quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A ditadura das "minorias" e o novo "oprimido" do mundo.

Leiam o que vai abaixo, publicado no portal de notícias do UOL (íntegra aqui):

Alunos transexuais e travestis da Unifap (Universidade Federal do Amapá) conquistaram, na semana passada, o direito de passar a usar seus nomes sociais (como preferem ser chamados) em documentos acadêmicos, com exceção do diploma. A resolução, inédita no Brasil, foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Superior da entidade e, embora ainda não tenha sido publicada, deve entrar em vigor em janeiro de 2010. Além de estabelecer a possibilidade de os alunos optarem por incluir seus nomes sociais nos documentos estudantis de todos os órgãos e colegiados da instituição, como carteirinha da biblioteca, certidões e no diário de classe, a resolução determina que travestis e transexuais devem ser respeitados nas chamadas de presença às aulas e em eventos acadêmicos como formaturas e entrega de premiações. (...) "Ainda não foi feito nenhum levantamento neste sentido, mas eu acredito que há sim travestis e transexuais entre os alunos e que a discriminação impede que eles se assumam", afirma Betânia Suzuki, funcionária do Departamento de Extensão da Unifap e integrante do Ghata (Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá), organização não governamental que luta pelos direitos da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e autora do pedido para que a universidade considerasse o tema. (...)

Certa vez afirmei aqui no blog que o novo oprimido do mundo é branco, homem, heterossexual, católico e de classe média. Como eu sei disso? Bem, é simples: há alguma ONG no mundo que proteja os interesses daquele grupo? Há um partido que os represente? Há intelequituais, artistas e personalidades promovendo abaixo-assinados em favor dele? Osmar Prado, Sebastião Salgado e Beth Carvalho se mobilizam por ele? E Vitor Fasano? E Cristiane Torloni? Pois é... Estamos ao relento...

O consenso politicamente correto definitivamente tomou o mundo de assalto e instaurou a ditadura das minorias. Agora, aquelas parcelas da população que o pogreçismo considera "historicamente injustiçadas", se tornaram cidadãos de categoria superior, aos quais o Estado deve benefício e proteção especiais. Tudo sempre com a desculpa de compensar os males supostamente praticados durante décadas, séculos, milênios. E nisso cria-se uma nova aristocracia assentada em um emaranhado de inconstitucionalidades as mais flagrantes.

A tal decisão da Universidade Federal do Amapá, por exemplo, é, a meu aviso, inconstitucional. Isso porque concede a um cidadão uma prerrogativa que a outros é deliberadamente negada. E isso com base em quê? Bem, em uma opção sexual. Temos o seguinte paradoxo insuperável: os homossexuais, que sempre reivindicaram um tratamento isonômico, passam a receber um tratamento diferenciado. Faço, pois, a pergunta que vai incomodar os politicamente corretos: Por que eles são melhores que os demais? Por que o travesti chamado "Roberto Almeida" pode escolher se chamar - sei lá... - "Priscila", ao passo que o "João Alberto", um heterossexual, não pode escolher se chamar "João Conquistador"? Simplificando: por que aquela tal "minoria" pode criar um nome-fantasia para si, enquanto a maioria não pode?

Isso não é novidade alguma no Brasil. A Lei Maria da Penha, tão festejada pelo pogreçismo, padece do mesmo vício: tenta dividir os indivíduos em classes, destruindo a essência da sociedade civilizada. No escopo de proteger as mulheres que são agredidas pelos maridos criminosos, o legislador acabou por dar à luz uma lei que eleva aquelas a um patamar superior ao dos homens. Há um exemplo recorrente que dinamita o arrimo da tal lei: o pai que agride a filha responde de acordo com a Lei Maria da Penha - sofrendo todos os seus rigores -, ao passo que, se agredir o filho homem, responde de acordo com o Código Penal - possivelmente livrando-se com algumas cestas-básicas.

Pois não contentes em separar homens de mulheres, os brasileiros cuidam de dar mais um passo no sentido da divisão social do país. Agora, elevam os travestis e transexuais a uma categoria superior às dos demais. E o já mencionado homem, branco, heterossexual, católico e de classe média vai ficando cada vez mais só, sem ter uma ONG para chamar de sua...

13 comentários:

George disse...

Mais um desses textos que eu salvei pro meu computador. Muito bom mesmo! Não é possível que a igualdade e a prevalência do indivíduo sejam destruídos pelo politicamente correto.

Lucas Torres disse...

"o novo oprimido do mundo é branco, homem, heterossexual, católico e de classe média."

Fato indiscutível e incontroverso!

Parabéns pelo ótimo texto.

Catarina disse...

Olha, no geral eu concordo com os princípios do que você escreveu.

Mas fico pensando... O sujeito que escolheu ser mulher, se vestindo e agindo como tal, não está apenas exercendo seu direito de ser livre? Assim, ele pode fazer isso, afinal não é ilícito. Estou certa? Acho que sim...

Não é lógico pensar que a liberdade dele não será plena enquanto não puder associar um nome à aparência (e à vida) que escolheu? Só não consigo entender onde isso extrapola a liberdade dele e afeta a minha (ou a nossa). Tipo: se o cara quer ser Priscila, problema dele, ué.

Juro que li e reli o post, mas não consegui ver onde meu raciocínio se quebrava...

P.S.: Nada de me maltratar em um texto sarcástico na página principal, viu?

