terça-feira, 30 de junho de 2009

Rápidas e rasteiras - 5

Hoje dedicadas inteiramente a Sarney e a Lula. Se bem que... Nestes tempos tão estranhos, onde o petismo defende o ex-integrante da ARENA, está parecendo que se fala sempre da mesma coisa, não?

1) Todos querem que o "fofo" saia. Menos o PT...
Li no blog do Noblat uma sequência de notícias da maior importância. Primeiro, foi o DEM (depois de muito atraso) que resolveu pedir o afastamento de Sarney - aquele a quem Lúcia Hippolito chamou de "fofo". O mesmo foi repetido pelo PDT e pelos tucanos. Aí, como se não bastasse, aparece o senador Garibaldi Alves, do PMDB de Sarney, engrossando as vozes pela saída do maranhense que se elegeu pelo Amapá. Depois de tudo isso num único dia, penso que só mesmo a família ainda emprestaria algum apoio a Sarney...

2) Mas Roseana também fala em afastamento!
Tu quoque fili mi? Essa foi a expressão que me veio à mente quando li que Roseana Sarney - a maranhense que se elegeu pelo... Maranhão! - também acha que seu pai, o "fofo" deve se afastar do cargo. Que coisa, não? De onde a gente menos espera...

3) Por falar na família de Sarney...
Li que o neto do imortal senador, José Adriano Sarney, aquele que teria se formado na Sorbonne e feito uma pós em Harvard, não contou a história exatamente da forma como aconteceu... Pelo menos é o que diz a jornalista Malu Gaspar, no Extra, segundo quem o tal neto deu uma - como direi? - "enfeitada" no currículo. Segundo ela, o rapaz teria feito um curso de extensão, não uma pós. Aliás, o tal curso feito por ele seria um dos poucos em que não há processo seletivo. E daí? Daí nada, ora. Imagino que aquela extensão seja muito boa. Mas pergunto: por que dizer que é uma pós, quando não é? Hum...

4) Lula acha o Twitter de direita, conservador, reacionário, golpista e dazelite.
Como eu sei disso? Ora, basta lembrar que o apedeuta dá arrimo a dois alvos daquela esperta ferramenta da internet: Ahmadinejad e José Sarney. Podem reparar: os dois são combatidos pelos "twiteiros", ao mesmo tempo em que contam com a simpatia do chefe maior do petismo. E o que isso quer dizer? Que eu sou mais "twiteiro" do que nunca agora! Lula não gosta do Twitter? Então Twitter nele!

Agora sim!

Depois de um imperdoável atraso, parece que o DEM, legenda de oposição ao governo petista dozoperário e dozoprimido, decidiu pedir o afastamento de José Sarney - aquele que escreveu sobre um certo Brejal, cujo caminho "era longe" - da presidência do Senado. Menos mal, não? Antes tarde do que nunca...

Não! Claro que não estou satisfeito com a postura lenta do DEM. Uma oposição séria e determinada teria pressionado Sarney e o PT desde o primeiro momento da crise. Eu disse PT? Sim, disse! Afinal, não é mais segredo nenhum que a turma da estrelinha - aquela que iria construir o tal "outro mundo possível" - resolveu se empenhar com afinco pela salvação do maranhense eleito senador pelo Amapá. Mas eis o ponto central da coisa toda: o que o petismo faz não me interessa nem um pouquinho! Querem entrar para história como o partido que ajudou Sarney a sobreviver politicamente? Problema deles! A folha corrida do petismo, convenhamos, não é pequena. Para quem promoveu o mensalão e enfrentou as pressões da época se dizendo "cada vez mais convencido da própria inocência", emprestar arrimo a Sarney é brincadeira de criança.

Mas a oposição... Essa tem a obrigação moral de enfrentar Sarney e exigir o afastamento do maranhense! Ainda que o Presidente do Senado fosse um santo - coisa que, creio, não é -, ficaria ainda a obrigação de não facilitar a vida do petismo, que governa o Brasil e é, portanto, adversário de PSDB e DEM. Simplificando: Se Lula e o PT querem salvar Sarney, cabe aos tucanos e aos democratas - se me permitem... - ajudar o ilustre imortal a não sobreviver, como diria Arthur Virgílio. Mesmo porque, sabemos, a oposição não precisa ajudar os petistas, já tão empenhados em sua hercúlea tarefa.

Li, por exemplo, que a valente Ideli Salvatti - aquela moça fogueteira da foto acima, que tascou um belo beijo em Sarney - vai "defender que nenhuma medida seja tomada contra nenhum senador". Ora, onde está a surpresa? Reinaldo Azevedo resumiu bem o pensamento petista, que vem à tona em momentos um tanto tensos como estes:

Na oposição, sua postura poderia ser resumida assim: “Ninguém presta, eu”. Agora no poder, o mote é outro: “Ninguém presta, NEM eu”.

Aí se poderia perguntar: “Mas, se ninguém presta, por que votar no PT e não em outros que não prestam?” E um petista poderia responder: “Porque a gente não presta melhor do que os outros”.

Reinaldo Azevedo: "Sarney é um cadaver adiado."

Algumas pessoas podem não acreditar, mas aqui, no Amapá, ainda é possível encontrar gente capaz de defender José Sarney, aquele que escreveu um livro onde a personagem principal é uma prostituta cujos mamilos excitavam até os cães...

Dizer o quê? Coisa de um lugarzinho ralé e provinciano, onde a vassalagem intelectual ainda impera. Acreditem: ouvi gente estudada, com diploma na parede e tudo, dizer que não se pode criticar tanto um senador da República. Até me apontam o dedo dizendo: "Você não pode falar assim de alguém como ele! Isso é grave!". É, meus caros... Há pessoas que, por mais estudo acadêmico que possuam, sempre conseguem se manter inimigas da inteligência... A lógica, então, passa ao largo de uns e outros...

E por que falo disso agora? Ora, porque o Brasil todo está criticando Sarney e a avalanche de escândalos do Senado Brasileiro! Quem escolhe defender o maranhense é a minoria, acreditem. Vejam, por exemplo, o que vai abaixo, publicado no blog do Reinaldo Azevedo:

Sarney já não preside o Senado. (...) E isso quer dizer que o ilustre exercitou à vontade seus vícios — e sua penca de parentes o evidencia — e ainda cuidou como seus dos vícios alheios.

(...) Hoje, apenas luta contra uma derrota humilhante, que seria ter de se afastar da Presidência. Ele, como político, representa a oligarquia renitente; como indivíduo, no entanto, já não é mais nada: não passa, como disse o poeta, de “um cadáver adiado que procria”. (...)

Sabem quem também escreveu algo deveras interessante sobre Sarney? O economista Rodrigo Constantino. Vejam:

(...) A produção de fatos imorais na política nacional é mais veloz do que a capacidade de escrita dos articulistas. A mais nova denúncia envolve o neto de Sarney, presidente do Senado que se diz vítima de "campanha midiática" por apoiar Lula. Em defesa do neto, Sarney apenas ressalta a qualificação do rapaz, que tem mestrado na Sorbonne e pós-graduação em Harvard. Pelo visto, se tiver um bom diploma, o nepotismo não é mais imoral. Sarney representa tudo aquilo que há de pior no meio político, englobando quase todos os "ismos" negativos: corporativismo, nepotismo, paternalismo, fisiologismo, caudilhismo, populismo. Seu curral político, o Maranhão, é um dos estados mais miseráveis do País. Em economia, Sarney nos remete ao que existe de mais nefasto também: planos heterodoxos, congelamento de preços, fiscais lutando contra a inflação através do demagógico combate aos comerciantes, e a moratória da dívida externa. Em suma, a "grande" trajetória política de Sarney, que para o presidente Lula o transforma numa pessoa "incomum", representa o fracasso nacional, o afastamento dos únicos "ismos" que prestam: o liberalismo, o federalismo e o capitalismo. (...) Confesso jamais ter lido algum livro de autoria do senador Sarney. Mas, com uma convicção apriorística, garanto que Sarney deveria se dedicar apenas ao seu talento literário. Maior estrago à nação do que causa atualmente seria impossível. Sai daí, Sarney!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Até Sarney respeita o "FORA SARNEY"!

