sábado, 31 de julho de 2010

O petismo e a arte de querer eliminar os adversários.

Esta semana o secretário nacional de comunicação do PT, André Vargas, disse, no Twitter, que o PT não tem ligação com as FARC. Foi além e afirmou que, se o partido de Lula e Dilma fosse mesmo aliado das FARC, "o INDIO E SUA TRIBO estariam ou sequestrados ou mortos". Assim o pogreçismo faz política no Brasil: tecendo abertamente ameaças contra a vida de um candidato à vice-Presidência da República. Essa é a forma encontrada por eles para construir o tal "outro mundo possível": acabar com toda e qualquer divergência, ainda que seja preciso recorrer ao sequestro e ao homicídio. Escrevi a respeito na minha coluna semanal lá no Perspectiva Política. Transcrevo abaixo apenas um trecho do texto, mas convido-os a ler a íntegra. Vale a pena, pois permite conhecer um pouco melhor como funciona a mente sociopata dessa gente.

Imaginem que um petista acuse ACM Neto ou Paulo Bornhausen de serem uns coronéis, membros de oligarquias. Vamos, façam uma forcinha. Nem é tão difícil, afinal já cansamos de ouvir petistas falando isso, não é mesmo?

Pois agora imaginem que ACM Neto respondesse à acusação do petista mais ou menos assim: “Não, não sou coronel. Se fosse já teria mandado um jagunço matar você!” Não é difícil imaginar que o mundo desabaria sobre a cabeça do sujeito. Rapidamente algum intelectual da esquerda – aposto em Emir Sader… – rabiscaria um texto denunciando o “fascismo das velhas elites tradicionais de direita”. Gente como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha desfilaria sua indignação jornalística. Ah, claro! Quase esqueci! É barbada que algum promotor veria ilegalidade na fala de ACM Neto e ajuizaria uma ação – qualquer uma – contra o deputado do DEM.

Mas nada disso aconteceu. ACM Neto não insinuou que mataria de bom grado algum político do PT. No máximo andou falando, há alguns anos, que queria estapear Lula. Não se pode culpá-lo, né? Quem não gostaria de dar umas bofetadas no apedeuta? Eu adoraria! Mas já me desviei. Retomo.

Os leitores conhecem André Vargas? Não?! Bem, André Vargas é Secretário Nacional de Comunicação do PT. Ele gosta, pois, de se “comunicar”. Se “comunica” como ninguém. Ontem, no afã de se “comunicar” com os eleitores brasileiros, André Vargas disse, sem meias palavras, que Índio da Costa deveria ser sequestrado ou morto. (...)

Eleições 2010 - Ibope aponta Dilma em primeiro lugar.

O Ibope também foi a campo saber a preferência dos brasileiros para a corrida presidencial. Nem bem os números foram divulgados ontem, e alguns petralhas baixaram aqui, com quatro pedras em cada uma das quatro patas: "E aí? Não vai comentar os número do Ibope? Só porque ele mostra o Serra atrás, né? E depois você ainda quer posar de imparcial." Eu posso com isso? Não, petralhada! Eu realmente não quero posar de imparcial! Sabem por quê? Porque este blog tem lado! Sempre teve. É o lado da democracia e do sistema de liberdades individuais. Ninguém tem o direito de duvidar que prefiro José Serra e que considero um risco a eleição de Dilma Rousseff, a ex-terrorista. Mas isso não me impede de analisar os fatos, diferente da portadecadeiosfera petista, que criou uma rede de difamação na internet. Querem comentário sobre o Ibope? Vamos a ele:

Segundo a pesquisa, Dilma tem 39% das preferências, enquanto Serra aparece com 34%. Em terceiro lugar Marina Silva, com apenas 7%. Num eventual segundo turno, Dilma teria 46%, ao passo que Serra teria 40%. A margem de erro da pesquisa é de 2%.

Algumas conclusões são bastante óbvias: 1) A disputa na ponta está muito apertada, basta ver que nenhum dos dois consegue desgarrar do outro; 2) Marina Silva não conseguiu mesmo convencer. Vai ter menos votos do que teve Heloísa Helena em 2006, o que é algo vexatório; 3) O horário eleitoral e principalmente os debates vão ser decisivos na reta final. Qualquer coisa que passe disso é mera especulação ou, em alguns casos, simples torcida mesmo.

