terça-feira, 30 de março de 2010

Eleições regionais italianas: Vitória de extremos.

Abaixo um texto mais longo que o habitual, mas creio que o motivo justifique o fato.
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No último domingo, os italianos foram às urnas para as eleições regionais, que apontaram os governadores das 13 regiões da "velha bota". Ou, melhor dizendo, apenas dois terços dos italianos compareceram aos locais de votação, o que proporcionou uma abstenção recorde, que ilustra com perfeição o momento de crise generalizada da política e dos políticos da Itália, incapazes de passar confiança para o eleitor.

VITÓRIA DA DIREITA RADICAL.
O partido verdadeiramente vitorioso nessas eleições regionais italianas foi a Lega Nord, uma agremiação identificada com a extrema-direita, de caráter separatista e anti-imigração. O partido comandado por Umberto Bossi elegeu os governadores de Veneto e Piemonte, além de ter contribuído diretamente para a eleição do governador da Lombardia - filiado ao PDL, de Silvio Berlusconi.

Com o resultado obtido nas urnas, a Lega se torna o terceiro maior partido da Itália (12% dos votos) e a maior força política da região norte do país, algo que carrega uma enorme importância, principalmente se considerarmos que os três estados nortistas são o motor produtivo da Itália. É como se um único partido governasse, no Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ao mesmo tempo.

Se forem considerados apenas os dados da região norte, o sucesso da Lega é ainda mais expressivo: No Piemonte, o partido de Bossi recebeu 16% dos votos, contra 24% conferidos ao PDL de Berlusconi (na eleição passada, os números eram 15% e 32%, respectivamente); na Lombardia, a Lega conseguiu se igualar aos aliados de centro-direita, conquistando 26% dos votos (na última eleição havia recebido 22%, contra 33% conferidos ao PDL); por fim, no Veneto, a Lega é o partido que dita as regras. Naquele estado, a agremiação de Bossi contou com 34%, dez pontos a mais que o PDL (na eleição passada, ambos estavam empatados).

Além disso, há que se registrar os resultados positivos obtidos pela turma de Bossi em outras regiões da Itália, onde, até então, o discurso bairrista da Lega não costumava encontrar eco. Agora, os direitistas recolheram cerca de 8% dos votos em estados do centro e do sul da Itália, capitalizando o sentimento de protesto com os partidos tradicionais.

RESULTADO DISCRETO DOS DOIS PRINCIPAIS PARTIDOS.
Os dois principais partidos italianos - Popolo della Libertà (PDL) e Partito Democratico (PD) - não podem comemorar, individualmente, grandes triunfos. O PDL, agremiação de centro-direita comandada por Berlusconi, tem o cenário mais positivo diante de si, pois conseguiu ampliar o número de estados governados. Isso, aliado ao triunfo da Lega, seu principal aliado, faz com que a coalizão de governo da Itália saia vitoriosa do pleito - como reconhecido, inclusive, pela própria oposição de centro-esquerda.

Se os resultados coletivos são bons para o governo Berlusconi, há que se convir que o resultado individual de cada partido deve deixar o Premiê preocupado. O PDL, que nas eleições de 2008 recebeu 36% dos votos, contabilizou, neste ano de 2010, 26%. Uma redução de dez pontos! Diante de algo assim, o sinal de alarme só não dispara porque, como dito, a vitória da coalizão - muito graças à Lega, repise-se - acaba se transformando em um voto de confiança em Berlusconi.

Obviamente que a honestidade intelectual obriga a lembrar que o partido do Premiê foi proibido de concorrer no estado do Lazio, em razão de irregularidades jurídicas. Tivesse participado do pleito normalmente, o PDL poderia contar com cerca de 29% dos votos nacionais, um resultado melhor que o efetivamente obtido, mas, ainda assim, muito aquém dos 36% de dois anos atrás.

Já o Partito Democratico (PD), por sua vez, ficou praticamente empatado com o PDL, recebendo pouco menos de 26% dos votos. A oposição de centro-esquerda se confirma, assim, como segunda maior força do país, apesar de ainda estar muito abaixo dos 33% recebidos nas eleições gerais de 2008.

Olhando apenas os resultados numéricos, o PD poderia estar comemorando o resultados das urnas, afinal está praticamente empatado com o maior adversário, de quem chegou a estar dez pontos atrás nas pesquisas eleitorais. A verdade, porém, é bem diferente: a esquerda perdeu de forma avassaladora na região norte, além de ter sofrido derrotas expressivas no sul. Na prática, a oposição a Berlusconi ecnontra-se entrincheirada no centro da Itália, região historicamente pendente para a esquerda - conhecida como "zona rossa". Traçando outro paralelo com o Brasil, seria como se um partido vencesse nos estados do norte e do nordeste, mas perdesse de muito no centro-sul. Não haveria o que comemorar...

A EXTREMA-ESQUERDA, ANIQUILADA, É SUBSTITUÍDA PELA "ANTIPOLÍTICA".
Se no chamado "pólo conservador" vemos um crescimento da direita radical, no dito "pólo progressista" há um fenômeno diferente: a extrema-esquerda está sendo assassinada pelos eleitores da Itália.

Desde as eleições gerais de 2008, as agremiações ligadas aos chamados "partidos históricos" da esquerda - leia-se socialistas e comunistas - não está conseguindo seduzir o eleitorado italiano. As eleições regionais deste 2010 confirmaram essa tendência, registrando derrotas inapeláveis de todas as listas encabeçadas por partidos oriundos dos antigos socialistas e comunistas.

O caso mais marcante aconteceu no estado do Lazio, que engloba a cidade de Roma, capital do país. Lá, onde a força da esquerda vinha sendo sempre maior que a da direita, a coalizão liderada por Emma Bonino, uma comunista radical, foi derrotada por uma lista independente, apoiada pelo PDL de Berlusconi. Renata Polverini, cuja lista só teve chances na disputa a partir da exclusão do partido do Premiê, acabou atraindo todo o eleitorado moderado e conservador, que viu nela a única alternativa para derrotar a líder comunista. E a mobilização deu certo, com uma vitória final por menos de 1% dos votos. O recado dos italianos, mais uma vez, foi claro: a agenda socialista e comunista não tem mais vez.

Mas se a centro-esquerda (PD) e a esquerda radical (socialistas e comunistas) perderam, para onde foram os votos do "campo progressista"? Bem, alguns podem ter "ficado em casa", contribuindo para a elevada abstenção que mencionei ao início. Mas há uma outra explicação até mais provável: a esquerda radical está sendo substituída pelos movimentos da "antipolítica". Vejamos alguns dados:

O segundo maior partido da oposição italiana - quarto do país -, chamado Italia dei Valori (IDV), terminou estas eleições com cerca de 7% dos votos nacionais, consolidando um crescimento importante. Tal agremiação, capitaneada por Antonio Di Pietro, um ex-magistrado que atuou na "Operação mãos limpas", vem se destacando pelo discurso aguerrido e extremista, negando a direita liderada por Berlusconi, mas também batendo reiteradamente de frente com a centro-esquerda moderada (PD).

Mais radical ainda, o Movimento 5 stelle (M5S), liderado pelo comediante Beppe Grillo, terminou com cerca de 2% dos votos nacionais, um número que pode, à primeira vista, parecer pequeno. Mas seria um erro subestimá-lo: a lista de Grillo concorreu apenas am alguns estados e, apesar disso, foi mais votada do que muitos partidos tradicionais italianos, alguns dos quais presentes em todas as disputas. Para que se tenha uma ideia, o M5S recebeu mais de 7% dos votos no estado do Piemonte, concorrendo diretamente para a derrota do candidato da centro-esquerda moderada, apoiado pelo PD. Grillo, ainda mais "antipolítico" do que Di Pietro, adota um discurso muito parecido com o do PSTU - sem o ranço ideológico que caracteriza o brasileiro: prega a mudança de "tudo isso que tá aí", alegando que todos "são farinha do mesmo saco".

ENCERRANDO, ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.
Aproximando-me da conclusão, teço apenas algumas considerações sobre os movimentos do eleitorado italiano.

PDL e PD são, e continuarão sendo por um bom tempo, os dois principais partidos da Itália, delimitando os campos ideológicos da direita e da esquerda. O dato relevante - e preocupante - é que ambos estão sendo corroídos pelos partidos mais extremistas que orbitam ao redor desse bipartidarismo de fato que há na Itália.

Por um lado, o PDL de Berlusconi vê a Lega Nord se tornar, eleição após eleição, dona dos votos da direita mais radical e sectária, o que obriga o Premiê a se deslocar sempre mais para o centro, em busca do voto moderado, a fim de tentar compensar as perdas eleitorais.

De outra parte, o PD não vai conseguindo seduzir o eleitor moderado, mesmo tendo se livrado, oficialmente, dos partidos da esquerda radical. Isso pode ser explicado porque, na prática, a influência de políticos oriundos dos antigos partidos socialistas e comunistas ainda é muito grande dentro da centro-esquerda, o que acaba por impedir uma verdadeira renovação dos quadros. O atual líder do PD, Luigi Bersani, é um ex-integrante do Partido Socialista, que acabou restaurando algumas "bandeiras históricas" do movimento. Fácil entender por que a parte moderada e reformista do eleitorado custe a depositar seu voto na centro-esquerda italiana...

Não bastasse isso, os pequenos partidos mais radicais, como IDV e M5S, ao adotarem um discurso de frontal oposição a Berlusconi, acabaram, como dito, por capitalizar parte dos votos vindos dos setores mais radicais da esquerda italiana. Resta ao PD um beco sem saída: ao se negar a abandonar, de uma vez por todas, o radicalismo socialista/comunista, o partido perde o voto moderado; na mesma esteira, apesar de flertar abertamente com expoentes vindos da esquerda radical, o partido não consegue convencer os eleitores extremistas de sua veracidade, razão por que os sectários continuam crescendo ao seu redor.

