sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O humanismo que ama seus bandidos.

Eu sei que a esta altura todos já estão sabendo disso. Mesmo assim, fica o registro:

Três anos depois de participar do assalto que resultou na morte brutal do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos — arrastado por sete quilômetros em ruas de bairros da Zona Norte —, Ezequiel Toledo de Lima, que na época era menor de idade e hoje tem 18 anos, ganhou a liberdade. Após cumprir a pena socioeducativa, o rapaz voltou para as ruas dia 10.

Mas, temendo represálias e ameaças sofridas, inclusive no do Instituto João Luiz Alves, na Ilha do Governador, onde estava, ele foi morar no exterior com a família. A mãe do rapaz também teria sido ameaçada.

Ezequiel conseguiu, por meio da organização não-governamental Projeto Legal, embarcar para um dos países mais desenvolvidos do mundo com garantia de casa e identidade novas para recomeçar sua vida.

(...) Na audiência do dia 10, na Vara da Infância e da Juventude, o juiz determinou que ele ingressasse no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente, destinado aos que estão ameaçados de morte.
A Justiça também determinou que os pais do rapaz entrassem no programa por meio do Conselho de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente, presidido pelo advogado Carlos Nicodemos, diretor da ONG Projeto Legal. Procurado, Nicodemos não foi encontrado. (...)
Há coisa de alguns meses, recebi um comentário - impublicável, é claro - de um pogreçista que queria saber, em resumo, quando me tornei um "porco direitista". Bem, difícil dizer... Mas é muito provável que tenha acontecido quando entendi que respeitar as leis e o Estado democrático de direito eram imperativos inegociáveis. Preso aos meus valores - muitas vezes chamados de reacionários -, não consigo entender que tipo de civilização colocaria um bandido como Ezequiel Toledo em liberdade. No meu mundo ideal, ele deveria ficar preso até o fim da vida. Nestes tristes tempos em que vivemos, isso me torna um - como é mesmo? - "porco direitista"...

Rápida digressão.
Antes, porém, de falar um pouco mais detidamente sobre mais essa vergonha brasileira, convido-os a conhecer melhor as nuances daquilo que costumo chamar aqui de "humanismo assassino".

Alguns dos endemoninhados que insistem em aparecer por aqui gostam de tentar este escriba. Vez por outra, quando encontram um texto que eles não consideram lá tão "reacionário", se apressam a mandar comentários pretenciosamente simpáticos, no afã de me arrastar para as suas hostes. Afinal, eles não admitem a divergência. Não toleram a existência do outro, do que é contrário.
Depois que escrevi sobre o vergonhoso episódio de tortura praticado pela CIA e pelo MI-5 contra  o britânico Binyam Mohamed, apareceu um diabinho saudando aquilo que poderia ser a minha rendição ao discurso pogreçista: "Depois de tantos horrores praticados pelo imperialismo fascista dos EUA, nem você poderia ficar indiferente. Parabéns!" Ora, vá pro diabo, sujeito! Eu não repudio a tortura porque praticada pela CIA. Eu a repudio porque desumana e inimiga do sistema de liberdades individuais que reconheço como base da civilização. Rejeito a tortura da CIA da mesma forma como rejeito aquela praticada por Fidel Castro, em Cuba. E é aqui que a nossa moral (que eles chamam de "burguesa") se difere da deles (que eles chamam de "revolucionária"): não tenho bandidos de estimação! Tenho nortes morais. E só!

Agora, depois de ler o que vou escrever sobre o absurdo que é colocar em liberdade um dos algozes do menino João Hélio, a canalha vai ficar novamente ouriçada. Porque eles concordam com o assassinato de crianças? Não necessariamente... O problema é que vou atacar a "filosofia pobrista", que resolveu considerar todas as transgressões humanas como sendo fruto dos pobrema çoçial. E essa mentalidade - que acaba por gerar o tal "humanismo assassino" - não encontra forma de prosperar.

Retomo para falar da "filosofia pobrista".
Ah, que maravilha se essepaiz soubesse proteger crianças inocentes com a mesma qualidade com que protege crianças bandidas. Viram a lição que o bandido chamado Ezequiel Toledo aprendeu? Depois de trucidar um menino indefeso, o assassino passou três aninhos preso e, ao atingir a maioridade, foi premiado com a liberdade. Não só! Ganhou ainda uma nova casa e uma nova identidade. Mas ainda havia mais prêmios: o assassino de João Hélio foi morar na Suíça!

Eu não consigo sequer imaginar que tipo de sociologia barata seria capaz de justificar algo assim. Mas me atrevo a sintetizar seu corolário mais elementar: "Jovem brasileiro! Quer ganhar uma casa nova, uma vida nova e, de quebra, morar na Suíça? Fácil! Basta prender um menino do lado de fora de um carro e arrastá-lo por vários quilômetros." Este, meus caros, é o "pobrismo" em estado puro. É a manifestação daquele pensamento (sic) moderno, progressista e humano segundo o qual toda ação violenta tem como causa principal azinjustissa çoçial. Assim, Ezequiel Toledo não seria um bandido, mas uma "vítima do sistema opressor, que lhe negou oportunidades de vida melhor". Como corrigir isso? Bem, tira-se a "vítima" da cadeia e entrega-se a ela, numa bandeja de prata, a tal "vida melhor".

Já escrevi no passado (aqui, aqui e aqui) que o Brasil precisar deixar de amar os seus bandidos. E isso vale para todos eles: desde Ezequiel Toledo, o assassino de crianças, até Lula, o maior beneficiário do mensalão. Toda democracia decente se faz reconhecer pelo combate ao crime e pela prisão dos criminosos. Aliás, vou além: é isso que marca uma sociedade civilizada. No Brasil - como de resto em boa parte do dito terceiro mundo -, é diferente. Aqui, procuramos culpar a sociedade, o capitalismo, o mercado, os ricos e azelite pelas atrocidades que bandidos como Ezequiel cometem. Não satisfeitos, nós os premiamos com moradias nos alpes. Quem sabe assim ele não vira um bom moço, não é?