De se destacar outro fator importantíssimo: se Serra não ganhar em Minas, suas chances diminuem demais. Isso porque o eixo norte-nordeste, viciado pelo bolsismo assistencialista, já é de Lula... ops! de Dilma. Da mesma forma que o Sul, onde é forte o sentimento antipetista, deve mesmo ficar com Serra. A lógica diz que o tucano deve vencer em São Paulo, da mesma forma que indica vitória de Dilma no Rio - ah, cariocas... Minas se torna, pois, decisiva. Se continuar o corpo-mole de Aécio Neves, que parece não refutar com a força necessária o monstrengo chamado "Dilmasia".

Considero, como dito acima, que a disputa está muito igual e que a eleição será bem apertada. Mas não se pode desprezar o favoritismo de Dilma, afinal ela é a candidata de Lula, o presidente mais popular da história do mundo! Isso pra não dizer que a sujeita está em campanha há mais de um ano, apoiada pela máquina do governo federal e pela estrutura partidária mais organizada do país. Não se deixem enganar: é favorita, sim!

A ser mesmo franco, essa situação de quase empate entre Dilma e Serra até me surpreende. Dada a conjuntura política atual, não seria surpresa se ela estivesse uns 10% à frente do tucano. E isso é a principal força de Serra: está fazendo campanha sozinho e consegue fazer frente a todo o establishment lulo-petista. Não é pouca coisa.

Eleições 2010 - Pesquisa Ibope nos estados.

Algumas rápidas considerações sobre os números que o Ibope apurou para alguns estados do Brasil.

São Paulo
Nenhuma surpresa: Alckmin lidera com sobras (50%) e pode resolver a fatura já no primeiro turno. Mercadante, aquele sujeito que revoga o irrevogável, tem menos da metade das intenções de voto do tucano (14%). Será uma vitória se o petista conseguir chegar ao segundo turno.

Ainda acho cedo para cravar uma vitória em primeiro turno de Alckmin, afinal o horário eleitoral nem começou. Se Celso Russomano (9%), o Maluf da vez, resolver centrar suas baterias no tucano, pode ajudar Mercadante a forçar um segundo turno. Porém, é preciso lembrar que Russomano e Mercadante estão bastante próximos, o que pode animar aquele a tentar uma ultrapassagem sobre este - algo que, se acontecesse, seria o golpe de miseriórdia sobre o PT no estado de São Paulo.

Pessoalmente, acredito em vitória de Alckmin logo no primeiro turno. E é bom que o PT não se anime muito a buscar um segundo. Temo que em tal caso a lavada sobre Mercadante ganharia ares genocídio eleitoral...

Se a paulistada vota bem pra governador, o mesmo não se pode dizer das preferências indicadas até aqui para o Senado. Marta Suplicy liderando com folga (31%)?! Não dá... Sem falar no restante da lista, que vê Quércia com 20%, Tuma com 19%, Ciro - who - Moura com 18%, empatado com Netinho - espancador-de-mulheres - de Paula. Tá feia a coisa! O melhor candidato à disposição do eleitor, Aolysio Nunes, aparece ainda com míseros 4%.

Óbvio que ainda é cedo e que muita coisa pode mudar. Mas não dá pra ficar animado com o Senado paulista que vai se desenhando...

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Minas Gerais
O Ibope aponta Hélio Costa na liderança, com 39% das preferências. Em segundo está Aécio N... ops! Antonio Anastasia, com 21%. É evidente que a liderança de Costa ainda é confortável, mas não se pode deixar de notar que Anastasia, carregado pelo político mais popular da história de Minas, vem crescendo rápido. Se levarmos em conta que o horário eleitoral ainda nem começou - e que, pois, Aécio não está aparecendo, toda noite, ao lado de Anastasia na televisão -, há motivo de sobra pra acreditar que o candidato do PSDB é o grande favorito.

No que tange à disputa pelas duas cadeiras de senador, nem há o que comentar. Aécio Neves, com 70% das preferências, está eleito. Esperava-se uma disputa acirrada pela segunda vaga entre Itamar e Pimentel, mas isso desvaneceu quando o ex-Presidente e Aécio resolveram se aliar. O resultado: Itamar aparece com sobras na segunda colocação, com 39% das preferências.
A menos que haja uma reviravolta cinematográfica, a eleição mineira já está resolvida.