Diferentemente de alguns analistas políticos ouvidos pelos jornais italianos, não penso que os partidos mais radicais - como LegaIDV - poderão chegar ao poder na Itália. A leitura que faço dos número é simples: o eleitor moderado, que é a maioria, está ficando em casa, descrente que está da política atual. Aquele partido que souber, da melhor forma, conquistar esse eleitor, poderá crescer de forma considerável e chegar ao poder. Os dois maiores (PDL e PD) não estão sabendo fazer isso. Os extremistas e sectários - à esquerda e à direita - não querem fazer isso, pois precisam ser radicais para manter sua base tradicional.

O recado das urnas me parece bastante simples: o eleitorado italiano é majoritariamente conservador (na moral) e moderado (no campo político). Qualquer partido caracterizado pelo extremismo poderá experimentar sucessos localizados e periódicos, mas dificilmente conseguirá galvanizar os votos necessários para chegar ao governo. É preciso que forças novas, apartadas das heranças carcomidas da direita e da esquerda, restaurem o discurso reformista e moderado. Só assim a Itália poderá experimentar um governo voltado para uma agenda de trabalho efetivamente prática.

Mas isso é um discurso para o futuro. Mais precisamente, para o "pós-Berlusconi". Enquanto Il Cavaliere estiver em campo, usando seu carisma - e seu poder midiático - para manter unida a coalizão de direita, dificilmente a política italiana terá outro desenho.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Diocese de Macapá ataca corrupção do governo.

Ótimo o texto divulgado pelo Conselho Diocesano de Pastoral da Diocese de Macapá. Em algumas poucas e objetivas linhas, a Igreja católica local condenou de forma dura e precisa as mazelas sócio-políticas que assolam este estado. Vejam alguns trechos (íntegra aqui):

(...) É nossa obrigação pastoral compartilhar com vocês os clamores e as angústias das muitas pessoas que procuram nossas comunidades e nossas pastorais para dizer a dor, o descaso e a humilhação que sofrem.
É o clamor das famílias dos 26 bebês que morreram na maternidade pública entre os dias 26 de dezembro e 8 de fevereiro. A proximidade com o Natal nos fez lembrar outra matança de inocentes que aconteceu no tempo do nosso padroeiro, São José.

É o clamor das famílias que sofreram por causa do atraso do início do ano letivo e da precariedade de várias escolas, sem merenda e sem condições de funcionar de forma satisfatória. (...)

Não podemos esquecer que tudo isso aconteceu logo após um carnaval marcado por denúncias e escândalos pela má aplicação de um grande volume de dinheiro público, fruto dos nossos impostos e que agora faz falta em outros setores, bem mais importantes para a população.

Ainda mais grave, é a recente denúncia do Ministério Público a respeito de 200 milhões de reais que teriam sido desviados na área de educação e que devem ser somados aos que foram desviados na saúde, na construção do novo aeroporto e em várias outras atividades.

É inaceitável o calvário dos doentes que precisam de tratamento fora do estado ou de remédios caros e não estão sendo atendidos. Alguns acabam morrendo sem receber os mínimos cuidados. (...)

(...) Tudo isso nos indigna e, sobretudo, nos entristece saber que reina, no meio do nosso povo, a sensação da impunidade para os crimes de violência contra o patrimônio público: desvio de recursos, grilagem de terras, desmatamentos ilegais, poluição das nossas águas.

Ainda não foram punidos os crimes eleitorais das eleições municipais de 2008 e já estão bem adiantadas as articulações para as próximas eleições gerais. Serão os mesmos denunciados de hoje a disputarem os votos da população daqui a poucos meses?

(...) Não podemos calar em troca de benefícios e vantagens para nossas igrejas e comunidades. Não podemos ser omissos por medo de perseguição ou de retaliação.

Nossa missão de anunciar o Evangelho exige que sejamos porta-vozes da Palavra de Deus que nos convida a viver relações de amor e de fraternidade e, ao mesmo tempo, porta-vozes do clamor do povo, de seus lamentos e angústias, denunciando tudo que provoca violência e morte, sobretudo quando isso vem do poder público, obrigado a estar a serviço do bem comum.

(...) Que Jesus, morto e ressuscitado nos fortaleça e nos acompanhe neste compromisso de sermos suas testemunhas até os confins da terra.

Depois de ler o que vai acima, fico me perguntando como as autoridades locais reagirão... Aqui, neste rincão pútrido e bolorento, quem está aboletado nas instituições públicas ainda não aprendeu - salvo honrosas exceções - a conviver com a liberdade de expressão, com a divergência e com o direito à crítica. Aqui, ainda impera a judicialização do debate, sendo comum que se recorra aos braços do Estado para calar quem quer que divirja do jogo de poder estabelecido.

Mas é claro que nenhuma autoridade eclesial será processada - ou interpelada. Isso porque uns e outros valentes só vestem suas roupas de corajosos a cada passagem de cometa. No cotidiano normal, estão apenas carregando os trajes sujos de sua pequenez intelectual e moral.

Como momentos dessa natureza são importantes, aproveito para render homenagens ao Juiz Marconi Pimenta, que vem se empenhando de forma verdadeira no combate à corrupção. Ele foi enfático ao endossar as críticas tecidas pela Igreja católica - vejam aqui e aqui. É raro encontrar pessoas capazes de fazer aquilo que ele faz: combater o crime, independentemente de quais interesses sejam contrariados.

Lembro, ainda, da Juíza Sueli Pini, uma grande brasileira. Certa vez, em uma conversa, ela resumiu bem o ambiente deste estado: "Em terra de cego, eles tentam matar quem tem um olho." Conhecendo a brava magistrada, sei que ela também condivide a mesma indignação externada no texto acima. É outra profissional que honra sua função.

Os que diminuem as instituições e concorrem para destruir cada vez mais os alicerces sociais deste estado, só podem se sentir atingidos pelas palavras da Igreja católica. E é bom que se sintam assim! Que Deus tenha piedade de suas almas. Mas só um pouco... O que merecem, de verdade, é o mais profundo dos infernos!

Eleições 2010: Alckmin tem dianteira folgada em São Paulo.

Da Folha Online:

No primeiro levantamento do Datafolha em 2010 para avaliar as intenções de voto para o governo de São Paulo, o ex-governador tucano Geraldo Alckmin aparece disparado à frente de potenciais adversários nos cenários pesquisados.
(...) No cenário em que Alckmin aparece com 53%, Mercadante tem 13%, Celso Russomano (PP), 10%, Fabio Feldmann (PV), 3%, e Ivan Valente (PSOL), 1%. Votos em branco ou nulos somam 10%, e os indecisos, 9%. Nesse cenário não haveria candidato do PSB.
(...) Se Skaf entrar na disputa, quase nada mudaria para Alckmin ou para os demais líderes na corrida. As intenções de voto no tucano oscilariam de 53% para 52%. Mercadante e Russomano manteriam, respectivamente, 13% e 10%. Skaf possui, nesse cenário, 2%.
(...) Em cenário sem um candidato do PSB na disputa, Alckmin tem 49%, Suplicy aparece com 19% (ante os 13% de Mercadante) e Celso Russomano, com 10%. Praticamente não haveria mudança nas intenções de voto dos três líderes mesmo se Skaf disputar pelo PSB.
A pesquisa Datafolha foi realizada nos dias 25 e 26 de março e ouviu 2.001 eleitores no Estado de São Paulo. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Ô, inveja que eu sinto dos paulistas... Inveja boa, é claro...

Vejam o horizonte dourado de uma sociedade madura que aprendeu a votar e, o que é mais importante, a rejeitar a canalha terrorista. Alckmin vai vencer a eleição, e estou disposto a apostar qualquer coisa com quem achar o contrário.
Mercadante? Francamente, o senador deveria "revogar" a candidatura... Depois de ser eleito senador com mais de 10 milhões de votos, Mercadante corre sério risco de ser humilhado em uma derrota fragorosa ainda no primeiro turno.

Não que isso seja o mais provável. Pessoalmente, acho que o PT sempre tem condições de passar ao segundo turno - o piso histórico do partido varia entre 30% e 35%. Mas o que vai se desenhando não traz a Mercadante nenhuma razão para se sentir otimista.

A aliança costurada entre PSDB e DEM tem tudo para garantir a Alckmin um triunfo de grandes proporções e, daqui a dois anos, pode perfeitamente encaminha Guilherme Afif para a prefeitura, no lugar de Gilberto Kassab. Repito: Que inveja sinto desse povo! Aqui, onde moro, escolhe-se entre os jecas que roubam, corrompem e degradam, e os jecas que, por algum motivo inexplicável, acham que podem ser melhores que aqueles...

P.S.: Não sei se acho mais graça em razão da dianteira expressiva de Alckmin, ou ao ver que Suplicy - sim, aquele que dorme! - consegue até ficar à frente de Mercadante! Defintivamente, o PT paulista deveria ser fechado. E, acreditem: isso é um ótimo conselho.

domingo, 28 de março de 2010

Nova pesquisa Datafolha: Serra volta a abrir vantagem na liderança.

E agora, José? Ou melho: e agora, Dilma? A essa altura dos acontecimentos, depois de dois anos de uma escandalosa campanha antecipada, os milicianos do PT espalhados pela imprensa já esperavam star comemorando a virada de Dilma, a ungida, sobre Serra. Não deu...

Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, os números são os seguintes:

Primeiro Turno
Serra (PSDB) – 40%
Dilma (PT) – 30%
Marina (PV) - 10%

Segundo Turno
Serra (PSDB) – 48% (45%)
Dilma (PT) – 39% (41%)

Notem que desconsiderei o cenário que traz o nome de Ciro Gomes, porque considero menor que zero a possibilidade de ver o marido da Flora da disputa. Por quê? Bem, porque Lula não quer que ele concorra... E, vocês sabem: quando Lula fala, Ciro abaixa a orelha.

O que os números nos dizem? Basicamente duas coisas: 1) A candidatura de Serra é muito forte, afinal ele consegue se manter na ponta mesmo sem fazer campanha, e enfrentando, dia após dia, os terroristas do PT, espalhados pela imprensa e pelos sindicados paulistas; 2) Dilma é dura de engolir. Não é sem motivo que a ex-terrorista decididamente não consegue decolar, mesmo estando colada à imagem de Lula, o inimputável.
Depois de ver que o povo resiste a seguir o grande guia, os analistas "isentos" estão adotando uma técnica muito curiosa: considerar o empacamento de Dilma como sinal de... crescimento! E o crescimento de Serra? Bem, para ele é sinal de... problema!

Esses bravos sempre seguem o mesmo padrão: o tal "povo" só é bom quando vota nos candidatos deles. É só a sociedade flertar com a oposição, e pronto: logo surge um intelequitual da mídia para dizer que o eleitor é manipulado.

Melhor que isso, só vê-los dizendo que "a pesquisa não é confiável quanto à subida de Serra", ao mesmo tempo em que a usam para falar da "indiscutível aprovação do presidente Lula". É a famosa dualética da canalha: uma ética para cada ocasião. São os mesmos que, há coisa de uma semana atrás, enalteciam as pesquisas que supostamente mostravam o crescimento consolidado de Dilma. Hoje, esses bravos falam que "pesquisas não são confiáveis".

Dilma vai ter muito trabalho na eleição. A ex-terroristas é rejeitada pelas mulheres e pelo eixo sul-sudeste do país. Se tal cenário se confirmar em outubro próximo, a derrota será inevitável. E a vitória da democracia, por conseguinte, será fato consumado.

O caso Isabella e a face de dois males.

Escrevo com algum atraso sobre o julgamento do casal Nardoni, condenado pelo assassinato da menina Isabella. Mas acho necessário deixar o registro, afinal pudemos presenciar a face horrenda de dois males distintos, mas igualmente deletérios.

Os assassinos de uma criança.
Sei acerca do julgamento o mesmo que cada um de vocês, ou seja, aquilo que foi repercutido pela imprensa ao longo dos dias. Como bacharel em direito, devo dizer que me sinto absolutamente convencido da culpa dos réus. É para isso que apontam os fatos e, o que é mais importante, a lógica.

Diante disso, é revigorante ver o funcionamento do aparelho judiciário, capaz de impor aos assassinos a reprinda legal cabível. Mas, pergunto: será tal reprimenda satisfatória?

Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos de prisão. Ana Jatobá, por sua vez, recebeu uma sentença de 26 anos. Isso quer dizer que ambos poderão estar em liberdade passados cerca de dez anos, progredindo para o regime semi-aberto. Não parece algo próprio de uma sociedade civilizada. E não é mesmo!

Alexandre Nardoni, o pai que assassinou a própria filha, sabe desde agora que nunca ficará mais de 30 anos preso, pois a legislação brasileira não permite. Isso quer dizer que a própria sentença prolatada contra ele não poderá ser aplicada integralmente.

Além do que foi dito acima, a evidente demora em realizar o julgamento dos Nardoni também mostra as fraquezas do sistema penal brasileiro, pródigo em fornecer uma série de "direitismos" para os réus, fornecendo mecanismo protelatórios os mais diversos e, em última análise, contribuindo sobremaneira para a sensação de impunidade que permeia a sociedade.

A turba acéfala.
O que, provavelmente, fará com que boa parte dos leitores discordem deste escriba é, porém, o que virá a seguir: os "populares" que se aglomeraram do lado de fora do fórum, gritando palavras de ordem e clamando por "justiça"são tão perigosos para a sociedade civilizada quanto os Nardoni.

A turba ensandecida que se aboletou naquele local não queria justiça. Queria a barbárie. Por isso pediam a morte dos réus; ou, o que é ainda mais grave, pediam que os policiais os liberassem ali, para que fossem assassinados "pelo povo". Não eram heróis, mas bandidos. Como aqueles que eles tanto odiavam.

Uma sociedade civilizada de verdade não tolera pais que assassinam seus filhos. Assim como não tolera linchamentos em praça pública. Ambos são igualmente repelidos, porque ambos concorrem para diminuir a humanidade do todo, flertando com a barbárie.

O Brasil não se mostrou civilizado por ter condenado os Nardoni. Isso era o mínimo! Na verdade, o Brasil se mostra selvagem ao emprestar voz ao "protesto" daqueles bárbaros.

Não se deve condescender com o terror de nenhuma espécie. Há que se condenar os Nardoni, da mesma forma que a manada acéfala também precisa ser condenada. Simplificando, os sujeitos que chutaram a viatura da polícia, clamando pela morte dos réus condenados pelo Estado de direito democrático, mereceriam fazer companhia ao casal no mesmo presídio. Só assim o país poderia, de fato, se dizer civilizado.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Filho de Sarney escondia dinheiro na Suíça.

Vejam o que vai abaixo, publicado na Folha (íntegra aqui):

O governo suíço achou e bloqueou conta de US$ 13 milhões controlada pelo filho mais velho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Os depósitos foram rastreados a pedido da Justiça brasileira, por suspeita de que a família do senador tenha remetido ilegalmente dinheiro para fora do Brasil.
Os depósitos estão em nome de uma empresa e eram movimentados exclusivamente por Fernando Sarney, que cuida dos negócios da família no Maranhão. O dinheiro não está declarado à Receita Federal, segundo a Folha.
(...) O bloqueio determinado pelos suíços ocorreu quando Fernando tentava transferir recursos daquele país para o principado de Liechtenstein, conhecido paraíso fiscal entre a Áustria e a Suíça.
Trata-se de um bloqueio administrativo, adotado preventivamente quando há suspeitas sobre a natureza do dinheiro. Se comprovado que o dinheiro tem origem ilícita, como corrupção ou fraude bancária, o bloqueio passa a ter caráter criminal, e os recursos podem ser repatriados ao país de origem.
(...) Essa é a segunda conta no exterior movimentada por Fernando que foi rastreada pelas autoridades brasileiras e não informada à Receita Federal. (...)

Ai, ai, ai... Que feio! Que menino mais levado! Vai deixar papai muito bravo! Vai apanhar na mãozinha desse jeito!

Sim, meus caros... Só nos resta fazer piada... Lembro de De Gaulle: "Le Brésil n'est pas un pays sérieux"... E, de fato, não somos um país sério. Fosse sério, José Sarney teria de renunciar à Presidência do Senado, ao mandato, à vida pública e até a sua posição na Academia Brasileira de Letras! Exagero? Que nada! Quem exagera são os japoneses, que, ao descobrir um caso semehante ao retratado acima, cometem suicídio.

Não tem muito o que escrever. Sarney é quem é. Difícil pensar que sua prole fosse diferente... Agora é esperar pelas quatro fases da corrupção brasileira: 1) A surpresa; 2) A negação; 3) A justificação por meio de alguma mentira barata; e 4) A alegação de que "todo mundo faz a mesma coisa".

Em horas como esta, quando vejo o nome de Sarney na lama, me lembro de Lula, aquele que o chamou de incomum... Como tinha razão o Presidente! Só um homem incomum tem um filho capaz de movimentar 13 milhões de dólares de forma ilegal no exterior!

Imaginem que aqui, no Amapá, ainda há muitas pessoas que defendem com unhas e dentes a "obra de Sarney". Sim, eu juro! Não posso negar que me sinto moralmente superior ao olhar nas fuças dessa canalha e pensar: "E aí? Vai continuar defendendo o maranhense?!"

quarta-feira, 24 de março de 2010

Israel, Estados Unidos e os assentamentos.

Não deixa de ser curiosa essa nova "crise" no Oriente Médio, causada pela disposição do governo de Israel de construir mais 1.600 casa na região de Jerusalém Oriental. O aspecto mais interessante é essa torcida de certa opinião pública antissemita e filoterrorista para que os Estados Unidos e Israel rompam relações, tornando-se inimigos. Eles esperam, com isso, unir o útil ao agradável: enaltecem Obama, o Cristo negro, por brigar com Netanyahu, ao mesmo tempo em que alimentam o ranço um tanto nazista contra o povo judeu.

Este vosso criado, vocês sabem, não costuma ficar neutro em questões polêmicas... Aqui, já afirmei no passado, despreza-se a lógica do "meio-termo". Em outras palavras, acho preferível um radicalismo democrático a um moderadismo que flerta abertamente com o fascismo islâmico.

No caso da situação de confronto permanente envolvendo israelenses e palestinos, há que se ter em mente alguns pontos fundamentais antes de dar início a qualquer debate. Eu, por exemplo, sou favorável a um Estado Judeu exatamente lá naquele lugar onde eles estão hoje. Pode não parecer à primeira vista, mas isso é muito importante. Lula e Celso Amorim, por exemplo, não comungam daquela opinião, razão por que acham aceitável que um lunático como Ahmadinejad tenha a bomba atômica, apesar de ter prometido usá-la para "varrer Israel do mapa"...

