terça-feira, 30 de novembro de 2010

Militares obrigados a enaltecer bandeiras do MST. É o fim dos tempos!

Do blog do Jamildo (íntegra aqui):

O Ministério Público de Pernambuco promoveu Termo de Ajustamento de Conduta no qual  a  Associação dos Oficiais, Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar/Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco – AOSS, atualmente denominada AME – Associação dos Militares de Pernambuco  e a STAMPA, empresa de outdoors, promoverão uma contrapropaganda, veiculando 21 outdoors com mensagens de promoção e defesa dos direitos humanos e da Reforma Agrária, conforme arte definida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aprovada pelo Ministério Público. A Associação terá ainda que publicar retratações públicas ao MST no Diário Oficial, no jornal interno da policia militar e no site
da associação. A contrapropaganda deve ser veiculada a partir de março de 2011.

A decisão é resultado do Termo de Ajustamento de Conduta  no procedimento administrativo Nº 06008-0/7, no Ministério Público de Pernambuco, apresentado pela organização de direitos humanos Terra de Direitos, pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por danos morais e direito de resposta contra a AOSS, em virtude da “campanha publicitária” contra o MST realizada pela Associação em 2006.

Na ocasião, a AOSS distribuiu nas principais vias públicas do Recife e nas rodovias do Estado de Pernambuco outdoors e jornais, bem como foram feitos discursos nos horários nobres das rádios e televisões, com conteúdos difamatórios e preconceituosos contra trabalhadores/as rurais sem terra. Nos outdoors, veiculava-se a seguinte mensagem: “Sem Terra: sem lei, sem respeito e sem qualquer limite. Como isso tudo vai parar?” (...)

Comento: É um absurdo! Querem ver? Pois bem, onde está a referência ofensiva ao MST? Sério, cadê?! Tentem apontá-la no texto acima, vamos! Em momento algum o bando terrorista de João Pedro Stédille foi mencionado. Devo, pois, presumir que os "sem terra" vestiram a carapuça...

A notícia acima só confirma como as liberdades e garantias individuais estão sendo vilipendiadas, dia após dia, até mesmo por aqueles que deveriam zelar pelo sistema democrático. Em nome dos tais "direitos humanos", arremeteu-se contra a liberdade de expressão de uma organização. E o que é mais grave: sem que nenhum direito humano houvesse sido violado!

O MST não gostou dos outdoors feitos pela associação dos policiais militares? Que fizesse outros, propagandeando suas bandeiras ou sei lá o que mais - dinheiro (público) pra isso, sabe-se, não faltaria... Em vez disso, preferiram atacar a liberdade de expressão. É impossível ficar tranquilo diante desse tipo de coisa.

João Pereira Coutinho arrasador na Folha.

Que João Pereira Coutinho seja um dos gênios do nosso tempo, não é mais nenhuma novidade. A simplicidade grandiosa com que transita entre os mais variados temas é surpreendente, e a escrita provocadora do português consegue sempre arrebatar o leitor. Não é sem motivo que sempre cuido de recomendar os textos dele aqui no blog.

Esta semana, na Folha, Coutinho assinou algo que foge, um tanto, do comum artigo de jornal. Trata-se de um verdadeiro tratado sobre o ser humano e suas vaidades. Transcrevo abaixo apenas alguns trechos, que deveriam ser lidos com atenção por algumas pessoas que se acreditam superiores às demais. A íntegra, para assinantes do jornal, está aqui (em link aberto, aqui).

A PERVERSIDADE é o único desporto que pratico. Com regularidade. Um exemplo: alguém me apresenta uma celebridade, dessas que são conhecidas por serem conhecidas, e eu finjo que nunca ouvi falar. "Como é mesmo o seu nome?"
 
(...) A minha perversidade não é um traço de caráter. De mau-caráter. É, quando muito, uma experiência sociológica: as pessoas podem ter todos os aplausos do mundo; podem ter legiões de assessores, adoradores e puros escravos; mas se não existe uma personalidade segura e forte por detrás da máscara, qualquer pequena pedra na engrenagem faz tremer e descarrilar a máquina. Eu sou essa pequena pedra.
 
(...) Desconfio que as celebridades ocas que encontro com frequência teriam muito a aprender se, de vez em quando, desligassem a sua vaidade da máquina. E viessem cá para fora viver.

-----
Eu também pratico essa "perversidade"...

domingo, 28 de novembro de 2010

Ministro do STF diz que "JUDICIÁRIO É A MAIOR AMEAÇA À LIBERDADE DE IMPRENSA"!

Leiam com bastante atenção o que vai abaixo (íntegra aqui). Comentarei em seguida.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto afirmou nesta sexta-feira (26) que o poder Judiciário é a maior ameaça à liberdade de imprensa no país. Para Ayres Britto, há “nichos” no Judiciário que não se adaptaram a mudanças resultantes de decisões recentes do STF, como a revogação, em maio de 2009, de toda a Lei de Imprensa, criada no regime militar (1964-1985) e que previa ações como censura e apreensão de publicações.

O poder Judiciário está aturdido e hoje é a maior ameaça à liberdade de imprensa, nos demonstrando tristemente que é muito difícil enterrar idéias mortas”, afirmou Ayres Britto, em seminário sobre liberdade de imprensa promovido pela TV Cultura em São Paulo.

O ministro disse que há setores no mundo jurídico que também não compreenderam o “segundo recado” sobre o tema dado pelo STF: a liberação, em setembro, do humor nas eleições, derrubando proibição que constava da lei eleitoral desde 1997.

“Estamos em outros tempos, e quem não compreender isso não tem futuro”, disse Ayres Britto.
O ministro do STF fez uma enfática defesa da liberdade de imprensa no país, princípio que afirmou estar plenamente garantido pela Constituição.