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Rio de Janeiro
Tá feia a coisa, heim? Sérgio Cabral lidera com folga a disputa pelo governo (58%) e acho muito provável que ele resolva tudo já no primeiro turno. E pensar que a outra opção eleitoralmente viável é Fernando Gabeira (hoje com 14% das preferências). Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça dos cariocas...

Na corrida pelas duas vagas do RJ no Senado há um empate entre Cesar Maia e Marcelo Crivella, ambos com 37%. Logo me seguida aparece Lindemberg Farias, com 21%. Em tal caso nem culpo muito os eleitores de lá, afinal as opções são mesmo bem ruinzinhas... Na busca pelo tal "menos pior", talvez eu até engolisse Cesar Maia. Crivella e Lindember não tem como...

No fundo acredito que haverá segundo turno, afinal duvido que, com o começo do horáio eleitoral, Gabeira não consiga subir um pouco mais nas pesquisas. Nunca é demais lembrar que o deputado do PV quase levou a eleição de 2008, pra prefeito do Rio de Janeiro, lembram? Sem falar que Cabral... bem... francamente. Sem palavras.

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P.S.1: Onde estão as pesquisas Ibope no sul do país? Tô louco pra saber sobre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

P.S.2: Alguns leitores - do Amapá, principalmente - me cobram que fale sobre os números do Ibope para esta capital apequenada. Não farei isso. Ontem, no Twitter, falei um tantinho a respeito. Acho que basta. Não quero dar ao Amapá uma importância maior do que este lugar efetivamente tem. Não comento pesquisas feitas na Botswana ou na Birmânia. Logo, não tenho motivo pra falar daqui.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Editorial histórico de O Globo: "Lei eleitoral é absurdo jurídico."

Ontem escrevi algo sobre as normas que regem o processo eleitoral brasileiro, e como elas não me parecem nada condizendes com um sistema de liberdades individuais democráticas. Hoje, logo cedo, tive a felicidade de me deparar com o editoral de O Globo, que decidiu chamar a lei eleitoral de "absurdo jurídico". Abaixo transcrevo a íntegra do texto, pois acho importante fazer o registro histórico disso. Um dia, quando as próximas gerações olharem para o passado, verão que havia trincheiras de resistências democráticas que se erguiam contra o totalitarismo estatal. Leiam o texto. Ao final teço um brevíssimo comentário.

É provável que a explicação esteja no longo período do mais recente apagão institucional na história da República brasileira, ocorrido de 1964 a 1985, pouco mais de duas décadas. Não se sai incólume de tanto tempo de autoritarismo, mal que se entranha em todo o arcabouço jurídico.
Promulgada em 1988 a Constituição da volta à democracia, ainda restaram dispositivos herdados da ditadura militar, o chamado “entulho autoritário”. Talvez o mais daninho tenha sido a Lei de Imprensa, assinada em 1967 por Castello Branco, o primeiro dos presidente militares daquele ciclo, e só extinta no ano passado, por decisão do Supremo Tribunal Federal.
A mais alta Corte do país aceitou o argumento de que o dispositivo constitucional garantidor da liberdade de imprensa e expressão não requer regulamentação. Logo, aquela lei era inconstitucional. Mas há outros absurdos jurídicos em vigor, como a lei eleitoral, de n 9.504. Sequer ela pode ser enquadrada como “entulho autoritário” legítimo, pois é de 1997.
Aprovada quando o país já transitava em pleno estado de direito democrático, esta legislação, no entanto, padece de séria intoxicação de cultura ditatorial. Um dos seus piores efeitos é, na prática, baixar a censura nos programas humorísticos de TV e rádio, além de engessar a cobertura jornalística dos pleitos.
A proibição de “trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato ou coligação” serve de base para a Justiça impedir, por exemplo, o “Casseta & Planeta” (TV Globo), “CQC”(Bandeirantes) ou “Pânico na TV” (Rede TV) de usarem as eleições como fonte de inspiração. No arsenal jurídico, há multas pesadas e até o poder de retirar o infrator do ar.
Seria impensável na mais pujante democracia, nos Estados Unidos. Lá não se impede o humorista de explorar as eleições como matéria prima. Vale relembrar o sucesso dos “Saturday Night Live” inspirados em Hillary Clinton e Sarah Palin. A própria Hillary, com grande fairplay, apareceu em um dos programas da NBC.
Há um evidente excesso no Brasil. O professor de Direito Constitucional da UERJ, Gustavo Binenbojm, em entrevista ao GLOBO, disse entender que o objetivo da lei seja garantir a lisura das eleições, ao impedir candidatos de cometerem excessos na propaganda obrigatória.
Como a lei foi redigida e é interpretada, porém, ela amordaçou os programas humorísticos e manifestações artísticas. E assim derrapou para a inconstitucionalidade, pois a liberdade de expressão não pode ser sobrepujada por outro diploma legal.
A legislação incorre no equívoco de discriminar os meios de comunicação, em prejuízo dos eletrônicos, sob o argumento frágil de que estes dependerem de concessão pública para difundir imagens e som. A concessão, no entanto, se deve a um imperativo técnico — impedir a interferência entre as ondas de transmissão —, e não pode servir de pretexto para a censura de qualquer conteúdo de programas de rádio ou TV.
É tão discriminatória a legislação que os sites na internet dos meios eletrônicos sofrem as mesmas restrições, ao contrário das versões digitais dos meios impressos. Binenbojm fez duas propostas: o Congresso editar nova norma, corrigindo a atual, ou o Tribunal Superior Eleitoral baixar outra interpretação das restrições — este o caminho mais rápido.
Nunca é tarde para se cumprir a Constituição, demonstrou o STF ao revogar a Lei de Imprensa