Na mesma esteira, há outros pontos fundamentais que devem sempre ser lembrados. Por exemplo: é mentira dizer que Netanyahu pretende criar 1.600 casas em "territórios invadidos". A história está aí para mostrar os fatos: a área de Israel é a área que ele conquistou depois da chamada "Guerra dos seis dias", quando conseguiu sobreviver ao ataque organizado de vários países estrangeiros.

Em que pese tudo o que vai acima - que é, sim, importante, por tratar de matéria de princípio -, devo dizer que condeno a decisão do governo Netanyahu. Levar adiante essa ideia de construir mais casa em Jerusalém Oriental não contribui em nada para o processo de paz. Antes, acaba por acirrar ainda mais os ânimos dos partidários do terror, que passam a apresentar a política do governo de Israel como desculpa para suas ações.

O ponto principal, porém, não é o que vão pensar os terroristas do Hamas e do Hezbollah - mesmo porque eles sempre vão querer o fim de Israel, não importa o que aconteça. Temo que a atitude dura de Netanyahu force, de fato, um conflito com os Estados Unidos, principal arrimo político de Israel. E isso, sim, seria deletério - ao contrário do que afirmou Lula, que de política internacional não entende absolutamente nada!

Se Obama sentir que está sendo pressionado pelo governo de Israel, pode acabar se retirando do processo de paz, o que terminaria por retirar o último grande frio que ainda segura os moderados da Fattah, e que serve de contenção para o radicalismo mais exacerbado dos terroristas. Sem os EUA - e seu dinheiro - no meio, o terror tomaria de assalto a região, levando Israel a recrudescer ainda mais sua política de defesa. Seria, sem sombra de dúvidas, uma porta aberta para o caos.

Em suma, é por pragmatismo - e apenas por isso - que eu considero errada a escolha de Netanyahu e do governo de Israel. Quando se está completamente cercado por países inimigos, alguns dos quais armados com a bomba atômica, é um tanto temerário se indispor com o principal aliado. Não é, enfim, prático.

Agora, um parêntese: não deixa de ser curioso ver como a mídia decidiu cobrir o episódio. Segundo a imprensa ocidental, a decisão de construir mais casa em Jerusalém Ocidental não passa de "provocação de Netanyahu" aos - como é mesmo que eles dizem? - "militantes" do Hamas. Pode procurar, leitor, mas não conseguirá encontrar uma mísera linha contando o que aconteceu quando Israel retirou os assentamentos judeus que estavam em Gaza. Na ocasião, em vez de tomar o gesto como um passo rumo à paz, o terror islâmico resolveu ocupar a região e usá-la como base para o lançamento foguetes.

Não é de estranhar que a decisão de Netanyahu seja tão popular entre os israelenses... Para eles, deve ser muito mais eficiente ocupar os territórios, em vez de esperar que os facínoras do terror os transformem em base para suas operações... Mas isso, meus caros, vocês só lerão aqui - e em mais um punhado de blogs. Na mídia "progressista" e antissemita, que dita a agenda politicamente correta, a ordem é continuar, como sempre, tratando o conflito plaestino-israelense como uma espécie de "arranca-rabo de classes", onde Israel é ozopressor e os terroristas são ozoprimido...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Obama aprova a reforma da saúde. Mas não era bem a que ele queria...

Leiam o que vai abaixo, publicado no G1 (íntegra aqui):

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos - como é chamada a Câmara dos Deputados americana -aprovou na noite deste domingo (21) o texto do projeto de lei que propõe a reforma do sistema de saúde norte-americano. As emendas ao projeto também foram aprovadas.

O texto principal foi aprovado com 219 votos a favor e 212 contra. Era necessário o mínimo de 216 votos para a aprovação. Nenhum republicano votou a favor da proposta. As emendas foram aprovadas com 220 votos a favor e 211 contra.

(...) A votação representa uma importante vitória política para o presidente Barack Obama, já que reformar o sistema de saúde dos EUA era sua principal promessa de campanha.
(...) O texto de lei permitirá garantir a cobertura médica para 32 milhões de americanos que não têm nenhum plano de saúde. O objetivo é cobrir 95% dos americanos com menos de 65 anos; os mais velhos já são atendidos pelo sistema Medicaire.

(...) Obama conquistou votos de alguns democratas de última hora, depois que a Casa Branca anunciou nesta tarde que irá emitir, assim que a proposta for aprovada, uma ordem executiva garantindo que verbas federais não poderão ser usadas para abortos.

Muitos opositores à reforma alegam temer que o dinheiro federal acabasse financiando abortos. Depois do acordo anunciado pela Casa Branca e por líderes do partido, esses parlamentares garantiram seu apoio à reforma.  (...)

Não tenham dúvida de que Obama, o Presidente-de-ébano, consegui uma bela vitória política na noite de ontem. Isso porque a política precisa ser analisada, acima de tudo, por meio de seus resultados práticos: Obama se elegeu falando em reformar a saúde. Reformou. Logo, pode entregar aos seus partidários - principalmente àqueles mais liberias (no sentido americano do termo) - o resultado prometido. Em outras palavras, podemos estar certos que os Democratas saberão explorar muito bem a votação de ontem. Isso não quer dizer, porém, que a reforma aprovada seja o triunfo sonhado por Obama...

De fato, a proposta aprovada ontem é absurdamente diferente daquela idealizada por Obama. Para que se tenha uma ideia, todos os pontos polêmicos e controvertidos foram retirados pela Casa Branca, a fim de garantir uma aprovação tranquila e, em última análise, de obter o apoio dos Republicanos. A ideia era mostrar um Obama sóbrio, capaz de transformar uma bandeira claramente progressista num tema de unidade nacional. Não deu certo: nenhum Republicano deu seu voto à reforma, e vários Democratas também decidiram votar contra a indicação do Cristo negro.

O principal esteio da reforma idealizada por Obama era a criação do seguro público de saúde, destinado a concorrer com os privados. Esse foi o ponto mais bombardeado pelas oposições - e o que mais despertou a ira dos americanos, que não gostam de ver o Estado esticando demais seus tentáculos... Para conseguir aprovar a lei ontem, Obama precisou desistir disso.

No caso do aborto, o caso é ainda mais emblemático. Obama, um abortista convicto, pretendia que parte dos recursos da reforma - no total, fala-se em quase um trilhão de dólares! - fosse destinado ao custeio de abortos, algo que o eleitorado mais conservador (eu chamaria de "mais humano"...) rejeitou em peso. Resultado? Obama teve de recuar novamente, editando uma ordem executiva proibindo o repasse de qualquer valor oriundo da reforma para procedimentos de interrupção da gravidez.

Agora, resta ver como as oposições - e não me refiro só aos Republicanos, mas à sociedade em geral - vão se comportar diante do "triunfo" de Obama. Por que entre aspas? Porque só a imprensa mundial parece ver o presidente americano em estado de graça. Analisemos os fatos: Obama elegeu-se como um mito e navegou em mares de popularidade nunca antes vistos. Agora, consegue aprovar sua principal bandeira de campanha, mas, em vez de se dirigir vitorioso à nação, precisa se confrontar com o fato de que 60% dos americanos rejeita a lei que ele tanto quis. Como impedir que essa massa dê aos Republicanos, em novembro próximo, o controle do Congresso?

A impressão que tenho é que Obama se esforçou para popularizar, nos EUA, uma bandeira típica de um país do terceiro-mundo. Talvez por isso o povo de lá tenha rejeitado com tanta veemência a iniciativa. Os efeitos a longo prazo da reforma? Bem, a longo prazo todos estaremos mortos, como disse Keynes - que Obama parece adorar. No curto prazo, posso dizer com certeza o seguinte: 1) Alta nos preços dos seguros privados de saúde; e 2) Demissões. A médio prazo, pode-se aponta ainda: 1) Elevação dos impostos; 2) Redução do poder aquisitivo da população em geral; e 3) Mais inflação.

Difícil seduzir um povo que se formou sob a lógica do self-made man a concordar com semelhante agenda. Repito: Obama não enfrenta uma enorme rejeição - há apenas um ano de sua posse! - porque os americanos deram "uma guinada à direita". Ele é rejeitado porque os americanos, em sua maioria, acham que o Estado não deve se meter indevidamente em suas vidas. Ou, em outras palavras, tirar dinheiro dos seus bolsos.

Obama venceu? Sim, de certa forma. Resta saber se o povo americano vai querer comemorar essa vitória com ele. Ou se ela será responsável por sua maior derrota política.

Segundo turno confirma derrota fragorosa de Sarkozy.

Da Folha Online (íntegra aqui):

O partido de centro-direita do presidente da França, Nicolas Sarkozy, saiu derrotado das eleições regionais de domingo.
A aliança esquerdista de oposição do Partido Socialista conseguiu 54,3% dos votos, enquanto que o partido governista UMP (União pelo Movimento Popular) ficou com apenas 36,1% da preferência do eleitorado.
A ultra-direitista Frente Nacional, de Jean-Marie Le Pen, contabilizou 8,7% dos votos.
(...) O primeiro-ministro francês François Fillon admitiu a derrota de seu partido, que agora só controla uma das 22 regiões francesas, a Alsácia. (...)

Eu acho que nenhum governante teve uma trejetória tão controvertida quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Depois de um início promissor, apresentando uma ousada agenda de reformas e enfrentando, sem medo, o lobby poderoso dos sindicatos franceses - ligados aos tradicionais partidos de esquerda -, Sarkozy se deixou arrebatar pelos holofotes e pelo glamour.