“Não há censura, nem o Poder Judiciário pode com previedade estipular o que a imprensa pode dizer. [..] Isso é rechaçado pela Constituição”, afirmou o ministro, em referência indireta a decisões recentes pelo país que vetaram de antemão a publicação de informações pela mídia.

Um exemplo dessas decisões foi a censura imposta pela Justiça ao jornal "O Estado de S. Paulo" na publicação de reportagens sobre a Operação Faktor, da Polícia Federal, que envolve Fernando Sarney, empresário e filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Para Britto, a Constituição é a única lei no país a conformar as regras jurídicas da liberdade de imprensa. Apenas temas que não são “nuclearmente” relacionados à liberdade de imprensa, como direito de resposta e participação de estrangeiros na mídia nacional, podem ser objeto de leis, disse o ministro.

Ayres Britto destacou ainda o papel da imprensa na formação da opinião pública. “A imprensa é o espaço do pensamento crítico, não do pensamento leviano, açodado. Pensamento elaborado, racionalmente urdido e exposto. Tem compromisso com a essência das coisas, com a verdade. A imprensa é irmã siamesa da democracia”, disse o ministro, um dos mais aplaudidos durante o encontro em São Paulo.

Comento: Espetacular a fala do ministro Ayres Britto. Irretocável! De fato, a liberdade de imprensa é uma das vigas principais que sustentam o regime de liberdades democráticas sobre o qual se erigiu a civilização ocidental. Defender a liberdade de imprensa é, assim, defender a própria idéia de democracia. E a democracia, de tão importante que é, precisa sempre ser defendida. Até mesmo do povo. Ou do judiciário...

Pessoalmente, acho ótimo que um ministro do STF diga o que Ayres Britto disse. Quem não deve ter gostado muito das palavras dele são os áulicos do atraso, sempre ávidos por avançar sobre as liberdades individuais. Há coisa de dois anos, por exemplo, escrevi um texto que denunciava a ausência completa de liberdade de expressão no Amapá. Este rincão engatinha em matéria de respeito aos cidadãos e às suas garantias basilares. Aqui a situação é tão surreal, que fui processado pela AGU em razão do meu texto, o que só concorre para confirmar que realmente não há liberdade de expressão alguma por estes lados.

Muita gente, alguns até que gozam de relativa (e inexplicável) fama, se disse aborrecida com meus escritos. Pois é... Imagino que estejam chateados com Ayres Britto também, não? Suponho que os mesmos que decidiram me processar em razão de algumas críticas feitas ao poder judiciário, farão o mesmo agora, contra o ministro do STF. Quero, enfim, crer que todo aquele que disse ser inaceitável o que escrevi sobre a judtiça, também esteja espumando de raiva diante da fala de Britto. Ou será que a coragem de certos espécimes é como a moral que carregam: maleável?

É revigorante saber que um magistrado da mais alta corte da justiça brasileira tem pela liberdade de expressão o mesmo apreço que eu tenho. Melhor ainda, porém, é pode olhar nas fuças da canalha que tenta estuprar a democracia e o sistema de liberdades individuais, valendo-se da posição institucional que ocupa para avançar sobre aqueles que denunciam mazelas políticas e sociais daqui. SÃO LIXO HUMANO! SÃO A ESCÓRIA DO MUNDO! E também são estúpidos... Boa parte deles entende tanto de democracia, quanto de lógica: absolutamente nada!

O tempo é mesmo o senhor da razão... Algumas pessoas, que até havia pouco tempo me despertavam raiva e antipatia, hoje só me fazem sentir pena. Não dá pra ter outro sentimento por gente rasteira, que se pretende importante e inteligente, mas, na realidade, não consegue produzir nada além de esgoto intelectual! Continuarão sendo "reconhecidos" apenas pelo que têm ou pela função que exercem. Além disso, não são nada!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Governo é autorizado a quebrar sigilos fiscais, e Palocci é confirmado na Casa Civil. Que coquetel mais explosivo, heim?!

Leiam com atenção o que vai abaixo, publicado na Folha Online (íntegra aqui):

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem que a Receita Federal pode quebrar o sigilo bancário de contribuintes investigados sem necessidade de autorização judicial, desde que não divulgue as informações obtidas. Por 6 votos a 4, o tribunal derrubou uma liminar concedida por Marco Aurélio Mello, que impedia a quebra direta do sigilo bancário de uma empresa, a GVA Indústria e Comércio, pelo Fisco. O ministro afirmava que deveria ser seguida parte da Constituição sobre a "inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas", que permite a quebra somente por decisão da Justiça.

Na sessão de ontem, porém, a maioria de seus colegas entendeu que uma lei de 2001 permite a obtenção das informações sem a intermediação do Judiciário. Apesar de ser uma decisão válida apenas no caso específico e na análise de uma liminar, ela reflete de forma ampla o entendimento do Supremo sobre o tema. No fundo, o STF afirmou que vale a Lei Complementar 105, que permite que autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tenham direito de acessar "documentos, livros e registros de instituições financeiras" de contribuintes que respondam a processo administrativo ou procedimento fiscal.
 
O caso dividiu os ministros e só foi resolvido após dois pedidos de vista. Prevaleceu a opinião de José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Eles entenderam que não se trata de quebra de sigilo, mas de uma transferência dos bancos ao Fisco.

Comento: Que decisão mais desastrada, heim, Supremo? Agora, na prática, o governo - que é sempre controlado por um partido... - pode violar o sigilo fiscal de pessoas quando bem entender. Não é possível que mais ninguém esteja percebendo a gravidade disso!

Querem mais? Pois bem, Antônio Palocci, aquele que saiu do governo Lula por violar o sigilo fiscal de um caseiro, foi confirmado por Dilma como futuro ministro da Casa Civil. Assim, temos que o homem mais importante do futuro governo, notório violador de sigilo fiscal, terá o poder de... violar sigilos fiscais! É fascinante!

