quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Melhoras lentas e graduais.

Caros,

o blogger está voltando ao normal. O ritmo, é claro, ainda é muito devagar. Algumas postagens ainda são publicadas só quando o Google quer - e não quando eu quero -, o que causa séria dificuldades de gerenciamento.

A boa notícia é que a moderação de comentários está voltando a funcionar, ainda que não a todo vapor. A fila que se formou na moderação também contribui para que a publicação seja mais lenta do que eu gostaria. Sabem como é: nova fase no blog - é preciso caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo... Trocando em miúdos: dá um certo trabalho "dedetizar" as janelas de comentários, afinal a legião - de demônios - continua nos assombrando. Um dia vou descobrir quem os convidou a vir até aqui...

Alguns comentário já foram publicados. Outros, não. Isso não quer dizer que aqueles ainda ausentes tenham sido rejeitados pela administração do blog. Aliás, as pessoas inteligentes que frequentam este espaço já sabem: só são rejeitados aqueles escritos que não atendem às regras basilares de boa educação descritas na caixa de comentários. Ah, claro! Também não são aceitos os que proferem impropérios contra este escrevinhador, afinal não sou tolo o bastante para manter um site que dê abrigo a quem pretenda me atacar.

Ainda há pouco recebi um e-mail do suporte do Google, dizendo que em 72 horas todos os serviços do blogger devem estar plenamente normalizados. Para quem já esperou praticamente uma semana, parece animador.

Este post ficará sempre no início do blog, até que tudo volte ao normal. Tudo para que os leitores saibam, desde o primeiro momento, que estamos com alguns probleminhas técnicos.

Continuem firmes. Levando em conta a situação em que operamos, devo dizer que os número são animadores. Desde que os problemas começaram, recebi cerca de uma centena de comentários. Lógico que pelo menos a metade foi sumariamente apagada, posto que redigida por gente que, deduzo, não sabe ler, afinal não observavam as normas para publicação. O restante é que continua em processo de moderação, afinal a patrulha ideológica do pensamento politicamente correto tenta até afetar alguma civilidade para aparecer aqui. Mas não terão vida fácil. Vamos continuar caçando e cassando eles.

Por falar em patrulha, recebi vários comentários de alguns leitores do nordeste, do sul e do sudeste sobre um post em que tratei do Fórum Social Mundial - aquele convescote entre muitos utopistas, alguns ditadores e um punhado de terroristas. Trato disso a seguir.

Retomada lenta e gradual.

Caros,

o post abaixo deixa claro o quanto a minha vida mudou nos últimos dias. Ainda não foi possível encontrar a perfeita harmonia entre o ritmo do herdeiro e o meu. Não consegui adequar o tempo de fazer as coisas importantes para ele, com o tempo destinado ao restante - inclusive o blog.

Nos próximos dias eu retomarei as atividades, de forma lenta e gradual. Há textos interessantes no forno, sobre as presepadas de Tarso Genro - o filoterrorista; sobre a posse do Presidente-de-ébano; e sobre a guerra entre Israel e o Hamas.

Talvez eu aproveite os momentos de insônia paterna para escrever algo, que tal? Um pouco mais de paciência, que já retorno.

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Atualização: Apesar dos cuidados para evitar determinados tipos de comentários no blog, alguns ainda escapam à vigilância. Neste período de "recesso" deste escrevinhador, um querido amigo vai nos ajudar revisando todos os comentários escritos nos posts mais recentes. Aqueles comentários que não atendem às regras básicas de elegância e decoro serão "copiados" e, depois de suprimidas as palavras apelativas, "colados" novamente. Isso em deferência aos leitores, que ainda não foram apresentados formalmente às regras acerca dos comentários - o que será feito a partir de hoje (vide texto na janela de comentários). E isso tudo sem mencionar que, convenhamos, algumas regras prescindem de qualquer apresentação, não é?

A única coisa que importa.

A coisa mais importante na vida de alguém não precisa de muitas tergiversações retóricas para ser dita. Basta uma frase direta e eloquente: Hoje nasceu meu filho. O que precisaria ser dito a fim de complementar o que vai acima? Nada.

Por um momento é possível compreender que nada mais importa, afinal conheci a única coisa que verdadeiramente importa. O conflito no Oriente Médio é só um aborrecimento jornalístico; as falcatruas dos petralhas não significam nada de relevante; o comportamento rasteiro e vergonhoso desta República filoterrorista não me interessa mais nada. Porque tenho em meus braços um pequeno ser de 3,3 Kg e que mede 51cm. E segura em suas pequenas e frágeis mãos o meu coração, onde passará a bater pelo resto da vida.

O milagre da vida é mesmo algo inexplicável. Meu amado filhote não só trouxe uma nova razão de ser para minha simplória existência. Também permitiu que eu me apaixonasse uma vez mais por sua mãe, capaz de unir em seus traços poéticos a fragilidade de uma moça à força de mulher incrível, que vai estar ao meu lado e me protegerá para todo o sempre.

Caros, as palavras esquivam-se do meu teclado, ligeiras como a respiração delicada da pessoa mais importante que habita este cômodo de onde escrevo. Isso acontece por uma obviedade tão incontestável quanto o nascer do sol: não há palavras suficientes para descrever o maior amor do mundo. Por isso eu me despeço, para curtir a insônia que vem a reboque da paternidade. E, sim, acho tudo muito divertido agora. Afinal tenho que acordar para velar o meu filho!

Pedras no caminho.

Caros,

o blogger está com alguns problemas sérios. Há uma grande dificuldade, por exemplo, para moderar os comentários. Eu poderia, querendo, cancelar a moderação prévia e permitir que todos fossem imediatamente publicados, mas isso seria ligeireza da minha parte. Além do mais, há sempre os indecorosos, que insistem em bater ponto neste espaço (quem os convidou?)... Assim, melhor suportar as dificuldades do presente e garantir um espaço melhor, em breve. Portanto, não desistam. Postem seus comentários livremente, que a moderação e a publicação serão feitas dentro do que for possível.

A atualização de posts não anda fácil. Para que tenham uma idéia, hoje foi mais fácil escrever a partir do e-mail do celular, do que diretamente no site. Uma lástima.

Um amigo - versado em informática - disse que o blogger do Google, por ser um serviço oferecido gratuitamente, costuma apresentar alguns problemas. Sugeriu que eu contratasse um blog de algum provedor, para melhorar os recursos. Mas, sabem como é... Ainda não estamos com essa bola toda.

E que se note: eu disse AINDA... Em breve, quem sabe...

Reacionário, eu? Depende...

Este texto é um tanto longo, mas imprescindível. Tenham paciência e vamos à luta.

A legião me cobra responsabilidade paterna.
Um post que escrevi sobre o Fórum Social Mundial rendeu - e ainda rende - vários comentários. A maioria, infelizmente, foi pro lixo, afinal não vejo motivo para tolerar em meu próprio blog palavras que não engrandecem o debate. Aliás, percebi algo interessante: muitos comentários chegam formando uma espécie de "corrente unitária de pensamento", inclusive proferindo os mesmos impropérios contra este escrevinhador. Não representam, assim, idéias de indivíduos, mas a ação organizada de uma legião - como os demônios. Mas já divago. Retomo.

A maioria dos comentários vieram do sul e do sudeste do país. Em seguida, alguns do nordeste. Percebi que poucos - muito poucos, mesmo - tentam sustentar a teoria de que o FSM é um evento de intelectuais destinado apenas à construção de um mundo melhor. Por outro lado, até aqueles que gostam do encontro admitem que lá acontecem coisas que nada têm de acadêmicas, pelo contrário.

O que mais me deixou curioso, porém, foram alguns comentários que tentaram apelar ao meu "senso de responsabilidade paterna", em especial dois - um vindo do nordeste e outro do sul. Não os publiquei porque recheados de impropérios os mais vulgares, mas traziam também um questionamento mais ou menos nestes moldes: "Lemos que você tem um filho. Deveria ter a cabeça mais aberta para as coisas diferentes do mundo e não ser tão reacionário." Hum... Será? Veremos.

