sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A defesa da vida e o início de todas as virtudes.

Não há discussão mais importante do que aquela em torno do direito à vida. Sem que se supere um eventual debate a respeito, qualquer outro tema fica instantaneamente menor, mesquinho.

Li que pesquisadores das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e de Liège, na Bélgica, publicaram um estudo onde contam seus êxitos em manter comunicação com pessoas em estado vegetativo. O texto original, apesar de recorrer a palavras técnicas, é bastante acessível (se você domina o inglês). Recomendo-o a todos!

Nele, em resumo, os especialistas contam que conseguiram manter diálogos, ainda que primários, com vários pacientes vítimas de danos cerebrais graves e considerados irreversíveis. Na experiência, os médicos pediram que os pacientes se imaginassem, primeiro, jogando tênis e, em seguida, dentro de suas salas de estar. Depois, combinaram com os doentes que jogar tênis era "SIM" e estar na sala era "NÃO". E usaram esse mecanismo para obter respostas dos pesquisados a questões objetivas, como, por exemplo, se o doente tinha irmãos. Alguns dos examinados, ao pensar na questão feita, se imaginou jogando tênis e, por isso, respondeu que sim.

A descoberta é fascinante! Em última análise, está correto o médico que disse ser possível negar o estado vegetativo, já que vários dos pacientes examinados conseguiram formular raciocínio e dialogar com os pesquisadores. Será que chegaremos ao dia em que os conceitos acerca da morte cerebral também poderão ser revistos?

Isso enche de júbilo todos os conservadores, reacionários, obscurantistas e direitistas que, como este vosso criado, acreditam na supremacia da vida - qualquer vida! E deve, suponho, preocupar aqueles humanistas do pogreçismo mundial, que têm como uma de suas bandeiras mais caras a tal da eutanásia. Tempos estranhos estes... Hoje, defender o direito à vida se tornou obscurantismo. A iluminação, presumo, deve vir daqueles que pregam a solução mais fácil: a morte.

Cumpre, pois, indagar: se começarem a surgir controvérsias sobre a morte cerebral e o estado vegetativo, como ficam os "humanistas do assassinato"? Como fica aquele discurso iluminado e cheio de razão que falava em fim da vida, ao mesmo tempo em que clamava por uma - como é mesmo? - "boa morte"? Fico cá pensando quantos entusiastas da eutanásia não dormirão esta noite com a consciência um tantinho pesada, imaginando se este ou aquele defunto não raciocinava quando teve os aparelhos desligados...

Não! Eu não preciso reafirmar que sou católico apostólico romano. Vou até um tanto além para deixar claro que sou papista, isto é, reconheço a autoridade do Santo Padre, o Papa, como meu líder espiritual. Isso é suficiente para que todos saibam da minha posição - de resto nunca escondida: defendo toda e qualquer forma de vida. E a defendo em toda e qualquer condição.

Essa modernidade que se pretende tão iluminada, tão científica, insiste em se comportar como uma espécie de Deus onipotente. E isso, além de uma heresia imperdoável, também é de uma hipocrisia única, afinal são os mesmos que se apressam em negar a existência de um Deus, escarnecendo das religiões e da religiosidade.

Que a Terra lhes seja leve. E que Deus tenha misericórdia de suas almas mesquinhas. Eles, os "humanistas do assassinato fácil", os entusiastas da "solução final" para todo e qualquer doente "terminal" (seja lá o que isso signifique), podem continuar a brandir contra nós o cetro daquilo que eles consideram um saber científico redentor. Nós, os "obscurantistas conservadores", vamos continuar a confrontá-los com os valores éticos e morais sobre os quais se erigiu a civilização ocidental, grande parte dos quais - é preciso que se diga - herdada da tradição judaico-cristã.

E àqueles que pretendem vir aqui, como prespostos de um saber secular que jamais dominarão verdadeiramente, apenas para dizer que "as tais descobertas foram frutos da ciência, não da religião", me antecipo sem medo de errar: que bom que a ciência descobriu isso agora, ainda que com tanto atraso. Nós, "obscurantistas", apoiados na nossas crenças tidas como retrógradas, conservadoras e reacionárias, sabemos há milênios que é proibido matar.

7 comentários:

Leonardo Barbosa disse...

Belíssimo o seu artigo, sr.Yashá Gallazi.
Concordo plenamente contigo sobre este assunto, também sou católico e já constatei que estamos vivendo um momento muito delicado, verdadeiramente obscuro na História, a tão falada Idade das Trevas é hoje, e não a iluminada Idade Média.
Não sei se você conhece o site midiasemmascara.org do filósofo Olavo de Carvalho, se não conhece visite-o, pois é essencial para entender o que está acontecendo, lá escrevem além do professor Olavo, o sr.Heitor de Paola, Nivaldo Cordeiro, Julio Severo, Graça Salgueiro entre outros.
Que Deus o abençõe e que continue escrevendo.

Filipe Calvario disse...

Penso que o comentário acidentalmente apagado tenha sido mais ou menos como segue:

"A descoberta é fascinante! Em última análise, está correto o médico que disse ser possível negar o estado de morte cerebral, já que vários dos pacientes examinados conseguiram formular raciocínio e dialogar com os pesquisadores."

Que é isso? Pacientes em estado vegetativo não estão em morte cerebral, só num estado em que a comunicação é impossível (e que se pensava inconsciente).

"Nós, 'obscurantistas', apoiados na nossas crenças tidas como retrógradas, conservadoras e reacionárias, sabemos há milênios que é proibido matar."

Ah, claro; os genocídios incitados por Deus no Antigo Testamento e a Inquisição comandada pela Santa Igreja são exemplos disso.

Sou de direita, mas essas coisas não engulo.

George disse...

Yashá, achei um ótimo texto no mérito. Mas não há uma contradição nele? Morte cerebral é diferente de estado vegetativo. E bota diferente nisso!

Mauro disse...

Muito bom o texto. Parabéns!

Anônimo disse...

Sério, você nem sabe sobre o que está falando. Defende como moral a entidade mais assassina da história!

Leonardo Barbosa disse...

Senhor Anônimo, não sei exatamente qual foi a entidade mais assassina da História, pois não sei ao certo quem matou mais, o Estado Soviético ou o Chinês, eu sei que é um dos dois.
E ambos mataram em nome da mesma ideologia, portanto a doutrina que mais matou na História eu sei qual foi, a comunista, responsável por 100 milhões de mortes por baixo.
Quem não sabe o que está falando é você, que não tem nem a dignidade de se revelar, né sr.Anônimo.

Yashá Gallazzi disse...

George e Filipe, obrigado pela observação pertinente de vocês. Acabei empregando os termos errados na construção da frase, o que modificou demais o sentido dela. Já faço as correções necessárias.