Caros, a barulheira momesca não faz mesmo o meu estilo. Não faz o nosso, aliás. Vocês sabem: aqui neste espaço "reacionário, conservador, feio e bobo", o ritual suarento e cheio de tambores causa urticárias... Não vou me alongar. Ano passado, neste mesmo período, escrevi um texto que reputo suficientemente explicativo. O reproduzo abaixo:
O ziriguidum, o balacobaco e o telecoteco.
Caros, é chegado o carnaval e, com ele, um feriadão. Mais um, na verdade. O brasileiro acostumou-se a trabalhar pouco, afinal aqui somos um país de festas, não é? E olhem que, via de regra, o feriado vai só até o meio-dia da quarta-feira de cinzas. O que dizer então do nordeste, onde o carnaval já começou há semanas e vai se estender por outras tantas? Ih... Já senti que vão tentar me colar a pecha de preconceituoso, afinal falei do nordeste (o pobre nordeste)...
Aqui no blog, não é segredo, já me chamaram de reacionário. Eu me debrucei sobre a questão e verifiquei que, de fato, sob uma certa ótica, posso ser mesmo. E acho que meu - se me permitem - reacionarismo atinge até mesmo a tal "festa do povo". Sim, como vocês já devem ter percebido, não sou lá muito fã do ziriguidum, do balacobaco e do telecoteco. Aliás, muito barulho normalmente me aborrece muito, razão por que passo sempre ao largo de qualquer festa onde o limite máximo de decibéis é desrespeitado.
"Mas o carnaval não é só uma festa. É uma manifestação cultural.", dirão alguns. Sério? Puxa... Meus valores estão mesmo ficando defasados neste mundo de tantas modernices. Percebam: reacionário que sou, prefiro muito mais me agarrar à cultura que emana de um bom livro, ou de uma grande peça teatral. Bateção desenfreada de tambores, aliada à exibição de corpos desnudos e suarentos, admito, não me seduz nem um pouco. Aliás, já se passaram mais de 500 anos desde que os portugueses desembarcaram aqui pela primeira vez, mas ainda não aprendemos a cobrir nossas vergonhas. Pelo contrário: nós as exibimos! E ainda achamos isso um "traço cultural".
Estou exagerando? Não creio. Experimentem navegar pelos sites de notícias do exterior nos próximos dias. Não há outra época do ano em que se fale tanto do brasil. As mulheres daqui, isso é certo, estarão expostas em fotos as mais reveladoras, ilustrando para o mundo "o que o Brasil tem de melhor". E ainda nos queixamos quando os gringos fazem turismo sexual... Mas se somos nós mesmos que propagandeamos a mercadoria!
Não há como escapar da pecha terceiro-mundista e rastaquera, afinal nossos principais produtos de exportação são: 1) O futebol; 2) A nudez; e 3) A miséria. Em que crescemos como nação ao glamurizar a exibição desnuda das mulheres daqui? Em que nos tornamos mais desenvolvidos lutando para que uma festa onde se prega o amor (?) sem compromisso e o cosumo de álcool seja vista mundo a fora como símbolo de nossa cultura? Penso que seria mais produtivo tentar vender no exterior as obras de Machado ou Graciliano...
Não. Eu não estou tentando posar de intelectual certinho. Estou apenas admitindo que a festança barulhenta que se inicia (oficialmente) hoje não me engrandece em nada - assim como não engrandece estepaiz. Isso para não mencionar a situação pobre e ridícula do estado de onde escrevo (o rincão inominável), onde o povo se vangloria de ter "o maior bloco de sujos do norte do país". Pois é... Como sou um careta que gosta de ficar limpinho, eu passo longe deles.
Mas não adianta mesmo tentar fugir do ziriguidum, do balacobaco e do telecoteco. Eles estão por toda parte - exatamente como o futebol, a nudez e a miséria. Assim, me sinto satisfeito com a perspectiva de degustar um bom livro e de continuar escrevendo no blog.