Reacionário? Mas e as festas raves?
Socorri-me do dicionário. Lá encontrei a definição para reacionário (um adjetivo que os pogreçistas e revoluçonáros adoram proferir contra qualquer um que não comungue de suas idéias): deriva da palavra reação, que significa ato ou efeito de reagir; ação que resiste ou se opõe à outra; resistência. Feito isso eu pensei, meditei e concluí que sou, sim reacionário em determinadas ocasiões, afinal reajo frontalmente a algumas ações que, creio, contribuem apenas para deteriorar o modelo de mundo em que acredito. Mas retornarei a este ponto logo mais. Interrompo o raciocínio para propor um pequeno exercício de imaginação:

Como alguém que se tornou pai há pouco tempo, eu sei que farei o possível e o impossível para afastar meu filho das drogas. Sim, sou aquele tipo de gente "careta" que não gosta dos entorpecentes... Fazer o quê? Assim, vou impedir peremptoriamente que meu filho frequente festas rave, afinal todos sabemos que ali há drogas as mais diversas e em abundância. Sim, eu sei que há também pessoas não dadas ao vício em tais festas. Gente até muito boa e que poderia proporcionar grandes amizades ao meu menino. Mas isso não retira o fato de que continuariam a existir as drogas e os traficantes, não é? Assim, eu não permito ao meu filho que participe de uma rave, porque o mal ali existente suplanta - e muito - o bem.

Mas e o Fórum?
E o que isso tem a ver com o Fórum Social Mundial? Ora, sabe-se que ali também são comuns as bebidas alcoólicas e as drogas, principalmente nos tais alojamentos coletivos e nos acampamentos da juventude. Aliás, o "clima de woodstock" nem pretende ser disfarçado, pois representa parte da ação contestatória ao modo de vida tradicional. Sou eu quem diz isso? Não. São os fatos - e os demonstrarei a seguir. Logo, aplicando a mesma lógica concernente às raves - e eu sou aborrecidamente lógico, admito - meu filho não vai ao FSM, porque as supostas "boas experiências" que ele poderia vivenciar lá não minimizam os riscos da convivência com práticas que eu considero deletérias e criminosas. Estou errado? Pode ser. Mas cada um educa sua prole como bem entende, não?

O outro mundo deles desmistificado com fatos.
Eu mencionei fatos, não foi? Vamos a eles. Abaixo transcrevo uma matéria sobre o tal acampamento da juventude, publicada no portal Carta Maior. Para quem não sabe, trata-se de um site amplamente de esquerda (aquela radical, mesmo), portanto não poderia haver cobertura mais favorável ao FSM, não é? Ao texto:

A liberalidade dos comportamentos, o gestual agressivo de uns poucos, o figurino inusual de outros tantos, o cheiro de fumaça e incenso no ar, pouca roupa, tatuagens de dragão e borboleta, camisetas de algodão e jeans, saias com estampas orientais, ícones revolucionários já absorvidos pelo mercado fashion, negros e loiras ostentando dreadlocks (que não nasceu com os hastafaris, mas entre antigos povos da Índia), índios tatuando brancos, e estudantes, muitos estudantes num trotoir incessante que parece sem destino. É mais ou menos isso o que vê um primeiro olhar lançado sobre o Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social de Belém. A impressão woodstockiana é inevitável. Como no festival hippie de quarenta anos atrás, os acampados de Belém bradam palavras de ordem contra a guerra, ainda defendem (e alguns mais corajosos exercitam) o amor livre e criticam o capitalismo. (...)
Para além da "bichogrilagem", o acampamento abriga debates sobre temas importantes como direitos humanos, quilombolas, indígenas, reforma urbana, mulheres, saúde, economia solidária, internet, democracia participativa, energia e educação. “Um laboratório de práticas socialmente transformadoras cujo objetivo é a produção de referências simbólicas comuns” (...)
(...) Visivelmente espantado com a gritaria dos estudantes de outro matiz, a UJS do PCdoB, William Akay, 23 anos, indígena do povo Wai-Wai e morador da aldeia Mapuera às margens do rio Trombeta (divisa entre Pará e Amazonas), diz que não está gostando do Fórum: “Parece que índio não pode viver como qualquer outro povo, tem que viver como bicho”, reclama diante do permanente assédio de brancos que, sem pedir licença, postam-se ao seu lado para tirar fotografias. “Não somos animais de um zoológico. Eu ainda consigo dizer que não quero, mas eles (apontando para outros jovens índios de seu povo), não sabem falar português e não podem fazer nada”.
A secundarista Raísa Rosa, 17 anos, também não pode fazer nada quando, na marcha de abertura do Fórum, foi assaltada por dois homens que lhe roubaram a bolsa com todos os documentos, algum dinheiro e a máquina fotográfica. (...) O assalto fez com que você ficasse com uma impressão ruim do Fórum?, pergunta o repórter. “Claro que não. Isto aqui é uma mostra do mundo e eu adoro o mundo”.
Nem todos, entretanto, conseguem decifrar o espírito do acampamento. É o caso do auxiliar de escritório belenense César Raimundo Gomes, 18 anos, que confessa não ter “nenhuma identificação com aquilo lá”. O rapazote vai mais longe: “Sugiro que os jovens de Belém se mantenham afastados da UFRA”. UFRA é sigla que designa a Universidade Federal Rural da Amazônia, cujo campus abriga o Acampamento.
(...) É possível encontrar Coca-Cola “o líquido negro do imperialismo”, mas disfarçada e servida em sacos de plástico transparente (“para pensar que é suco de açaí”, confessa uma vendedora ambulante) com direito a canudinho. (...) críticas também ao trânsito na rodovia de acesso e temores com a segurança já que boatos sobre assaltos e até estupros circulam de boca em boca. (...)

O que vai acima é, repito, o retrato - como dizer? - "bonzinho" do Fórum. E, mesmo assim, já encontro uma série de coisas que confirma os meus preconceitos. "Cheiro de fumaça"? "Pouca roupa"? "Gestual agressivo"? "Exercício do amor livre"? Em nome de que diversidade cultural alguém deve achar um lugar assim próprio de ser frequentado? Eu não! Ainda mais quando se tem notícia de que ocorrem assaltos e estupros! Eu me acho no direito de perguntar: que tipo de gente há ali? Apesar disso, o mais grave é a moral depravada de algumas figuras que lá estão, sob o pretexto de mudar o mundo. Leram o relato do jovem índio? Pois é... Para os construtores do "outro mundo poçíveu" índio só é bom se for dessezengajádu. Os pogreçistas não querem saber de índio que gosta de escola, computador e internet. Querem é guardar de lembrança as fotos com os tais "povos da floresta". Como alguém pode sair engrandecido intelectualmente depois de conviver com gente assim?

Outros reacionários.
Estou sendo paranóico e exagerado? Talvez. Mas acho que não estou só nessa. Vejam o que o economista Rodrigo Constantino fala sobre o Fórum (íntegra aqui):

No seu livro sobre as multidões, Gustave Le Bon tenta definir o que seria uma massa de pessoas, sob o ponto de vista psicológico. Vou deixar a definição a cargo do autor original: "Uma massa é como um selvagem; não está preparada para admitir que algo possa ficar entre seu desejo e a realização deste desejo. Ela forma um único ser e fica sujeita à lei de unidade mental das massas. No caso de tudo pertencer ao campo dos sentimentos, o mais eminente dos homens dificilmente supera o padrão dos indivíduos mais ordinários. Eles não podem nunca realizar atos que demandem elevado grau de inteligência. Em massas, é a estupidez, não a inteligência, que é acumulada. O sentimento de responsabilidade que sempre controla os indivíduos desaparece completamente. Todo sentimento e ato são contagiosos. O homem desce diversos degraus na escada da civilização. Isoladamente, ele pode ser um indivíduo; na massa, ele é um bárbaro, isto é, uma criatura agindo por instinto."
Não há como ler tal definição e não pensar nas criaturas que compõem o Fórum Social Mundial. Junto àquela multidão de milhares de pessoas, encontramos de tudo, uma verdadeira Torre de Babel.
(...) Desde jovens drogados, tentando reviver o Woodstock, passando por líderes de movimentos revolucionários e chegando até economistas teoricamente renomados, todos repetem as mesmas coisas. (...)
(...) Não existe soluções práticas propostas, não existe debate lógico e imparcial. Os opositores não são convidados para debater. (...)
(...) Clamam por liberdade de expressão ao lado de tiranos que suprimem tal liberdade em seus quintais. Se intitulam pacifistas enquanto jogam coquetéis Molotov em policiais. Chamam Bush de terrorista enquanto apóiam o ex-ditador genocida do Iraque. (...)