E assim vai se institucionalizando a revolução dos bichos petistas: uma República onde todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros...

-----
P.S.: Achei aqui.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VIOLÊNCIA NO RIO: Bandidos incendeiam van e impedem a saída de passageiros.

Do O Globo Online (íntegra aqui).

Novos ataques levaram medo aos cariocas na manhã desta quarta-feira. Quatro pessoas ficaram feridas após uma van ser incendiada na Estrada da Urucânia, em Santa Cruz, e foram levadas para o Hospital Rocha Faria. Segundo a trocadora do veículo, identificada como Eliane, os bandidos teriam impedido que ela, o motorista e dois passageiros descessem do veículo, que estava em chamas. Eles sofreram queimaduras nas pernas, foram medicados e liberados. Desde o início da madrugada, pelo menos dez carros, uma van e cinco ônibus foram incendiados. (...)

Comento: Esqueçam a pregação sociológica (e politicamente correta, claro!), segundo a qual é preciso "integração entre a comunidade e a polícia". Tapem os ouvidos pra conversa de que "é necessário investir na ressocialização dos presos". O que se vê hoje no Rio de Janeiro é uma ação terrorista! Isso precisa urgentemente ser assimilado pelas autoridades, que, só depois disso, terão condições de reagir da forma correta. Qual é essa forma correta? Caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo!

Há um aparelho de guerra nas mãos dos bandidos cariocas, e esse aparelho foi colocado em movimento de forma clara hoje. Os bandidos do Rio não estão "reagindo à ação da polícia", como quer fazer crer Sérgio Cabral, um governador cujo legado é o crescimento exponencial dos homicídios. O que a bandidagem está fazendo é simplesmente mostrar seu poder de fogo. Um poder de fogo capaz de parar um dos estados mais importantes da federação!

Vans incendiadas e passageiros presos dentro das chamas, impedidos de sair? Isso é ato de guerra! E o Estado só é tolerado por todos nós para nos defender desse tipo de coisa! QUE AS AUTORIDADES COLOQUEM, POIS, SEU APARELHO DE REPRESSÃO EM AÇÃO! Está na Constituição: ato de guerra - ou ato de terrorismo - se responde com o emprego das Forças Armadas! SIM, ESTOU FALANDO DO EXÉRCITO!

Não se pode negociar com a canalha, nem esperar cândidamente que cessem os ataques. É preciso enfrentamento implacável e determinado! É preciso caçar e prender cada um desses vagabundos que se ocupa de aterrorizar a sociedade civilizada. ELES QUEREM GUERRA? DAREMOS GUERRA A ELES! Bem... Isso se a sociologia pogreçista permitir, né? Não dou 24 horas para que apareça algum intelequitual na TV chamando os terroristas do Rio de "vítimas da exclusão social". O sangue dos inocentes suja também a mão desses "humanistas", que emprestam apoio moral ao terror! Deveriam ser caçados e presos também!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Fala que eu te escuto": respondendo ao comentário de um leitor.

Eu confesso que respondo aos comentários do blog com uma frequência menor que o aconselhável. Quando o faço, quase nunca é para responder aos chamados "anônimos", por razões óbvias. Mas abro, agora, uma exceção para tratar de um comentário feito ao conteúdo do post abaixo. Leiam com atenção o que me escreveu um "anônimo":

Ja ouviu falar em OPERAÇAO OBAN, PARASAR, DOI-CODI, LSN, SNI, ETC..? depois de tudo isso vem voce falar em "matando inocentes em nome da causa"? que tal perguntar aos pais dos "desaparecidos" politicos se eram inocentes aqueles torturadores dos poroes do DOI CODI que assinaram brutalmente, por exemplo, Wladimir Herzog? Me parece que seu "texto" comete uma inversão histórica imperdoável: " A má-fé está em confundir o leitor, principalmente aquele que não conhece o contexto da época, querendo atribuir caráter criminoso em ações de combate, de insurgência contra a tirania, de guerra de guerrilha (como tomada de armas do inimigo, expropriação à bancos), da mesma forma que a Corôa Portuguesa atribuiu como criminosa a insurgência política de Tiradentes."
- porque Dilma e seus companheiros eram julgados por um Tribunal Militar, e não pela justiça civil comum? - À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares, crimes de guerra. É a prova irrefutável de que a própria ditadura reconhecia haver uma guerra de guerrilha em curso, e que as ações da guerrilha eram de combate.(depoimentos feito sob tortura tem valor pra você? sob tortura você "confessaria" seus "crimes"? entregaria seus "companheiros"? reflita sobre isso..........)

Comento: Está evidente que guardo divergências político-ideológicas inconciliáveis com o "anônimo" em questão. Mas esse não é o problema principal. O problema verdadeiro é que ele tenta me cobrar por algo que nunca escrevi aqui!

Da forma como foi redigido, o comentário em questão tenta criar uma espécie de "oposição moral" entre os terroristas de esquerda (que ele chama de "guerrilheiros" e de "subversivos") e os vagabundos criminosos do regime militar. Com que objetivo ele faz isso? Simples: como condenei o terrorismo de Dilma e companhia, ele tenta, por vias oblíquas, jogar no meu colo o horror da ditadura. Pro diabo com isso! Desafio o "anônimo" - e qualquer outra pessoa - a encontrar neste blog uma única linha escrita em defesa da ditadura militar! Não há! E por que não há? Simples: eu não tenho bandidos de estimação! Na minha escala moral de valores, tanto os "torutradores dos porões do DOI CODI", quanto a canalha de esquerda que andou sequestrando bancos e explodindo bombas rastejam no pântano do horror! Neste blog, não se flerta com nenhum tipo de terror! Não importa se ele foi praticado pelo regime militar, ou pela oposição da esquerda revolucionária a ele. SE É TERROR, VAI PRA LATA DE LIXO DA HISTÓRIA!