Viram? A posição do jornal é inequívoca: para O Globo, a lei eleitoral é um "absurdo jurídico", uma legislação que "padece de séria intoxicação da cultura ditatorial". Minha dúvida é: alguma "otoridade" vai se sentir ofendida com o editorial acima? A editoria do jornal será interpelada a se explicar? Ou esse tipo de coisa só acontece mesmo em rincões pútridos e bolorentos do Brasil, ainda dominados por uma cultura totalitária e antidemocrática?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Marina, morena, você se pintou... DE VERMELHO!

Um conhecido meu, entusiasta da candidatura de Marina Silva à Presidência, me perguntou, certa vez, "por que criticar Marina?" Pois é, por quê? Não é preciso criticar Marina, afinal ela se critica sozinha. Sabem o que ela andou dizendo ontem? Vejam (íntegra aqui):

Sobre o terrorista italiano Cesare Battisti.
A candidata do Partido Verde (PV) à sucessão presidencial, Marina Silva, declarou-se favorável à permanência do ex-ativista italiano de esquerda Cesare Battisti no Brasil. (...) "O Brasil tem tradição de dar abrigo, já deu até para ditadores", afirmou a candidata, durante entrevista ontem ao portal Terra. "Por que seria diferente em dar abrigo a ele (Battisti)?", questionou.

Por que seria diferente pra ele, Marina?! Bom, que tal levar em conta que o sujeito assassinou a sangue frio quatro pessoas inocentes?! Mas Marina, todos sabemos, tem um pé na senzala petista... Assim sendo, ela faz parte daquela turma pogreçista que não vê nenhum problema em matar pela "causa". Desde que seja a "causa" deles... Aliás, o jornalista do Estadão que fez a matéria deve pensar o mesmo. Basta ver o cuidado para descrever Battisti: "ex-ativista italiano de esquerda". E pensar que isso tudo poderia ser substituído pela palavra TERRORISTA!

(...) Marina criticou o rótulo de "terrorista" dado à ex-ministra Dilma Rousseff, que na juventude participou de grupo político que lutou contra o regime militar. "Ela lutou pela democracia, não acho correto ficar chamando ela de terrorista."

Opa! Alto lá, Marina! Que história mais mentirosa é essa de que Dilma lutou pela democracia? Uma ova! Dilma e seu grupelho terrorista queria era trocar uma ditadura por outra. Essa gente nunca defendeu a democracia, que pra eles sempre foi uma "invenção burguesa". 

(...) Marina disse ser contra o julgamento de militares que praticaram tortura durante o regime militar. "A anistia foi para todos", afirmou. A candidata defendeu, porém, a criação da Comissão da Verdade no Congresso Nacional para apurar os crimes políticos ocorridos na época da ditadura no Brasil."Sou favorável a se tirar esses cadáveres do armário", defendeu.

