguns esclarecimentos judiciais acerca do que escrevi. A ação, movida contra mim pela Advocacia-Geral da União (AGU), foi solicitada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE/AP) - representado por seu douto Presidente.
Como é de se supor, o episódio me deixa um tanto chocado. Quem – como eu – acredita firmemente na democracia e no seu sistema de liberdades individuais, nunca consegue compreender com facilidade a “tribunalização” da controvérsia e do direito de expressão. Exatamente daí vem o meu espanto. Espanto, não surpresa. E por que não há surpresa? Porque não vejo alguns dos fundamentos mais basilares de uma sociedade democrática – como a liberdade de expressão – plenamente presentes no Amapá. É, sem dúvida, uma pena. Para o Amapá, é claro. Não para mim.
Mencionei no início que a tal ação foi movida pela AGU. Sim, aquela mesma que é incumbida de defender e prestar consultoria ao Poder Executivo. Trocando em miúdos, é a "advogada do Lula". Pelo visto viram em mim um perigo para o Estado Brasileiro. Sou o Larry Rother do Amapá.
A tal petição deixa evidente, a meu ver, que o texto em questão não foi devidamente compreendido. Ao contextualizar o que escrevi, a AGU afirma, por exemplo, que eu tratei da eleição no município do Amapá (sim, a cidade localizada no interior do estado). Falso. Nunca me referi – sequer de passagem – àquele município. Mas tudo bem. Tratei de explicar as incompreensões a quem quer que tenha se sentido agravado.
Muitas pessoas próximas a mim teceram alguns comentários acerca do que escrevi. A maioria elogiou o texto, mesmo ressaltando que se trata de algo incisivo. Outros criticaram aquilo que consideraram um excesso de sarcasmo e de dureza para com o meu estado natal. Há ainda, é claro, algumas opiniões que recebi de gente que pouco – ou nada – significa para mim. Essas não me interessam nem um pouco.
Fui muito duro com a – como é mesmo? – “minha terra”? E qual seria o problema nisso? Devo, por acaso, alguma reverência ao lugar em que nasci? Não creio. Samuel Johnson, um brilhante escritor muito pouco lido no país, dizia que “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”. O que dizer, então, do “bairrismo”?
Já preparei e entreguei à Justiça a resposta esperada pela AGU. Não vou aborrecer os leitores com os detalhes técnicos, mas posso adiantar que abordei, sem medo, a questão que flutua em torno do direito inalienável do ser humano de ter uma opinião e expressá-la. O “texto interpelado” foi sarcástico e duro? Pode ser. Mas isso é suficiente para que se promova a “judicialização” do debate? Não segundo as noções de democracia que eu tenho.
“Mas você não precisava ter escrito aquilo”, disseram-me alguns. É, precisar não precisava mesmo. Einstein não precisava se debruçar sobre a relatividade do tempo e do espaço, assim como Freud não tinha obrigação de explorar os recônditos da psique humana. Mas quiseram fazê-lo. E é isso que diferencia o ser humano do restante da fauna existente: o livre-arbítrio. O exercício pleno do direito de exprimir seus sentimentos, suas opiniões, suas crenças. Ou isso é compreenido e aceito, ou teremos a barbárie. Mas fazer o quê? Sei que prego as virtudes democráticas no deserto.
A AGU está certa em ter recorrido à Justiça contra mim? Não sei. Quem vai dizer isso é o juiz do caso. Mas podia fazê-lo? Poder até que podia. Mas lembro de São Paulo – o apóstolo: “Tudo me é permitido. Mas nem tudo convém.” Era mesmo indispensável promover uma discussão judicial em razão da opinião pessoal de um indivíduo? Só o tempo dirá se isso foi, ou não, algo saudável para a democracia no Amapá – sempre que ela exista.
Torno a lembrar de São Paulo agora: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus.” É por isso que tenho a consciência e o coração em paz. Como o episódio deve terminar? Com a vitória da liberdade, da democracia e da justiça. Não temos outra escolha. É isso, ou a barbárie.
19 comentários:
Estou espantada! Juro! Sério mesmo que você está sendo processado em razão de um texto opinativo? Em que raios de buraco totalitário vocês vivem?!
Me desculpa, não quero ofender as pessoas do seu estado, mas a história parece tão escabrosa que é difícil não acreditar que vocês vivem debaixo de uma cortina de ferro.