Fábio disse...

É isso aí. Hitler morreria de inveja da sua retórica!

Agora a nova linha do blog é preconceito de gênero? Onde está a polícia?

Kitagawa disse...

Yashá, sinceramente, sua tese é estupida. É como alguém reclamar que o corpo de bombeiros atendeu ao seu vizinho que tinha casa em chamas, mas não atendeu a sua, que estava intacta. É como reclamar que o governo dá cadeira de rodas aos paraplegicos, mas não a vc que anda muito bem com as pernas.
Afinal, porque vc se incomoda pelo fato dos transsexuais terem o direito de assumir um nome feminino? Vc, mesmo não sendo transssexual, gostaria de fazer o mesmo? Sério, só dá pra entender isso como intolerancia, como homofobia pura.

Yashá Gallazzi disse...

Kitagawa,

respondo ao seu comentário com prazer. E aproveito para fazê-lo lançando mão de uma retórica um pouco mais decorosa, que, espero, vai inspirá-lo no futuro. Vamos lá:

Quando há um incêndio, o Estado DEVE intervir. Ninguém escolheu ser vítima do fogo, não é? Quando alguém, por uma infelicidade, fica paraplégico, o Estado deve socorrer. Ninguém escolheu sofrer um acidente grave, não é? Agora, uma observação "reacionária": o Estado não deve intervir sempre. Se o paraplégico tem recursos, ele deve se socorrer. Entendeu? Mas prossigamos.

Um pouco de lógica objetiva: se os homossexuais não podem ser tratados como cidadãos de segunda categoria, sendo diminuídos diante dos demais. E por quê? Bem, porque o Estado de direito garante uma coisa chamada isonomia. Tudo certo até aqui? Então vamos com mais um pouco de lógica: se um homossexual não pode ser diminuído, também não pode ser - se me permite - "aumentado".

Qual é o ponto? Simples: se nenhum direito pode ser tolhido ao homossexual, por que motivo algum direito especial deveria ser concedido a ele? Não podemos cerceá-lo em razão de sua homossexualidade, mas também não podemos privilegiá-lo em razão dela.

Acho que fui deveras claro, não. Volte sempre! Desde que os termos empregados nos comentários passem a atender as regras básicas de compostura, certo?

Anônimo disse...

O melhor é que eles fizeram uma lei para ninguém, eles não tem noticia de nenhum travesti mas já tem uma lei para eles, agora só falta sair a procura de um para chamar de oprimido.

Kitagawa disse...

Yashá, os transsexuais (e não os homossexuais como vc generaliza), também não escolheram nascer com o corpo errado. Vc sabe, transsexuais são como mulheres que nasceram com corpo de homem e vice versa. Assim, podem ser considerados cidadãos com necessidaes especiais. Aqui em São Paulo, não se pode portar cães nos metrôs. A não ser que seja o cão guia de um cego, o que é compreenssível. Nesse caso vc tbm acha que é um privilégio indevido?

No mais, te faço uma pergunta bem simples e objetiva: na pratica, o que essa permissão dada aos transsexuais afeta direta ou indiretamente voce, eu e o restante da população? Digo, essa permissão de alguma forma te lesa, te priva, te prejudica de alguma forma? Ela te tira alguma coisa de vc ou dá algo aos transsexuais que vc queira e não recebe?

Yashá Gallazzi disse...

Kitagawa,

noto que há uma incompreensão importante da sua parte. Você disse que transsexual é como o homem que nasceu com o corpo de mulher. Bem, isso não é correto. O transsexual é aquele homem que DESEJA ser mulher. Deseja, pois, fazer a transição para o outro sexo. Em síntese, é o sujeito cuja condição pessoal não reflete o gênero sexual exteriormente reconhecido. E isso, você há de convir, faz uma diferença enorme.

Como é algo que gira em torno, pois, da escolha pessoal e individual, não me atrevo a classificá-los como cidadãos com necessidades especiais. Essa fala, data vênia, parece inclusive bastante preconceituosa, não?

Sua preocupação parece girar em torno da seguinte questão: por que o direito de escolher um nome alternativo não pode ser concedido ao transsexual e o travesti? Perceba: poder até que pode. Desde que os demais também recebam tal prerrogativa. Por quê? Bem, porque ninguém pode discriminado em razão da sua opção sexual, não é? Assim, por que o heterossexual deve gozar de menos prerrogativas do que o transsexual e o travesti?

Toda condição que é fruto da liberdade de escolha individual deve gerar efeitos no âmbito da individualidade. É assim que funciona a sociedade livre e civilizada.

Gabriel Tatagiba disse...

Muito bom o texto

Yashá Gallazzi disse...

Lucas, George, "anônimo" e Gabriel, obrigado pelos comentários e pelos elogios.

orkute disse...

Bom, tegiversações a parte, não esqueçamos que vivemos em um estado liberal, onde o que importa é a volição, e neste molde, os interessados solicitaram essa igualdade de genero, não de sexo. Na social democracia o estado independe de provocação para mover suas engrenagens.Ah, justiça não existe, pois a igualdade somente é formal.

Antonio disse...

Rapaz, até tentei, mas não encontrei coerência nas suas teorias. Para mim, Kitagawa está mais coerente e tem mais domínio sobre as idéias.

Afinal, o que você propõe? Que todo mundo tenha também o direito de usar o nome que bem entender?

É só esse o seu argumento?