Logo que Sarkozy venceu as eleições, em 2007, acompanhei os primeiros passos de seu governo com algum interesse. A ambiciosa agenda de reformas apresentada por ele parecia algo inovadora, porquanto mostrava a disposição de enfrentar frontalmente algumas amarras sociais travestidas de "direitos dos trabalhadores". Escrevi a respeito na época (aqui e aqui), lembrando que o último mandatário com coragem de peitar a indústria dos sindicatos - Margareth Thatcher - havia obtido um retumbante sucesso político.

Mas a rotina do sujeito começou a cansar apenas alguns meses depois da posse (aqui), quando ficou claro que o diminuto presidente gosta muito mais das festas, das fotos e das entrevistas do que do batente propriamente dito. Pareceu-me, enfim, que Sarkozy era como uma dessas celebridades meteóricas, cujo rápido sucesso cuidou de ofuscar-lhe os pensamentos.

Com o passar do tempo, manter a popularidade passou a ser o principal objetivo do sujeito, que preferiu abandonar as reformas - gerando insatisfação junto ao eleitorado mais conservador - e abrir as portas para políticos do Partido Socialista. Isso pra não mencionar as desastrosas intervenções dele na política externa, como no caso da censura ao governo de Uribe - condescendendo abertamente com as FARC -, bem como no episódio em que bancou o "camelô de aviões" diante de Lula.

A insatisfação do povo francês foi demonstrada nas urnas de forma avassaladora: o partido de Sarkozy governa apenas a Alsácia a partir de agora. Alguns dos principais ministros do governo, que concorreram como candidatos nas regionais, foram engolidos pelos socialistas.

Não bastasse tudo isso, Sarkozy também pode receber os créditos pelo crescimento considerável da direita mais maluca e xenófoba que existe: aquela de Jean-Marie Le Pen. Foi o "pequeno extremista" quem recebeu os votos de todos os conservadores insatisfeitos com os moderados, mostrando que Sarkozy errou em todas as frente possíveis.

A verdade é que o presidente da França escolheu ser apenas uma celebridade, deixando de lado a parte dura da governabilidade. Poderia ter dado certo se ele morasse no Brasil, onde o povo adora amar quem está diante dos holofotes. Mas lá, no mundo civilizado, quem elege um presidente espera apenas um... presidente! Sarkozy não quis sê-lo e, por isso, foi derrotado de forma incontestável pelos eleitores.

quinta-feira, 18 de março de 2010

PT reitera seu apoio à ditadura.

Não! O título do post não é sensacionalista. Vejam (do blog do Josias de Souza):

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) submeteu ao plenário uma moção de solidariedade aos presos políticos de Cuba.

Curto e objetivo, o texto anota: “A Câmara manifesta moção de irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que em Cuba lutam pela liberdade e democracia”.

(...) Discursando em nome da liderança petista, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) atacou o autor do requerimento, Jair Bolsonaro (PP-RJ).

(...) “Causa-nos estranheza que, quem protocolou essa moção, no passado defendeu a ditadura. Pela incoerência, somos contrários”.

(...) O petista Valverde não se deu por achado: “Boa parte dessas informações não provem de fonte segura, mas de opositores do regime cubano...”

(...) O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foi ao microfone: “Ficar contra essa moção é o mesmo que dizer que é contra a liberdade e a democracia. Só o PT teve coragem de assumir essa posição”. (...)

Eis aí o - como era mesmo? - "partido da mudança"... Essa gente asquerosa, que fala em construir um "novo mundo", é a mesma que se recusa a defender uma declaração em favor da democracia e da liberdade. Porque são aliados dos Castro? Também. Mas não é só isso. O PT se insurgiu contra a tal moção porque NÃO ACREDITA NA DEMOCRACIA E NA LIBERDADE. Se opôs àquela declaração porque, se pudesse, agiria aqui, com seus opositores, da mesma forma que os irmãos homicídas agem naquela ilha dos horrores.

Atentem para a argumentação do valente petista: a moção deveria ser rejeitada simplesmente porque proposta por Bolsonaro, um radicalóide desmiolado. O corolário desse - se me permitem - "pensamento" é este: quando não gostamos da mensagem, matamos o mensageiro. Que coerência política! Que espírito democrático!

É como quando eles afirmam que as informações sobre a repressão em Cuba não seriam confiáveis, porque vindas de "opositores do regime". Entendo... Para essa escória, confiável mesmo é a ditadura castrista. Lixo humano, nada mais!

Espero sinceramente que os endemoninhados petralhas que insistem em ler este blog possam se debruçar atentamente sobre o que vai acima. Leiam a fala escandalosa do petista Eduardo Valverde, e comprovem aquilo que Antonio Gramsci falou há décadas: a "moral revolucionária" (no caso, petista) é mesmo diferente da "moral burguesa" (no caso, todas as demais). Nunca é demais lembrar que só o PT conseguiu ficar contra um texto em apoio à democracia!

Quanto aos demais leitores do blog - os "conservadores, reacionários, preconceituosos, feios e bobos" -, nem me preocupo. Estes, tal como eu, já ficam naturalmente escandalizados diante de tamanha nojeira. Vocês sabem, né? Nestes tempos sombrios do lulismo, defender a democracia e condenar a ditadura se tornou uma bandeira "de direita"... Por isso nos indignamos quando um bando de brutamontes resolve agredir mulheres indefesas. Os petistas? Ah, eles acham que aquelas sehoras são agentes duzamericânu...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Lula ofende o povo judeu. Ou: o que faz um homem são suas escolhas.

Do O Globo Online:

Nem bem desembarcou em Israel e o presidente brasileiro já se deparou com um mal-estar diplomático com os israelenses.
Lula riscou do cronograma da visita de 36 horas ao país a realização de uma cerimônia em homenagem a Theodor Herzl, o jornalista austro-húngaro fundador do movimento sionista, que levou à criação do Estado de Israel.
No evento, marcado para terça-feira, Lula depositaria uma coroa de flores no túmulo de Herzl.
Segundo a rádio israelense Arutz 7, o organizador do evento, Hagai Merom, chamou a decisão de Lula de "insulto" e afirmou que a visita ao local faz parte das "regras de cerimônia e amizade entre países". (...)

A parte boa de ser governado por um sujeito limitado como Lula é justamente saber quando ele pensa por si próprio, e quando está apenas servindo de fantoche para o pogreçismo mais rastaquera que existe. Sempre que a mente desprivilegiada de Lula trabalha por conta própria, somos atirados nos abismos da psique humana. Como quando ele sugeriu que a solução para o aquecimento global seria um planeta... quadrado! A ideia de insultar deliberadamente todo o povo judeu? Ah, isso não veio de Lula. Ele não tem capacidade intelectual para tanto. Isso é coisa daquelas mentes abespinhadas e sociopatas de gente como Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia.

Aposto o meu fígado - e Lula certamente precisa de um novo... - que o apedeuta não tem a menor ideia de quem seja Theodor Herzl, ou do que ele representa para uma inteira nação. Até consigo imaginá-lo lutando desesperadamente para pronunciar aquele nome: "teodór rérziu". Não! Defintivamente ele não tramou essa ofensa, esse incidente diplomático. Isso tem a impressão digital indelével daqueles macaquitos bolivarianos, repletos de antissemitismo e antiamericanismo bárbaros.

Estou exagerando? Não! Basta ver que Lula, o mesmo que se nega a prestar homenagens ao fundador do Estado Judeu, pretende depositar flores no túmulo de Yasser Arafat, um terrorista convicto. Diga-se o que quiser de Herzl, inclusive que suas ideias não eram lá grande coisa. Mas ninguém pode acusá-lo de ter sangue nas mãos. Já Arafat é responsável pela morte de muitos palestinos, todos devidamente amarrados a bombas que explodiram, dentre outras coisas, ônibus escolares repletos de crianças judias. Isso é uma escolha moral inequívoca! O chefe do Estado brasileiro mostra ao mundo que prefere o terrorismo à democracia e ao Estado de direito.

Não deixa de ser reconfortante saber que Israel não dará ouvidos a esse sujeito, que já se tornou há tempos uma espécie de caricatura de si mesmo. Como bem lembrou Reinaldo Azevedo algumas vezes, "se Lula não existisse, não precisaria ser inventado".

Minha candidata.

A senadora Kátia Abreu precisa falar mais ao país. E as oposições precisam perder o medo de dar a ela o destaque que ela merece. Não se enganem: estamos diante de um dos melhor quadros políticos, principalmente porque ela não tem medo de dizer o que pensa. Vejam:

"Livre iniciativa, seguranca jurídica, direito de propriedade, cumprimento de contratos, direito à justica, liberdade expressão. Isto é democracia." - Kátia Abreu, via Twitter (@KatiaAbreu)

Eis aí o resumo do programa de governo ideal. Aquilo que o Brasil precisa para receber um choque de modernidade, deixando de vez a idade da pedra em que se encontra atolado.

Ela sintetizou em um único tweet aquilo que os homens da oposição não têm coragem de defender publicamente, por medo de parecerem "conservadores e de direita". Aos diabos com isso! O que vai acima não é pauta "da direita"! É a pauta do mundo civilizado e desenvolvido! É o que falta em Cuba, na Venezuela e no Irã, lugares que Lula, Dilma e o PT adoram.

Eu queria muito poder votar na senadora Kátia Abreu. Para isso, ela precisaria concorrer à Presidência... Quem sabe isso não acontece logo... Talvez se ela aceitasse ser vice de Serra, ganhando o destaque nacional necessário. Chegou a hora de uma mulher? Que seja alguém que defende a democracia, não uma ex-terrorista!

Ligeiríssimas.

