sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sobre o padre petista que foi suspenso.

Do blog do Josias de Souza, na Folha Online:

Até esta quarta-feira (25), o deputado federal Luiz Couto (PT-PB) dividia-se entre o exercício do mandato parlamentar e o sacerdócio.

Padre desde 1976, Couto celebrava missas aos sábados e domingos na paróquia de São José Operário, em João Pessoa. Porém...

Porém, Dom Aldo di Cillo Pagotto, arcebispo da Paraíba, cassou de Couto o direito de atuar como sacerdote da Igreja.

(...) A mão de ferro do arcebispo paraibano pesou sobre Luiz Couto depois que o deputado concedeu uma entrevista.

(...) Na boca de um deputado, as palavras de Couto soaram sensatas. Nos lábios de um padre, ecoaram polêmicas.

O deputado-padre declarou-se contrário ao celibato –"Não tem fundamentação bíblica. Deveria ser optativo"...

Manifestou-se a favor dos preservativos –"Defendo o uso da camisinha como uma questão de saúde pública..."

Atacou a discriminação aos homossexuais –"Devemos lutar no dia-a-dia contra o preconceito e a intolerância".

Não produziu nenhuma ofensa ao senso comum. Longe disso. Mas buliu com uma trinca de dogmas da Igreja.


O Vaticano, como se sabe, tem sólidas e divergentes posições sobre o casamento de padres, a contracepção e a união de seres humanos do mesmo sexo.

Para devolver ao deputado petista as atribuições de padre, Dom Aldo di Cillo Pagotto exige "retratação". Eis o que escreveu o arcebispo, em nota:

(...) Como deputado, Luiz Couto rendeu homenagens ao bom senso. Como padre, frangou um sábio mandamento de Carlos Heitor Cony.

Ex-seminarista, Cony ensinou: "Ser católico não é para quem quer, é para quem pode".


Devo admitir que comento o que vai acima com uma certa preguiça, afinal o trabalho de caçar e cassar os comentários que a legião vai rabiscar vai ser grande... Mas fazer o quê? Desafiar o senso comum virou uma constante neste blog.

Eu poderia ser ligeiro e dizer uma coisa óbvia: ninguém está na Igreja Católica porque é obrigado. Está porque quer. Assim, quem não pretende aceitar as regras da hierarquia Católica, pode simplesmente "pegar o banquinho e sair de mansinho". Simples, não? Criticar o Arcebispo por defender as regras e os dogmas da Igreja que ele representa é tão patético quanto questionar o estatuto do Flamengo por exigir que os candidatos a presidente sejam flamenguistas. Quer ser vascaíno? Que vá presidir o Vasco. Entenderam, não é?

Mas isso, já disse, seria muito ligeiro. Prefiro desconstruir o mito do "padre injustiçado" de forma mais categórica. Em primeiro lugar, é imprescindível lembrar que o sujeito, além de deputado, é um deputado petista. E daí? Ora, daí que ele empunha naturalmente as bandeiras próprias dos movimentos pogreçistas espalhado pelo país. Isso, creio, não segredo para ninguém. Todos sabemos que os petistas falam de ética, de igualdade e de justiça social com a mesma desenvoltura com que roubaram dinheiro público para financiar o mensalão. Adiante.

O padre petista declarou-se contrário ao celibato. Disse que não há fundamentação bíblica. Ora, isso é fácil de resolver: basta que ele se torne pastor! Sim, de fato não está na Bíblia a regra do celibato. Trata-se de uma norma da Igreja Católica, que deve ser obedecida por todos os seus membros. Santo Deus! Parece tão óbvio para mim. Eu não posso usar a piscina do clube dos funcionários do Bradesco, afinal não trabalho no banco. Da mesma forma, eles não podem usar a piscina do clube dos funcionários do banco Real. Assim, se o sujeito quer ser padre da Igreja Católica Apostólica Romana, deve observar as regras desta. Tão evidente quando dois-e-dois-são-quatro.

Sobre o uso da camisinha, nem há muito o que dizer. Quando algum pogreçistas do tipo intelequitual vem me apontar o dedo cobrando as tais "posições conservadoras" da Igreja que sigo - em especial sobre o uso da camisinha -, a coisa sempre se mostra muito divertida. Não raro, o valente - apoiado em sua lógica quadrúpede - diz coisas mais ou menos assim: "Se a Igreja recomendasse o uso da camisinha, haveria menos casos de gravidez indesejada e de contaminação por DST's". Eu, de braços dados com a boa e velha lógica cartesiana (a verdadeira!), respondo com uma indagação: Qual é a posição da Igreja sobre o sexo? Pois é... Isso sempre desarma os espertalhões.

