quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Collor e as letras.

Ai, ai... Sabem por que o Brasil é um pequeno país terceiro mundista, condenado ao ostracismo eterno? Por notícias como a que vai abaixo, publicada no UOL:

Com 22 votos a favor e oito em branco, o senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL) foi eleito nesta quarta-feira (2) como imortal da Academia Alagoana de Letras (AAL). A posse do novo integrante, que ocupará a cadeira 20, está prevista para outubro, em data a ser definida pelo próprio ex-presidente da República. Para justificar a eleição, Collor enviou à Academia sete coletâneas de artigos e discursos publicados em gráficas oficiais. Para a maioria dos acadêmicos, o material foi classificado como "livro publicado" e, assim, garantiu o cumprimento de um dos critérios para eleição. Nenhuma das publicações foi vendida ao público em livrarias. (...) A última das publicações é "O relato de uma história", publicado pela gráfica do Senado em 2007. O livro foi o único original entregue e traz, na íntegra, o discurso do ex-presidente quando deu sua versão no Senado sobre o impeachment de 1992. (...) Integrante da comissão julgadora dos inscritos, a escritora Enaura Quixabeira assegura que o fato dos livros não serem vendidos em livrarias nem estarem disponíveis em bibliotecas não exclui uma candidatura. "Aqui não há política. Elegemos Collor porque ele é um cidadão culto e preparado. Colocamos um edital por 60 dias e ninguém mais se inscreveu. Ele pode contribuir muito com a nossa Academia. Como político, ele pode apoiar também a publicação de autores alagoanos em grandes editoras e em projetos nacionais, por exemplo", ressaltou. (...)

Farei dois breves comentários acerca da - se me permitem - "imortalidade" de Collor. Em primeiro lugar, gostaria de, metaforicamente, homenagear o oligarquinha da mamãe com um "não-comentário". Explico: não comentar a eleição dele para a AAL é a melhor maneira de estar à altura de sua - vá lá - "obra literária". Isso porque, está posto, o sujeito não escreveu absolutamente nada!

Em segundo lugar, faço eco ao que já foi dito pelo Reinaldo Azevedo em seu blog: Ainda bem que ele foi eleito sem ter escrito livro algum! Pior seria se Collor fosse mesmo escritor, não é?

No mais, convenhamos: o Brasil já contava com um imortal que discorreu sobre uma prostituta, cujos mamilos excitavam até os cães. Por que não ter um "com aquilo roxo"? E pensar que ainda tem gente que me critica porque aponto a pobreza da atual literatura brasileira... Santo Deus!

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