Um empresário de Bari que é amigo de Silvio Berlusconi disse ter organizado 18 festas regadas a prostitutas e cocaína a fim de obter favores do premier italiano, segundo noticia na edição desta quarta-feira o jornal "Il Corriere della Sera". Gianpaolo Tarantini fez a confissão ao juiz Giuseppe Scelsi.
No depoimento, Tarantini confirmou todos os rumores que circulam na imprensa nos últimos meses sobre a sua relação com Berlusconi. Entre setembro de 2008 e fevereiro de 2009, o empresário organizou festas no palácio Grazioli, em Villa Certosa e em um spa de luxo (o centro Centro Messeguet de Todi, na Umbria), recrutando 30 prostitutas para ficarem à disposição de Berlusconi e outros convidados na esperança de obter favores do líder de Roma, especialmente na disputa de contratos. Entre as garotas de programa citadas estão uma atriz, uma apresentadora, modelos e até uma mulher identificada, de acordo com o "Corriere", como "a brasileira Camilla Cordeiro Charão".
(...) Tarantini contou, entretanto, que Berlusconi não sabia que as mulheres recebiam mil euros (cerca de R$ 2.700) quando passavam a noite com ele. Elas também não pagavam pelo táxi e pela hospedagem em hotel de luxo.
"Não fazia outra coisa senão acompanhar as mulheres à casa dele (de Berlusconi) e apresentá-las como amigas", disse.
A declaração sustenta a defesa apresentada por Niccolò Ghedini, advogado do premier, segundo a qual Berlusconi não cometeu delito, já que era apenas "utilizador final" das garotas de programas.
Os serviços sexuais eram destinados tanto a políticos da direita quanto da esquerda, de acordo com Tarantini. O empresário contou que alugou um apartamento para que Sandro Frisullo, um ex-ministro, tivesse encontros com a prostituta Terry de Nicolò, que de acordo com o "La Repubblica" visitou Berlusconi há algumas semanas em Roma.
Embora cortejasse diretamente Berlusconi, indiretamente Tarantini tinha um objetivo: aproximar-se de Guido Bertolaso, braço direito do premier e responsável pelo fechamento de contratos entre a iniciativa privada e a administração pública.
Em um país bananeiro e simiesco como o Brasil, algo daquela natureza seria contornado pelo governante de plantão, que cuidaria de minimizar tudo rapidamente. As relações promíscuas e escusas entre o público e o privado continuariam a corroer as instituições até que nada mais restasse, condenando a democracia como um todo.
Na Itália há uma boa chance de que tudo seja bastante diferente. Estou esperançoso de que o escândalo em questão sirva para enterrar de uma vez por todas a figura de Silvio Berlusconi, ponto termo a uma das páginas mais tristes da história da "velha bota".
Quem conhece a realidade política italiana não tem dificuldade para compreender o "fenômeno Berlusconi". O sujeito só consegue alguma notoriedade política lá porque as alternativas a ele são ridículas, tanto à direita, como à esquerda. Assim, o self made man consegue se vender como a perfeita força de equilíbrio moderado entre a direita mais tresloucada (aquela separatista e xenófoba) e a esquerda viúva do Muro de Berlim, que ainda se reúne para debater as macaquices de Marx e Lênin.
"Io resto l'uomo del fare.", bradou Berlusconi ao longo da última campanha eleitoral, que o viu terminar como vencedor. E, de certa forma, é verdade. Enquanto as várias coalizões de esquerda só sabem brigar entre si, discutindo temas relegados ao passado, as forças mais à direita aceitaram se colocar sob a liderança do empresário, ganhando sucessivas eleições. Em verdade, o atual mandato de Berlusconi está sendo o melhor - ou menor pior, como queiram - de todos. Ao menos do ponto de vista estritamente administrativo.
O problema é que um vagabundo será sempre um vagabundo. Um bandido será sempre um bandido. Um tarado será sempre um tarado. E é isso que Berlusconi é, alguém que não possui filtro moral de certo e errado. Por isso faz as coisas que faz e exige, dos demais, uma espécie de tolerância que não pode existir. E não vai existir.
Vocês não têm ideia de como os demônios ficam excitados quando uma notícia como essa surge. Baixam aqui e me apontam o dedo sujo, dizendo: "E aí? Fala que eles são melhores que nós agora!" Ah, falo sim! E sabem por quê? Porque lá, no mundo civilizado, o que vai acima é tratado como escândalo, afronta, sujeira, porcaria. Aqui é tratado como perseguição da mídia e dazelite... Não custa lembrar que no governo Lula houve o escândalo da mulher que aliciava prostitutas, lembram? E como acabou? Pois é...
Lá o buraco é mais embaixo - sem trocadilho, é claro. Lá, podemos estar certos de que Berlusconi está morto politicamente. É só uma questão de saber quando o governo dele vai cair oficialmente. O sujeito não vai se eleger pra mais nada depois dessa. Por isso eles são melhores que nós. E melhores em tudo!
2 comentários:
Figuras como Berlusconi não é previlegio da Italia, assim como o seu destino. Substimaram o poder de que o mantém, ou seja a ultra direita italiana que também se manifesta da mesma forma em outras partes. Pode ser primeiro mundo, mas as ações são iguais as nossas assim como os desfechos. vide o senado brasileiro
Espero mesmo que depois dessa os italianos se livrem de vez dele! Já deu, né?
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