Nota-se, assim, que não é o meu texto que "comete uma inversão histórica imperdoável". Ao contrário: quem subverte os fatos a fim de emprestar um caráter heróico à gentalha revolucionária é o "anônimo". Em nenhum momento eu neguei que a esquerda radical travava uma guerra contra os militares. Pelo contrário: venho denunciando aqui há muito tempo essa batalha encarniçada entre o regime militar e os revolucionários de esquerda. Mas e daí? O fato de eles estarem numa guerra civil diminui o horror cometido? Devo, pois, supor que o "anônimo" - assim como todos os simpatizantes daquela esquerda - endossam as mortes de civis ocorridas nas Grandes Guerras Mundiais? Ou na recente guerra do Iraque? Afinal, foram decorrentes de "ações de combate", né?

A diferença essencial entre o meu pensamento e o do "anônimo" é muito clara: ele tem simpatia por um dos lados. Eu quero mais é que ambos os lados vão para o mais profundo dos infernos! Não preciso justificar os atos do regime militar, porque os considero abjetos, pútridos e criminosos! E defendo que sejam investigados e punidos! Mas também não preciso justificar as ações covardes e igualmente criminosas praticadas pela esquerda revolucionária. E também defendo que haja investigação e punição aos responsáveis!

Em resumo, é como já disse acima: não tenho bandidos de estimação! Se é criminoso e terrorista - de esquerda, de direita, ou seja lá de que diabo for -, eu posso mandar pro inferno sem contrariar minhas convicções. E isso, meus caros, é libertador! Permite que se viva com uma consciência limpa que os entusiastas do terrorismo de esquerda simplesmente não conseguem ter, afinal vivem a fazer contorcionismo retóricos a fim de justificar o injustificável (eles sempre têm uma "causa"...).

Lanço aqui um desafio público ao "anônimo" - e a todos os que pensam como ele: eu condeno publicamente tanto o regime miliar, quanto o terrorismo de esquerda praticado naquele período! Acredito que ambos são criminosos e merecem, pois, punição. Viram? Nada mais claro e objetivo. Agora, pergunto: algum pogreçista, simpatizante das ações de "guerrilha" praticadas pela esquerda radical daquela época, é capaz de condenar publicamente o legado daquela gentalha? Vamos lá, valentes! Já mostrei que não há espaço no meu coração para bandidos de nenhuma espécie. E no de vocês? Há?

sábado, 20 de novembro de 2010

STM começa a contar as verdades sobre o passado de Dilma. Por que só agora?

Leiam o que vai abaixo, publicado na Folha (íntegra aqui):

A presidente eleita, Dilma Rousseff, zelava, junto com outros dois militantes, pelo arsenal da VAR-Palmares, organização que combateu a ditadura militar (1964-1985). Entre os armamentos, havia 58 fuzis Mauser, 4 metralhadoras Ina, 2 revólveres, 3 carabinas, 3 latas de pólvora, 10 bombas de efeito moral, 100 gramas de clorofórmio, 1 rojão de fabricação caseira, 4 latas de “dinamite granulada” e 30 frascos com substâncias para “confecção de matérias explosivas”, como ácido nítrico. Além de caixas com centenas de munições.
A descrição consta do processo que a ditadura abriu contra Dilma e seus colegas nos anos 70. A Folha teve acesso a uma cópia do documento. Com tarja de “reservado”, até anteontem ele estava trancado nos cofres do Superior Tribunal Militar. Trata-se de depoimento dado em março de 1970 por João Batista de Sousa, militante do mesmo grupo de guerrilha do qual Dilma foi dirigente.
Sob tortura, ele revelou detalhes do arsenal reunido para combater a repressão e disse que Dilma tinha recebido a senha para acessá-lo. Quarenta anos depois, Sousa confirmou à Folha o que havia dito aos policiais -e deu mais detalhes. Dilma já havia admitido, em entrevista à Folha em fevereiro, que na juventude fez treinamento com armas de fogo. O documento do STM, porém, é a primeira peça que a vincula diretamente à ação armada durante a ditadura. Procurada pela Folha, a presidente eleita não quis falar sobre o assunto.
O armamento foi roubado do 10º Batalhão da Força Pública do Estado de São Paulo em São Caetano do Sul (SP), de acordo com o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). A ação ocorreu em junho de 1969, mês em que as organizações VPR e Colina se fundiram na VAR-Palmares. Sousa disse que foi responsável por guardar o arsenal após a fusão. Com medo de ser preso, fez um “código” com o endereço do “aparelho” -como eram chamados os apartamentos onde militantes se escondiam.
Para sua própria segurança e do arsenal, Sousa dividiu o endereço do “aparelho” em Santo André (SP) em duas partes. Assim, só duas pessoas juntas poderiam saber onde estavam as armas. Uma parte da informação foi entregue a Dilma, codinome “Luisa”. A outra, passada a Antonio Carlos Melo Pereira, guerrilheiro anistiado pelo governo depois de morrer. O documento registra assim a informação: “Que, tal código, entregou a “Tadeu” e “Luisa”, sendo que deu a cada um uma parte e apenas a junção das duas partes é que poderia o mencionado código ser decifrado”. “Fiz isso para que Dilma, minha chefe na VAR, pudesse encontrar as armas”, diz, hoje, Sousa.
Tido pelos colegas como um dos mais corajosos da VAR-Palmares, Sousa afirma ter sido torturado por mais de 20 dias. Ficou quatro anos preso e, hoje, pede indenização ao governo federal. Aposentado, depois de trabalhar como relações públicas e com assistência técnica para carros no interior de São Paulo, ele diz ter votado em Dilma. Na entrevista, chamou a presidente eleita de “minha coordenadora”.