Já conhecem o site do movimento "FORA SARNEY!"? É este aqui. Ali há charges, vídeos , fórum de discussão e, last but not least, o link para o Twitter do movimento. Não conhecem? Bem, é hora de conhecer, afinal em poucos dias já há mais de mil seguidores daquele Twitter, como noticiado pelo G1, o portal de notícias da Globo.com:

Depois de um perfil falso, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ganhou outra página no Twitter (rede social de microblogging na internet que permite aos usuários enviar textos de até 140 caracteres). Desta vez, a página traz o nome “Fora Sarney”, e já conta com mais de 1 mil seguidores.

A assessoria de Sarney disse que não vai tomar nenhuma medida contra a página e que o presidente da Casa “lamenta, mas respeita” a manifestação. “Não tem crime nenhum nisso”, disse a assessoria.

Além da página, há também um site na internet "Fora Sarney" que recolhe assinaturas pelo movimento desde o dia 1, e já soma quase quatro mil nomes. (...)

Viram? É um sucesso retumbante! E notaram a civilidade da assessoria do maranhense? Como foi mesmo que eles disseram? Ah, lembrei! Não vão tomar nenhuma medida contra a manifestação. Ora, mas não é mesmo fascinante? Digam aí: alguém esperava outra coisa da assessoria do Presidente do Senado e ex-Presidente da República? Claro que não! Aqui, neste blog, todos conhecem o respeito de Sarney pela democracia e pela liberdade de expressão, não é? Não passou pela cabeça de ninguém que a equipe dele fosse acionar a justiça para cercear a direito de pensar e expressão o pensamento de quem quer que fosse. Afinal, coisas bizarras como esta e esta, sabemos, ficaram para trás... Mas já estou a tergiversar... Retomo.

Notaram que a assessoria de Sarney afirmou que o ilustre senador "respeita a manifestação"? Ora, se ele respeita, quem sou eu para desrespeitar? Pelo contrário: inspirado na altivez democrática de Sarney, quero emprestar todo o meu apoio ao movimento "FORA SARNEY!". Por isso este post veio ilustrado pela imagem que se vê ao alto, retirada do Twitter criado pelos que querem que o atual Presidente do Senado saia.

E acreditem: o movimento tem tudo para crescer ainda mais! Por meio do blog do Marcelo Tas, descobri que já há um avatar e até modelos de camisetas criados especialmente para a campanha. Sim, há mesmo que se respeitar um movimento de tal envergadura. Sarney está perfeitamente correto em sua atitude de tolerância e civilidade. Aliás, fico aqui imaginando o que poderia acontecer se alguém decidisse movimentar a justiça contra um protesto de tal natureza... Se assim, sem nenhuma propaganda, já há registro do "FORA SARNEY!" em todos os portais de comunicação da internet brasileira, imaginem a dimensão que a coisa ganharia se algum rábula tentasse cercear a liberdade de expressão desses patriotas...

"Mas é coisa só do mundo virtual", dirão alguns... Não! Não é! Já há manifestações designadas para o próximo dia primeiro de julho em vários estados do Brasil, tais como Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul. Corrijam-me se eu estiver errado, mas a última vez que algo mobilizou tanto a sociedade acabamos assistindo ao impeachment de Collor.

Estou certo de que o movimento "FORA SARNEY!" ainda vai crescer muito mais, ganhando mais seguidores entusiasmados. E ninguém vai atentar contra a liberdade dessas pessoas, que acham ter chegado a hora do maranhense sair. Há coisas que um regime democrático simplesmente não pode tolerar, como a restrição dos direitos mais basilares do ser humano. Só mesmo em determinados rincões bolorentos e esquecidos por Deus é que as pessoas são ameaçadas pelo braço institucional do Estado, em vez de serem protegidas por ele.

Crise na América Latina - 2: Obama e a canalha bolivariana escolhem o terror.

Pois é, de onde a gente menos espera, é daí que não sai nada mesmo. Li há pouco que Barack Obama, o Presidente-de-ébano, chamou de ilegal a deposição do golpista Manuel Zelaya, promovida pelo exército legítimo e constitucional de Honduras. Qual a surpresa? O governo de Obama, pacifista que só ele, tem se destacado pela sua leniência - ou seria leniniência? - diante de trogloditas os mais diversos. Kim Jong-Il fala em bombardear Seul e o que faz Obama? Propõe o diálogo. Ora, claro que ele não iria se cansar para defender a democracia hondurenha, não é?

O problema é que Obama, claro, está errado. E como eu sei isso? Ora, basta uma análise lógica da coisa. Quem, além de Obama, está apoiando o golpista Zelaya? Bom, até agora Chávez, Correa, Morales e o Brasil de Lula. Percebem? Nada que una tais espécimes pode ser considerado bom e auspiciosos. Aqui neste blog, como dito tantas vezes, presa-se a democracia e as liberdades individuais, portanto eu jamais poderia estar do mesmo lado que os bolivarianos. Se Lula, o Itamaraty e o governo do mico mandante dizem que algo é bom, eu decreto: não presta! Por isso falo com absoluta certeza que o ilegal, o ilegítimo e o golpista é Manuel Zelaya, não o exército de Honduras.

Mas e daí? Por que o que pensa Chávez e Lula seria importante para nós e para Honduras? Ora, o fato é que eles não têm importância nenhuma! São lixo ideológico puro e simples, nada mais. Já Obama, por seu turno, governa a maior e mais sólida democracia da história humana, que sempre funcionou como fiadora das demais democracias ocidentais. O que ele diz é, sim, muito relevante. E, ao escolher o lado dos golpistas, Obama envereda por uma seara perigosa, que pode conduzir à guerra civil ou à desinstitucionalização permanente do país.

"Então Obama deveria dar apoio a um regime militar, apenas porque se livrou de um suposto tirano?", perguntará o obamófilo mais afobado. Não, nada disso. Obama poderia, usando a força política - e militar - da América, condenar o "golpismo institucionalizado" de Zelaya, reconhecendo a legalidade da ação militar - o que é absolutamente imperativo, porquanto as forças armadas atuaram sob estrita observância da lei - e pugnando pelo estabelecimento de um calendário eleitoral célere e objetivo. Assim, a democracia continuaria preservada e prestigiada, ao mesmo tempo em que qualquer tentação totalitária seria extirpada antes mesmo de vingar.

Viram? Tudo seria muito simples se se escolhesse a democracia e a liberdade. O problema é que o governo do Cristo Negro está tomando gosto pelo "diálogo" com a canalha. E isso é perigoso para todo o restante do mundo ocidental.

Crise na América Latina - 1: Honduras, a democracia e o golpe.

O caso envolvendo a situação política de Honduras é deveras complicado, por isso demanda uma análise cuidadosa e lógica. Primeiro, vamos ao texto abaixo, publicado na Folha de São Paulo de hoje (link aqui):