Só mais uma opinião reacionária? Quem sabe... Mas eis que encontro em uma edição da VEJA de 2003 (número 1788) a seguinte frase, dita por um participante do Fórum: "ABAIXO A REPRESSÃO, TODO MUNDO PELADÃO!" Ah, cumpre informar que o dito cujo proferiu tal lema - recheado de valores de progresso, igualdade e fraternidade - enquanto várias pessoas corriam nuas por Porto Alegre. Digam lá: um tipo de gente assim não é animalesca? Não é vagabunda? Não é a escória do mundo? É isso, ou então há uma verdadeira e irreversível inversão de valores nestepaiz.

Mas há excessões.
Um comentário vindo de Campinas disse algo mais ou menos assim: "Eu vou ao FSM, mas não participo da baderna. Até discordo dela, pois acredito que deturpa o sentido primordial do evento. Você não pode generalizar!"

Concordo plenamente. Tanto que não generalizei nada. Vejam, caros, quando alguém diz que "a polícia é corrupta", ou que "os deputados são lenientes", ou ainda que "os jovens são alienados", deve ser tido como um generalizador ligeiro? Claro que não. São forças de expressão que buscam retratar indignação diante de uma conduta específica que diminui todos nós, como cidadãos e seres humanos. Eu, por exemplo, não me sinto pessoalmete atingido quando ouço que "os servidores públicos são ineficientes", porque sei que a crítica não se dirige a mim, o indivíduo. Mas trata de um comportamento coletivo específico.

No mais, é despiciendo dizer que não citei "A", "B" ou "C". Muito menos acusei os estudantes do Recife, ou - sei lá eu... - de Santa Catarina de qualquer coisa. Minhas críticas foram diretas para aquelas pessoas - animalescas e vagabundas - que se deslocam até o FSM para aventuras sexuais, etílicas e afins. Tratei do determinado tipo de gente que precisa ser advertido a manter suas roupas no corpo. Difícil compreender isso? Só se o objetivo do leitor for deturpar o texto - coisa que a legião faz com frequência.

O que diz Reinaldo Azevedo.
E já que me acusam de ser reacionário, cito os escritos daquele que talvez seja o reacionário mais odiado pelo pogreçismo do Brasil: Reinaldo Azevedo. Sobre a distribuição de 600 MIL CAMISINHAS no Acampamento da Juventude, o blogueiro diz o seguinte:

(...) Muitos estão tratando com certa ironia ou contraposição essa história de distribuir 600 mil camisinhas no Fórum Social Mundial... Bobagem, gente! Façamos campanha para que dobrem o número. Conforta-me saber que estão sendo criadas algumas barreiras para que essa gente se reproduza. Imaginem um baby boom entre freqüentadores do Fórum Social Mundial. Na América Latina, seria aquela profusão de remelentinhos com nomes de sotaque nativista ou apelando a elementos da Mãe Natureza. Arghhh...
(...) Esse negócio de fórum é pra isso mesmo, gente. Desde quando eu estava na faculdade. Desde quando as pessoas fazem fóruns... Havia um encontro de comunicação que tinha uma sigla qualquer, nem lembro direito. Sei que a gente fazia um trocadilho e virava “Comequem”. "Você vai ao Comequem neste ano?" A diferença, naqueles “loucos” (???) anos 80, com a ditadura já a meio-pau, é que nós mesmos arcávamos com as despesas de nossas aventuras “intrafemurais”, para usar uma expressão do escritor mineiro Autran Dourado. Hoje em dia, os governos fornecem a cama, a camisinha — se preciso, até o companheiro ou a companheira... Lula vai dar R$ 143 milhões para essa comilança.
(...) Convenham: usando o preservativo, essa turma estará fazendo coisa mais útil.
(...) Bom é ser do Fórum Social Mundial. O dinheiro público é devidamente usado para comer, beber e comer. (...)

Não é só. Azevdo também acerta quando diz o que segue:

(...) Você deve estar curioso para saber que diabo vem a ser “Abya Yala”. Ah, gente: é “América Latina” na língua da etnia “Kuna”, que habitava (habita ainda? Sei lá eu...) o Panamá e a Colômbia. Abya Ayala vivia em paz antes de Colombo vir perturbar nosso sossego com a Pinta, a Nina e a Santa Maria. Pô, aqueles povos poderiam estar até hoje oferecendo suas virgens a deuses nativos, autóctones... Em vez disso, vieram os europeus com aquelas complicações da Trindade, do Três em Um, com o Filho sendo Pai de si mesmo... Ganhamos uma teologia mais complexa e o sucrilho, mas e a felicidade eterna? Esses representantes de Abya Ayala estão no Fórum Social Mundial de Belém — que custou aos cofres públicos quase R$ 100 milhões. A atividade mais importante do evento é a distribuição de 600 mil camisinhas para a Dança do Acasalamento no Jurassic Park. É prevista para hoje a presença de Lula, que estará acompanhado de democratas como Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. A delegação brasileira inclui ainda 13 ministros de estado. Na tragédia de Santa Catarina, que me lembre, foram apenas dois. (...)

Pois é... Parece que eu sou mesmo reacionário. Isso porque reajo frontalmente quando vejo dinheiro público empregado em um convescote entre ditadores, terroristas e um bando de gente que está mais preocupada em exercitar o amor livre do que realizar qualquer outra atividade... Perdoem-me os pogreçistas, mas não vejo nada auspicioso para o futuro do mundo nisso.

E se o Fórum fosse de direita?
Aliás, estou convencido de a maioria das críticas a mim dirigidas são resultado de hipocrisia pura e simples. Querem a prova? Lá vai: imaginemos que alguns grupos de extrema-direita se juntassem em um Fórum da catiguria. Movimentos fascistas, nazistas, homofóbicos e outros tão ou mais abjetos, incluindo jovens que montariam acampamento durante o evento. Vamos além e suponhamos que o governo federal - com o nosso dinheiro - decidisse injetar a bagatela de R$ 100 milhões para ajudar a turma da direita em suas atividades, além, é claro, de fornecer camisinhas a dar com pau (se me permitem o gracejo). Durante o Fórum, seriam ouvidos expoentes intelectuais versados em temas como o assassinato de homossexuais, judeus e outras minorias, além de entusiastas da tortura e das prisões ilegais. Isso para não mencionar as aclamações a assassinos como Hitler e Mussolini. Mas ainda não terminei. Que tal acrescentar que os jovens nazistas e fascistas se drogam, bebem, praticam sexo livre e cometem crimes tais como furtos e estupros durante o evento? Diante de tudo isso, o que a opinião pública e a sociedade em geral diriam? Vamos, gente. Não é preciso pensar muito. Claro que o mundo desabaria na cabeça deles e do governo. E é agora que quero bastante atenção ao que vou escrever: ACHO MUITO JUSTO QUE UM EVENTO ASSIM NÃO FOSSE ACEITO PELA SOCIEDADE!