Comento: Pois é... Outro dia encontrei um um petista aqui do Amapá, que veio "me cobrar" pelos textos que escrevo aqui. Segundo ele, eu "pego muito pesado" com o PT, e chego mesmo a "infringir a lei" quando me referido a Dilma como terrorista. É, amigos... Na escala de valores morais dessa turma, "infringir a lei" é chamar terrorista de... terrorista! Já organizar o mensalão, fabricar dossiês criminosos e violar sigilos fiscais é, suponho, "do jogo". Essa gente me enoja!

Eu chamo Dilma de terrorista porque, bem... ELA PRATICOU TERRORISMO! Os petistas - ou os pogreçistas em geral - discordam? Bem, discorram sobre como o que vai noticiado acima não poderia ser definido como terrorismo. Vai ser diversão garantida assistir os contorcionismo retóricos e morais necessários para enquadrar a ação de Dilma como democrática. Vamos lá, valentes! Tentem aí!

Qualquer um que tenha alguma leitura sabe que nem todos os adversários do regime militar lutavam pela democracia. Havia os democratas, como Ulysses, Covas, Montoro e tantos outros. E havia a canalha terrorista, que queria, sim, derrubar a ditadura militar. Mas para implementar no lugar dela uma pocilga de moldes soviéticos. Isso não é assim porque eu quero. É assim porque esses são os fatos!

Os petistas e Dilma sentem orgulho desse passado? Pois bem, que ele seja exposto ao país, para que possamos descobrir se o povo também sente orgulho. Duvido que sinta... Afinal de contas, a nova presidente do Brasil, está posto, funcionava como guardiã dos trabucos usados pela gentalha que saiu por aí matando inocentes em nome da "causa"! SÃO LIXO HUMANO!

Estou exagerando? Que nada! Querem ver? Pois então imaginem que a justiça americana apresentasse ao mundo o sujeito responsável pelo arsenal da Al Qaeda. E aí? Ele poderia ser chamado de terrorista? Bem, como se diz em inglês, I rest my case.

-----
P.S.: Se algum petista se sente ofendido quando eu chamo Dilma de terrorista, e pretende me processar por isso, só digo isso: be my guest! Juro que vou me divertir muito vendo o valente TERGIVERSANDO diante de um juiz a fim de tentar convencer o mundo de que terrorismo não é... terrorismo!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Brasil de Lula e do PT é o Brasil que se nega a condenar o apedrejamento de mulheres!

Leiam o que vai abaixo, publicado no Estadão (íntegra aqui):

A diplomacia brasileira se absteve de apoiar uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que pede o fim do apedrejamento no Irã e o condena como forma de punição. A resolução ainda condena Teerã por "graves violações de direitos humanos" e por silenciar jornalistas, blogueiros e opositores. A votação da resolução ocorreu na noite da quinta-feira, 17, em Nova York. O governo iraniano acusou a ONU de estar "politizando a questão do apedrejamento".
Nos últimos anos, a estratégia do Itamaraty tem sido a de não usar os órgãos da ONU para condenar outros países. A ideia é de que a cooperação e o diálogo são as melhores formas de garantir que um país caminhe em direção ao respeito dos direitos humanos. A posição brasileira é criticada por ONGs, que insistem que o País, na condição de democracia, deveria pressionar demais governos para que sigam no caminho da abertura política.
Na quinta-feira, porém, o Brasil voltou a demonstrar que não está disposto a criticar o Irã publicamente, nem mesmo no caso do apedrejamento. O Brasil ainda tem esperanças também de ser chamado para fazer parte do grupo que negociaria uma solução para o impasse nuclear no Irã.
O País foi um dos 57 países que optaram pela abstenção na votação da resolução na Terceira Comissão da Assembleia Geral da ONU. Entre os outros países que se abstiveram estão Angola, Benin, Butão, Equador, Guatemala, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Zâmbia.
Um dos pontos principais da resolução aprovada é a condenação do apedrejamento como método de execução. O texto pede o fim da prática, assim como a discriminação contra mulheres. O documento foi apresentado pela delegação do Canadá como uma forma de mandar uma mensagem de que não se poderia tolerar atitudes como a de condenar a iraniana Sakineh Ashtiani à morte por apedrejamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a oferecer asilo à iraniana, o que foi recusado por Teerã. Há uma semana, a presidente eleita Dilma Rousseff criticou o método iraniano. Mas na ONU o Brasil não deu seu voto a favor da resolução.
Votaram ainda contra a proposta países como Venezuela, Síria, Sudão, Cuba, Bolívia e Líbia. A resolução foi aprovada com o apoio de 80 países, entre eles um dos membros do Mercosul, a Argentina, além de todos os países europeus, EUA, Canadá, Chile e Japão. (...)

Comento: Eis aí no que o governo Lula transformou a diplomacia brasileira... O legado do PT é se negar a condenar o apedrejamento de mulheres como método de punição! Esse é o "progressismo" brasileiro! Notem que os miquinhos amestrados de Celso Amorim se alinharam a "gigantes morais" como Sudão, Cuba e Líbia, algumas das ditaduras mais horrendas que existem no mundo! É junto a essa canalha que Lula e o PT se colocam! São a escória do mundo!

3,5 leitores.