O presidente hondurenho, Manuel Zelaya, foi deposto ontem por forças militares no dia em que promovia uma consulta popular para respaldar uma nova Assembleia Constituinte. É o primeiro golpe de Estado no país desde 1981 e o primeiro na América Central desde o fim da Guerra Fria. A ação, condenada por Brasil, Venezuela e EUA, foi endossada pela maioria do Congresso, entre os quais a bancada do Partido Liberal de Zelaya. Zelaya foi detido enquanto dormia pouco antes das 6h, dentro da residência oficial. Pelo menos um segurança ficou ferido, segundo relatou à Folha o assessor presidencial Hernán Silva Baltodano. Em seguida, ainda vestindo pijamas, Zelaya embarcou para a Costa Rica, onde disse ter sido vítima de um "sequestro brutal, sem nenhuma justificativa" e pediu que o presidente americano, Barack Obama, não reconhecesse o "golpe". A ação militar teve o respaldo da maioria do Congresso, que, em sessão extraordinária, apresentou uma suposta carta de renúncia de Zelaya com a data do dia 25, quinta-feira. O texto, lido em plenária, afirma que a renúncia tem como objetivo "sanar as feridas do ambiente sociopolítico". Em seguida, os deputados presentes (o Legislativo é unicameral) aprovaram por unanimidade a nomeação do presidente da Casa, o também liberal Roberto Micheletti, como mandatário interino. A maior parte da sessão foi transmitida em cadeia nacional de rádio e TV. Durante a posse, os canais a cabo, tanto nacionais quanto estrangeiros, ficaram fora do ar. Em sua primeira entrevista, Micheletti decretou toque de recolher por 48 horas, a partir das 21h locais. Ele negou que o Exército tenha dado um golpe. Segundo o presidente aclamado, os militares "cumpriram uma ordem judicial", já que Zelaya estava "violando as leis". Em novas declarações à tarde, Zelaya negou que tenha renunciado e disse que participaria da cúpula dos presidentes da América Central, que começa hoje na Nicarágua. "É totalmente falso, agora que estou deduzindo que isso não é um golpe militar, mas uma conspiração política apoiada pelo golpe militar, porque já estão querendo manipular de dizer essa terrível falsidade", disse Zelaya. A crise hondurenha foi desatada por uma votação que Zelaya pretendia realizar no país para buscar apoio à sua proposta de substituir a atual Constituição. Com o lema de "quarta urna", Zelaya propunha a realização de um referendo sobre a convocação de uma Constituinte nas eleições de novembro, quando devem ser escolhidos novos presidente, Legislativo e autoridades municipais. A consulta de ontem foi declarada ilegal pela Justiça e pelo Congresso. Líderes da oposição e do próprio Partido Liberal acusam Zelaya de tentar mudar a Constituição para introduzir a reeleição e se perpetuar no poder. O seu mandato termina em janeiro de 2010. Zelaya nega que tivesse a intenção de se reeleger imediatamente, mas admitia uma futura candidatura. Pela atual Constituição, um ex-presidente nunca pode se recandidatar.

Releiam o que está escrito no fim do primeiro parágrafo. Está lá, de forma clara e inequívoca, que este foi o primeiro golpe de Estado desde 1981. Mas atenção agora! QUEM PROMOVEU UM GOLPE DE ESTADO FOI O PRESIDENTE DEPOSTO, MANUEL ZELAYA!

Sim, eu sei que tipo de briga estou comprando com os "modernos humanistas", os "pacifistas de um lado só" e os pogreçistas em geral. Mas quem escreve as coisas que eu escrevo não busca a simpatia da gentalha, mas a verdade dos fatos e o respeito aos postulados mais básicos da democracia e da liberdade.

O texto acima não deixa margem para qualquer dúvida: Zelaya, seguindo a orientação da cartilha chavista, estava promovendo o estupro da democracia por meio dos próprios mecanismos democráticos. Por isso a insistência em substituir a vigente constituição, a fim de instituir a reeleição ilimitada e criar, assim, as bases para se perpetuar no poder. Eu pergunto: por que era necessário mudar a Carta Magna de Honduras? Houve ruptura institucional ao longo do mandato de Zelaya? Ele assumiu depois de uma revolução? Claro que não! A institucionalidade hondurenha estava absolutamente normal, abalada apenas pela intenção clara e manifesta de solapar a democracia, manifestada pelo próprio Zelaya.

Ao ler o que vai acima, consigo antever o tipo de rabisco raivoso que a gentalha vai mandar para o blog: "Então você defende o uso da força militar? O Presidente desrespeita a lei e a resposta é romper com a ordem democrática, depondo o Presidente por meio de um golpe?" Ora, posta assim a questão é claro que me resta discordar. E sabem por quê? Porque a questão colocada está errada. Percebam como o raciocínio é linear: Quem violou a constituição democrática e a ordem legal instituída foi Zelaya, que escolheu se valer das prerrogativas do cargo para promover uma ditadura bolivariana, perpetuando-se no poder. Neste contexto, as forças armadas limitaram-se a cumprir o papel constitucional que lhes cabe, chamando a situação à ordem e fazendo valer o império da lei pactuada pela sociedade hondurenha.

Aqui neste blog a democracia é pressuposto básico para qualquer debate. Sendo assim, ninguém que escolha solapá-la poderá se sair como mocinho injustiçado, razão por que defendo que Zelaya está, sim, errado. Desobedeu instâncias democráticas e tentou dar um golpe contra a democracia, dando causa ao seu afastamento.

Agora percebam a vital diferença entre um democrata e a canalha filobolivariana: As forças armadas, uma vez cumprido o dever de fazer valer a constituição, afastando o candidato a caudilho que surgia no horizonte, DEVEM COMPLETAR A OBRA E GARANTIR A VOLTA À NORMALIDADE, inclusive promovendo, com a maior brevidade, as eleições. E não só os militares, mas todos os homens e mulheres públicos daquele país, a começar pelo presidente interino, que parece sinceramente propenso a convocar novas eleições já em novembro próximo. Isso significaria honrar a ordem democrática e restabelecer o status quo ante, que o aprendiz de mico mandante tentou esbulhar. Ele foi contido, por meio da força. E isso não tem nada de ilegal, pelo contrário: quando a canalha se assanha, cabe ao aparelho de segurança do Estado promver a pacificação social.

Boas novas democráticas: Clã da família Kirchner é derrotado na Argentina.

Da Folha Online:

O ex-presidente e candidato a deputado Nestor Kirchner reconheceu a derrota nas eleições ao Congresso na Argentina, um duro golpe para o governo de sua mulher, Cristina Kirchner, em termos de apoio legislativo. Segundo resultados parciais divulgados pelo jornal "El Clarín", a presidente perdeu 22 deputados na nova configuração da Câmara.

Com pouco mais de 87% das urnas apuradas, o opositor Francisco de Narváez, líder da aliança União-PRO (peronistas dissidentes liberais), tinha 34,51% dos votos. Kirchner contava com 32,16% de apoio nas urnas. O jornal diz que a diferença já não é mais possível de ser contornada pelos governistas.

"Perdemos por muito pouco", afirmou Kirchner. O opositor comemorou a vitória na província de Buenos Aires, a de maior peso político para o Congresso e tradicional reduto peronista, e afirmou que vai buscar apoio do governo por meio do diálogo.

Para Narváez, sua vitória "virou a página da história". "Dissemos que um dia íamos mudar a história. Este é o dia', defendeu. Empresário nascido na Colômbia e naturalizado argentino, o político disse que derrotou 'a velha e a má política' e ressaltou que a escolha 'está definida".

Cerca de 28 milhões de argentinos foram convocados às urnas para renovar quase a metade da Câmara dos Deputados (127 de 257 vagas) e um terço do Senado (24 de 72 cadeiras) em eleições legislativas. A disputa é importante porque ajuda a definir o mapa político do país para a eleição presidencial de 2011.

Como o voto legislativo na Argentina é dado a listas dos partidos --quanto mais votos, mais candidatos são eleitos--, o ex-presidente Kirchner será eleito para o novo Congresso que assume em dezembro. O governo, contudo, deve perder até sete deputados pela Província de Buenos Aires.

Pela contagem realizada pelo "El Clarín" (os dados oficiais da Justiça Eleitoral só saem a partir desta segunda-feira), a aliança liderada por Néstor Kirchner, a Frente para a Vitória obteve a maioria das cadeiras disputadas em 13 distritos argentinos.

Apesar disso, não conseguiram mais do que o segundo lugar nas cinco regiões mais importantes: além de Buenos Aires, perderam na Capital (segunda maior zona eleitoral), em Córdoba, em Santa Fé e Mendoza. As cinco representam mais de 30% dos votos nacionais.

Atualmente, os governistas contam com 116 integrantes --13 a menos que o quórum mínimo de 129 para ter a maioria na Câmara. A partir de 10 de dezembro, o oficialismo necessitará de apoio de ao menos 30 deputados de outros blocos para aprovar seus projetos. (...)

Ora, mas que notícia jubilosa, não? A princípio, pode parecer que a eleição referida seja apenas mais uma disputa para o Congresso, mas na verdade trata-se de uma prova de fogo para o casal Kirchner, que há anos tomou de assalto a política argentina, aparelhando as instituições e dilapidando as bases democráticas.

O resultado eleitoral é cristalino como as águas de um riacho: os Kirchner e seu projeto familiar de poder centralizador foram derrotados. A oposição, com isso, ganha força para a vindoura eleição de 2011, quando o estrábico ex-Presidente deverá tentar, uma vez mais, se manter no comando da nação por meios oblíquos. E, sim. Eu sei que a Presidente é a esposa dele, mas alguém aí acredita realmente que o sujeito não está à frente daquele grande projeto oligárquico? Pois é...