Sei que é real a hipótese de eu me encontrar só, afinal a maioria dos brasileiros, é fato, gosta da tal "festa do povo". Não há problema. Qualquer alternativa é melhor que cair na folia.
Aqui no blog, não é segredo, já me chamaram de reacionário. Eu me debrucei sobre a questão e verifiquei que, de fato, sob uma certa ótica, posso ser mesmo. E acho que meu - se me permitem - reacionarismo atinge até mesmo a tal "festa do povo". Sim, como vocês já devem ter percebido, não sou lá muito fã do ziriguidum, do balacobaco e do telecoteco. Aliás, muito barulho normalmente me aborrece muito, razão por que passo sempre ao largo de qualquer festa onde o limite máximo de decibéis é desrespeitado.
"Mas o carnaval não é só uma festa. É uma manifestação cultural.", dirão alguns. Sério? Puxa... Meus valores estão mesmo ficando defasados neste mundo de tantas modernices. Percebam: reacionário que sou, prefiro muito mais me agarrar à cultura que emana de um bom livro, ou de uma grande peça teatral. Bateção desenfreada de tambores, aliada à exibição de corpos desnudos e suarentos, admito, não me seduz nem um pouco. Aliás, já se passaram mais de 500 anos desde que os portugueses desembarcaram aqui pela primeira vez, mas ainda não aprendemos a cobrir nossas vergonhas. Pelo contrário: nós as exibimos! E ainda achamos isso um "traço cultural".
Estou exagerando? Não creio. Experimentem navegar pelos sites de notícias do exterior nos próximos dias. Não há outra época do ano em que se fale tanto do brasil. As mulheres daqui, isso é certo, estarão expostas em fotos as mais reveladoras, ilustrando para o mundo "o que o Brasil tem de melhor". E ainda nos queixamos quando os gringos fazem turismo sexual... Mas se somos nós mesmos que propagandeamos a mercadoria!
Não há como escapar da pecha terceiro-mundista e rastaquera, afinal nossos principais produtos de exportação são: 1) O futebol; 2) A nudez; e 3) A miséria. Em que crescemos como nação ao glamurizar a exibição desnuda das mulheres daqui? Em que nos tornamos mais desenvolvidos lutando para que uma festa onde se prega o amor (?) sem compromisso e o cosumo de álcool seja vista mundo a fora como símbolo de nossa cultura? Penso que seria mais produtivo tentar vender no exterior as obras de Machado ou Graciliano...
Não. Eu não estou tentando posar de intelectual certinho. Estou apenas admitindo que a festança barulhenta que se inicia (oficialmente) hoje não me engrandece em nada - assim como não engrandece estepaiz. Isso para não mencionar a situação pobre e ridícula do estado de onde escrevo (o rincão inominável), onde o povo se vangloria de ter "o maior bloco de sujos do norte do país". Pois é... Como sou um careta que gosta de ficar limpinho, eu passo longe deles.
Mas não adianta mesmo tentar fugir do ziriguidum, do balacobaco e do telecoteco. Eles estão por toda parte - exatamente como o futebol, a nudez e a miséria. Assim, me sinto satisfeito com a perspectiva de degustar um bom livro e de continuar escrevendo no blog.
Sei que é real a hipótese de eu me encontrar só, afinal a maioria dos brasileiros, é fato, gosta da tal "festa do povo". Não há problema. Qualquer alternativa é melhor que cair na folia.
3 comentários:
"Assim, me sinto satisfeito com a perspectiva de degustar um bom livro e de continuar escrevendo no blog. Sei que é real a hipótese de eu me encontrar só, afinal a maioria dos brasileiros, é fato, gosta da tal 'festa do povo'."
Só pra constar: eu estive aqui.
Eu também, junto com a resistência "não-sambista".
Adorei! Muito bom mesmo. Divertido e sociologicamente perfeito!
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