O fato é que se todos seguissem o que diz a Igreja Católica, não haveria nenhum caso de gravidez indesejada, nem de DST, certo? Só que os moderninhos escolhem primeiro desobedecer a Igreja - e transam de qualquer jeito, com qualquer pessoa, a qualquer momento -, e, depois, obedecem-na ao deixar de lado a camisinha. Aí "pegou barriga" fica fácil colocar a culpa nos ensinamentos conservadores da Igreja, não é?

O padre petista considera o uso da camisinha como questão de saúde pública? Eu também! O que me intriga é outra coisa: por que diabos ele não foi ao cerne da questão? Qual é o cerne? Ora, o óbvio: faz-se cada vez mais sexo e sempre mais de modo irresponsável e inconsequênte. Por que ninguém discute quando e se é chegado o momento de - se me permitem - colocar "aquilo naquilo"? Sim, eu sei por quê. O pogreçismo politicamente correto considera isso muito careta, coisa de conservadores, reacionários, direitistas, feios, bobos e maus-feito-pica-paus.

8 comentários:

Fábio disse...

"O fato é que se todos seguissem o que diz a Igreja Católica, não haveria nenhum caso de gravidez indesejada, nem de DST, certo?"

Que teoria mais absurda é essa?! De onde você tirou isso? Tem algum estudo ou alguns dados matemáticos que comprovem essa tolice? Fala sério... Não sei como esse blog ainda tem leitores.

Volta e meia você encontra sempre um pretexto para defender a direita mais conservadora e preconceituosa que existe. E a Igreja católica é só um braço armado dela.

Lucas Torres disse...

"faz-se cada vez mais sexo e sempre mais de modo irresponsável e inconsequênte. Por que ninguém discute quando e se é chegado o momento de - se me permitem - colocar "aquilo naquilo"? Sim, eu sei por quê. O pogreçismo politicamente correto considera isso muito careta, coisa de conservadores, reacionários, direitistas, feios, bobos e maus-feito-pica-paus."

PERFEITO! Parabéns.

Regina disse...

Tá, entendi suas críticas ao padre. Entendi mas não concordo com elas.

Se você também acha que usar camisinha é questão de saúde pública, por que criticou ele? Só porque não foi ao tal cerne da questão que você mencionou? Mas alguém levaria a sério uma pessoa que começasse a falar sobre o melhor momento para iniciar a vida sexual? Isso mais parece piada.

Mauro disse...

Sabe por que venho sempre neste blog? Porque os textos têm a capacidade de nos levar a discutir verdades que sempre consideramos inatingíveis.
Eu concordo com a opinião do padre sobre as camisinhas. Mas entendo perfeitamente as cobranças que o Yashá faz a ele.
Por que não discutir o que realmente é importante? Brilhante!

olegario disse...

Yashá, boa noite.

Se o padre petista não COMUNGAR da cartilha do PT, vai ser sem dúvida, EXCOMUNGADO.
Quero ver ele negar o DOGMA do mensalão.

Agora debochar, espezinhar e ser rebelde sem causa dentro da Igreja Católica, isso pode.

Ele que vá catar coquinho.

Abraços.

Olegario.

samuel disse...

Fábio, a Igreja não é partido político. É uma ORGANIZAÇÃO centralizada. A blogueira está ressaltando o fato de que ele está afrontando os DOGMAS da organizaçao a que ele pertence. O que o desclassifica para pertencer à organizaçao. POR DEUS! essa logica atravessada de Flávio neste e nos outros talkbacks me faz crer ser ele o Petralha de plantão neste blog! Deve haver muitos, dinheiro não falta...

Notívago disse...

Não resta dúvida de que os jovens fazem sexo cada vez mais cedo. Além disso, a irresponsabilidade sexual é patente e deve ser encarada como uma questão moral, sim. Nisso concordo inteiramente com o Yashá. Por isso acho que o tal padre, principalmente sendo um homem público, deveria ter se dado ao trabalho de colocar o dedo na verdadeira ferida, em vez de se contentar em agradar o consenso politicamente correto do mundo.

Anônimo disse...

Aposto que no mundo ideal do blogueiro as regras da igreja são todas respeitadas e sexo só se faz depois do casamento. Ridículo!