O casal Kirchner, da mesma forma que o mico mandante Hugo Chávez, também se vale dos mecanismos democráticos para solapar a própria democracia, criando a falsa contradição entre aquilo que o pogreçismo chama de "anseios do povo" (ou "voz das ruas") e a institucionalidade própria do Estado de Direito. Por isso estupraram as regras mais básicas da economia, tabelando preços e proibindo exportações, o que só levou a um aumento forte dos preços. No longo prazo, o feito só poderia ser a crescente insatisfação popular, que faz despencar a aprovação da pinguina.

Não se enganem: Kirchner é um bolivariano, como Chávez, Morales, Correa e toda aquela corja que está levando a América Latina para o caminho do caudilhismo bananeiro. Assim, sempre que essa canalha é derrotada, a democracia sai vitoriosa. Por isso este blog se congratula com os argentinos pelo resultado das urnas.

Leiam abaixo:

domingo, 28 de junho de 2009

O que a ABL diria disso?

Li no blog da Alcinéa Cavalcante uma coisa que, confesso, me surpreendeu. Fiquei sabendo que a assessoria de comunicação de José Sarney, o maranhense que se elegou senador pelo Amapá, criou um blog chamado Amapá no Congresso.

E daí? Bem, daí que ali fala-se muito bem de Sarney - aquele que escreveu sobre uma prostituta cujos mamilos excitavam até os cães - e de seus aliados, como é óbvio. O surpreendente é que alguns adversários de Sarney são atacados de forma dura e - me atrevo a dizer - cruel. Mas não é só: para desferir ataques contra alguns políticos que não emprestam apoio ao autor de Brejal dos Guajas - aquele livro que, segundo Millôr Fernandes, seria caso de impeachment -, os redatores e editores do tal blog também se valem de palavras e expressões que, creio, fariam envergonhar os imortais da Academia Brasileira de Letras.

Encontrei, por exemplo, uma passagem que classifica o governo de FHC como um "governo de merda". O ex-Presidente, por seu turno, recebe o adjetivo de "canastrão". Já em outra passagem, há um post que se refere à "feiúra de Serra", além de uma menção nada honrosa ao senador Pedro Simon, um par de Sarney, chamado de "ressentido" e "parasita".

Sim, é claro que eu sei que José Sarney não escreveu as coisas acima referidas. Mas é fato que tal blog se apresenta como uma obra da assessoria do presidente do Senado. É verdade que seja isso mesmo? Não sei. Mas, se for, Sarney precisa se explicar, afinal não é direito que o chefe de um poder da República permita referências tão baixas e arrivistas a outros homens públicos. E repise-se: não há ali críticas de natureza política ou ideológica, mas apenas ataques rasteiros e pedestres.

Fico, porém, um tantinho curioso... Em 2006, ao longo da campanha eleitoral que reconduziu Sarney ao Senado, vários jornalistas aqui do Amapá foram acionados judicialmente pela assessoria jurídica de Sarney. Textos críticos ao senador, publicados em blogs da internet, foram retirados do ar por ordem da justiça eleitoral amapaense. Houve inclusive o caso de um inteiro blog, que foi extirpado da rede, tudo porque, segundo se entendeu à época, havia algumas referências pouco elogiosas a Sarney. E agora? Alguém vai pedir para que o blog produzido pela assessoria de Sarney seja retirado do ar? Aliás, eu gostaria de perguntar a um certo símio que conheço pessoalmente, dado a se vantar de seus conhecimentos sobre as leis, o que deveria ser feito no caso...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Apenas uma nota.

Apenas um breve e contido comentário sobre a morte de Michael Jackson, possivelmente o maior ícone pop da história: é muito triste e injusto esse mundo, onde aqueles que deveriam - e poderiam - permanecer vivos acabam morrendo, enquanto gente que "não precisaria sobreviver" continua perambulando entre nós...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Diogo Mainardi e o livro que mal posso esperar para ler.

Diogo Mainardi acaba de encerrar o podcast semanal que mantinha na VEJA.com. Dizer o quê? Uma lástima, é claro! Mas a razão, acreditem, é muito boa: vem um novo livro aí! E me arrisco a dizer que será o melhor livro já escrito por Mainardi. Por quê? Bem, deixemos que ele mesmo explique. Transcrevo a seguir o texto do podcast, o último. Aproveitem (link aqui):

Adeus, pessoas estranhas

Este é meu último podcast. O primeiro foi em setembro de 2006. Durou tudo isso: dois anos e dez meses. Era para ter durado apenas dez semanas. O que aconteceu de lá para cá?

Número 1: aprendi o que era podcast. Nada muito esotérico: um comentário recitado, de dois minutos e meio, com minha voz anasalada, com meu tom enfadonho. Em geral, um suplemento à coluna publicada na mesma semana, nas páginas de VEJA.

Número 2: o podcast deu certo. Algumas pessoas, estranhamente, se dispuseram a ouvi-lo. Eu sou grato a essas estranhas pessoas.

Número 3: o podcast, da primeira à última semana, soube atrair uma série de patrocinadores. Só um deles se assustou com o conteúdo de meu trabalho e, arrependido, pulou fora antes de acabar o contrato. Comicamente, era uma companhia de seguros, acostumada a correr riscos.

Número 4: a internet matou a imprensa. E eu, estupidamente, escolhi renunciar à internet, permanecendo no corpo carcomido da imprensa. Como um verme.

Dois meses atrás, a editora Record me ofereceu um adiantamento para fazer um ensaio sobre o assunto que mais me interessa: paralisia cerebral. Decidi aceitar. A idéia é misturar depoimento pessoal com reportagem. Por isso estou abandonando o podcast: porque preciso de tempo para poder me dedicar ao projeto. E, de todos os meus trabalhos, o do podcast é o que menos me importa. O adiantamento da editora Record cobre meu salário na internet por um ano e meio. Depois disso, o plano é simples: mendigar de volta meu emprego na Veja Online, engolindo o que acabei de dizer sobre a internet.

Já agradeci às estranhas pessoas que se dispuseram a me ouvir. Mas minha lista de agradecimentos é muito maior. Só omito os nomes porque é constrangedor citar meu próprio chefe, meus colegas, meus programadores, meus entrevistados, meus amigos, meus parentes. Saio da internet desse jeito, mal-educadamente, sem agradecer a nenhum deles. A internet é mal-educada. Depois de dois anos e dez meses de podcast, tornei-me ainda mais mal-educado do que era.

Adeus pessoas estranhas.

Para quem não sabe, o interesse de Diogo Mainardi pela paralisia cerebral não decorre do desejo de compreender melhor a mente pogreçista dos lulistas. Trata-se, na verdade, da necessidade de um pai, que precisa descobrir o mundo diferente de seu filho.

Não é segredo que eu sou um fã do Diogo. Mais que isso: para desespero de alguns - lulistas em sua maioria - acho que ele é o melhor prosador do Brasil atual. Além disso, como não poderia deixar de ser, adoro as análises ácidas e polêmicas que ele tece acerca das mazelas nacionais. Contudo, o "melhor Diogo" é aquele que se dedica a escrever sobre o filho. Sabem qual é o melhor texto dele, na minha opinião? Vejam:

Diagnosticaram uma paralisia cerebral em meu filho de 7 meses. Vista de fora, uma notícia do gênero pode parecer desesperadora. De dentro, é muito diferente. Foi como se me tivessem dito que meu filho era búlgaro. Ou seja, nenhum desespero, só estupor. (...) Passei catorze horas por dia diante do computador, fuçando o assunto na internet. Memorizei nomes. Armazenei dados. Conferi estatísticas. Pelo que entendi, a paralisia cerebral confunde os sinais que o cérebro envia aos músculos. Isso faz com que a criança tenha dificuldades para coordenar os movimentos. Meu filho tem uma leve paralisia cerebral de tipo espástico. Os músculos que deveriam alongar-se contraem-se. Algumas crianças ficam completamente paralisadas. Outras conseguem recuperar a funcionalidade. É incurável. Mas há maneiras de ajudar a criança a conquistar certa autonomia, por meio de cirurgias, remédios ou fisioterapia.