Parece que os meus 3,5 leitores andaram sentindo falta das coisas escritas por aqui... O negócio é que tô numa preguiça master of doom, e a rotina também não tá facilitando. Bom, na verdade é mais culpa da preguiça mesmo... E pra piorar ainda tem esse tal de Twitter, que toma todo o tempo livre da gente (sim, meu nome é Yashá e eu sou viciado). Eu só fico preocupado mesmo quando recebo um montão umas dez mensagens me cobrando pela ausência e perguntando por que o blog não tá sendo atualizado. Pô, ceis não têm nada melhor pra ler nessa internet, não?! O negócio é que me deixaram com peso na consciência... Aquele lance de "tu te tornas responsável pelo que cativas", entendem? Tão bora trabalhar, né?

-----
P.S.1: Este post é um jeito "singelo e carinhoso" de agradecer a vocês, que sempre visitam o blog e que escreveram pedindo mais textos.

P.S.2: Também tô aproveitando na cara de pau pra divulgar meu Twitter, afinal passo mais tempo lá do que cá. Pelo menos enquanto o processo de "orkutização" daquela baguaça não tornar o ambiente insuportável...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Enem = fiasco!


E eis que pelo segundo ano consecutivo o Enem foi um fiasco retumbante. Uma vergonha nacional! Sim, isso mesmo! Dois anos seguidos de vexames injustificáveis! Eu pergunto: Fernando Haddad já caiu? Pois é, achei que não mesmo...

Nem vou me ater discutindo o fato óbvio de que aplicar as provas do Enem não deveria ser responsabilidade do Estado, afinal duvido que alguém consiga encontrar alguma justificativa lógica para que a tarefa não fosse delegada a uma empresa especialidade, como a Cespe, ou a FCC - ou qualquer outra do ramo. É aquela velha e conhecida conversa: quanto mais o Estado se mete a fazer aquilo que não é da sua alçada, mais problemas aparecem...

Mas, como disse, não é hora de discutir isso. Fica pra outro momento. O que quero, agora, é chamar a atenção pra imagem acima, que mostra um tweet enviado pela assessoria de comunicação do MEC no dia de ontem. Se Haddad não foi demitido pelo duplo fiasco do Enem, deveria sê-lo por conta do TERRORISMO que vai acima!

Percebam que em apenas algumas dezenas de caracteres, o MEC sintetizou a praxis petista: o Estado aparelhado e colocado a serviço do partido causa dano, e as vítimas é que são responsabilizadas! Isso não é nenhuma novidade. É uma prática que tem seu nome gravado a fogo na história humana. Chama-se FASCISMO.

O que o MEC quer dizer com "estão sendo monitorados e acompanhados"? Trata-se de uma clara ameaça dirigida a estudantes! É O ESTADO DE TERROR! Note-se que o texto fala ainda em processar os estudantes. Que lindo! E quanto a processar Fernando Haddad, responsável por um ministério que, pelo segundo ano consecutivo, causou vexame?! RIDÍCULOS!

O mais assustador, contudo, nem é o conteúdo do tweet. Isso poderia sempre ter sido explicado como obra de um servidor atrapalhado, não como o posicionamento oficial do MEC. Mas quê! Isso exigiria um grau mínimo de decoro e de senso do ridículo, coisa que Estados totalitários não têm! A Procuradoria do MEC, ouvida sobre o episódio, confirmou o conteúdo daquele tweet, ou seja, reiterou a ameaça feita a milhões de estudantes! É ESCANDALOSO!

Uma vez mais o Estado, acusado de atropelar as liberdades e garantias individuais, se volta contra as vítimas e as ameaça com todo o seu peso institucional. Repito: se alguém conseguir diferenciar isso da prática típica de um regime fascista, ganha um prêmio por contorcionismo retórico.

Tropa de Elite II.

Vi Tropa de Elite II já há alguns dias, e decidi, no exato momento em que saí do cinema, que escreveria uma resenha sobre o novo filme de José Padilha. Fiquei vários (muitos!) dias pensando a respeito, cuidando de encadear da melhor forma possível as idéias sobre a obra. E acabei demorando demais... Fica difícil escrever qualquer coisa, agora que o Reinaldo Azevedo já disse tudo o que eu queria ter dito... Mas eu sou teimoso, né? Fazer o quê... Vou deixar registradas minhas impressões principais sobre o filme mesmo assim.

De cara, devo dizer que Tropa de Elite II não foi melhor que o primeiro filme da série. E podem começar a tacar as pedras, que não mudarei de idéia mesmo sob o risco fortíssimo da lapidação. Tropa de Elite I foi um primor sob todos os aspectos. Além de trazer um roteiro muito bem construído, e um formato inovador para o padrão brasileiro de cinema, o filme tinha uma sacada espetacular, que era a própria razão do seu estrondoso sucesso: o fim da glamurização do bandido.

No primeiro filme, Padilha aplicou - se me permitem recorrer ao clichê - um tapa na cara de toda a sociedade, ao escancarar a relação de cumplicidade que existe entre o consumidor de drogas e o horror existente nas favelas, decorrente da existência dos traficantes. A cena onde o então Capitão Nascimento esbofeteia um rapaz da classe média carioca, dizendo que foi ele - não a polícia - quem matara um traficante favelado, é antológica! Ali se encerra toda a verdade, apenas a verdade e nada mais que a verdade.

Tropa de Elite I, vocês devem se lembrar, foi atacada por todo o establishment progressista e politicamente correto do país. Disseram que o filme de Padilha era "fascista", "reacionário" e, em alguns casos, até mesmo "de direita". Por quê? Porque mostrava a personagem principal comandando um batalhão que era, segundo as palavras do filme, "uma máquina de guerra implacável". Daí as cenas fortíssimas de tortura e de violência, que, dizia-se, escandalizaram os decorosos intelectuais brasileiros.

Besteira! O que doeu fundo na alma dessa gente não foi o saco plástico na cabeça dos traficantes. Que nada! O que machucou mesmo os sentimentos deles foi a construção de uma trama sustentada em dois pilares fundamentais: 1) a ruptura clara e incontroversa com o "bom-mocismo" da bandidagem nacional; 2) a exposição da relação espúria existente entre aquela bandidagem e aquilo que chamo de "filosofia progressista", sempre pronta a justificar a delinquência valendo-se dazinjustiça çoçial.