Diferença de valores.
Eis aí a diferença fundamental entre alguém que se deixa guiar pelos valores primordiais da democracia e da liberdade, e a escória do mundo. Eu rejeito os dois Fóruns, não só o da direita (que é, diga-se, hipotético). Já os pogreçistas e revoluçonáros só se opõem a um deles. O Fórum real, este que presta homenagens a ditadores como Chávez, Correa, Morales, Castro e a terroristas como Cesare Battisti é amplamente aceito e defendido como um lugar rico em experiências, e de importante diversidade cultural. Sabem o que isso comprova? A dualética dessa gente. Eles têm uma ética para cada ocasião, amoldando-se e subjugando os valores éticos a fim de possibilitar a construção do tal "outro mundo poçíveu".

Já rejeitamos o nazismo e o fascismo. Por que toleramos o comunismo?
E sabem por que um Fórum de todos os direitistas do mundo seria rejeitado? Porque a sociedade, acertadamente, já baniu experiências sanguinárias e vagabundas como o nazismo e o fascismo. E é muito bom que seja assim! O que não entendo é: por que ainda se defende coisas nojentas como o socialismo e o comunismo? E isso mesmo sabendo que o maior legado deixado ao mundo por tais ideologias foi uma pilha com cerca de 200 milhões de mortos. É essa a alternativa que os mudancistas do Fórum querem para este "mundo cruel e capitalista"? É isso que deveria ser respeitado como legítima manifestação de uma juventude supostamente comprometida com a transformação social? Às favas com essa besteira! Não há nada para se aprender naquele lugar, a não ser rebeldia barata e rastaquera, que se presta apenas a contestar uma escala de valores e um modo de vida que permite nossa própria liberdade.

Falo sem conhecer a realidade do Fórum e de seus participantes? Sim. Não é preciso provar o açúcar para saber que é doce, se é que me entendem... Mas os organizadores do convescote pogreçista conhecem bem a laia da "galerinha". E o que fizeram? Trataram de dizer que não se pode usar drogas nem andar em trajes íntimos dentro das escolas que servirão de alojamento. Diante disso, não estou certo em perguntar que tipo de vagabundo e de animal precisar ser advertido sobre coisas do gênero? Claro que estou! As pessoas normais (ou "burguesas, como queiram) sabem disso sem precisar ler cartaz nenhum. Alguém aí já leu uma advertência assim em hotéis, pousadas e congêneres? Não. E por quê? Porque é óbvio! Mas óbvio apenas quando se lida com gente decente e normal. E pessoas predispostas a ficarem seminuas e dopadas, desculpem-me, não são nada decentes.

Mas e o "CABUM"?
Um dos comentários acusou-me de fazer apologia da violência contra os "pobres jovens do FSM". A coisa é tão pedestre e curta que não merece qualquer resposta. Digo apenas que o senso de humor é uma característica própria do homo sapiens. Quem não entendeu a jocosidade do que estava ali escrito, temo, não entenderá mais nada.

Reacionário sim. Reajo contra aquilo que ameaça o mundo em que acredito.
Logo, concluo que a paternidade recente não me faz ter a mente mais aberta para com certas coisas. Nem passei a tolerar mais a gente que se presta a fazer apologia de ideologias assassinas e terroristas, isso quando não está usando as camisinhas dadas pelo governo. Pelo contrário, aliás: sou até mais reacionário agora, afinal reajo com ainda mais força contra tudo aquilo que pode me ameaçar e ameaçar o futuro do meu filho, como o outro mundo deles.

O jornalismo de um lado só: a arte de acobertar o terror.

Abaixo uma notícia interessante publicada no Estadão. Serve para ilustrar como funciona a lógica pedestre daquela que o pogreçismo insiste em chamar de "grande mídia golpista, conservadora e de direita". Ao texto:

O cessar-fogo em Gaza parece se aproximar de seu fim nesta quinta-feira, 29, apesar dos esforços do enviado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para reforçar a frágil trégua. Um bombardeio realizado nesta manhã por Israel deixou oito civis palestinos feridos , entre eles um militante e sete crianças, na cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. O ataque do Exército israelense é uma represália ao lançamento de dois foguetes Qassam na noite de quarta e nesta manhã contra o sul do território israelense por milicianos palestinos, ações que não deixaram vítimas. Aviões israelenses ainda atacaram uma fundição na região e, segundo o Exército de Israel, eram fabricadas armas no local. Apesar da trégua, Israel e o Hamas continuam abrindo fogo, mas em menor intensidade do que na ofensiva de 22 dias contra o território palestino. Um projétil feriu de gravemente um miliciano palestino que andava de motocicleta nas proximidades do hospital de Nasser, no centro da cidade de Khan Younis, e deixou mais sete crianças que retornavam da escola feridas, informou Muawiya Hassanein, chefe do serviço de emergências do território palestino. (...)
Outro foguete atingiu as proximidades de Sderot, mas nenhuma milícia assumiu a responsabilidade por seu lançamento. Estes dois foguetes são os primeiros lançados a partir de Gaza desde que Israel e Hamas declararam um cessar-fogo no dia 18 de janeiro. Ninguém ficou ferido nos ataques, mas um aumento da violência nos dois últimos dias ameaça ressuscitar uma guerra lançada por Israel no dia 27 de dezembro para pôr fim aos ataques com foguetes.
(...) Mas com as eleições israelenses de 10 de fevereiro se aproximando, líderes israelenses usavam uma retórica dura quando o assunto era a segurança, uma das principais preocupações do eleitorado. Eles prometeram uma resposta vigorosa à explosão que matou um soldado israelense na fronteira com Gaza na terça-feira e aos foguetes lançados contra seu território. Militantes palestinos afirmam que os ataques com foguetes eram um revide pela morte de três palestinos por israelenses desde o início da trégua.

Eu fico sempre fascinado com a desenvoltura que certo jornalismo ocidental demonstra quando o assunto é atacar os valores e as democracias do... ocidente! Confesso que chego a me sentir revoltado, na verdade. Mas, no fundo, compreendo o porquê disso tudo. Percebam: em uma democracia de moldes ocidentais é possível escrever uma matéria atacando a própria democracia e emprestando alguma legitimidade ao fascismo islâmico do Hamas. Por quê? Porque o sistema de liberdades que nos rege é amplo e permite até mesmo a crítica às suas regras básicas. Difícil é encontrar algum jornal - sei lá... - iraniano acusando os terroristas do Hamas e defendendo a ação de Israel. Sabem como é: os regimes "alternativos e legítimos" que vigoram naquelas pseudo-repúblicas não comportam a crítica...

Notem que o texto acima transcrito não deixa margem para qualquer dúvida: Israel é mesmo um país muito perverso! Os ataques deflagrados pelos judeus atingem sempre militantes e crianças. E sete de uma vez! Que gente má, não? Eu, incomodado com o manto protetor que o pensamento politicamente correto colocou sobre o terrorismo islâmico, afirmo categoricamente: O Hamas não tem militantes! O HAMAS TEM TERRORISTAS!

"Ah, mas e as crianças?", indagarão alguns pogreçistas. Então, de braços dados com a lógica, eu questiono: O que faziam sete crianças junto de um terrorista? Onde está a ONU, que não investiga nem denuncia tal absurdo? Quer dizer então que ninguém acha estranho o uso de crianças palestinas como escudos humanos pelo terrorismo? Só nós, os "fascistas, reacionários, direitistas, feios e bobos" que achamos? A inversão de valores morais chegou mesmo a este ponto? Não posso crer... Mais um pouco e vão acusar Israel de caçar crianças propositadamente... Aliás, vai ver já estão acusando em algum site...

Exagero? Que nada! Percebam que o texto chama a reação militar de Israel de represália. Sim, represália! Simplificando: o Estadão acha que os judeus estão conduzindo uma espécie de vingança, algo como uma caçada humana contra o pobre povo palestino. Juro: a Al Jazeera dificilmente faria uma defesa melhor do terror. Mas o ponto mais baixo do texto ainda estava por vir.