Um dia meu filho talvez reclame desta coluna, dizendo que tornei público seu problema. O fato é que a paralisia cerebral é pública. No sentido de que é impossível escondê-la. Na maioria das vezes, acarreta algum tipo de deficiência física, fazendo com que a criança seja marginalizada, estigmatizada. Eu sempre pertenci a maiorias. Pela primeira vez, faço parte de uma minoria. É uma mudança e tanto. (...)

A paralisia cerebral de meu filho também me fez compreender o peso das palavras. Eu achava que as palavras eram inofensivas, que não precisavam de explicações, de intermediações. (...) Já não penso assim. Paralisia cerebral é um termo que dá medo. É associado, por exemplo, ao retardamento mental. Eu não teria problemas se meu filho fosse retardado mental. (...) Só que meu filho não é retardado. E acho que não iria gostar de ser tratado como tal.

(...) Agora cultivo a patética esperança iluminista de que nos próximos anos a ciência invente algum remédio capaz de facilitar a vida de meu filho. E, se não inventar, paciência: passei a acreditar na força do amor. Amor por um pequeno búlgaro.

Boa sorte no novo livro, Diogo! E que ele fique pronto logo. Mal posso esperar para lê-lo! E depois, quem sabe, o podcast acaba voltando...

Rápidas e rasteiras - 5.

1) O caminho da honestidade "era longe"...
Como podem perceber, comecei parafraseando um - se me permitem... - escritor muito famoso, que ascendeu até a Academia Brasileira de Letras. Difícil encontrar esse caminho da honestidade, heim? Deve ser por isso que todo dia surge um novo escândalo, uma nova denúncia envolvendo o nome de José Sarney, aquele maranhense que se elegeu senador pelo Amapá. Agora surgiu a história de que uma funcionária do homem se vale de um prédio destinado ao uso exclusivo de senadores. Entenderam? Eu disse exclusivo! Então por que ela usava? Ah, sei lá...

2) Netinho querido do meu coração...
E não é que apareceu também um outro neto de Sarney? Quantos são ao todo? Melhor que essa informação seja logo fornecida a todos, assim paramos de nos surpreender a cada nova manhã... O nome da vez é José Adriano Cordeiro Sarney, que, segundo publicado no blog do Josias de Souza, "opera no rendoso mercado dos empréstimos consignados do Senado". Não é mesmo fantástico?! Mas é claro que eu não vou aqui colocar sob suspeita a capacidade empresarial do rapaz... Se ele está lá, ganhando seu sustento, deve ser em razão de suas habilidades, não?

3) Quantos cargos!
Aliás, li no O Globo Online que Sarney e Renan Calheiros (que dupla!), juntos, criaram 174 novos cargos no Senado brasileiro. Para quê? Sei lá... Suponho que fosse extremamente necessário, afinal dois gestores tão competentes não fariam nada que não fosse no interesse na nação, não é mesmo? Principalmente se considerarmos que um deles, o imortal Sarney, não é uma pessoa comum, como bem lembrou o apedeuta Luíz Inácio Lula da Silva.

4) Será que ele sai? Hum...
Quem não está achando nada boa a gestão de Sarney, chamado de "fofo" pela jornalista Lúcia Hippolito, é o blogueiro Ricardo Noblat, do O Globo Online. Hoje, em seu blog, Noblat disse: "Sai daí rápido, Sarney!" Será que ele sai? Sei não... Se essepaiz fosse uma democracia séria e sólida, talvez... Mas como estamos falando de uma republiqueta de bananas, não creio. Aliás, foi no mesmo blog do Noblat que este escriba encontrou a curiosa charge que ilustra este post. Todos os créditos para o grande Machado.

5) E se sair? Resolve?
Não creio... Afinal, como bem lembrou o maranhense, a crise seria do Senado, não dele. Curioso... Sempre que lembro do pronunciamento de Sarney - definido pelo jornalista Daniel Piza como uma obra literária melhor que o livro Saraminda, escrito por... Sarney! -, lembro de Lúcia e da melhor definição encontrada pelo jornalismo até agora: "Sarney é mesmo um fofo!". E há outros que compartilha do meu pessimismo. Clóvis Rossi, por exemplo, da Folha de São Paulo, segundo quem um movimento "Fora Sarney é pouco". Sim, é pouco. Mas já seria um começo, não?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Islã, a burca, Sarkozi e os estúpidos.

Recebi o seguinte comentário, enviado por algum diabinhos desses que habita o inferno escuro e bolorento das ideias:

Viu a mais nova lei fascista do direitista Sarckozi? Você deve estar todo orgulhoso, né? Vive falando na tão elogiada cultura ocidental que deve se encher de alegria quando uma outra cultura, um outro povo, é ultrajado pela direita mais reacionária que existe. É isso que você defende quando fala em supremacia do ocidente? A extinção das minorias e de tudo o que lhe é alternativo? Quem deveria ser riscado do mapa e proibido de existir era o paspalhão francês.

Como devem ter notado, os rabiscos do sujeito foram transcritos conforme o original. Vocês sabem: essa gentalha é dada mesmo a falar - e a escrever - em "línguas estranhas". Adiante.

Bem, devo supor que o tal "Sarckozi" que o sujeito mencionou seja, na verdade, o Presidente da França, Sarkozy. É isso? Sim, creio que é. Sendo assim, só posso deduzir que ele se refere à estúpida decisão do governo francês de proibir o uso da burca, alegando que seria um sinal de submissão. Eu disse que a decisão foi estúpida? Disse sim! Isso quer dizer que o pogreçistazinho aí de cima quebrou a cara. E a quebrou porque cometeu um erro terrível e primário: aplicou a um democrata a mesma escala moral de valores que o norteia.

Percebam como a coisa toda é linear e óbvia: aqui neste blog sempre se defendeu a democracia e o seu sistema de liberdades individuais. Nunca houve exceção a tal postulado basilar. Assim, se uma muçulmana quer usar a burca, que use! É um problema individual dela, de sua crença, de sua cultura. Não diz respeito a mais ninguém, apenas a ela.

Sim, eu sei que os leitores tradicionais do blog já entenderam a questão, mas não me custa explicar um pouco mais, afinal há sempre uma caravana de idiotas, vindos do submundo das ideias, que insiste em aparecer por aqui. Quando qualquer aspecto das liberdades individuais é cerceado - ou solapado - por um imperativo estranho à democracia, cabe ao Estado, em nome dos valores dessa nossa civilização ocidental, proteger os indivíduos. É por isso que este blog condena os estupros coletivos e a mutilação genital das mulheres, praticados em diversos países islâmicos, sempre em nome de uma suposta tradição sócio-cultural. Isso, caros, é barbaridade. E deve ser tratado e combatido como tal, não compreendido e aceito em nome de uma suposta "tolerância", ancorada no relativismo moral mais canalha e pernicioso.

Muito diferente é o caso do uso da burca, que diz respeito apenas às escolhas individuais de cada mulher islâmica. Assim, cumpre ao governo francês cuidar daquilo que realmente importa, deixando de lado essa xenofobia estúpida e rasteira, que, a pretexto de defender o ocidente, acaba nos igualando à escória do mundo. Toda mulher que deseje usar a burca por livre e espontânea vontade deve ter o direito de fazê-lo. Principalmente quando está sobre o solo democrático de algum país ocidental, onde as liberdades individuais são - e sempre foram - mais resguardadas do que alhures.

"Ah, mas você já elogiou o Sarkozy no passado!", pode gritar o diabinho mais apressado. Sim, é fato. Mas e daí? Querem ver como funciona a mente "careta" de um "reacionário"? Pois vejam: quando algo é certo, elogio; quando não presta, critico. Simples assim. Não tentem apanhar em contradição um democrata. É algo impossível de acontecer, creiam. O respeito fiel e inegociável pela democracia e pelo sistema de liberdades individuais que a caracteriza nos impede de ter dois lados, duas éticas. Impede - ainda parafraseando o grande George Orwell - o duplipensar.

