quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Eleições 2010, as oposições e o óbvio.

Aécio Neves desistiu de ser candidato à Presidência da República pelo PSDB. A notícia é velha, eu sei. Mas é impossível não fazer aqui um registro do fato, ainda mais que agora estou de volta à base e que as curtas férias terminaram - a rotina, meus caros, é uma coisa libertadora.

Na verdade, eu escrevi algo a respeito no dia de Natal, em minha coluna semanal publicada lá no Perspectiva Política, do meu querido amigo Bruno Kazuhiro. Na ocasião, analisei a desistência de Aécio da única maneira possível: aquela lógica.

O neto de Tancredo caiu fora porque percebeu que simplesmente não consegue arrebatar os corações dos brasileiros que vivem para além das monanhas mineiras. E um projeto presidencial só pode ser encarado com alguma seriedade quando o postulante é nacionalmente conhecido. Em outras palavras, temos que Aécio, pelo PSDB, vinha padecendo do mesmo mal que acomete Dilma, pelo PT: o de não cair no gosto dos eleitores. Com um agravante em desfavor do mineiro: ele não conta com um cabo eleitoral como Lula...

Querem saber quando a candidatura de Aécio morreu? Quando ele apareceu no horário eleitoral de televisão dizendo algo mais ou menos assim: "Você pode não me conhecer, mas..." Ora, "mas" nada! A essa altura dos acontecimentos, ou o eleitor conhece o candidato, ou o candidato simplesmente não é... candidato! Só mesmo no Brasil - e no PSDB - é que intenção de voto acaba sendo tratada como problema. "Ah, fulano lidera em todos os cenário e vence até no primeiro turno? Então não pode ser candidato! Melhor escolher o outro, que tem a metade dos votos e perde em todos os cenários." Sabem qual é o problema mais grave do Brasil atual? É que o ridículo da oposição é exatamente igual àquele do governo: não conhece qualquer limite.

Ao abdicar de ser candidato, Aécio foi sensato. Percebeu que não tinha chances de vitória, e fugiu de um embate que seria sanguinário, afinal a máquina de moer reputações do petismo já está em campo, funcionando a todo vapor. O mineiro, porém, ainda não mostrou toda sua astúcia e inteligência política.

Para tanto, será indispensável que embarque com toda sua forçana campanha presidencial de José Serra, ajudando a oposição a apear o PT do poder. Exercendo um papel determinante na campanha vindoura, Aécio poderia se cacifar em definitivo como o nome do furuto, aquele que poderia dar sequência a uma administração tucana a partir de 2014 - não acho nada improvável que Serra sirva ao país por apenas um mandato.

No mais, diferente da imprensa suvserviência ao lulo-petismo, não vejo qualquer prejuízo a Serra e às oposições como resultado da desistência de Aécio. Antes, vejo vantagens: Serra agora pode jogar o jogo valendo-se das mesas manobras usadas até aqui apenas por Dilma e pelo PT. Afinal, o paulista é o candidato, mesmo não precisando (não podendo) admitir absolutamente nada...

Finalmente, concluo que a candidatura de Aécio não era a minha escolha. Tenho algumas divergências ideológicas interessantes com o mineiro, afinal não gosto nada dessa coisa do "pós-Lula". Sou um eleitor de oposição que deseja - vejam que coisa! - uma... oposição! Aliás, não há notícia de democracia no mundo que tenha sido virtuosa sem o contínuo embate entre situação e oposição. Minar o confronto democrático em nome de um suposto "entendimento nacional", de uma tal "convergência supraartidária" é truque retórico.

Eu quero mais é um candidato que coloque o dedo na cara da terrorista e diga, sem medo de errar, que ela foi cúmplice moral de assaltos e assassinatos. Que mostre ao país a amizade espúria que este governo tem com ditadores os mais sanguinários, como Ahmadinejad e Castro. Aécio, com sua conversa de "não-enfrentamento", jamais faria algo assim.

"Ah, mas Serra também nunca fará isso.", dirão vocês. Sim, é verdade. Aliás, quem disse que Serra é o meu candidato ideal? Não é. Ele é - como direi? - muito "de esquerda" pro meu gosto... Mas Serra é o que há. O paulista - e isso é inegável - é a melhor chance que o país tem de abater o petismo, escorraçando-o do poder. Cumpre não perder tal chance.

2 comentários:

Bruno Kazuhiro disse...

Em primeiro lugar, concordo plenamente: A rotina é libertadora.

Quanto à corrida presidencial, acredito que Aécio jogará seu cacife em Minas a favor de Serra para fortalecer Anastasia. Não acredito que ele crê que Serra, se vencer, o deixará concorrer em 2014.

celsoJ disse...

E se for FHC?