Empregando de forma criminosa a conjunção adversativa "MAS", a matéria cria um liame entre a ação militar israelense e as eleições que acontecerão naquele país dentro de alguns dias. Que coragem tem o Estadão! Sem exitar, acusou uma democracia (a única de todo o Oriente Médio!) de promover um comércio sanguinolento de votos. Será que eles teriam tal coragem para denunciar o que acontece no regime islamofascista de Ahmadinejad? Ou na China? Ou na Rússia? Claro que não, né? Afinal estes são - como direi? - "diferentes" de nós e sua diversidade precisa ser respeitada e assimilada como traço cultural. Bravura mesmo é atacar as democracias!

Há dois corolários que precisam ser assimilados quando se trata dos conflitos no Oriente Médio: 1) O terrorismo é o que é - terrorismo. E nada além disso. Chamar terrorista de militante é eufemismo criminoso; 2) A superioridade moral de uma democracia frente ao terror é sempre inquestionável. O ocidente não pode negociar os dois pontos referidos. São básicos e fundamentais. Qualquer coisa que divirja do que vai acima é apologia do terror, pura e simples. E, como tal, não pode ser aceita.

A legião que ajuda o terror.

Abaixo transcrevo matéria do Estadão sobre uma tal carta de apoio ao terrorista Cesare Battisti, entregue ao Beccaria dos Pampas, Tarso Genro. O objetivo é mostrar alguns dos gigantes da moral e da ética que resolveram subscrever a estrovenga. São muitos, creiam. Nunca falta intelequitual nestepaiz quando se trata de apoiar o terror por meio do qual se pretende construir o tal "outro mundo poçíveu". A íntegra, caso interesse, está aqui.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, recebeu nesta terça-feira, 27, um abaixoassinado com nomes que apoiam a concessão de refugiado político ao ex-ativista de extrema-esquerda italiano Cesare Battisti. Os ministros do Supremo Tribunal Federal também receberam o documento.

Battisti, ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 70. Ele foi detido no Rio de Janeiro em março de 2007.

Veja a lista dos nomes que assinaram o documento:

(...) Augusto Boal - Diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido

Oscar Niemeyer - Arquiteto

Emir Sader - Professor, UERJ

(...) Leandro Konder - Filósofo

(...) Arnaldo Carrilho - Embaixador e homem de cinema (...)

É claro que alista é muito maior. São cerca de 500 nomes emprestando sua solidariedade a um assassino condenado. Lindo, não? A moral deles é definitivamente diferente da nossa.

Selecionei só alguns baluartes dos direitos humanos. Vejam, por exemplo, as presenças honrosas de Niemeyer, Sader e Konder. Eu não colocaria meu nome junto a essa gente nem se fosse para entrar na Arca de Noé! O arquiteto, o professor e o filósofo são experts em mostrar simpatia por assassinos e terroristas. Basta lembrar que, até hoje, o modelo de paraíso deles é a União Soviétia de Stalin, a China de Mao e a Cuba dos Castro.

Mas há ainda os desconhecidos que se credenciam a partir de suas ocupações um tanto sui generis. O que viria a ser, por exemplo, um "teatro do oprimido"? Seria um lugar onde se encena - sei lá... - "Os Miseráveis"? Por falar em teatro, o que viria a ser um "homem de cinema"? Seria um ator? Um diretor? Um contrarregra? Alguém que faça tudo aquilo ao mesmo tempo? Ou seria apenas alguém que gosta de filmes? O ridículo dessa gente não conhece mesmo qualquer limite!

Diogo Mainardi está de volta!

Finalmente as férias de Diogo Mainardi terminaram! E seus textos e podcasts estão de volta, ótimos como sempre. Deliciem-se:

O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:

"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".

Ponto.

Nos últimos anos, "La Repubblica" foi um dos jornais estrangeiros que mais tolamente se encantaram com o presidente brasileiro. Agora mudou. A abestalhada claque italiana de Lula passou a enxergá-lo como um retrato do caudilho bananeiro.

Um documento que recebi na semana passada pode ajudar a explicar essa baba raivosa na boca dos italianos. Trata-se da ficha do Ros - o Grupo de Operações Especiais da polícia militar italiana - sobre os terroristas do PAC - os Proletários Armados pelo Comunismo -, do qual fazia parte Cesare Battisti.

Primeiro trecho:

"Os Proletários Armados pelo Comunismo formaram-se nos últimos meses de 1977, no âmbito da luta contra a nova realidade do regime carcerário de segurança máxima, que acabara de ser instituído".

E eu acrescento: os atentados terroristas do PCC, em maio 2006, ocorreram pelo mesmo motivo - a transferência de alguns membros do bando para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O PAC é o PCC do país da Tarantella (sim, estou parodiando o editorialista do "La Repubblica"). Tarso Genro alegou que Cesare Battisti foi perseguido por suas ideias políticas. A única ideia que ele tinha era essa: aliviar o cárcere duro, exatamente como o Comando Vermelho em Bangu 3.

Segundo trecho da ficha policial:

"Em 6 de junho de 1978, o PAC assassinou, na frente da cadeia de Udine, o coronel Antonio Santoro, comandante dos agentes penitenciários. No documento de reivindicação, lê-se: O Estado usa a cadeia como uma ameaça contra qualquer tipo de divergência, de obtenção de renda por outros meios, de conflito de classe. E para readquirir o controle dos presídios, isola a faixa mais combativa [dos prisioneiros proletários], o que acarreta seu aniquilamento. Precisamos deter esse projeto, reforçando nossa prática comunista, concretizando-a em armamentos e em contrapoder".

Compare-o agora a um manifesto do PCC: A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se 'a clientela do sistema penal', a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.

O assassinato do coronel Antonio Santoro por parte do grupo comandado por Cesare Battisti, na realidade, teve um motivo bem mais banal do que se poderia concluir lendo o altissonante manifesto do PAC. Segundo a ficha da polícia, o chefe dos agentes penitenciários foi morto somente por causa da demora em oferecer atendimento médico a outro militante do grupo, que se machucou jogando futebol na cadeia. Aparentemente, o que os terroristas queriam obter era um Mário Américo para cada prisioneiro.

Em 1979, o PAC seguiu essa mesma lógica de apoio sangrento à bandidagem comum nos assassinatos de um joalheiro e de um açogueiro. De acordo com o documento preparado pelos Carabinieri, o bando de Cesare Battisti executou os comerciantes porque eles "fizeram justiça com as próprias mãos, matando dois assaltantes".

Cesare Battisti é isso, é só isso: o Marcola do país da macarronada.

E olha o Hamlet aí de novo: PSDB agora pode apoiar Viana.

Do blog do Josias de Souza, hospedado na Folha Online:

O Senado amanhecera nesta quarta (28) às voltas com a perspectiva de uma definição antecipada da disputa pelo comando da Casa.

Dava-se de barato que o PSDB, guindado à condição de fiel da balança, formalizaria o apoio a José Sarney, do PMDB.

No meio da tarde, o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR) chegara a divulgar uma nota informando que o partido já havia fechado com Sarney.

Deu chabu, contudo. No final da noite, sentindo-se esnobada por Sarney, a cúpula do PSDB já flertava com Tião Viana, o candidato do PT.

(...) À noite, em conversa com um amigo, o tucano Sérgio Guerra disse: “A conversa do Tião é mais simples. Ele diz que topa e explica como vai fazer...”

“...A conversa do Sarney não é tão simples. Há muitos partidos envolvidos. Várias lideranças. E o Sarney não assume a dianteira da negociação”.

(...) O PSDB dá toda a pinta de que, no final, acabará optando por Sarney. Mas, ao adiar a decisão, sob queixas, deu inesperada sobrevida à candidatua petista de Tião Viana.


Na noite de ontem escrevi este post sobre a eterna mania que os tucanos têm de ficar indecisos entre ser - ou não ser - oposição ao governo Lula.

Ontem a notícia era o apoio iminente do PSDB à candidatura de José Sarney. O acerto era dado como favas contadas e eu, claro, critiquei a patacoada toda, afinal o maranhense é da base de Lula e, portanto, não poderia contar com a ajuda daquele que deveria ser o principal partido de oposição. Digam lá: em que democracia séria do mundo ocidental os líderes da oposição ajudam a eleger um homem da base do governo como Presidente do Senado? A resposta é óbvia: em nenhum. Mas eu falava de democracias sérias... Não de republiquetas pedestres e simiescas como o Brasil.