Querem ver a diferença definitiva entre um democrata e um canalha? Pois vejam a última frase escrita pelo símio, no comentário acima transcrito. Ele sugere que deveria o Presidente Sarkozyser "proibido de existir". Viram? Esse é o humanismo e o pogreçismo dessa gente: sempre baseado na morte, no terror e na eliminação de tudo o que lhes é contrário. Sarkozy é de direita? Ora, mate-se o francês! Não é mesmo fascinante? Eu, reacionário que sou, idealizo um mundo onde o diminuto mandatário francês pode perfeitamente existir, ao lado de mulheres muçulmanas que usem livremente a burca. Na democracia, aceito o respeito às leis e às liberdades, há lugar para todos. É no mundo ideal da canalha que alguém precisa ser sempre "proibido de existir".

O progressismo que serve para defender Sarney.

Sabem qual é um dos esportes preferidos deste escriba? Apanhar pogreçistas com as calças na mão. Vocês sabem: essa gentalha que pretende "mudar tudo iço que tá aí", a fim de construir o tal "outro mundo poçíveu", vive fazendo contorcionismos mentais os mais diversos para tentar emprestar alguma lógica aos seus raciossímios. Eles não conseguem, é claro.

Vejamos o caso de Gilson Caroni Filho, um sei-lá-quem que só consegue espaço para seus rabiscos naquele antro do pensamento marxista chamado Carta Maior. Pois bem, em abril de 2004, Caroni escreveu este texto, onde atacou pesadamente o maranhense José Sarney e as Organizações Globo. O título? "Unha e carne do atraso". Vejam alguns trechos do que Caroni pensava sobre Sarney naquela nem tão longínqua época:

(...) Entre os clãs Marinho e Sarney há mais que afinidade eletiva. O que os une, embora tenha havido estremecimento recente, são o DNA do atraso e o cálculo frio da oportunidade histórica. (...)

(...) Sarney, no mesmo ano, apoiado por Castelo Branco e tecendo loas aos ditadores de plantão, torna-se governador maranhense. (...) Em 1970, o oligarca assume uma cadeira no Senado. (...)

(...) Nos anos 1980, Sarney se dedicaria, nos bastidores, a abortar a campanha das Diretas-Já. (...)

(...) Antes que a nova Constituição brasileira tirasse do presidente a prerrogativa de distribuir concessões, Sarney deu mais 90 e ficou com duas, que se tornariam afiliadas da Globo. Nunca cinco anos de mandato valeram tanto. Ou tão pouco, dependendo do ângulo. O certo é que ambos, Organizações Globo e Sarney, foram, cada um no seu campo, militantes ativos de um regime que se valeu do terror de Estado para aniquilar adversários. (...)

Eis aí. Faça-se a leitura que se quiser do que vai acima, mas uma coisa é inegável: Gilson Caroni Filho não simpatizava nem um pouquinho com José Sarney. E nem com a Globo, é claro, afinal é um pogreçista e, como tal, deve odiar a empresa dos Marinho, uzamericânu e FHC.

Mas e daí? Ah, agora vem a parte boa! Ontem, o mesmo Caroni que em 2004 criticava o "oligarca" Sarney, tratou de fazer algumas trapaças retóricas e intelectuais para, juntando-se a Lula, criticar aqueles que, hoje, criticam o maranhense. Não é fascinante? Vejam abaixo um pequeno trecho do que foi rabiscado pelo intelequitual (íntegra aqui):

(...) Nesse contexto, chega a ser engraçado ver a convergência de opiniões sobre a declaração de Lula contrária ao linchamento político do senador José Sarney. “Esquerdistas éticos" e analistas tucanos fingiram espanto, vendo nas palavras do presidente uma legitimação do coronelismo. Quem conhece os efeitos do Bolsa-Família sobre os velhos currais, sabe como estão sendo erodidas antigas formas de dominação. (...)

Eu pergunto: como algo assim é possível? Fácil: porque eles vivem da dualética, que lhe permite empregar uma ética diferente para cada situação. Notaram como ele começa o malfadado parágrafo? Com a expressão "neste contexto". Um alerta: sempre que um pogreçista falar em contexto, fique esperto: essa gentalha está sempre em busca de uma maneira de contextualizar suas estripulias éticas e morais.

É por isso que em uma coisa - e só em uma! - o terrorista italiano Antonio Gramsci estava certo: a moral deles - os marxistas - é mesmo muito diferente da nossa (que eles chamam de "burguesa"). Isso porque para gente careta, reacionária e conservadora como eu, bandido é sempre bandido, corrupto é sempre corrupto, coronel é sempre coronel e oligarca é sempre oligarca.

Entenderam? Não há contextualização capaz de inocentar a fala canalha de Lula. Nem há interpretação boa o bastante para minimizar a gravidade dos "atos secretos" praticados no Senado, sob a presidência de Sarney. É por isso que ser um - como eles dizem mesmo? - "reacionário" é muito mais fácil. Basta ter sempre as mesmas convicções firmes a respeito dos postulados éticos e morais básicos. Acreditem: é mais simples defender o mesmo ponto de vista, do que fazer macaquices textuais a fim de dar arrimo a teses diametralmente opostas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Virgílio: "Sarney não precisa sobreviver".

O que vai abaixo também foi publicado no blog do Josias de Souza, na Folha Online (íntegra aqui).

(...) Nesta segunda (22), as diferenças começaram a emergir. Acossado por “chantagens” que atribui ao Todo-Poderoso Agaciel Maia, Arthur Virgílio escalou a tribuna.

Chamou os ex-diretores Agaciel e João Zoghbi pelo nome: “bandidos”, “camarilha”, “ladrões”, “corja”... Pediu a demissão da dupla. E disse o óbvio: não agiram sozinhos.

Há senadores por trás dos dois ex-diretores, disse Virgílio. Dirigiu-se a Sarney, que, a seu pedido, presidia a sessão.

O líder tucano disse ao presidente do Senado que, dissociando-se da “camarilha”, o terá como aliado. Protegendo-a, o terá como “adversário ferrenho”.

Virgílio disse que não hesitará em levar Sarney ao Conselho de Ética se julgar que é o caso. Afirmou que Sarney “não precisa sobreviver”, o Senado sim. (...)


Este escrevinhador não pode se furtar a dizer o que segue: adorei a fala do senador Arthur Virgílio! Mais que isso: Dou plena sustentação ao que disse o tucano, afinal SARNEY NÃO PRECISA MESMO SOBREVIVER! Ele é secundário, quando comparado ao Senado da República. É, em verdade, dispensável. Nenhum homem é maior que uma instituição republicana, por isso Sarney não precisa sobreviver. Quem deve ser salvo é o Senado, mesmo que isso custe o afastamento e a morte política de alguns - ou vários - de seus membros, inclusive do maranhense escritor.

Grande Virgílio! Independentemente de qualquer divergência que eu tenha tido com ele no passado, devo dizer que a fala de ontem foi perfeita. A democracia brasileira só vai crescer de verdade quando as instituições forem protegidas e defendidas com vigor e veemência. Estas precisam, sim, sobreviver. Sarney - e qualquer outro senador -, não!

Eis a turma dos "atos secretos".

A lista abaixo, organizada pelo Estadão Online, mostra os senadores que foram beneficiados pelos famosos "atos secretos" editados em Brasília. A análise cuidadosa dos nomes revela dois detalhes - como direi? - "curiosos". Vamos primeiro às excelências:

Senadores beneficiados por atos secretos Aldemir Santana (DEM-DF) Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) Augusto Botelho (PT-RR) Cristovam Buarque (PDT-DF) Delcídio Amaral (PT-MS) Demóstenes Torres (DEM-GO) Edison Lobão (PMDB-MA) Efraim Moraes (DEM-PB) Epitácio Cafeteira (PTB-MA) Fernando Collor (PTB-AL) Geraldo Mesquita (PMDB-AC) Gilvam Borges (PMDB-AP) Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado (ministro) João Tenório (PSDB-AL) José Sarney (PMDB-AP) Lobão Filho (PMDB-MA) Lúcia Vania (PSDB-GO) Magno Malta (PR-ES) Marcelo Crivella (PRB-RJ) Maria do Carmo (DEM-SE) Papaléo Paes (PSDB-AP) Pedro Simon (PMDB-RS) Renan Calheiros (PMDB-AL) Roseana Sarney (PMDB-MA) renunciou para assumir o governo do MA Sérgio Zambiasi (PTB-RS) Serys Slhessarenko (PT-MT) Valdir Raupp (PMDB-RO)licenciado (ministro) Wellington Salgado (PMDB-MG)

E aí? Notaram os nomes grifados em negrito? TODOS os senadores do Amapá e do Maranhão foram beneficiados, de alguma forma, pelos - se me permitem a jocosidade - "atos escondidinhos"...TODOS! SEM EXCEÇÃO! Não sei o que farão os maranhenses e os amapaenses, mas eu não dou meu voto para nenhum desses! Sabem como é, né? Reacionário que sou, prefiro não ver meu nome associado ao de certas pessoas...