De acordo com os resultados parciais da apuração, o Partido do U, de Uribe, ficará com cerca de 25% dos votos, seguido de perto pelo Partido Conservador, com 21%. A terceira força do país será o Partido Liberal (social-democrata), com 16% - que representa a esquerda possível.

Sonora derrota das esquerdas radicais, com o Mudança Radical na casa dos 9%, enquanto que o Partido de Integração Nacional, que abriga os simpatizantes das FARC, amargou míseros 8% dos votos.

O resultado não deixa margem para qualquer dúvida: a Colômbia aprova a política de governo de Uribe, e repudia com veemência o terrorismo das FARC. É o prêmio merecido para um governo que se negou a negociar com a canalha, e partiu para o enfrentamento decidido e implacável. O povo colombiano deixou claro que, quando se trata do terror, a ordem é caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo.

O "camelô de aviões", Nicolas Sarkozy, viu o principal partido de oposição ao seu governo - o Partido Socialista - se tornar a maior força política da França nestas eleições regionais. Os socialistas chegaram aos 30% dos votos, ao passo que o UMP, do Presidente, ficou com cerca de 27%.

Outras agremiações de esquerda receberam cerca de 20% dos votos, contribuindo para a derrota das forças de direita, capitaneadas por Sarkozy. A extrema-direita, de Le Pen, recebeu quase 12% dos votos, obtendo um resultado acima das expectativas.

A vitória dos socialistas não chega a surpreender. É comum que os franceses usem as regionais para punir os governos nacionais, entregando a vitória aos que fazem oposição. Cria-se, assim, uma espécie de equilíbrio ideológico no país: uma força governa a nação, ao passo que a outra administra as regiões.

A derrota de Sarkozy, porém, não pode ser diminuída, afinal também é reflexo de sua crescente impopularidade, além de trazem em seu bojo reflexos da crise financeira que está atacando de forma dura o caríssimo estado de bem-estar social francês, um dos mais onerosos do chamado primeiro mundo.

Detalhe importante para a enorme abstenção: 52%. Trata-se de um recorde e, a meu aviso, de um importante sinal de maturidade política. O povo francês já percebeu que pode se lixar para o governo - qualquer que seja ele. E isso é bom. É muito bom...

domingo, 14 de março de 2010

Leiam abaixo:

1) Deveria ser o fim do PT. Será?
2) Lula e o holocausto: "um LEGADO para a humanidade".
3) Coluna do Perspectiva Política: "Nenhuma delas e cubana."
4) Dom Filippo Santoro: Programa de Direitos Humanos é cartilha radical-socialista.
5) Dissidente cubano diz que Lula é cúmplice dos Castro.
6) Lula compara presos políticos a bandidos comuns.
7) A mídia é golpista, sim!
8) Fernando Sarney, o "incomunzinho".
9) Uma Nova República sem estadistas.
10) Plínio de Arruda Sampaio: o alienista.
11) Betto chama a atenção do capitalismo. Eu chamo a atenção de Betto.
12) Juiz acusa Chávez de colaborar com ETA e FARC.
13) Estados Unidos citam Sarney e Arruda como exemplos de corrupção.
14) Datafolha: Dilma cresce e encosta em Serra.

Deveria ser o fim do PT. Será?


Realmente, como adiantado pelo @gravz, via Twitter, a casa do PT caiu de vez. Ao que parece, o Ministério Público encontrou o "garganta profunda" do mensalão, que prometeu entregar tudo e todos, inclusive com direito a gravações, em troca de inclusão no programa de proteção a testemunhas.

A íntegra da matéria de VEJA deve ser lida com especial atenção por todos, afinal serve bem como libelo da chamada "era Lula". Quando se está a par dos detalhes do mensalão, fica fácil entender que Collor não passou de um moleque levado, se comparado aos petistas.

Diferentemente de alguns antipetistas que conheço, não estou lá muito animado. A situação, a meu ver, é bem simples: se houver gravações, o PT - juntamente com Dilma - está acabado. Hoje em dia, o povo só fica escandalizado diante de imagens e áudios de corrupção. Sem isso, nada feito.

Se, porém, não existirem as tais gravações, nada acontecerá. Tudo será tratado, uma vez mais, como denuncismo vazio e golpismo da tal "oposição de direita e reacionária". Sem mencionar que os milicianos do PT entrarão rapidamente em campo e cuidarão de desqualificar qualquer acusação.

Em tudo isso, há um outro ponto: mesmo que haja alguma gravação, nada acontecerá a Lula. O presidente dozoperário e dozoprimido não será tocado, pois o povo o considera acima do bem e do mal. Lula possui uma espécie de salvo-conduto que lhe permite dizer e fazer qualquer coisa, sem que sua popularidade seja arranhada. E um presidente popular, vocês sabem, nunca cai.

Espero que as provas sejam mesmo fortes, e que as gravações existam. Fará bem à democracia brasileira ver um partido capaz de atentar contra as instituições de forma tão sistemática ser punido com rigor. E quanto a Lula? Ele passará, felizmente.

Lula e o holocausto.

A esta altura, todos já leram o que Lula andou dizendo sobre Ahmadinejad e o Holocausto. Cumpre, entretanto, deixar aqui o registro. A fala de Lula é uma dessas que, no futuro, servirá para ilustrar bem os anos de governo do PT. Vejam:

"Eu falei com o presidente do Irã e deixei claro que ele não pode sair falando que quer liquidar Israel, assim como não pode negar o Holocausto, que é um LEGADO para toda a humanidade"

Não, petralhas. Não existe contorcionismo gramatical capaz de emprestar à palavra "legado" um sentido positivo. Segundo o Houaiss, "legado" pode significar a "disposição de última vontade do testador", numa acepção meramente jurídica. O busílis é que pode significar também "um bem ou missão, confiada a alguém". Não bastasse iso, há ainda o sentido figurado: "legado" também pode ser aquilo que se transfere "às gerações que se seguem".
Estou fazendo "sensacionalismo"? Que nada! Lula é que está fazendo delinquência política! Talvez o holocausto seja um legado para ele - e para o PT. Mas não o é para a humanidade. Para o mundo civilizado, o holocausto é apenas uma tragédia, uma chaga. Algo que precisa, sim, ser lembrado. Para que tenhamos sempre certeza do que é o horror em seu estado puro.

Depois de saber que Lula vê o holocausto como "um bem", fica fácil entender por que ele se dá tão bem com facínoras como Ahmadinejad, Mugabe, Fidel Castro, Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. A afinidade moral e ideológica dessa canalha com Hitler é muito maior do que os pogreçistas tentam nos fazer crer...

sábado, 13 de março de 2010

Há pessoas livres no mundo. "Nenhuma delas é cubana".

Vejam abaixo alguns trechos da minha coluna semanal, publicada lá no Perspectiva Política:

Certa vez, numa discussão um tanto acalorada com alguns conhecidos, perguntaram-me quando exatamente eu me tornei um “porco direitista”. Na ocasião, ri da pergunta e nem dei muita importância, afinal estamos em um País onde qualquer um que critique o socialismo é automaticamente chamado de “direitista”.

Mas eis que hoje descobri quando me tornei um “porco direitista”. Foi no momento exato em que compreendi que Alexander Soljenitsin não é igual a Marcola; que Wladmir Herzog não é igual a Fernandinho Beira-Mar; e que Nelson Mandela não é igual a Elias Maluco. (...)

(...) Imaginem um repórter entrevistando Lula nos idos da década de 1930: “Senhor Presidente, dizem que há judeus sendo presos, torturados e mortos na Alemanha. O que o Sr. tem a dizer?” E Lula, do alto de sua sabedoria de boteco, mandaria ver: “Veja bem, meu caro: eu estou convencido de que cada país tem direito a ter suas leis, e nenhum outro deve ficar dando pitaco de fora. Ou seja, quem sabe da situação da Alemanha direito é o meu querido Hitler, e só ele pode dizer com precisão as razões das medidas que ele toma. Eu só acho que se as leis da Alemanha estão sendo respeitadas, não cabe ao Brasil dizer o que é certo fazer, da mesma forma que o técnico do São Paulo não pode dizer pro meu querido Mano Menezes que esquema tático ele deve usar num jogo do Corinthians.”
 
(...) Costumo dizer que tenho apenas uma moral, ainda que isso possa soar um tanto aborrecido ao leitor. Os “esquerdistas modernos”, como Lula, são melhores que eu: têm várias morais! (...)

(...) Me tornei um “porco direitista”, aos olhos da realidade política brasileira, a partir do momento em que compreendi que as garantias e liberdades do indivíduo estão acima de qualquer distopia coletivista pregada por uma manada acéfala. Por isso acho que nenhum cidadão deve ser tolhido em seu legítimo direito de protestar contra qualquer governo. Mesmo quando se arvora a criticar os irmãos Castro, aqueles redentores que querem apenas nos salvar do jugo capitalista.

(...) Há pessoas de várias nacionalidades, crenças, etnias e religiões protestando livremente por todo o globo. E, como diria Fidel Castro em sua frase célebre, “nenhuma delas é cubana”.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dom Filippo Santoro: Programa de direitos humanos é "cartilha de estilo radical-socialista".