Então era isso que você tinha para contar... Agora lembro. Que barra. Deve ser difícil enfrentar pensamentos mesquinhos e criminosos.
Seja sempre forte. Conte com o apoio de quem acredita na democracia e em suas virtudes.
Não o conheço pessoalmente, mas leio há algum tempo o que você escreve. Deu para perceber que é alguém inteligente, que acredita em valores importantes e inegociáveis. Continue se negando a negociá-los.
É realmente estarrecedor! Revoltante.
Essa história de processo contra você chega a parecer surreal. Em que século vive essa gente? Só uma ditadura se vale do Estado para perseguir um cidadão em razão de suas opiniões. Vai ver você estava completamente certo sobre o que escreveu.
Coisa realmente lastimável.
Tenha força e fé. Sempre. Ninguém vence a liberdade.
Duas palavras pra você, fascistinha: DEUS CASTIGA!
Rá ra ra ra! Viu o que acontece quando se agride os outros? Enfrente agora a Justiça! Seja valente!
Deus? Que tipo de animal consegue trazer o nome de Deus para dentro da lama em que vive? Você é patético!
Já aprendeu a ler? Deveria. Depois de vir aqui tantas vezes, compreender um texto era o mínimo que se poderia esperar. O Yashá está, sim, enfrentando a justiça. E isso não quer dizer que ele esteja errado, mas sim que neste país miserável qualquer um que tenha poder se vale do Estado para intimidar, perseguir e processar.
Alguém com um mínimo de inteligência sabe que não se deve comemorar o que está acontecendo contra o Yashá em Macapá. Sempre que a liberdade de alguém é violada a liberdade de todos é ameaçada.
Mas você não tem um mínimo de inteligência, não é?
Patético!
Que coisa mais nojenta isso! Como podem as autoridades constituídas, que deveriam zelar pelos direitos e pela lei, se valer do Estado para perseguir uma pessoa?
Você esteve certo o tempo todo, caro: vocês vivem mesmo sob uma ditadura.
Conte sempre com o apoio de todos os que aprenderam a admirar o que você escreve.
Juro que não acreditei quando a Catarina me contou a história. Que coisa mais absurda! Eu estou revoltado com essa ditadura escancarada que você está descortinando, aí no Amapá. Posso imaginar como você está revoltado também.
Força. Enquanto quem ama a liberdade não se entregar, os tiranos não vencerão.
É cômico ver a solidariedade dos fascistinhas. Que raça desgraçada a de vocês! Mesmo os que alguma vez discordaram do dono do blog agora se apressam a mostrar solidariedade. E a que? A um réu da Justiça! São todos iguais mesmo. Mereceriam ser todos processados e condenados por seus crimes contra a honra e contra a humanidade.
Que crimes? Anda, explica! Não se dá conta do papo furado que anda espalhando por aí? Você deveria se envergonhar!
Se tivesse um pouco de inteligência poderia perceber que a violação aos direitos individuais de uma pessoa é uma séria ameaça a todos. O que estão fazendo ao Yashá hoje pode ser feito a você amanhã, idiota! Aliás, se o regime que você tanto idolatra estivesse em vigor você já teria sido fuzilado.
Vamos ver se eu entendi a lógica vagabunda do tal de Paulo: ele quer que o Amapá (e suas autoridades) se comporte como uma ditadura - processando e "se possível" prendendo -, tudo para comprovar que o Yashá estaria errado ao classificar o Amapá como uma ditadura! Percebe as loucuras do seu pensamento, seu idiota?!
O mérito do que você escreve é tão visivelmente podre que eu nem me dou ao trabalho de criticar a forma, apesar de sentir náuseas depois de ler seus garranchos feitos sem o acento grave e trocando o mal (com "L") pelo mau (com "U").
Sim, vocês são todos uns bestas, mesmo! Não os amapaenses, como sociedade, mas os criminosos que pensam como você! Merecem a ditadura que têm!
Que absurdo! Como é possível que ainda exista gente como esse Paulo? Será que ele é mesmo gente? Duvido. Vai ver ele é só um soldadinho escalado pela ditadura do Amapá para atacar o Yashá em seu próprio site. Não seria estranho. Os regimes totalitários têm dessas táticas.
Gente nojenta!
Yashá, tenho certeza que a maioria dos amapaenses é diferente desse canalha! E digo isso mesmo sem conhecê-los. Não é possível que haja tanta gente desejando a prisão de uma pessoa que não cometeu crime nenhum!
