sábado, 28 de fevereiro de 2009

Israel: Kadima rejeita governo de unidade nacional e empurra Israel para a direita.

Da Folha Online:

A líder do centrista e governista Kadima, Tzipi Livni, rejeitou nesta sexta-feira formar coalizão de governo com o líder do partido conservador Likud, Binyamin Netanyahu (...) A rejeição de Livni, a segunda nesta semana, deve forçar Netanyahu a conceder aos pedidos e exigências da base de extrema direita que lhe garantiria a maioria no Parlamento.

"Nossa reunião concluiu sem acordo sobre as questões essenciais", declarou Livni, depois de uma entrevista de uma hora e meia em Tel Aviv com Netanyahu. "Apoiarei o governo que se formar em caso de necessidade. Faremos uma oposição responsável. Apoiaremos para fazer frente às ameaças contra Israel quando for necessário", enfatizou.

(...) "Antes destas eleições, prometi trabalhar em favor da unidade e, em consequência, estava disposto a ir mais longe no terreno das concessões", acrescentou, afirmando que ofereceu ao Kadima dois dos três ministérios-chave de seu gabinete (Defesa, Relações Exteriores e Finanças).

Já comentei aqui a situação pós-eleitoral de Israel. Pessoalmente, teria votado no Kadima, mais moderado e, a meu aviso, capaz de entabular um diálogo frutífero com a Fatah. Apesar disso, é impossível desconsiderar o resultado das urnas, que deu maioria ao bloco de direita, comandado por Netanyahu.

A democracia, caros, tem dessas coisas. Mesmo tendo sido o partido mais votado individualmente, o Kadima não teria maioria para governar, pois o bloco moderado ficou menor do que o bloco mais conservador. Por isso Netanyahu e o Likud receberam a prerrogativa de formar o novo governo.

Aí começaram as surpresas. O ex-Premiê, de inopinado, passou a falar em um governo de unidade nacional, juntamente com o Kadima da atual chanceler Tzipi Livni. Com isso, Netanyahu esperava formar uma maioria ampla, sólida e moderada, capaz de permitir a condução de um governo duradouro em Israel, sem precisar recorrer ao apoio dos partidos ultra-ortodoxos da direita religiosa. A idéia, convenhamos, é ótima.

Livni, porém, vem se mostrando irredutível. Não quer compor com os direitistas do Likud, por considerar o conservadorismo deles incompatível com as posições moderadas do Kadima. Com isso, ela se abstém de tomar responsabilidades em um futuro governo, mas empurra Israel para a direita, pois o futuro premiê jamais conserguirá maioria se não contar com os votos dos pequenos - e sectários - partidos religiosos.

Já mencionei que, fosse um israelense, escolheria o Kadima? Claro que já. Mas é sempre válido lembrar isso. Principalmente antes de escrever o que virá a seguir: os reacionários e direitistas de Israel foram os mais sensatos até agora. Foi o conservador Netanyahu quem propôs uma unidade nacional moderada, capaz de dispensar os ultra-ortodoxos (contrários ao processo de paz com os palestinos). Quem deu uma de radical e implodiu a iniciativa foram os moderados do Kadima.

O desfecho, a se confirmar, não deixa de ser um tanto triste. A afobação política do Kadima pode ser responsável por um retrocesso lastimável em Israel. Contudo, o resultado das negociações partidárias não deixa de ser uma bofetada moral no pogreçismo politicamente correto do mundo. Explico: tão logo foram divulgados os resultados da eleição, certa intelequitualidade se apressou em prever o armagedom. Segundo os çábios, a direita israelense - leia-se Netanyahu e Lieberman - seria dura, reacionária e acabaria com qualquer esperança de um governo moderado voltado para a paz. Passadas algumas semanas, o que se vê? Que as posições mais sóbrias e moderadas partiram dos... reacionários!

Qual o corolário de tudo isso? Que o pogreçismo politicamente correto estará sempre errado! Quando eles disserem "A", o certo será sempre "B". Acusaram Netanyahu de ser radical? Pois ele se comportou até agora como um moderado digno de fazer inveja ao alto escalão do Kadima.

6 comentários:

Lucas Torres disse...

Também não me conformo com a decisão da Livni. O Kadima seria um freio muito importante para os mais radicais de Netanyahu e de Lieberman.
Será que ela não quer compor o governo para que o Likud tenha uma maioria mais tênue e fique ameaçado de cair? Se for, é uma tática muito arriscada, porque se ele fizer um governo bem avaliado, fica no poder muito tempo e sozinho.
Sem falar que não é uma coisa muito patriótica e responsável.

Augusto Cesar disse...

Sei não, mas acho que o Kadima cabará sendo o maior derrotado nessa história toda. A falta de uma liderança forte e incontrastável (como era o Sharon) deixou os centristas meio desnorteados. Ficar num governo de unidade nacional ocupando a defesa e a chancelaria seria algo de importância inestimável, principalmente pro processo de paz, que Livni diz querer tanto.

Fábio disse...

Duas verdades que precisam ser ditas neste blog:

1 - o Likud não queria o apoio do kadima. Mentiu, para parecer bonzinho e moderado. Mas sempre soube que não poderia ficar junto com seus maiores adversários.

2 - o kadima não tem nada de moderado. É a direita radical. E o Likud é a ultra-direita religiosa. O resto é papo.

samuel disse...

Ao leitor Fábio: Esse julgamento apressado sobre a política de Israel e sua luta para sobreviver em meio a terroristas e radicais e numa imprensa esquerdopata, não ajuda a compreender a situação. Sugiro ler o excelente artigo de Caroline Glick no Jerusalem Post sobre a política de luta por sobrevivencia de Israel, escrito por algúem que está lá. http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1235410729960&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull

Notívago disse...

Que raio de verdades são essas, Fábio?! Se o Likud é mesmo "ultra-direita religiosa", o que seria o Avigdor Lieberman? "Ultra-hiper-mega-direita satânica? Fala sério... Vai estudar!

Anônimo disse...

Notei que o blogueiro gosta das coisas simples e diretas. Então lá vai:

Quem está com Israel é aliado dos EUA e a favor do massacre de velhos, mulheres e crianças palestinas.

Quem está com Israel defende o genocídio de um povo que só quer o direito de existir.