Isso mesmo! Também dou o maior apoio! Vamos tirar todos os cadáveres do armário. Mas, atenção! Eu disse TODOS! Não só aqueles que interessam à esquerda radical, órfã do Muro de Berlim. Que tal, Marina? Podemos exumar todos os cadáveres? Ou aqueles civis que foram vítimas dos terroristas de esquerda têm mais é que ficar bem enterrados mesmo, para que a turma continue com a falsa pose de "heróis da democracia"?

Marina deixa claro, ao público como um todo, algo que sempre esteve claro apra este escriba: ela pode até ter saído do PT. Mas o PT nunca saiu dela.

A um passo da ditadura.

Abaixo transcrevo trechos de uma matéria publicada na Folha Online. Leiam com atenção (íntegra aqui):

(...) Assustados com as novas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os humorísticos da TV foram obrigados a puxar o freio na cobertura da corrida ao Planalto. 
Para os comediantes, o veto a qualquer piada que "degrade ou ridicularize candidato, partido político ou coligação" --estabelecido pela resolução 23.191/2009 da corte-- caiu como uma lei da mordaça sobre a telinha.
(...) No ar desde 1992 na Globo, o "Casseta" tomou a medida mais radical para se adaptar à norma em vigor desde o dia 1º: baniu qualquer referência aos candidatos até outubro.
(...) No "CQC", a ordem é insistir na cobertura da eleição de verdade, mas com restrições. Uma delas foi aposentar recursos de computação gráfica que ajudavam a dar um tom mais irreverente às entrevistas --a lei proíbe usar "trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo" que possa ser interpretado como deboche.
(...) "Estamos tomando cuidado para seguir a lei, mas acreditamos que essas restrições prejudicam bastante. Os políticos já entenderam que os os microfones do "CQC" os ajudam a se conectar com uma audiência que está de saco cheio deles", diz Tas. (...)

Não é de hoje que me sinto desconfortável diante da áurea plenipotenciária da justiça eleitoral. As infinitas leis, normas, resoluções e calhamaços legais afins que regem a matéria, acabam por engessar a cada dia mais a democracia. Em outras palavras, pode-se dizer que na tentativa vã de policiar a democracia, se está caminhando para um cerceamento cada vez maior das liberdades individuais.

O que dizer da resolução mencionada acima? Sou só eu, ou alguém mais acha que não é serviço do Estado policiar humoristas? Sujeito quer fazer piada com político? Que faça! E o político, caso se sinta ofendido, poderá recorrer normalmente à justiça, como em qualquer país civilizado. Optar por uma norma legal que de cara proíbe piadas é escolher o caminho da CENSURA PRÉVIA!

Não é de hoje que as particularidades concernentes aos poderes do TSE me assustam. Há coisa de alguns meses atrás, os ministros daquela corte escolheram, sozinhos, o governador do Maranhão. Digam o que quiserem, apontem o fundamento legal que preferirem, mas eu continuarei achando que isso é bem pouco - quase nada mesmo... - democrático. Jackson Lago merecia ser cassado? Que fosse! E que, diante da vacância, o eleitor fosse chamado a decidir novamente. Isso parece democrático, não um candidato escolhido por sete pessoas.

Agora há esse policiament ostensivo do pensamento, que terminará, invariavelmente, por construir uma sociedade apática e cada vez mais afastada da política. Não se pode elogiar um candidato, pois isso pode ser encarado como benefício. Para ser "justo", todos devem receber o mesmo espaço... Não se pode criticar um candidato, pois isso logo é tachado de "propaganda negativa". Agora, não se pode sequer fazer piadas com candidatos e seus partidos. Resta ao eleitor o quê? Caminhar calado, de forma autômata, até a seção eleitoral e "depositar" seu voto na urna.

Essa robotização do processo eleitoral pode agradar alguns especialistas, mas não tem nenhuma relação - ainda que minimamente distante - com a democracia. Basta verificar que nenhum país civilizado possui regras sequer parecidas com aquelas vigentes aqui. Eu poderia, por exemplo, citar o sistema eleitoral americano, onde impera a liberdade em sua forma mais ampla. Mas isso seria uma comparação irreal, afinal os Estados Unidos são a maior e mais duradoura democracia que a história já conheceu, enquanto que o Brasil é apenas uma republiqueta terceiro-mundista, onde o povo é livre para votar há menos de 30 anos. Não! É covardia comparar os dois. Pego um exemplo mais à altura dessepaiz: nem em Burkina Faso as regras eleitorais são tão cerceadoras das liberdades como no Brasil.