E daí? Bom, quem preside o Senado Federal? Ora, José Sarney, aquele que escreveu sobre uma prostituta cujos mamilos excitavam até os cães, lembram? E onde Sarney nasceu? Bem, no Maranhão. E se elegeu senador por qual estado? Ora, pelo Amapá.

Não é mesmo fascinante? Diante de algo assim, lembro-me de uma frase famosa, pronunciada pelo General americano Dwigth Eisenhower: "Quando acontece uma vez, é culpa do acaso; quando acontece duas, é coincidência; quando acontece três ou mais, é a prova da ação dos nossos inimigos." Sábio esse General, heim?

"Muros de ferro, palavras de aço."

Transcrevo abaixo o ótimo artigo assinado por João Pereira Coutinho, publicado na Folha de São Paulo de hoje. Divirtam-se:

O MUNDO dá muitas voltas. Uns anos atrás, quando alguém falava da "agenda Bush", os sábios faziam piada. Agenda Bush? O plano consistia em defender a democracia, a liberdade e o respeito pelos direitos humanos nas mais variadas regiões do globo, de forma a evitar a existência de estados párias, exportadores do terrorismo e, claro, agentes da opressão para os seus próprios povos. Alguns anos passados, toda a gente clama pela agenda Bush, ainda que o seu nome não seja pronunciado e o pobre George esteja, algures no Texas, a comer tartes de maçã. Basta prestar atenção à telenovela iraniana e aos textos que os mais ferozes anti-bushistas escrevem a respeito. Eles parecem mais neoconservadores do que os próprios neoconservadores. Mas o que mudou no Irã? Paradoxalmente, pouca coisa e muita coisa: há trinta anos que o Irã é uma teocracia violenta e repressiva, dominada por um grupo de clérigos que decide a política interna e externa do país. Verdade: existem eleições regulares. Mas as eleições são controladas pela teocracia, que escolhe os candidatos e depois escolhe o candidato vencedor, em total desrespeito pela vontade popular. Esse ano, algo mudou: uma população crescentemente jovem, urbana, educada e com sede de Ocidente resolveu contestar, não apenas a fraude eleitoral mas a própria legitimidade do regime. Os sábios podem desprezar os valores da agenda Bush. Mas os iranianos que vão para as ruas são a prova tangível e audível de que essa agenda não está morta nem enterrada. Infelizmente, é pouco provável que alguém os ouça. Para começar, e mesmo que Mir-Hossein Mousavi fosse o vencedor, ele não é o Barack Obama da Pérsia, disposto a inaugurar um novo capítulo de abertura ao Ocidente e de concessão de liberdades individuais a todos os iranianos. Mousavi, antigo premiê de Khomeini, é um revolucionário de formação, responsável pela execução de milhares de opositores políticos e um entusiasta do programa nuclear do país. Na imprensa internacional, Mousavi é apresentado como arquiteto, poeta, provavelmente trapezista ou palhaço nas horas vagas. Mousavi é o contrário dessa imagem bucólica que corre no mundo. E os iranianos que gritam nas ruas por Mousavi gritam apenas por uma substituição de carrascos. Mas se Mousavi não é o Barack Obama da Pérsia, que dizer do Barack Obama real? Até o momento, o presidente americano persiste no seu silêncio ensurdecedor. E, quando quebra esse silêncio, é para mostrar preocupação com a violência e alguma esperança de que os votos sejam recontados pelo regime iraniano. Os apoiantes de Obama aplaudem a contenção do presidente. E recordam que qualquer outra palavra só serviria para reforçar a violência do regime e enfraquecer a causa dos manifestantes. Regimes totalitários sempre precisaram de fantasmas externos, certo? Errado. O regime não precisa das palavras de Obama para culpar o Ocidente pelas tragédias internas do Irã. Pela boca do Líder Supremo, Khamenei; ou pela boca do presidente "reeleito", Ahmadinejad, os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha já estão sendo apontados como os principais instigadores do ódio e dos confrontos. Obama não precisa falar para que os outros falem dele. Resta a esperança otimista do presidente americano de que o seu silêncio será tido em conta no momento de negociar o dossiê nuclear iraniano. Obama acredita que, depois de anos consecutivos de fracassos diplomáticos, a sua bondosa pessoa irá convencer o regime a aceitar a existência de Israel e a desistir da bomba nuclear. No fundo, Obama acredita na bondade de um regime que mente à sua própria população; que manipula os resultados eleitorais; que prende e espanca barbaramente os seus cidadãos. Longe de mim sugerir a aplicação da agenda Bush até às suas últimas consequências. Enviar o exército para Teerã não é opção de gente sensata. Muito menos alguns operacionais da CIA, como sucedeu na década de 50, com as consequências conhecidas. Mas existem palavras que devem ser ditas para que milhares de pessoas, arriscando a própria vida, saibam que o mundo as apoia. O passado é o único guia que temos. E o passado ensina que não foram apenas as contradições econômicas dos regimes comunistas que levaram às suas quedas. Reagan, Thatcher e mesmo João Paulo 2º nas suas viagens pelo Leste da Europa mostraram como os muros de ferro não resistem às palavras de aço.

Turma do turbante admite fraudes no Irã. Avisem o Lula!!!

Do blog do Josias de Souza, na Folha Online:

(...) Depois de declarar que a reeleição de Ahmadinejad havia sido limpa, o Conselho de Guardiães deu meia-volta.

Instância constitucional suprema do Irã, o conselho admitiu que houve irregularidades na apuração dos votos.

O surpreendente reconhecimento veio à luz na noite deste domingo (21), manhã de segunda-feira no Irã.

Foi levado ao sítio do canal estatal Press TV. A notícia traz uma declaração do porta-voz do conselho, Abbas Ali Kadkhodai.

Ele diz que, por ora, não é possível "determinar se esse montante [de votos irregulares] é decisivo para [alterar] os resultados da eleição".

(...) O Conselho dos Guardiões diz ter verificado que, em 50 cidades, o número de votos superou a quantidade de eleitores inscritos. Coisa de 3 milhões de votos. (...)


Ora, parece que o tal Conselho dos Guardiões precisa dar mais ouvidos a Lula, não é? O apedeuta - que Obama disse ser "O cara" -, falou há alguns dias que em uma eleição onde o vitorioso recebe mais de 60% dos votos, não pode haver fraude. Não me perguntem qual "lógica" norteou o ex-metalúrgico em sua análise. O raciossímio de Lula, já afirmei no passado, não me é nem um pouco familiar.

Como não é segredo, Lula está sempre errado. Se Lula afirma que o céu é azul, acreditem: será de outra cor; se ele diz que a eleição do Irã foi limpa, podem apostar que houve fraude. Aliás, ao que me consta só duas pessoas rechaçaram a ideia de ilegalidade na eleição iraniana: o vitorioso fascista Ahmadinejad e... Lula!

Fico me perguntando: o que será que certa intelequitualidade pogreçista sente ao ver Lula, o presidente dozoperário e dozoprimido, aquele que deveria mudar essepaiz, servindo de esteio de sustentação para um regime assassino e despótico... A facilidade com que os filomarxistas se aliam intelectual e moralmente ao terror é fascinante. Daria uma bela tese de estudo...

Leiam abaixo:

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Milicianos do fascista Ahmadinejad prometem "limpar o país".