O segundo filme de Padilha rompe bastante com essa linha de ação e inaugura praticamente uma obra nova, que guarda muito pouca - quase nenhuma... - relação com a anterior. Em Tropa de Elite II, Roberto Nascimento não é mais Capitão, mas Coronel. Ele não comanda mais uma unidade do Bope, mas toda a corporação dos "homens de preto". E o começo do filme é até alvissareiro, levando o espectador a crer que mais clichês serão destroçados a golpes frios de realidade crua.

É o que acontece quando, diante de um confronto entre facções criminosa dentro do presídio de Bangu, Nascimento conta à platéia que, dependesse da vontade dele, todos poderiam se matar entre si. Mas que na prática isso não seria possível, pois "tem muito intelectualzinho de esquerda que gosta de bandido. Que precisa deles". Bingo! É exatamente isso! O que seria, pois, do progressismo brasileiro, se não tivesse mais nenhum bandido pra chamar de seu? Já cansei de dizer aqui: quem gosta de bandido é cientista político, sociólogo e professor universitário. Pobre gosta é de polícia! E isso fica claro quando, em outra passagem do filme, Nascimento entra em um restaurante para falar com a cúpula da segurança pública fluminense e é ovacionado pelos clientes ali presentes.

Notem bem: não se trata de discutir os valores pessoais que movem a personagem Roberto Nascimento. Nem de dizer que o contraponto à intelectualidade progressista que carrega bandidos no colo seria a ação brutal do Bope. Nada disso! O que quero é mostrar que há, de fato, um casamento escancarado entre a ideologia progressista e a imagem do "bandido-oprimido", pois uma não vive sem a outra. A personagem Alberto Fraga, em Tropa de Elite II, só pode construir seu discurso contra azinjustiça çoçial e o "sistema", porque apela para o clichê rasteiro de que só há presos e favelados na cadeia porque os "engravatados" ficam fora dela. Ele vai além: em várias passagens do filme chega mesmo a criar uma lógica segundo a qual os pobres e favelados não precisariam estar pressos, caso o "sistema" fosse mais "justo".

E aqui chegamos o cerne da nova obra de Padilha. Como ele mesmo fez questão de ressaltar no título, "o inimigo agora é outro". Qual? Essa coisa genérica e abstrata chamada de "o sistema". E é justamente aí, a meu ver, que a coisa sai dos trilhos...

Fiquei com a nítida impressão que Padilha, um sujeito que está a anos-luz de ser um conservador, se deixou tocar pela patrulha que tomou de assalto o primeiro filme da série. Para um sujeito que se reconhece ideologicamente no campo progressista (e Padilha é assim), ser chamado de "fascista", "reacionário" e "direitista" não é fácil. A coisa, porém, ganha contornos dramáticos quando lembramos que neste país, onde a maioria dos artistas volta e meia acaba precisando recorrer ao Estado em busca de financiamento, qualquer afronta ao consenso progressista, ainda que oblíqua, pode significar ser queimado numa fogueira pública. Regina Duarte e Wilson Simonal que o digam...

Padilha, assim, acabou prestando um tributo ao consenso progressista e politicamente correto ao fazer Tropa de Elite II. Nele, Roberto Nascimento, transformado em burocrata estatal (ele vai acabar trabalhando na Secretaria de Segurança Pública), tem uma espécie de epifania e descobre que o problema não são os bandidos dos morros, mas "o sistema". Mas o que seria esse "sistema"? Bem, isso o filme não responde, apesar de que uma tomada aérea da Esplanada dos Ministérios dá ao espectador uma boa idéia do que seja o tal "sistema"...

A verdade, é que ao mudar de inimigo, escolhendo como algoz do mundo "o sistema", Padilha fez uma escolha de ordem moral: retirou o crime da esfera individual e passou a tratá-lo como consequência de um mundo perverso controlado por forças poderosas que encontrariam sua síntese no tal "sistema". Trata-se de um erro colossal! Ninguém é bandido porque "o sistema" quer assim. Alguém só é bandido porque - vejam que coisa! - escolheu sê-lo! Isso é uma posição muito "de direita"? No Brasil atual, pode-se dizer que sim. Mas isso só serve pra ilustrar a gigantesca inversão de valores morais que assola nossa sociedade.

Acreditar que "o sistema" é responsável pelas mortes decorrentes do crime organizado, é tirar a responsabilidade do sujeito que puxa o gatilho para assassinar alguém a sangue frio. Isso está errado! Escolher o caminho do crime é, antes de mais nada, o resultado de uma opção individual e moral. É o indivíduo que escolhe delinquir, não um ente abstrato (como "o sistema") que o leva a tanto. Negar isso é flertar com a luta de classes, que ainda hoje insiste em dividir a sociedade em opressores e oprimidos. Qual o corolário de tal construção? O oprimido - a vítima - pode sempre justificar suas ações invocando as injustiças praticadas pelos opressores. Daí decorre a falácia de se buscar "razões sociais para a violência", como se o ato do criminoso não fosse um ato... dele! Eu insisto: a sociedade não tem culpa se alguém decide enveredar pela seara da criminalidade. Continua sendo apenas uma escolha pessoal, nada mais.

Nascimento, que ao longo do filme parece surgir como antítese do deputado Fraga, para quem um baseadinho deve ser desculpado e só "o sistema" é culpado por todos os males do mundo, termina o filme de joelhos, prestando continência ao "ativista social".