Seria vergonhoso, não fosse deprimente...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Chamando as coisas pelo nome.

Quem costuma ler este blog não tem direito de duvidar que eu não gosto do PT nem de Dilma e que, por isso, voto em José Serra. Isso sempre esteve claro, afinal eu não gosto desse "isentismo" modinha, que pretende obrigar qualquer um a ficar em cima do muro. Aqui, isso não acontece. Este blog tem um lado!

Hoje este lado ficou ainda mais claro, pois Serra conquistou, de novo, meu voto ao dizer que “é inegável, é indiscutível que o Brasil sempre teve simpatia com o Chávez, e é inegável que o Chávez abriga essas Farcs”.

Sempre sonhei em ver um político da oposição chamando as coisas pelo nome. Sempre esperei para ver o dia em que alguém do PSDB apontaria um dedo para os "bolivarianos" e acusaria a ligação umbilical que eles têm com o terrorismo, o narcotráfico, os estupros, os sequestros e os assassinatos.

Ganhei o dia!

domingo, 25 de julho de 2010

Questão de escolha.

Eu vivo reclamando da igreja católica brasileira, cada vez mais aberta a esse neopentecostalismo marcelorissiano, que está transformando as missas em aeróbicas de Jesus. Mas quando a Santa Madre acerta, faço questão de aplaudir.

A esperança de todo bom fiel é que para cada Fabio de Melo que aparece, um Dom Luiz Gonzaga Bergonzini também surge pra fazer o contraponto moral. Vejam o que ele falou a respeito de Dilma Rousseff, a ex-terrorista:

"Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não."

É tudo tão lógico. Tudo tão simples. Se você defende a vida e é, pois, contra o aborto, não pode votar em Dilma. Ou alguém consegue me mostrar onde tal lógica está errada?

"Ah, mas a igreja não tem que se meter nisso!", bradam os progressistas. Ué, por que não? Então todo mundo pode ter opinião sobre o aborto, mas a Igreja de Cristo, não? Ah, façam-me o favor...

Eu sou católico apostólico romano. E vou além: sou papista! Reconheço que minha igreja tem um líder esperitual e sigo suas diretrizes. E a minha igreja diz não ao aborto, o que só me dá um motivo a mais para dizer não a Dilma.

P.S.: Dúvida: será que eu posso condenar Dilma porque ela defende o aborto, também conhecido como assassinato de bebês? Ou a justiça eleitoral vai dizer que isso é propaganda negativa?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Kibando...

Então, eu já disse que ando meio sem vontade de atualizar o blog. Deve ser culpa dessa época eleitoral, onde o Estado nos lembra que o direito de participar das eleições não é, na verdade, um direito. É uma obrigação que nos foi imposta por um bando de burocratas, que não entendem nada de como funciona uma democracia de verdade. Tem gente que se empolga em sair de casa pra votar debaixo do "porrete democrático" do Estado. Eu não vejo a menor graça...

A boa notícia é que este escriba acompanha alguns blogs onde nunca falta uma palavra inteligente pra ler. A má notícia é que acabei lendo em tais blogs alguns textos que eu gostaria de ter escrito aqui. Quem manda ser mais lento e, principalmente, menos inteligente que eles? Vejam abaixo as "kibadas" que organizei pra vocês - shame on me!

Texto excelente do Gravataí Merengue sobre aquela estranha turma que é contra as "palmadas pedagógicas", mas é favorável ao aborto. Transcrevo só um pequeno trecho. Vale a leitura na íntegra.
"(...) faz sentido uma pessoa exigir que a mulher tenha "escolha sobre seu próprio corpo", mas, ao mesmo tempo, achar normal uma família deixar de ter direito de escolher a forma pela qual educará/criará seus filhos (sem exagero na violência, por óbvio)? Pois é... Eis a "lógica" de uma parcela dessa turma, ou melhor, a falta dela."