Eu não conhecia Dom Filippo Santoro, bispo de Petrópolis. Shame on me!, como se diz lá nos Estados Unidos... Isso porque Dom Filippo é um desses religiosos que todo católico de verdade precisa conhecer. Ainda mais quando se fala do Brasil, um país onde as igrejas, não raro, se comportam como extensões dos partidos políticos, ocupando-se mais de panfletagem ideológica do que da palavra de Deus. Fiquem com alguns trechos do que ele escreveu sobre o tal "Programa Nacional(-Socialista) de Direitos Humanos":

(...) O bispo de Petrópolis (sudeste do Brasil), Dom Filippo Santoro, considera que o PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos) do governo brasileiro traz “uma visão reduzida da pessoa humana”.
O programa, recentemente lançado pelo governo, “suscita graves preocupações não apenas pela questão do aborto, do casamento de homossexuais, das adoções de crianças por casais do mesmo sexo, pela proibição de símbolos religiosos nos lugares públicos, pela transformação do ensino religioso a história das religiões, pelo controle da imprensa, a lei da anistia, etc, mas, sobretudo por uma visão reduzida da pessoa humana”.
A questão em jogo – afirma o bispo em artigo divulgado nessa terça-feira –, “é sobretudo antropológica: que tipo de pessoa e de sociedade são propostos para o nosso País”.

(...) Na 3º edição do PNDH, “estamos diante de uma cartilha de estilo radical-socialista, que está sendo implantada na Venezuela, Equador e Bolívia e que tem em Cuba o seu ponto de referência. Trata-se de um projeto reduzido de humanidade destinado a mudar profundamente a nossa sociedade”.

“Vida, família, educação, liberdade de consciência, de religião e de culto não podem ser definidos pelo poder do Estado ou de uma minoria. O Estado reconhece e estrutura estes valores que dizem respeito à dignidade última da pessoa humana que é relação com o infinito e que nunca pode ser usada como meio, mas é um fim em si mesma. A fonte dos direitos humanos é a pessoa e não o Estado e os poderes públicos”, explica o bispo.

O programa do Governo “é um claro ato de autoritarismo que enquadra os direitos humanos num projeto ideológico, intolerante, que fez retroceder o País aos tempos de ditadura”, considera.
Segundo o bispo de Petrópolis, “somos todos interpelados diante deste projeto que tenta desmontar a estrutura da sociedade destruindo o valor da pessoa, da vida, da família e das livres agregações sociais”.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dissidente cubano diz que Lula é cúmplice dos Castro. E é mesmo!

Leiam o que vai abaixo, publicado na Folha Online:

(...) O dissidente Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias pela libertação de 26 presos, disse em entrevista a Flávia Marreiro, publicada nesta quarta-feira pela Folha que Lula é "cúmplice da tirania dos Castro": "A maioria do povo cubano se sente traído por um presidente que um dia foi preso político.
Em entrevista, Fariñas afirmou que "Lula agiu de má-fé" ao ir para Cuba pouco tempo depois do preso político Orlando Zapata Tamayo morrer, após passar 85 dias sem comer. "Parece que o poder fez que ele perdesse a memória. No passado, ele foi um perseguido político", disse. Para o dissidente tanto o governo cubano quanto os governos que o apoiam são responsáveis pela morte dos presos políticos.

A história fará justiça a Guillermo Fariñas, como fez a outros dissidentes em tempos idos. No futuro, saberão que Lula não passou de um paparicador de tiranos, ao passo que aquele cubano foi um homem de coragem, capaz de desafiar o regime mais assassino da história das Américas.

Fariñas jogou na cara de Lula a mais pura verdade, afinal quem empresta apoio - e financia - o terror castrista é, sim, cúmplice da matança. Lula - assim como Frei Betto, Chico Buarque e tantos outros "humanistas - também carrega sobre seus ombros o peso dos cerca de 100 mil mortos ao longo de mais de 50 anos de ditadura comunista.

Sinto apenas que no Brasil não exista um mísero oposicionista com coragem para dizer publicamente as mesmas coisas ditas por Fariñas. Já é passada a hora de acabar com essa personagem criada por Duda Mendonça, em 2002. Lula não tem nada de paz e amor. Lula, na verdade, é aquele que dá apoio a Castro, a Mugabe e a Kadafi. O apedeuta, assim como seus ailados assassinos, representa apenas a escória do mundo!

terça-feira, 9 de março de 2010

Lula no ápice de sua delinquência política. Ou: por que a nossa moral é mesmo diferente da moral deles.

Lula concedeu uma entrevista hoje à agência Associated Press. O resultado é simplesmente estarrecedor. Aqueles que sempre acusaram de preconceito, conservadorismo e direitismo todos aqueles que, como eu, apontaram de forma objetiva o estreito vínculo entre o apedeuta é a ideologia da pocilga, ficarão com a cara no chão. Vejam apenas as falas mais escabrosas do companhêro de Fidel Castro:

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil".

É a glorificação daquilo que poderia ser considerado um Estado de direito. "Ora, então qual o problema?!", zurrará o asno petralha. Simples: Estado de direito sem democracia não passa de ditadura! O Estado brasileiro, sob o comando dos militares, era um Estado de direito, afinal os ditadores estavam amparados em leis próprias. Mas não havia democracia, por isso o regime era odioso.

A fala de Lula condescende abertamente com um regime tirânico, responsável pelo assassinato direto de pelo menos 17 mil pessoas, além de carregar nos ombros o peso de outros 83 mil cadáveres. Tudo isso, porém, não parece ter importância para Lula, afinal Cuba possui suas próprias leis, não é mesmo? Ainda há mais.

"Eu acho que greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto dos [da luta por] Direitos Humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade"

Asqueroso! À luz da "moral" lulista, os presos políticos de Cuba são iguais aos assassinos, sequestrados e traficantes presos em São Paulo. Isso não é só emprestar apoio ideológico a uma corja de assassinos. É ratificar os atos atrozes da escória da humanidade, aquela que tenta construir o "novo homem" por meio do homicídio desenfreado.

A fala delinquente de Lula é sinal de um tempo. De uma nova era: está definitivamente comprovado que a "moral deles" (chamada de revolucionária) é mesmo diferente da "nossa moral" (que eles chamam de burguesa). E não se enganem: quando um Chefe de Estado condescende com o assassinato em massa, a barbárie já está oficialmente instalada.

Como o chamado primeiro mundo, sempre fascinado pelo mito do "operário que virou Presidente", se sentirá diante de tal obsenidade? Como reagirão os que falavam no direito do Brasil de ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU? Para quê? Para defender e justificar ditaduras? Para flertar abertamente com o terrorismo mais abjeto? Nunca é demais lembrar que este mesmo Lula é aquele que volta e meia fala da brutalidade típica da ditadura militar brasileira. Este Lula é aquele que construiu sua carreira política repetindo à exaustão a história da perseguição política de que foi vítima, inclusive contando que foi preso - mesmo sendo notório que não tocaram em nem um mísero fio de sua barba hirsuta.

O problema, caros, é todo de conceitos morais: Lula - e as esquerdas em geral - criticam a ditadura brasileira não porque foi uma ditadura. Eles a criticam porque foi, aos olhos deles, uma ditadura "de direita". O regime tirânico dos Castro em Cuba, por outro lado, é uma "ditadura do bem", afinal eles são uns humanistas. Uns "progressistas". Eles querem aprisionar, matar e torturar em nome da "igualdade".

E o que dizer da tal "mídia golpista"? Qual grande veículo de comunicação brasileiro vai retratar o episódio como ele realmente merece, dizendo que Lula escarneceu da morte de um homem? Quem, além de alguns poucos blogs "conservadores e reacionários", terá a coragem de mostrar que tipo de malabarismo moral Lula é capaz de fazer a fim de justificar uma tirania? Onde está, enfim, a tal "mídia golpista"?!

A verdade é que a mídia, como mencionado no post abaixo, é golpista, sim. Mas o golpismo dela se volta contra tudo - e todos - que tente confrontar o consenso pogreçista que tomou de assalto o mundo, e que, no Brasil, é encarnado pelo petismo e pelo lulismo. Basta ver que o senador Demóstenes Torres, do DEM, vem sendo demonizado apenas por dizer a verdade. Pior que isso, estamos vendo uma gigantesca operação difamatória em ação, onde as palavras do senador são torturadas até confessarem uma mensagem que não trazem em seu bojo.

Já Lula, o inimputável, pode justificar abertamente a ditadura mais sangrenta da história das Américas, sem que qualquer jornal escreva uma vírgula a respeito! Ao Presidente dozoperário e dozoprimido é dado, inclusive, comparar presos políticos a bandidos comuns, fazendo troça da resistência democrática de um povo oprimido há mais de 50 anos! Por quê? Porque para eles, os pogreçistas, os presos políticos de cuba têm mais é que ficar presos mesmo! Têm mais é que morrer de fome mesmo! Lula não apenas acha que Fidel está certo m prender, torturar e matar. LULA, SE PUDESSE, FARIA A MESMA COISA AQUI, COM SEUS OPOSITORES!

Essa escória pútrida e bolorenta, órfã do Muro de Berlim e da matança que ele representa, gosta de se dizer "moralmente superior" a todos os seus opositores. Gosta de dizer, enfim, que possui uma "moral diferente" da nossa. E possui mesmo! A nossa moral, "reacionária e conservadora", não nos permite relativizar o terror, nem condescender com a barbárie! Isso é coisa deles, os humanistas do assassinato em massa. Nós, conservadores que somos, gostamos demais de defender a vida, por isso não conseguimos tolerá-los. Ao inferno com essa canalha imunda!

segunda-feira, 8 de março de 2010

A mídia é golpista, sim!

Pois é, descobri que essa história de "mídia golpista" é mesmo verdadeira. Mas, que se note: o golpismo dela é dirigido às oposições, não ao imenso consórcio governamental que se ergueu ao redor de Lula, o presidente dozoperário e dozoprimido.