Da Folha Online:

A Guarda Revolucionária, corpo de segurança de elite do Irã, afirmou nesta segunda-feira que dará uma "resposta revolucionária e decisiva" aos manifestantes que "causarem distúrbios e enfrentarem as forças de segurança" nos protestos da oposição contra fraude na eleição que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

"As Guarda Revolucionária, os basijis [milícia islâmica vinculada à Guarda] e as outras forças de ordem e segurança estão dispostas a executar uma ação decisiva e revolucionária para (...) dar fim ao complô e aos distúrbios (...) e limpar o país destes conspiradores e hooligans", afirma um comunicado citado pelas agências de notícias Mehr e Irna.

(...) A Guarda Revolucionária está sob o controle direto do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que fez discurso na sexta-feira passada (19) no qual rejeitou denúncias de fraude, defendeu a reeleição de Ahmadinejad e deu um ultimato para que os manifestantes saiam das ruas.

O corpo foi criado inicialmente para defender os líderes da Revolução Islâmica de 1979, mas, com o passar dos anos, ampliou sua ação para a defesa dos interesses nacionais. Atualmente, a Guarda conta com mais de 200 mil membros.

o Basij é um grupo voluntário paramilitar que está sob ordens da Guarda. O grupo foi o principal acusado pela oposição de usar violência para conter os protestos, incluindo a morte a tiros da jovem iraniana Neda --que se transformou em ícone dos protestos. (...)


Sabem por que é preciso "exportar" a nossa democracia ocidental para países vagabundos e filoterroristas como o Irã? Para evitar que coisas tão ultrajantes aconteçam. Viram o que os milicianos do fascista ilsâmicos ameaçam fazer? Falam em limpar o país. Ora, mas o que isso lembra? Claro! O massacre promovido pelo regime chinês, na Praça da Paz Celestial.

Diogo Mainardi foi perfeito ao resumir ontem, no programa Manhattan Conection, a guerra civil que está sendo armada no Irã: de um lado estão os terroristas e sua teocracia de molde fascista, enquanto do outro estão aqueles que querem mais liberdade. Não há escolha a ser feita, a final qualquer pessoa decente só pode optar por defender a resistência, condenando os bandoleiros de Ahmadinejad.

Daniel Piza fala sobre Sarney, aquele que não pode ser tratado como "uma pessoa comum".

O ótimo texto abaixo, bem como a imagem ao lado, que o ilustra, eu encontrei no blog do Daniel Piza, do Estadão. O talento do renomado jornalista conseguiu articular de forma primordial uma análise minuciosa da crise vivida pelo Senado brasileiro. Ao texto:

Estou mais uma vez com o presidente Lula: o senador José Sarney não é uma pessoa comum. Uma pessoa comum não tem ilha e mausoléu, não pertence aos imortais da ABL, não fica no poder por mais de quatro décadas sem se indispor com ninguém, não é detidamente resenhado por Millôr Fernandes, não tem jornais e rádios em todos os cantos de um Estado cujo IDH está entre os piores. Uma pessoa comum também não tem “atos secretos” para dar emprego público para os parentes de primeiro, segundo e terceiro graus e não tem a honra de ter presidido o Brasil num golpe da fatalidade e de ter levado a inflação aos três dígitos. E uma pessoa comum sabe o que entra em sua conta bancária, embora saiba melhor ainda o que sai e o que não entra.

(...) Quem menospreza Sarney como autor comete um erro ao ignorar uma peça literária como o discurso que ele fez na quarta-feira. Primeiro, porque é um exercício de imaginação que deixa longe livros como Saraminda – aquela obra-prima que conta a história de uma mulher com mamilos de ouro em Serra Pelada. Segundo, porque são centenas de linhas com apenas dois argumentos, ou melhor, duas alegações: a de que ele não é culpado, e sim a instituição que ele preside com a tal “crise da democracia representativa” (tradução: todos nós do Senado temos rabo preso, atire a primeira pedra quem nunca pecou com o dinheiro público); e a de que ele “exige respeito” por sua história (e sua versão singular de como não colaborou com o autoritarismo militar). Todos os males que Sérgio Buarque identificou nas raízes do Brasil frutificam ali. (...)

Descompostura.

Ai, ai... O que dizer depois de um retumbante três a zero? Nada! A Itália foi varrida, estraçalhada pelo time de pelada montado pelo Dunga. Inapelável. Injustificável.

E olha que devemos nos render ao óbvio: a seleção brasileira melhorou - e muito! - nos últimos meses. Na verdade, acho que a grande virada se deu em fevereiro, exatamente depois do jogo contra Itália, naquele amistoso realizado em Londres. Ali, se o Brasil perdesse, acho que o cargo de Dunga ficaria a perigo, principalmente porque o bom e velho Felipão havia acabado de sair do Chelsea... Mas a minha querida Squadra Azzurra tratou de ajudar o anão treinador, perdendo de forma bisonha.

Aquela derrota não foi como a de ontem. Ontem foi tudo muito pior, mais vexatório. A Itália perdeu sem mostrar nenhuma competitividade. Sim, ela não jogou bem em nenhum dos jogos da Copa das Confederações, mas isso nunca me incomodou. A Itália venceu quatro mundiais sem jogar bem. Dar espetáculo nunca fez parte do DNA da Azzurra, que sempre primou por times fortes, motivados e taticamente muito disciplinados. Por isso o tal "jogo feio" da Itália não me aborrece. O que me aborrece - e preocupa - é exatamente a dificuldade que a Nazionale mostra em alguns aspectos que sempre foram básicos pro seu futebol, tais como a marcação e a defesa.

Ao contrário do que se possa imaginar, não me preocupa ter perdido de três para o Brasil. Pior - muito pior! - foi tomar dois gols em contra-ataques. Sim, contra-ataques! Ora, mas essa não era a arma, a especialidade dos italianos? Por que diabos o treinador insiste em uma formação ofensiva, com três atacantes, e uma total insegurança na defesa? Isso não funciona na Itália, simplesmente porque não está no nosso DNA. Se o time não sente segurança na sua marcação e na sua barreira defensiva, não consegue relaxar e jogar com a cadência e a determinação tática que sempre lhe foi peculiar. E Marcello Lippi insiste em não enxergar esse particular... Insistem com essa "nova ofensividade", esse "futebol progressista", segundo suas próprias palavras. Que progressista uma ova! Quero é o meu conservadorismo de volta! Quero o meu catenaccio e contropiede, que nos fez campeões e impôs temor aos adversários depois de partidas épicas, como a de 1982. Escrevi sobre isso na coluna da semana passada, no Perspectiva Política.

Depois de ontem, o técnico italiano terá que rever algumas certezas, e comandar algumas mudanças no time. Alguns nomes, vitoriosos em 2006, simplesmente não suportam mais o esforço que uma seleção demanda. Assim, às pressas, lembro de alguns: Zambrotta, Toni e Camoranesi. Mas pode ser que jogadores diferenciados como Pirlo e Cannavaro também tenham que entrar no barco... Ao mesmo tempo, alguns jovens talentos devem ganhar mais oportunidades na Azzurra. Quem acompanha o campeonato europeu sob 21 sabe bem o que estou dizendo. A Itália tem no forno uma das melhores gerações de jogadores do mundo, sem o menor exagero. Gente como Giovinco, Motta, Santon, Marchisio, De Ceglie, Balotelli, D'Agostino, Montolivo e Balotelli possui talento suficiente para desequilibrar uma partida. E não me refiro só à tática europeia. Estou falando de garotos com enormes qualidades técnicas. E, por fim, há aqueles que já estão em evidência, e que precisam estar nesta seleção atual, como Pazzini, Rossi e Cassano, este último um dos maiores talentos italianos desde Roberto Baggio.

Enfim, a Nazionale precisa voltar a jogar o seu futebol. E não se trata de jogar bem e bonito, longe disso. Trata-se de recuperar a disciplina tática e a lógica que fez do futebol italiano um dos maiores do mundo: um time cuja defesa seja forte e inexpugnável, aliado à velocidade no contra-ataque, conduzido por algum jogador de talento fora de série. É assim, e não com três atacantes, que venceremos novamente. Até lá, só me resta torcer pela grande Squadra Azzurra e reconhecer os méritos do Brasil, hoje muito melhor do que a concorrência.