Da Folha de São Paulo (íntegra aqui):
A chanceler (premiê) Angela Merkel venceu as eleições parlamentares de ontem na Alemanha, obtendo votos suficientes para formar o primeiro governo de centro-direita no país nos últimos 11 anos. Projeções de TV estatais dão à conservadora União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, 33,4% dos votos, ao lado de seu partido-irmão na Baviera, a União Social Cristã (CSU). Seu parceiro preferencial para o novo governo, o Partido Democrata Liberal (FDP), obteve históricos 15%. "Alcançamos o objetivo de uma maioria estável para um novo governo", disse ontem Merkel, que se reúne hoje com o líder do FDP, Guido Westerwelle, para discutir a formação do governo. Seguindo a tradição, ele deve se tornar ministro das Relações Exteriores. Os números selam o fim do governo de grande coalizão formado pela CDU e o Partido Social-Democrata (SPD) durante os últimos quatro anos. Incapaz de fazer campanha de oposição sendo parte do governo e perdendo votos para outros setores da esquerda, o SPD sofreu sua pior derrota em 60 anos: obteve 22,7%, 11,6 pontos a menos que em 2005. "Este é um dia amargo para a social-democracia alemã. Lutamos e perdemos", disse o candidato a primeiro-ministro, Frank-Walter Steinmeier. "Na oposição, temos de assegurar que não haverá uma volta aos anos 90 [auge das reformas neoliberais sob o conservador-liberal Helmut Köhl]." (...) Os números mostram que não só o FDP, mas os demais partidos menores -Verdes e A Esquerda- também cresceram nessa eleição, em detrimento das legendas tradicionais. A Esquerda, criado em 2007, chegou a ultrapassar os Verdes. (...)
Angela Merkel, que chegou ao poder em 2005 sob muita desconfiança, firma-se como a mulher mais poderosa do mundo ocidental. E que se note: isso não é pouca coisa, não...
A vitória da CDU é um recado claro dos eleitores: a Alemanha quer a continuidade da gestão iniciada por Merkel, que ganhou importante destaque durante o período mais grave da crise financeira mundial. E chanceler alemã soube conduzir o país através dos obstáculos, sem se deixar seduzir por aventuras estatizantes - apesar das recorrentes pressões vindas de dentro do próprio governo, em especial do SPD.
Aliás, a nota dissonante da eleição de domingo vai mesmo para a chamada "esquerda tradicional" alemã. O SPD, mais antigo partido social-democrata do mundo, sofreu sua pior derrota em décadas. Chegou a perder incríveis 11% em relação à eleição passada, quando, comandado pelo então secretário-geral Shröeder, conseguiu ombrear com a CDU. O calcanhar de aquiles dos social-democratas foi a dificuldade de se comunicar com o eleitorado, afinal não podiam se apresentar como oposição, ao mesmo tempo em que insistiam em criticar a CDU e Merkel.
Não é, pois, difícil de entender o êxito das urnas: os eleitores mais afeitos à esquerda abandonaram, por ora, os moderados do SPD e migraram para a Linke, formada pelos partidos da esquerda mais radical. Trata-se, creio, de um movimento episódico, que não reflete uma radicalização do povo alemão, principalmente diante do grandioso resultado obtido pelos Liberais-Democratas (FDP). Estes últimos, aliás, poderão, juntamente com a CDU de Merkel, formar o novo governo - este de centro-direita - que ganhará vida nas próximas semanas.
A chanceler (premiê) Angela Merkel venceu as eleições parlamentares de ontem na Alemanha, obtendo votos suficientes para formar o primeiro governo de centro-direita no país nos últimos 11 anos. Projeções de TV estatais dão à conservadora União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, 33,4% dos votos, ao lado de seu partido-irmão na Baviera, a União Social Cristã (CSU). Seu parceiro preferencial para o novo governo, o Partido Democrata Liberal (FDP), obteve históricos 15%. "Alcançamos o objetivo de uma maioria estável para um novo governo", disse ontem Merkel, que se reúne hoje com o líder do FDP, Guido Westerwelle, para discutir a formação do governo. Seguindo a tradição, ele deve se tornar ministro das Relações Exteriores. Os números selam o fim do governo de grande coalizão formado pela CDU e o Partido Social-Democrata (SPD) durante os últimos quatro anos. Incapaz de fazer campanha de oposição sendo parte do governo e perdendo votos para outros setores da esquerda, o SPD sofreu sua pior derrota em 60 anos: obteve 22,7%, 11,6 pontos a menos que em 2005. "Este é um dia amargo para a social-democracia alemã. Lutamos e perdemos", disse o candidato a primeiro-ministro, Frank-Walter Steinmeier. "Na oposição, temos de assegurar que não haverá uma volta aos anos 90 [auge das reformas neoliberais sob o conservador-liberal Helmut Köhl]." (...) Os números mostram que não só o FDP, mas os demais partidos menores -Verdes e A Esquerda- também cresceram nessa eleição, em detrimento das legendas tradicionais. A Esquerda, criado em 2007, chegou a ultrapassar os Verdes. (...)
Angela Merkel, que chegou ao poder em 2005 sob muita desconfiança, firma-se como a mulher mais poderosa do mundo ocidental. E que se note: isso não é pouca coisa, não...
A vitória da CDU é um recado claro dos eleitores: a Alemanha quer a continuidade da gestão iniciada por Merkel, que ganhou importante destaque durante o período mais grave da crise financeira mundial. E chanceler alemã soube conduzir o país através dos obstáculos, sem se deixar seduzir por aventuras estatizantes - apesar das recorrentes pressões vindas de dentro do próprio governo, em especial do SPD.
Aliás, a nota dissonante da eleição de domingo vai mesmo para a chamada "esquerda tradicional" alemã. O SPD, mais antigo partido social-democrata do mundo, sofreu sua pior derrota em décadas. Chegou a perder incríveis 11% em relação à eleição passada, quando, comandado pelo então secretário-geral Shröeder, conseguiu ombrear com a CDU. O calcanhar de aquiles dos social-democratas foi a dificuldade de se comunicar com o eleitorado, afinal não podiam se apresentar como oposição, ao mesmo tempo em que insistiam em criticar a CDU e Merkel.
Não é, pois, difícil de entender o êxito das urnas: os eleitores mais afeitos à esquerda abandonaram, por ora, os moderados do SPD e migraram para a Linke, formada pelos partidos da esquerda mais radical. Trata-se, creio, de um movimento episódico, que não reflete uma radicalização do povo alemão, principalmente diante do grandioso resultado obtido pelos Liberais-Democratas (FDP). Estes últimos, aliás, poderão, juntamente com a CDU de Merkel, formar o novo governo - este de centro-direita - que ganhará vida nas próximas semanas.
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