No Brasil, quem defende a punição para os bandidos é conservador e direitista!
Neste ponto, remeto-os àquela pequena digressão feita acima. Por que alguns dos progressistas (eu insisto em chamá-los de pogreçistas) brasileiros divergem tanto de mim? Porque o moderno progressismo - que é o consenso politicamente correto, nada mais - vem se notabilizando por construir e difundir essa retórica criminosa que atribui a criminalidade à desigualdade social e econômica. Temos, pois, que o indivíduo não precisaria mais ser cobrado por suas atrocidades, já que ele, com suas ações deiltuosas, estaria apenas respondendo à opressão de uma sociedade imperfeita.

No caso de Ezequiel Toledo, a coisa não é diferente. Desde 2007, quando o crime foi praticado - e a dita opinião pública ainda estava furiosa com o assassino -, a imprensa tratou de ouvir vários "especialistas". E eles apareceram aos montes, revezando-se na tarefa de investigar a vida pregressa do menor homicida, em busca de "explicações" para aquele ato bárbaro. Aceitar que o sujeito era um bandido contumaz voltado para o crime? Que nada! Isso, meus caros, é pensamento "de direita"...

Lembro de ver um punhado de psicólogos, sociólogos e afins - principalmente na Globo News e na Record - levantando questões sobre a infância de Ezequiel, sobre as condições econômicas da família dele e até mesmo sobre a influência negativa da mídia sobre os jovens. Volteios retóricos os mais diversos eram feitos, sempre concluindo da mesma forma: era preciso descobrir que tipo de sociedade faz surgir um Ezequiel. Eu chuto as fuças dessa gente! Em vez de ouvir as asneiras que eles propagam, prefiro perguntar que tipo de sociedade abdica de punir um Ezequiel?

São os tempos sombrios em que vivemos... Hoje, defender com unhas e dentes um diploma legal ultrapassado (o ECA), que beneficia criminosos, se tornou obrigação de todo moderno progressista, preocupado em entender as tais "causas sociais da violência". Por outro lado, exigir punição severa para assassinos frios, exortando o Estado a mantê-los na cadeia, em vez de vê-los indo para a Suíça, é coisa de reacionário, conservador e direitista...

Ser progressista é estar com Ezequiel? Ora, então é fácil ser conservador...
Não pensem que exagero ao fazer a análise deste triste episódio a partir do ponto de vista ideológico. A impressão digital desse moderno progressismo está bem clara. Basta ver que rapidamente apareceu uma ONG para tomar o "menino Ezequiel" nos braços e cuidar de lhe dar um futuro promissor, com casa na Suíça e tudo. Pouco importa que ele tenha acabado de cometer um delito hediondo, pois ele é apenas mais uma "vítima do sistema", não?

E quem se ocupou de João Hélio? Quem se ocupa dos vários meninos que, ainda hoje, estão ao alcance de bandidos como Ezequiel? Por que eles não têm uma ONG para chamar de sua? Ora, é fácil descobrir: João Hélio era um menino da classe média, que vivia com conforto. Em última instância, ele representa o próprio sistema que, aos olhos desse "humanismo assassino", expropriou as chances de Ezequiel ter uma boa vida, condenando-o à criminalidade.

Quando me perguntam se é difícil pensar e escrever o que escrevo, respondo: "Que nada! É fácil. Não tenho problema em ser chamado de conservador, afinal quem me chama assim são os pogreçistas." Eis aí... Qual o problema em ser chamado de conservador (ou reacionário, ou direitista, ou feio, ou bobo...) só porque estamos do lado de João Hélio, e defendemos punição severa para seu assassino? Nenhum! Quem precisa fazer malabarismos mentais para se justificar é a canalha que resolveu adotar Ezequiel, vilipendiando a memória daquele pobre menino morto por ele.

Em todas as democracias decentes do mundo, Ezequiel estaria preso. Na maioria delas, condenado a ficar no cárcere pelo resto da vida. Por quê? Bem, porque nenhuma sociedade pode se dizer civilizada se não escolher o combate frontal aos criminosos. Não deixa de ser curioso que os mesmos modernos humanistas que fundam ONG's para mimar assassinos, também são aqueles que consideram aquelas democracias muito... conservadoras!

Ora, é isso mesmo! Já passou da hora de conservarmos o respeito pela vida humana, punindo com severidade quem atenta contra ela. Isso é ser reacionário? É ser obscurantista? Nada disso! Isso é ser humano e civilizado.

5 comentários:

Mike Osoviskh disse...

Caro Yashá.


E há tres anos lula dizia para o congresso não aprovar nenhuma lei mais dura sobre esse tipo de crime pois não se pode agir com emoção. E se fosse o neto do brasil (o tal fabio) a ter sua cabeça arrastada pelo asfalto?

Mauro disse...

Sinto vergonha de ser brasileiro!

T-Wolve disse...

Pior que a soltura do bandido, é ver a mídia tratando o caso sem nenhuma indignação, sem fazer juízo de valor nenhum. Por quê? Não fizeram juízos favoráveis ao bandido há três anos? Por que agora não podem?

Anônimo disse...

O texto é bem escrito e a decisão judicial é uma vergonha. Mas você exagerou ao ideologizar algo assim. Nem tudo é birra entre esquerda e direita.

Catarina disse...

Difícil ter esperança no futuro, quando percebemos que as crianças são livremente assassinadas, enquanto os monstros são premiados. O que restará em algumas décadas? Nenhuma criança e muitos monstros.