quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Assim, não, Pedro...

Sou um daqueles "alienados" da internet que aprendeu a ler e gostar das coisas que o Pedro Sette escrevia lá no Indivíduo. Recentemente, porém, ele tem intercalado a inteligência de sempre com algumas opiniões assaz complicadas, do tipo que não resistem a um cronfronto direto com a lógica. Sobre a soltura de Ezequiel, o bandido que matou o menino João Hélio, o "ex-indivíduo" disse o seguinte:

Eu mesmo defendo até a redução da maioridade penal para 16 anos, mas creio que fico mais assustado ao ver que a justiça brasileira cede ao desejo de vingança (também conhecido como "indignação") da população em vez de manter decisões tomadas dentro do processo legal. Isso, como diziam os lordes ingleses d'antanho, não é lei, é mob rule.

Não, Pedro. Assim, não... Assim, eu acabo concordando com o Da CIA, segundo quem o fim de "O Indivídio" teria sido muito mais sentido há uns dois anos atrás, quando coisas como a que vai acima, creio, não teriam sido escritas...

A decisão de soltar Ezequiel, é fato, foi tomada dentro da lei. E ninguém cogita que ele possa continuar preso ao arrepio das normas legais brasileiras. O que indignou a opinião pública - e numa democracia isso pode, sim, acontecer - foi a casa na Suíça, a nova identidade e essa baboseira de "direito de recomeçar a vida", como se o bandido fosse a grande vítima, não o principal algoz. Isso, sim, é escandaloso!

Aposto que o Pedro não sabia, por exemplo, que Ezequiel estava foragido, descumprindo as normas legais concernentes a sua liberdade. Ora, uma vez fora da prisão, Ezequiel deveria integrar um programa de ressocialização, sempre sob acompanhamento do Estado. O busílis todo foi que essa etapa pós-cárcere foi substituída por uma singela morada nos Alpes, ao arrepio da lei e de tudo o que é humano e civilizado. Isso já seria, de per si, motivo suficiente para rever todas as condições da soltura de Ezequiel.

Não bastasse isso, o assassino ainda desapareceu, abstendo-se de aceitar, inclusive, a viagem para o estrangeiro. Em outras palavras, temos que ele queria mesmo era estar soltinho, só Deus sabe para fazer o quê...

Não, Pedro. Não há arbitrariedade contra Ezequiel nesse caso. O Estado, como você pode ver, não está atendendo a um pedido de vingança da sociedade. Em vez disso, está tentando acompanhar da melhor forma possível um meliante convicto que, por força de uma lei vagabunda, está livre entre nós.

2 comentários:

Da C.I.A. disse...

Não sei porque mas cada vez mais o Pedro faz mais sentido quando fala de coisas que não fazemos idéia ou não sabemos ( ou sabíamos ) do que se tratava. Para assuntos mundanos, só dá bola fora!

Flor disse...

concordo com voce...
Deixar nao so esse Ezequiel solto, apesar do crime que cometeu, e ainda com direito a vida na Suicça, é uma afronta assim como continua sendo uma afronta, ver tantos politicos roubando e soltos, tantos "coronéis" assassinando, e soltos! "Livres entre nós"...