O drama hamletiano dos tucanos se fazia presente mais uma vez... "Ser ou não ser responsável pela vitória de Sarney?" Mas eis que hoje tudo já mudou completamente. Como o bom personagem criado por Shakespeare, o PSDB também mudou repentinamente de idéia e fala em apoiar Tião Viana, o candidato do... PT! Sim, é isso mesmo. Para não ajudar um homem de confiança de Lula (Sarney), os tucanos podem votar em um homem do partido de Lula. Não é mesmo fascinante?!

A canalha pode dizer o seguinte: "Mas você reclamou do possível apoio ao Sarney. E agora questiona também o possível apoio ao Viana?" Ora, mas é claro! Percebam: sou daqueles sujeitos guiado pelos mesmo valores imutáveis, que não se transformam de forma mística a cada curva da vida. Sim, eu sei que nestepaiz isso pode parecer coisa de - como é mesmo? - "direitista, reacionário e conservador". Mas só aqui. Em qualquer país ocidental decente é só uma manifestação ostensiva da boa e velha lógica.

Explico melhor. O PSDB é oposição ao governo Lula, certo? Assim, é inconcebível que trabalhe para ajudar a eleger um candidato da base daquele. Qualquer que seja tal candidato. "Ah, mas aí você deixa eles sem opção, afinal só há dois na disputa." Eu? Eu apenas dou minha opinião sobre o caso. O que eu faria se fosse líder - ou presidente - do PSDB? Uma entre as duas coisas a seguir: a) Articularia uma candidatura genuinamente de oposição, mesmo que a derrota fosse certa; b) Se não fosse possível, orientaria minha bancada a se abster de votar em qualquer um dos candidatos lulistas.

Difícil? Só para quem não entende nada de democracia.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Os tucanos e a síndrome de Hamlet.

Do portal de notícias do UOL:

Apesar de não ter anunciado oficialmente o apoio da bancada a qualquer candidato à presidência do Senado, o PSDB deve fechar com a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP), segundo o vice-líder tucano Álvaro Dias (PR). (...)

"O PSDB decidiu apoiar o nome do senador José Sarney na disputa pela presidência do Senado", dizia a nota. Durante o dia, em nenhum momento o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o líder Arthur Virgílio Neto (AM), responsáveis pelas negociações, confirmaram a informação que, no fim da tarde, foi retirada da página virtual do vice-líder.

Na nota, Álvaro Dias informou que a decisão do PSDB "respeita a tradição da Casa, que privilegia a maior bancada. O confronto anunciado entre PSDB e PT nas eleições presidenciais do próximo ano também influenciou". Dias afirmou ainda que "com a imediata adesão do DEM à candidatura Sarney, a oposição perdeu as condições políticas para apresentar candidatura alternativa". (...)

Cedo ou tarde a síndrome de Hamlet que aflige o PSDB há de cobrar um alto preço dos tucanos. O que seria a tal síndrome? Explico: por algum motivo impossível de ser explicado politicamente o PSDB vive se perguntando se deve ser ou não ser oposição ao governo de Lula.

Todos lembramos bem como tudo começou, não é? Foi logo depois da posse de Lula, em 2003, quando o Presidente apresentou as propostas de reforma da previdência e tributária. Na ocasião, os petistas - espertor como sempre - apontaram o dedo para os tucanos e bradaram: "Vocês vão ter que nos apoiar, afinal queriam estas mesmas reformas no passado." O que fez o PSDB? Deu integral razão ao partido da estrelinha, alegando "coerência programática" e uma tal necessidade de encarnar o papel de "oposição responsável" - o que quer que tal estrovenga signifique.

Desde então os tucanos se tornaram reféns do discurso responsável que eles mesmos criaram. Lembram do escândalo do mensalão? Na época, havia todas as condições jurídicas e políticas para se pedir o impedimento de Lula, mas o PSDB sismou que o risco de - como era mesmo? - "instabilidade institucional" era grande... Bobagem! A democracia brasileira continuaria firme se o PT tivesse sido apeado do poder. A única diferença é que tal democracia passaria a ser menos violentada.

O grande problema é que os tucanos se deixaram capturar pela rede tecida pelo petismo, com ajuda do pensamento politicamente correto e pogreçista. Não é de hoje que qualquer tentativa de oposição frontal ao governo dozoperário e dozoprimido é vista imediatamente como um golpe dazelite (sim, "aquelas que governaram o país durante 500 anos e blá, blá, blá..."). E, convenhamos, é preciso peito para assumir publicamente o risco de parecer um "direitista" nestepaiz. Sim, porque é isso que a opinião pública fala para todo aquele que não compactua com os métodos do petismo. E essa pecha, percebe-se, assusta e muito os tucanos e seu progressismo - apesar de ser evidente para qualquer um com dois neurônios que o PSDB nunca foi de direita.

Agora, na disputa pela presidência do Senado, a história se repete. Os tucanos ficaram pendurados no muro da indecisão por muito tempo, sem saber se iam de Sarney, de Tião, ou de "terceira via". Cá com meus botões, eu acho que uma terceira candidatura só da oposição faria um bem danado à democracia brasileira. Sim, eu sei que as chances de vitória seriam mínimas, mas política se faz também marcando posição e a única posição aceitável com relação a este governo é a de enfrentamento.

"Ah, mas o PSDB decidiu apoiar Sarney, não o candidato do PT." Verdade? Não me digam... Mas alguém aí realmente acredita que a vitória de Sarney não interessa a Lula? Será que o velho Senador passou a ser independente do governo petista, que passou a apoiar desde antes da primeira eleição de Lula, em 2002? Será que ajudar Sarney a vencer Viana (o candidato oficial do PT) significa mesmo aplicar uma derrota em Lula? Não dá pra acreditar nisso, por mais que se tente. Basta ver a facilidade com que o Presidente abandonou Viana à própria sorte e passou a dar apoio - ainda que velado - ao maranhense.

Na verdade, o PSDB ainda não compreendeu (ou ainda não aceitou) que precisa necessariamente se mostrar diferente e em oposição ao PT. Os tucanos querem posar de partido dos sindicatos, das ONG's e dozoperário? Pois vão quebrar a cara - de novo. Se, em vez disso, aceitarem disputar um eleitorado distindo - chamado, injustamente, de conservador - podem esperar em um futuro promissor. Mas para isso é preciso abandonar a síndrome de Hamlet e entender que chegou a hora de ser oposição. Aliás, já passou tal hora.

Sem falar que ajudar Sarney não dá. Não importa a hipótese, simplesmente não dá. É imperdoável e injustificável. Muito melhor seria se abster de votar.

José Dirceu - ó, surpresa! - defende o terror.

O que vai abaixo foi publicado por José Dirceu em seu blog pessoal. Eu, porém, o li no blog do Noblat. Por que é importante esclarecer isso? Para que não fique a impressão de que costuma dar algum ibope ao que pensa um stalinista processado pela Justiça.

Em seu texto Dirceu trata do asilo dado pelo Brasil ao terrorista italiano Cesare Battisti. O ex-todo poderoso do governo Lula não poupa palavras e critica diretamente... o Primeiro-ministro Silvio Berlusconi! Sim, a moral da gentalha é mesmo muito - mas muito! - diferente da nossa.

Vamos ao texto dele, entrecortado por comentários meus:

"Na reação ao governo brasileiro por ter concedido asilo político ao escritor italiano Cesare Battisti,

Eu sei que pode causar alguma dificuldade ao leitor este "corte" que eu fiz no meio de um parágrafo escrito por Dirceu. Mas era necessário. Notem que a velha tática da mentira destinada a reescrever a história já se mostra na primeira frase: segundo o petista (ou seria petralha?), Battisti é um "escritor italiano". Errado! Dante, Eco e Calvino podem ser citados como escritores da Itália, não um bandido condenado por terrorismo! Até Melissa Panarello e Lorenzo Jovanotti eu aceito que sejam mencionados como escritores italianos, mas não o autor de quatro homicídios! Percebe-se que Dirceu entende de literatura o mesmo que entende de política...

toda operação feita pelo governo do 1º ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, é típica de seu caráter reacionário e direitista, além de autoritário.

