Li há pouco no jornal La Repubblica que a Justiça italiana de primeiro grau condenou o primeiro-ministro Silvio Berlusconi por fraude empresarial e fiscal. O episódio, conhecido como "Lodo Mondadori", pode ser conhecido em sua integral complexidade aqui. Além disso, os interessados poderão ler o inteiro teor da sentença prolatada contra Berlusconi, aqui.
Não vou aborrecê-los com transcrições e traduções, mesmo porque as nuances técnicas nos tomariam muito tempo. Prefiro, assim, resumir os fatos de modo bastante direto: a Justiça italiana apurou que houve fraude na gestão empresarial que aglutinou a editora Mondadori ao grupo financeiro Fininvest, ambos parte do império de Silvio Berlusconi. Em linhas gerais, fala-se em balanços financeiros maquiados e gestão fraudulenta, tudo com a concordância e a participação direta do premiê.
Desnecessário mencionar a gravidade do episódio. Berlusconi, sabe-se, sempre foi um bufão trapaceiro, que se socorreu da política para escapar da responsabilização por uma infinidade de irregularidades que cometeu ao longo da vida. O mundo sabe disso. A Itália sabe disso. O sujeito chegou ao ponto de mudar leis do Estado a fim de impedir a aplicação de penas contra seu império midiático, reduzindo a tradição democrática italiana a algo do tamanho de uma Venezuela.
Reações políticas.
A coalizão de governo da Itália, capitaneada por Berlusconi, já se apressou em tratar a sentença judicial como uma "tentativa de golpe contra a maioria legislativa". Mais que isso: Berlusconi chegou mesmo a acusar um "complô comunista. Um dos truques do premiê, aliás, sempre foi apelar para o forte sentimento anticomunista dos italianos, experimentados na tradição daquele que chegou a ser o maior partido comunista da Europa - criado sob as diretrizes do terrorista Antonio Gramsci. Mas essa conversa está se tornando velha, como Berlusconi.
A oposição de centro-esquerda, por sua vez, fala em crise moral do governo, mas não apresenta qualquer caminho ao país. Isso, aliás, leva parte da coalizão de governo a pedir - pasmem! - eleições antecipadas. Foi o que fez, hoje, a Lega Nord, partido xenófobo da extrema-direita italiana, que começou a defende o retorno às urnas, para que a sociedade diga quem deve ser a nova maioria encarregada do governo. A solução agrada tanto a direita, porque a esquerda tradicional italiana parece verdadeiramente morta e condenada ao esquecimento histórico, sem um plano de governo e uma agenda de reformas para apresentar ao país.
Por isso a Italia continua refém de Berlusconi e dos lunáticos que o cercam. Por isso as trapaças e vigarices do garanhão septuagenário passaram a ser encaradas como parte do anedotário político-cultural italiano, o que só concorre para a diminuição ainda maior das virtudes democráticas daquela península.
Espero que as leis sejam mesmo aplicadas com a necessária severida, e que Berlusconi seja apeado do poder. Se houver nova eleição e a direita vencer por falta de solidez no discurso da oposição, que assim seja. Os males da democracia só se corrigem com mais democracia, como sabemos todos.
Não vou aborrecê-los com transcrições e traduções, mesmo porque as nuances técnicas nos tomariam muito tempo. Prefiro, assim, resumir os fatos de modo bastante direto: a Justiça italiana apurou que houve fraude na gestão empresarial que aglutinou a editora Mondadori ao grupo financeiro Fininvest, ambos parte do império de Silvio Berlusconi. Em linhas gerais, fala-se em balanços financeiros maquiados e gestão fraudulenta, tudo com a concordância e a participação direta do premiê.
Desnecessário mencionar a gravidade do episódio. Berlusconi, sabe-se, sempre foi um bufão trapaceiro, que se socorreu da política para escapar da responsabilização por uma infinidade de irregularidades que cometeu ao longo da vida. O mundo sabe disso. A Itália sabe disso. O sujeito chegou ao ponto de mudar leis do Estado a fim de impedir a aplicação de penas contra seu império midiático, reduzindo a tradição democrática italiana a algo do tamanho de uma Venezuela.
Reações políticas.
A coalizão de governo da Itália, capitaneada por Berlusconi, já se apressou em tratar a sentença judicial como uma "tentativa de golpe contra a maioria legislativa". Mais que isso: Berlusconi chegou mesmo a acusar um "complô comunista. Um dos truques do premiê, aliás, sempre foi apelar para o forte sentimento anticomunista dos italianos, experimentados na tradição daquele que chegou a ser o maior partido comunista da Europa - criado sob as diretrizes do terrorista Antonio Gramsci. Mas essa conversa está se tornando velha, como Berlusconi.
A oposição de centro-esquerda, por sua vez, fala em crise moral do governo, mas não apresenta qualquer caminho ao país. Isso, aliás, leva parte da coalizão de governo a pedir - pasmem! - eleições antecipadas. Foi o que fez, hoje, a Lega Nord, partido xenófobo da extrema-direita italiana, que começou a defende o retorno às urnas, para que a sociedade diga quem deve ser a nova maioria encarregada do governo. A solução agrada tanto a direita, porque a esquerda tradicional italiana parece verdadeiramente morta e condenada ao esquecimento histórico, sem um plano de governo e uma agenda de reformas para apresentar ao país.
Por isso a Italia continua refém de Berlusconi e dos lunáticos que o cercam. Por isso as trapaças e vigarices do garanhão septuagenário passaram a ser encaradas como parte do anedotário político-cultural italiano, o que só concorre para a diminuição ainda maior das virtudes democráticas daquela península.
Espero que as leis sejam mesmo aplicadas com a necessária severida, e que Berlusconi seja apeado do poder. Se houver nova eleição e a direita vencer por falta de solidez no discurso da oposição, que assim seja. Os males da democracia só se corrigem com mais democracia, como sabemos todos.
1 comentários:
Conheci o blog hoje, depois de pesquisar notícias sobre o caso Berlusconi.
Parabéns pelo blog! Difícil encontrar informações tão boas sobre a realidade política italiana, que eu sempre tento acompanhar. Sou neta de italianos e tenho o maior prazer de participar da vida política italiana.
A permanência de Berlusconi no poder é vergonhosa! Mas também é preocupante notar que não há uma oposição organizada e séria na Itália. E ainda temos que aturar as ameaças de golpe da Lega...
Estarei sempre por aqui.
"Buona fortuna!"
Claudia.
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