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"A maior petulância do Homo brasilis é seu vezo em considerar que mora no próprio Eldorado – a terra nova, recém-descoberta, que é, na verdade, a filial terrestre do Paraíso. Envidando esforços estafantes para provar a si próprio que vive no melhor dos mundos (uma síndrome de Pollyana incompleta, visto que ninguém leu o livro), o brasileiro cega-se para a realidade de viver em um país periférico, longe até geograficamente da qualidade de pensamento que deu pasto à civilização ocidental, e conclui, para salvaguarda de sua vitória desprovida de esforços, que é o Ocidente que não conhece as perfeições da Terra brasilis. Assim, não consegue sequer ser uma filial sul-americana de Portugal."

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Pra encerrar, cito uma pequena passagem de um artigo fenomenal do Olavão:

"Longe de terem se afastado das atividades criminosas, os políticos de esquerda que hoje brilham no Foro de São Paulo foram da periferia delas para o centro, da base para o topo. Antes de inocentá-los, perguntem: quantos judeus Adolf Hitler matou pessoalmente? Nenhum. Quantas ordens de execução ele assinou com sua própria mão? Nenhuma. Aparentemente, ele não “matou” judeu nenhum. Só criou a política que os matou. Mas é isso, precisamente, o que se chama genocídio. Por definição, ninguém pratica genocídio no varejo, matando pessoalmente um por um. Genocídio é crime de gabinete. Por que então modificar capciosamente a definição de terrorismo, designando com essa palavra somente as ações físicas dos paus-mandados e não o conjunto do plano que as tornou possíveis? Por esse critério, Hitler seria inocente da morte dos judeus, e só cabos e sargentos dos campos de concentração levariam a culpa. Hitler é tão inocente do extermínio dos judeus alemães quanto os líderes do Foro de São Paulo são inocentes dos crimes das Farc."

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Aí está. Na estiagem deste blog, deliciemo-nos com coisa bem melhor...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eleições no Amapá.

Alguns conhecidos, principalmente os que vivem fora do Amapá, me perguntam o que penso sobre as próximas eleições. Hum... É vergonhoso admitir isso, eu sei, mas não tenho outra escolha: a verdade é que ando com muita preguiça de escrever sobre a conjuntura político-eleitoral deste rincão apequenado. Por que perder tempo falando das eleições do Amapá, que são tão importantes para o Brasil como as eleições na Botswana o são para o mundo?

A verdade é que já falei demais sobre o Amapá. Não importa se isso foi há uma semana, um mês ou um ano. Todas as críticas que sempre teci ao Amapá continuam valendo, afinal não há forma deste lugar deixar de ser aquilo que é: uma província desimportante e condenada a viver eternamente no caos.

Há cerca de dois anos, depois da eleição municipal, escrevi um texto falando que só passaria a ter algum respeito pelo processo eleitoral do Amapá quando houvesse observadores da ONU para acompanhar a eleição, e quando a OTAN mandasse seus exércitos para garantir a segurança - e a liberdade - dos eleitores. Este ano não teremos nem uma coisa, nem outra.

Percebe-se, pois, que nada será diferente. Tudo continuará sendo igual e, por isso, não tenho como confiar em qualquer tipo de melhora. Sendo assim, faço minhas as palavras de Tony Blair, quando deixou o cargo de primeiro-ministro da Inglaterra e abandonou a política: "That is that. The end."

P.S.: O autor deste texto, ao dizer que gostaria de ver órgãos internacionais como ONU e OTAN fiscalizando as eleições no Amapá, o faz apenas no intento de ver consolidada a democracia e as liberdades individuais. As palavras aqui escritas não têm a intenção de ofender nenhuma pessoa. Seja ela honrada, ou não.

sábado, 17 de julho de 2010

Estado de bem-estar democrático.

Transcrevo abaixo os principais trechos de um texto antológico escrito por Reinaldo Azevedo hoje. Ele resume de forma simples a pauta essencial de qualquer democrata. Deveria ser lido e assimilado por todo cidadão de bem:


(...) Como sabem, sou bastante crítico da imprensa, mas não para controlá-la e esmagá-la, como Dilma deixou claro querer no programa que rubricou, mas não tragou. Reconheço que a coisa é realmente complicada para os moços. Como se livrar daquela craca que se grudou ao pensamento, a lhes dizer que sua tarefa não é relatar o que vêem e o que apuram, segundo a regra da ordem democrática, mas promover “justiça social”, como se a dita-cuja fosse um conceito universal ou natural, feito a Lei da Gravidade, e não estivesse ela própria submetida a crivos ideológicos? Como é que essa “meninada” vai entender que essa tal “justiça social” é parte de um discurso organizado de quem tem um projeto bem mais amplo do que simplesmente promover a “igualdade”?
É difícil! A questão lhes é proposta, desde a mais tenra idade — e eu tenho filhas, lembram-se? —, como uma imposição moral, de sorte que a agenda ideológica fica diluída numa conversa pastosa sobre a igualdade, a maldade das elites, o egoísmo… Em que momento esses jovens entraram em contato com o pensamento que assegura, porque isto é história, que é a democracia a grande promotora da justiça social, e não a justiça social a promotora da democracia? Resposta: nunca!
(...) Os dirigentes que transformaram a “justiça social” no objeto último de sua luta  caminharam, sem exceção, para a ditadura — e pouco importa saber se seus propósitos eram originalmente bons. Os que fizeram da democracia seu horizonte inegociável tornaram o mundo mais tolerante; produziram a igualdade das leis para que os homens,  livres para escolher, pudessem ser desiguais.
Sei, no entanto, que há uma espécie de “conspiração da bondade” contra os fundamentos da democracia. Militâncias particularistas — de gênero, de cor de pele, do meio ambiente, até de categorias profissionais — tomaram o lugar antes ocupado pela velha “luta de classes” e pretendem, a partir de sua visão muito particular de mundo, construir um saber de abrangência supostamente universal. Levadas a efeito todas as suas propostas, seríamos, sem dúvida, menos livres porque teríamos de obedecer aos “superintendentes” das causas.
(...) O “controle da mídia” é uma dessas causas vendidas aos jovens. (...)
O PT dos vários programas tem, na verdade, um programa só: substituir a sociedade pelo partido, daí as reiteradas tentativas de controlar a imprensa. O jornalismo digno desse nome, que não se confunde com os esbirros a soldo, investiga o poder, questiona os poderosos, fala em defesa dos direitos protegidos pela Constituição. E é alvo permanente dos que preferem se esgueirar nas sombras, atuando à margem da lei. Enquanto extremismos homicidas lutavam para provar a moralidade superior de suas respectivas ditaduras, a imprensa brasileira encarnava a firme, paciente e continuada defesa da democracia e do estado de direito. E tem de continuar livre. Porque quero continuar a criticá-la!
A imprensa, como destacou a Carta ao Leitor da VEJA, na semana passada, não tem lições a receber de quem não compreende o valor universal da democracia e pretende subordiná-la aos interesses de um partido e de grupos de pressão que, sob o pretexto de representar a diversidade, falam em nome de seus próprios preconceitos.
A liberdade de imprensa não é uma concessão que governos generosos ou compassivos fazem à sociedade. Ao contrário: os governos é que são uma concessão dos cidadãos à necessidade de um ordenamento jurídico que garanta as liberdades individuais. Elegemos governos para que eles assegurem os nossos direitos, não para que os cassem.
(...) Todos dizem querer o bem-estar social, e essa luta, sem dúvida, já está muito bem representada e tem muitos militantes. Saio um pouquinho e volto para a causa para a qual os convoco: O BEM-ESTAR DEMOCRÁTICO, pouco importa quem vença as eleições. Não permitiremos que façam a nós, em nome de seus princípios, o que jamais faríamos a eles, em nome dos nossos.
O “Estado de Bem-Estar Democrático!” É o nome de nossa causa!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Náusea.

Vocês têm estômago forte? Então leiam o que vai abaixo, extraído da biografia de Dilma Rousseff, a ex-terrorista que Lula pretende colocar na Presidência:

"Certo dia, bateu à porta um menino tão magro e de olhos tão tristes que ela rasgou ao meio a única nota que tinha. Ficou com metade da cédula e deu a outra metade ao menino. Dilma não sabia que meio dinheiro não valia nada. Mas já sabia dividir".

Desnecessário tecer comentários, não é mesmo?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Recomendo.

Gosto de indicar aos meus leitores aqueles links que costumo acessar. E ontem li um texto fantástico escrito por Cláudio Mafra, do blog Reflexões Radicais.

O título serve como um verdadeiro libelo acusatório contra a inércia criminosa e politicamente correta do ocidente: "Quando as usinas atômicas iranianas serão bombardeadas?". Leiam o texto em questão e visitem sempre o blog. Aí entenderão por que eu decidi indicá-lo no meu blogroll.