Santo Deus! Eu custei a acreditar que ele realmente usara o número ordinal para se referir ao PRIMEIRO-ministro italiano. De onde o sujeito vem?! Em que buraco esteve escondido? Mas isso, admito, pode ser considerado só implicância minha... Sigamos. Dirceu faz aquilo que todo revoluçonáro esquerdopata sabe fazer de melhor: reduzir qualquer debate ao enfrentamento do bem contra o mal - onde o bem, claro, é a esquerda radical; e o mal é a direita. Assim, segundo aquele que o Procurador-Geral da República chamou de criminoso, a Itália só está reclamando da atitude tresloucada de Genro porque Berlusconi seria reacionário, direitista e autoritário. "Ah, mas ele é mesmo de direita", dirão alguns. Sim, é certo. Mas não é este o ponto. O cerne da fala de Dirceu deixa transparecer a índole primordial de quem comunga da mesma ideologia dele: quando um bandido é de esquerda, qualquer acusação contra ele é perseguição da direita.

Seu governo é legal, num país democrático, mas constituído de partidos comprometidos com o neo-fascismo. Daí esse caráter de cruzada e vendeta que está dando a uma decisão soberana do governo brasileiro. Fora o tom saudosista de todo o discurso do governo italiano e de sua diplomacia, como se a Itália ainda fosse uma potência colonial e o Brasil uma república de bananas.

A coalizão de governo de Berlusconi nada tem a ver com a revolta da Itália. Dirceu se limita a mentir de forma descarada e abusiva, com a mesma desfaçatez com que alegou, na tribuna, da Câmara, que era inocente. Os líderes da oposição italiana (majoritariamente de esquerda) também mostraram desagrado com a decisão do Beccaria dos Pampas. Até partidos de tradição comunista e socialista concordaram que dar abrigo a um assassino condenado era um ato de hostilidade para com a democracia italiana. Ah, ia esquecendo: a Itália é, sim, uma potência. Principalmente se comparada com estepaiz - uma república de bananas.

A retirada do Brasil do embaixador italiano - Michele Valensise -, apesar de sua gravidade, é mais um ato na ópera bufa e de má qualidade que Berlusconi está dirigindo. Não devemos recuar e não devemos dar satisfações à Itália. (...)

É isso aí. O Brasil deve mesmo zelar por sua soberania e insistir na política filoterrorista que está sendo conduzida pelo alto escalão do governo petista. A companherada não deve mesmo dar satisfações aos italianos. O Brasil de Lula, sabe-se, só se inclina diante de protoditaduras vagabundas como as de Chávez, Morales e Correa. Subserviência? Só se for com relação ao terror.

Toda discussão é legitima, assim como toda cobertura que a imprensa brasileira está dando ao caso, apesar do apoio velado de alguns veículos de comunicação à posição italiana, um apoio compreensível, mais pela posição ideológica comum, ou pelo simples desejo de não perder a oportunidade de fazer oposição ao governo Lula.

Dá uma preguiça, não? Percebam que sempre volta à tona a lorota da tal "gande mídia conservadora e preconceituosa". Mais um pouco e Dirceu vai culpa as tais "elites que governaram o país por 500 anos"...

Discussões sobre a forma ou a conveniência da decisão brasileira frente à reação do governo Berlusconi agora são secundárias. O que temos que fazer é defender a decisão (de conceder o asilo) que, além de legal, é legítima e soberana.

Notem que quando se trata de afrontar o primeiro mundo e as democracias, o Brasil adora invocar sua soberania. Ele só a esquece quando é desacatado por republiquetas rastaqueras como a Venezuela e a Bolívia. Aí, às favas com a soberania!

Trata-se de um direito líquido e certo e está de acordo com as leis internacionais. A maioria dos países do mundo, em respeito à sua Constituição e leis, agiria da mesma forma. (...)

Dirceu, sabe-se, é bacharel em Direito. E acima tenta se valer de uma retórica própria de julgamentos jurídicos. Comigo não, violão! Se, em um tribunal, eu o ouvisse dizer que "a maioria dos países do mundo agiria da mesma forma", levantaria a mão e diria: "Protesto!" Afinal, o meliante está especulando... Se fizermos um levantamento apenas com os países democráticos e ocidentais do globo, a tese furada de Dirceu não se sustenta. E ele sabe disso.

Mas sabem o que mais me enerva - e envergonha - de tudo o que vai acima? É saber que vivo em um país onde alguém cassado por corrupção e processado pela Justiça se sente no direito de discorrer acerca da legitimidade de uma democracia há muito consolidada.

Ontem um Ministro italiano disse que não aceitaria lições do Brasil e de Lula. Estava muito certo. Como cidadão italiano, eu digo que não aceito lições de Dirceu. Mesmo porque ele é parte em causa: trata-se de um terrorista que defende outro.

Francesa defende o terrorista Battisti e escarnece da democracia Italiana.

Do Estadão:

Defensora do extremista Cesare Battisti, a escritora, arqueóloga e historiadora francesa Fred Vargas afirma que ele foi submetido a um julgamento viciado na Itália. Com oito livros publicados, ela está no Brasil como coordenadora da cruzada pela libertação de Battisti, condenado à prisão perpétua por quatro homicídios na Itália na década de 70. A seguir, trechos de entrevista concedida ao Estado. A senhora não considera absurdo que Cesare Battisti fique impune nos quatro crimes pelos quais foi condenado? Battisti não cometeu os crimes. O julgamento foi uma farsa. Seus advogados atuaram com falsos mandatos e se prestaram a um papel sujo. Ele foi condenado à revelia num processo totalmente viciado. Mas a Itália é uma democracia... O país viveu um período secreto nos anos de chumbo da década de 70. A Anistia Internacional denunciou o emprego sistemático de torturas por dez anos. A justiça italiana guarda segredos inconfessáveis daquele período nebuloso, como o de usar "arrependidos" como única prova para incriminar pessoas. Foi o caso de Pietro Mutti, chefe de uma facção do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), que incriminou Battisti para se safar. O que lhe dá a certeza da inocência de Battisti? Em junho de 78, o PAC matou Antônio Santoro (agente penitenciário acusado de maltratar presos políticos). Veementemente contra a execução, Battisti discutiu asperamente com Pietro Mutti, o maior defensor. Voto vencido, Battisti formou uma dissidência e estava fora do PAC quando foram cometidos os outros três assassinatos dos quais é acusado.

Pois é... O que vai acima se chama de apologia ao terrorismo. Simples assim. Curioso que a dona consiga atacar uma democracia consolidada com tamanha desenvoltura... Vai ver o problema dela é com a democracia em si. E isso não me causaria surpresa, afinal eles não gostam mesmo do nosso sistema de liberdades. Prefere a - como é mesmo? - "ditadura do proletariado".

Quer dizer que o processo foi forjado e viciado? E quem sustenta isso? Ah, os filoterroristas. Que coisa fascinante! Temos, de um lado, um Estado democrático de direito que sustenta o due process of law; e, de outro, a turma que tem as mãos - e as mentes - sujas pela lama da ideologia da pocilga dizendo que tudo foi uma fraude. Vamos lá, leitor... Em quem vale a pena acreditar?

A democracia canalha de Chávez.

Do Estadão:

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que seu país pode mergulhar em uma guerra civil caso os partidos de oposição voltem a governar a Venezuela. Chávez deu a declaração durante um encontro com militantes no Estado de Táchira, na terça-feira, 27, como parte da campanha para o referendo sobre a emenda constitucional que permite a sua reeleição ilimitada, marcado para o dia 15 de fevereiro.