A matéria ridícula e mentirosa escrita por Laura Capriglione, na Folha, mostra bem como funciona esse "golpismo do bem". Nela, a moça acusa o DEM de corresponsabilizar os negros pela escravidão, baseada em uma fala do senador Demóstenes Torres que foi ridiculamente retirada do seu contexto original. Isso pra não mencionar a tortura retórica imposta por Laura às palavras do senador goiano, sempre no intuito de obter uma confissão de racismo.

O que fez Demóstenes? Ora, cuidou apenas de contar a verdade dos fatos. Ou é, pois, mentira que os europeus, ao chegarem na África, encontraram um vasto e organizado comércio de escravos gerenciado pelos próprio africanos? Isso, meus caros, não é racismo nem mesmo simples opinião. É fato histórico! Documentado.

"Ah, mas ele disse que não houve abuso por parte dos brancos, e que as negras não eram estupradas." Disse mesmo? Ou isso é o que a "mídia golpista" acha que ele falou? Sim, porque há uma grande - enorme mesmo - diferença entre as duas coisas.

Élio Gaspari, por exemplo, acusou Demóstenes de negar qualquer violência sexual sofrida pelas escravas negras. O problema é que o senador do DEM nunca negou tal coisa! Ele apenas cuidou de dizer outra verdade que o pogreçismo politicamente correto não suporta: muitas das relações sexuais havidas entre brancos e negros foram, sim, consensuais. E foram mesmo! Isso não apaga o horror dos muitos estupros, da mesma forma que estes, por outro lado, não podem apagar o que de consensual houve.

Em resumo, temos que Demóstenes disse o seguinte: 1) Não foi a Europa que inventou a escravidão negra, mas os próprios povos da África, que tinham escravos muito antes de qualquer europeu lá desembarcar; e 2) A miscigenação que caracteriza o Brasil não é fruto apenas de estupros praticados pelos senhores brancos contra as pobres escravas negras.

Diante do que vai acima, pergunto: qual a mentira dita por Demóstenes? Vou além: alguém consegue, apoiado em fatos históricos, desmentir a fala do senador? Ou só é possível criticá-lo apelando para o tradicional desfraldar de clichês politicamente corretos, que pretendem ver a história como uma eterna luta de classes?

O golpismo da Folha é evidente, afinal a fala de Demóstenes foi imediatamente tratada como se fosse uma espécie de fascismo. Não bastasse isso, também cuidou-se de generalizar criminosamente o que disse o senador, atribuindo aquele pensamento individual a todo o DEM, coisa que é tão falsa quanto uma nota de três.

Fosse Demóstenes um pogreçista, duvido que os vanguardistas Élio e Laura partissem para tamanha demonização. Mesmo porque, os dois estão entre os que nunca ousaram falar em "mensalão do PT", esforçando-se sempre para mencionar os "casos isolados dentro do partido"... Já quando o assunto é o DEM, a besta-fera do pogreçismo nacional, os fatos perdem importância. O fundamental mesmo é atacar os "conservadores"...

Defintivamente, não resta dúvida de que Demóstenes só foi atacado porque não é um pogreçista. Mas ainda bem que as coisas são como são! Fosse um pogreçista, o senador não teria a coragem necessária para chamar as coisas pelo nome, enfrentando a agenda politicamente correta e esfregando a história nas fuças de quem vive em busca de um oprimido para chamar de seu.

Filho de Sarney: o "incomumzinho".

É aquela velha história: filho de "homem incomum", incomumzinho é... Vejam o que vai abaixo, publicado na Folha Online:

O governo brasileiro obteve documentos que comprovam que o filho do presidente do Senado, José Sarney, movimentou dinheiro no exterior sem declará-lo à Receita Federal.
Autoridades da China informaram ao Ministério da Justiça que o empresário Fernando Sarney opera pessoalmente uma conta num paraíso fiscal, em nome de uma empresa “offshore” com sede no Caribe.
No começo de 2008, Fernando usou esse canal financeiro para transferir US$ 1 milhão para uma agência do banco HSBC em Qingdao, na China. A autorização da transação contém a assinatura dele. (...)

E não é que Lula tinha razão? Sarney não é mesmo uma "pessoa comum", afinal uma pessoa comum não tem filhos que movimentas contas secretas no estrangeiro, fugindo da fiscalização tributária brasileira. Isso é coisa de gente bem "incomum" mesmo...

O que mais me chamou a atenção, porém, foi aquele pequeno trecho que grafei em vermelho: o filhote do highlander maranhense foi flagrado por autoridades chinesas! É só um palpite, mas o sujeito deve estar morrendo de medo... Se os "camaradas" chineses sismarem com ele, não vai ter papai senador que dê jeito... Lá, não há advogados e devido processo legal. Lá, eles resolvem esse tipo de coisa com bala na nuca! Juro que fico até com um pouquinho de pena do "Fernandinho"... Tanta gente pior que ele que poderia estar na mira dos chineses... Aqui mesmo, no Brasil, há os que fazem atos secretos, por exemplo... Não sobra uma bala na nuca pra eles?

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P.S.: Os comentários a este post são uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Na verdade, o autor não tem a pretensão de ofender qualquer pessoa - tenha ela honra, ou não...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma "Nova República" sem estadistas.

Hoje, quinta-feira (04/03/2010), o mineiro Tancredo Neves comemoraria 100 anos. A data, porém, só pode ser lembrada in memoriam, afinal Tancredo faleceu em 1985, antes de tomar posse como primeiro Presidente da chamada "Nova República".

Como ter fé nessa tal "República"? Estamos falando de uma "era" que não pôde contar com nenhum grande estadista, já que todos foram levados, de inopinado, pela "indesejada das gentes"... Primeiro, Tancredo: levado do Brasil antes mesmo de tomar posse. Este pobre e miserável país, que esteve às portas de contar um homem de respeito na Presidência, acabou "ganhando" um José Sarney...

Neste dia de março, o avô de Aécio Neves se tornaria um homem centenário... Março, aliás, que também nos lembra outra data importante: a morte de Mário Covas (06/03/2001). O eterno governador de São Paulo, aliás, foi o último grande estadista que caminhou sobre estas malfadadas terras. Poderia ter se tornado Presidente também, não tivesse sido levado tão cedo. Aliás, corrijo-me: ele teria sido Presidente com total certeza! Ou alguém acredita que Lula poderia resistir a trinta segundos de debate com Covas? Mas o "se" não faz parte da história...

Tancredo, com seu desprendimento e sua ousadia, conseguiu conduzir o país a uma transição pacífica da ditadura à democracia. São muito poucos os exemplos disso na história da humanidade. Trata-se, estejam certos, de uma obra grandiosa, própria de um homem além do seu tempo. De um homem eterno!

O mineiro teceu articulações, uniu as oposições sérias do Brasil e engoliu Sarney, a fim de pacificar a ala mais oligárquica que havia na época. Tudo porque a prudência deixava claro o óbvio: o principal objetivo deve ser destronar os militares. Passemos primeiro à democracia! O resto vem depois.

E quando aquele "resto" mostrou que uma doença maligna não permitiria ao Brasil desfrutar da grandiosidade de Tancredo na Presidência, a "velha raposa" mineira não deixou a decepção e a iminência da morte turvarem as águas a serem navegadas: "Siga-se com o processo democrático. Complete-se a transição." Ele não queria ser Presidente por vaidade própria. Queria ser Presidente para tirar o Brasil do totalitarismo, levando-o às luzes da democracia.

Tancredo Neves, ele sim, lutou contra a ditadura. Não os milhares de bandoleiros vagabundos que, como Dilma Rousseff, Franklin Martins, Tarso Genro, José Genoíno e José Dirceu, pegaram em armas no intuito de transformar um Brasil em uma nova União Soviética. Essa canalha, que hoje se aboletou no poder, nunca teve a democracia como horizonte! Queriam apenas trocar uma ditadura pela outra, possivelmente implementando no país um regime cem vezes mais sangrento que aquele hodiento, regido pelos militares. Deveriam ter aprendido com Tancredo, mas, em vez disso, preferiram contestá-lo.

O PT sempre foi inimigo de Tancredo. Inimigo da democracia, para ser mais amplo. Boicotou a experiência democrática articulada pelo mineiro, e expulsou aqueles que decidiram votar no oponente de Paulo Maluf. Ironia do destino, hoje Maluf é aliado de primeira hora do governo Lula... O PT também se opôs à atual Constituição, chamando-a de "burguesa". Por quê? Porque, naquela época, o partido honrava seu programa: queria o socialismo. E pela via revolucionário, subjugando as instituições, as liberdades e o indivíduo.

Ontem, na solenidade que lembrou o centenário de Tancredo, os petistas renovaram seus votos de desapreço pela democracia e não se fizeram presentes. Lula, o metalúrgico que virou Presidente, deixou de render homenagens ao homem que, com seu trabalho árduo, acabou por permitir a consolidação da democracia brasileira. Não fosse a insistência de Tancredo em buscar a via democrática - via essa que o PT rejeitava frontalmente! -, Lula não teria chegado à Presidência...

O Brasil perdeu todos os seus maiores estadistas nos momentos mais difíceis. Perdeu Tancredo quando precisava de um líder de verdade para dar os primeiros passos na vida democrática. Em vez disso, teve que engolir um Sarney. Perdeu Ulysses, aquele que dava sentido e honradez ao PMDB, e viu o maior partido do Brasil - o partido das Diretas - se tranformar num balcão sujo de negócios. Perdeu Covas, aquele que poderia suceder FHC e impedir que o bolivarianismo vagabundo do PT tomasse de assalto o Estado. Perdeu tudo. Perdeu sempre. Este é, definitivamente, apenas um país condenado.