É revoltante!
Caros leitores habituais do blog, não tomem as tolices do Sr. Paulo como parâmetro do pensamento de nós, amapaenses.
Sou conterrâneo dele e do Yashá. O Amapá realmente enfrenta uma realidade lastimável, em parte graças a uma gentinha bandida como o Sr. Paulo e as tais "autoridades" que ele parece defender. Por sorte existe também uma parte boa, como o Yashá e o juiz Marconi Pimenta, que cassou o prefeito eleito (sentença rapidamente suspensa pelo comprometido, atuante, honesto e probo TRE).
Realmente estamos às portas de uma ditadura aqui. É confortante saber que há pessoas sem medo de contar isso aos quatro ventos, mesmo sofrendo perseguições escabrosas do aparelho do estado. Uma pena. Uma vergonha.
Minha solidariedade ao Yashá. E meu repúdio ao Sr. Paulo, baluarte de tudo o que há de mais podre neste estado.
Não se preocupe, Jeferson. Sabemos que o povo do Amapá em sua maioria é inteligente e não morre de amores por nenhuma ditadura. É fácil saber que gente esperta não se sente feliz quando vê uma pessoa sendo perseguida por uma opinião.
Sabe o que eu acho? Que qualquer coisa feita contra você será muito bem feita! Se é preciso criar um fato jurídico e um processo judicial para silenciar os racistas, reacionários e conservadores como você, que assim seja. Sei que esse não é o melhor dos mundos, mas alguma coisa o estado precisa fazer para conter gente como você!
E tem mais! Você se acha muito importante para um joão ninguém! Que eu saiba você só tem esse blog vagabundo, nunca fez um filme nem de péssima qualidade! Como pode querer se comparar ao renomado cineasta americano? Vê se cresce, cara!
Cara, você não pode acreditar no que escreve. Ninguém pode ser assim tão podre por dentro. Com que autoridade você diz que qualquer coisa feita contra o Yashá será bem feita? Não sabe ler? Ele relatou uma perseguição pessoal do Estado contra uma pessoa, tudo por causa de uma opinião! Tem noção do que é isso? Se essa moda pega, você tem idéia do que pode acontecer às pessoas? Qualquer um, eu, você, ou o Yashá, pode ser perseguido! Essa não é uma questão pessoal, mas uma luta de todos! Luta pela liberdade!
Você é tão baixo que chega a concordar com o seguinte: "Se é preciso criar um fato jurídico e um processo judicial para silenciar os racistas, reacionários e conservadores como você, que assim seja."
Tem noção do que é isso? Você está dizendo que é aceitável ver o Estado se valer de sua força para cassar direitos das pessoas! Sempre que algo assim foi feito na história do mundo, o resultado sempre foi morte e terror. Basta ver o que foi a Alemanha de Hitler. Ou a União Soviéta do Stalin. É a esse tipo de gente que você está se comparando, cara.
É realmente de causar enjôo! Estou nauseado até agora com o que você escreveu.
E tem mais, quem seria o tal renomado cineasta americano? Será que você lei mesmo o artigo do Yashá? Tô achando que você confundiu Larry Rohter com Larry Flint. Foi isso? Que idiota, heim?
Sem palavras... O sujeito confundiu Larry Rohter com Larry Flint! Que tipo de animal é capaz de tamanha imbecilidade?
E a coisa é ainda mais grave, porque mesmo o Larry Flint nunca foi cineasta! Ele deve ter pensado no filme sobre a vida do cara (O povo contra Larry Flint) e criou essa associação estúpida.
Pobre Dario. Pelo visto exagerou na banana...
O comentário abaixo foi postado pelo leitor Paulo Souza em 04/01/2009, às 11h56min:
Rá, rá, rá! Não adianta nada ficar choramingando agora. Devia ter pensado nisso antes de sair por aí falando coisas tão graves sobre o Amapá e suas autoridades. Agora aguente as consequências. Pensou que podia ganhar alguma fala as custas de atacar esta terra? Se deu mau!
Eu moro aqui no Amapá e sei que o que esse sujeito escreve é mentira. Ele faz isso de propósito para enganar quem não é daqui e lê o que ele escreve. E vocês caem como um bando de #####! E depois nós amapaenses é que somos bestas.
Quanto a você, seu Yasha, só desejo que se dê muito mau na justiça! Espero que seja condenado e se for possível preso! Aí você aprende a chamar o Amapá de ditadura!
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