"Se a oposição chegar ao poder, haverá uma guerra. Por isso, é necessário garantir a continuidade do processo revolucionário democrático bolivariano, e aí está a proposta de emenda constitucional", disse Chávez, segundo o jornal venezuelano El Universal. Reeleito em 2006, Chávez teria de deixar o governo em 2013, já que a atual Constituição prevê apenas uma reeleição.

Segundo Chávez, caso a emenda não seja aprovada, "em 2013 a Venezuela poderá ser governada por um presidente 'adeco' (militante do partido Ação Democrática) ou um 'copeyano ' (do Copei, democrata-cristão)". "Isto poderia desencadear uma guerra, porque o povo não vai querer (um outro presidente)", disse Chávez, afirmando que a oposição tentaria eliminar todos os programas sociais de seu governo.

O venezuelano ainda afirmou que só decidiu impulsionar a emenda por uma reeleição ilimitada depois de ver que, nas regiões governadas pela oposição, os programas sociais de seu governo estão sendo extintos. "Quando vejo que estão fazendo tudo isso, digo a mim mesmo: 'Chávez, não se vá'", afirmou. (...)

Ultimamente, sempre que comento alguma peripécia do caudilho venezuelano, faço a mesma pergunta aos leitores: Será que alguém ainda tem a petulância de chamar a Venezuela de democracia? Por que a gentalha revoluçonára e filoterrorista não assume logo o ódio pelo sistema democrático - a tal "invenção burguesa" - e empunha de uma vez a bandeira do totalitarismo, que lhe é tão cara?

O que vai acima é a síntese de como funciona a mente sociopata de qualquer um que se banhe na lama da pocilga ideológica marxista. Chávez, do alto de sua democracia bolivariana, simplesmente mostra que não há escolha para o povo da Venezuela: ou votam nele (eternamente!) ou é guerra. Sabem quem costumava falar coisas assim? Gente boa como Saddan e Milosevic.

Ah, antes que eu esqueça! O "grande Satã" do pogreçismo mundial - jórgi dábliu búxi - NUNCA fez nenhuma ameaça violenta ao seu povo para vencer eleições. Apesar disso o consenso não muda: o americano era o assassino, o criminoso, o ditador e o imperialista. Já o mico mandante da Venezuela, por outro lado, é um estadista corajoso, forte e comprometido com a mudança.

Lixo! É isso que Chávez e seus seguidores são.

Sarney será candidato à Presidência do Senado.

Abaixo reproduzo um texto publicado no blog do Josias de Souza:

Num almoço pago por você, Sarney ‘saiu do armário’

Revelou-se nesta quarta-feira (28), em Brasília, um nu que, por anunciado, não produziu um mísero espanto.

Depois de negar cem vezes o interesse pelo comando do Senado, José Sarney despiu-se do manto diáfano que escondia suas segundas intenções.

A candidatura de Sarney saiu do armário num almoço da bancada do PMDB. Na semana passada, dizia-se que o repasto seria na casa do ex-não-candidato.

Deu-se, porém, na residência oficial da presidência do Senado, cuja despensa é fornida com verbas da Viúva. Serviram-se bacalhau ao forno e filé mignon ao funghi.

Antes de forrar os estômagos, os senadores do PMDB testemunharam o streep tease. Além de Sarney, ficou nu o anfitrião Garibaldi Alves.

A nudez de Garibaldi foi mais contrangedora que a de Sarney. Diferentemente do “novo” candidato, o ex-recandidato não queria se despir.

Coube a Renan Calheiros, o centro-avante de Sarney, puxar as vestes de Garibaldi. Desnudou-o com requintes de crueldade.

Renan, a propósito, volta ribalta do Senado revestido com a carapaça que mais lhe apraz: o poder. Ele volta a se impor a Lula como um interlocutor inevitável.

Aos jornalistas, Sarney disse: "Sou candidato. Agora começa a campanha". Lorota. A campanha desenrola-se desde o final do ano passado.

Acrescentou: "Eu não queria, resisti. Mas, entendo minha candidatura como importante neste momento de crise mundial". Palanfrório.

Sarney queria. Sempre quis. A “crise mundial” é motivação de fachada. Em verdade, o protocandidato almeja três objetivos não-declarados:

1. Quer recuperar o terreno perdido no Maranhão, hoje dominado pelos adversários de província;

2. Busca um escudo de proteção política contra as investigações do Ministério Público e da PF, que farejam os calcanhares do filho Fernando Sarney;

3. Deseja impor-se como protagonista das articulações de 2010.

Sarney vai ao centro do palco do Senado com a cara de favorito. Um favoritismo tonificado pelos movimentos de Lula.

Escorado num suposto distanciamento da disputa, Lula tirou o chão de Tião Viana (PT-AP).

A golpes de “isenção”, o presidente pode ter ferido de morte a candidatura petista.


Fiquei sabendo da notícia acima através de um querido amigo de São Paulo - o mesmo que está dando uma força com a gestão do blog nestes dias. Ele escreveu uma mensagem e disse algo mais ou menos assim: "E aí? Olha só o que vocês aí arrumaram para o país. Quem mandou elegerem o cara novamente?!"

Eu, de minha parte, só pude responder dizendo o que vai abaixo:

Confiteor Deo omnipotens et vobis, fratres, quia peccavi nimis cogitatione, verbo, opere et omissione: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper Virginem, omnes Angelos et Sanctos, et vos, fratres, orare pro me ad Dominum Deum nostrum.

Sim, mais uma vez este estado de onde escrevo não tem do que se orgulhar diante do resto do Brasil.

Outro mundo é possível! Mas com McDonald's...

O que vai abaixo foi publicado na Folha de hoje e repercutido no blog do Reinaldo Azevedo:

As 50 mil pessoas que participaram da passeata que inaugurou ontem a 9ª edição do Fórum Social Mundial, em Belém (PA), trocaram as críticas contundentes de outros anos por uma manifestação com jeito carnavalesco, em que houve até tempo de comer no McDonald's -alvo costumeiro de críticos ao capitalismo. Em outras edições brasileiras do fórum, em Porto Alegre (RS), lojas da cadeia norte-americana de lanchonetes foram objeto de hostilidades verbais. Dessa vez, a loja se manteve aberta e lucrou com a entrada dos manifestantes. As principais reivindicações da "marcha", como os organizadores chamaram o evento inaugural, foram puxadas por carros de som ligados a partidos, como o PSOL e o PSTU, e a entidades sindicais, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Como é comum no encontro, eles entoaram o tema da Internacional Socialista e lembraram o bordão do fórum: "Um outro mundo é possível". (...)

Um pouco de "risos enlatados": rá, rá, rá! Quer dizer então que os revoluçonáros se renderam a um dos maiores símbolos do american way of life? Que decepção... Não se fazem mais socialistas como antigamente...

Não, eu não sou contra o direito que a gentalha tem de lanchar no Mc. Pelo contrário. Do alto de minha vida de - como é mesmo? - "burguezinho alienado", devo dizer que sou um grande admirador da culinário dos fast-foods. Mas percebam: eu não me proponho a destruir as lojas americanas quando encontro meus amigos.

Sabem o que isso me lembra? Uma coisa que aprendi quando entrei em contato com alguns revoluçonáros durante os anos da faculdade. Eles sempre defenderam o socialismo, a revolução e adistribuição de riquezas. Desde que isso fosse feito com o dinheiro dos outros, é claro. Há até um fato emblemático. Um conhecido, militante do PSTU desde garotinho, foi aprovado em um concurso público para o Corpo de Bombeiros durante os anos da faculdade. Então, depois de alguns meses ganhando um salário no mínimo rasoável, o sujeito pediu sua desfiliação daquele partideco. Reza a lenda que no campo "motivo", da ficha de solicitação, ele escreveu algo mais ou menos assim: "é fácil ser socialista liso".

Este é o perfeito resumo de como funciona a cabeça de certa turma revolucionária que se pretende na vanguarda do mundo.