Notem bem: não se trata de desmerecer a luta do deputado contra as milícias. Minha crítica à personagem Diogo Fraga é muito mais de natureza ideológica: não são as milícias que obrigam os pobres da favela a escolher o crime. Nem elas que forçam a polícia a ser corrupta, ou os políticos a escolher a corrupção. Essa é só a leitura torta feita a partir dos rabiscos de Foucault, num coquetel explosivo que mistura ainda Marilena Chaui e Emir Sader. O mais novo filme de Padilha, aliás, só se chama Tropa de Elite II porque pega carona no sucesso retumbante que foi o primeiro da série. Não fosse assim, poderia perfeitamente se chamar Diogo Fraga, uma história de luta pelo povo. E seria visto entusiasticamente nas melhores ("piores"?) universidades do Brasil...

O problema, porém, persistiria: sempre que se luta "pelo povo", o indivíduo acaba de alguma forma subjugado. E aí, caros, estamos a um passo da barbárie. "Não haveria totalitarismo não fossem as massas e suas rebeliões", me ensinou Ortega y Gasset. Em Tropa de Elite II, Padilha vai de encontro a esse conceito e desiste da responsabilização individual em nome de falar do tal "sistema".

Numa das melhores passagens, Nascimento se mostra descrente, como se fosse impossível mudar "o sistema". Ele está corretíssimo! Não se pode mudar o que não é tangível nem concreto. "O sistema" não pode ser derrotado, mas o indivíduo que decide ser bandido - seja ele favelado ou político -, sim! E aí está a contradição insuperável que relega Tropa de Elite II ao rol dos filmes comuns.

Em outras palaras, o Roberto Nascimento do primeiro filme pegaria o do segundo pelo colarinho, lhe daria uns bons tapas e diria: "tira essa roupa preta que tu é moleque!" E aqui, rendo homenagem à interpretação sempre brilhante de Wagner Moura. Foi ele que, com sua atuação angustiada ao longo de todo o segundo filme, me levou a concluir que a pior tragédia de Nascimento não foi se render ao "sistema". Foi, antes, se esconder atrás dele, aceitando que essa abstração sirva como justificativa para os males da sociedade, sobrepondo-se aos indivíduos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Não me culpe, eu votei Serra (parte III): Lula e Dilma vão se empenhar pela volta da CPMF em 2011.

E a série continua (daqui):

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora Dilma Rousseff não querem votar a recriação da CPMF neste ano, mas vão trabalhar para que o Congresso defina em 2011 uma nova fonte de receitas para a saúde.
(...) A depender das negociações com governadores e futuro Congresso, o assunto pode ser votado isoladamente ou mesmo dentro de uma reforma tributária.
Lula já disse a auxiliares que vai trabalhar para a recriação de uma contribuição específica para financiar a saúde. Dilma também quer, mas vai deixar a batalha com governadores e partidos.
Na avaliação do governo, não há clima para votar o tema ainda neste ano.
Nas palavras de um assessor do petista, seria o mesmo que dar "munição" a uma oposição "magoada e derrotada", principalmente no Senado, para criar "confusão" no final do mandato de Lula.
A ordem agora é evitar temas polêmicos e aguardar o próximo Congresso, no qual a presidente eleita terá uma maioria mais folgada na Câmara e reverterá o quadro desfavorável no Senado.
Além disso, a expectativa é obter o apoio da maioria dos próximos governadores e dos reeleitos a favor de uma fonte de financiamento da saúde, principalmente com a promessa de que não haveria desvio para outras áreas.
O envolvimento de Lula também envolve um fator político. É seu desejo dar o troco na oposição, que derrubou a CPMF, que rendia cerca de R$ 40 bilhões por ano. (...)

Comento: Quer dizer então que Lula deseja "dar o troco" na oposição? E isso depois de concluído o mandato?! Mas quanto republicanismo! Quanto senso democrático! Desnecessário dizer que à oposição só resta um caminho: opor-se! Viu, seu Anastasia?! Nada de ajoelhar pra terrorista, ok?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DEM recusa idéia de fusão com o PSDB: "as eleições deixaram clara a existência de um eleitorado de centro-direita"

Leiam o que vai abaixo, publicado no Estadão:

A ideia de fazer a fusão entre PSDB e DEM para criar um grande e fortalecido partido de oposição foi rechaçada ontem pelo presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Para o dirigente, a proposta diminuiria o espaço político da oposição no Congresso e ainda abriria a possibilidade para uma onda de desfiliações. Maia lembra que uma das brechas jurídicas permitidas hoje para que parlamentares troquem de partido sem perderem o mandato por conta da regra de fidelidade partidária é justamente a fusão com outra legenda.

(...) Para o dirigente, entretanto, a questão não se resume a isso. Ele acredita que as eleições deixaram clara a existência de um eleitorado de centro-direita, que pode ser representado pelo DEM, mas que não encontra tanto conforto nas posições políticas assumidas pelo PSDB.

“A oposição tem que trabalhar unida na cobrança às propostas que serão apresentadas pelo governo. Mas isso não significa que precise haver uma fusão entre os partidos”, avalia Maia. “O DEM tem uma posição de centro-direita e o PSDB se enxerga mais como sendo de centro-esquerda. Há um espaço político para essas duas visões”, diz. (...)

Comento: ALELUIA! Ainda que muito timidamente, os políticos brasileiros parecem começar a perceber que há espaço - e grande! - para o crescimento de uma agenda mais liberal no Brasil! Antes tarde do que nunca! Concordo inteiramente com Rodrigo Maia e acho que o DEM tem mais é que buscar mesmo esse eleitorado identificado com a centro-direita. Já escrevi isso aqui outras vezes e repito agora: nenhuma democracia sólida do mundo prescinde de partidos liberais e/ou conservadores. NENHUMA! É passada a hora de oferecer opções diferentes aos eleitores daqui, principalmente considerando que a busca por tais opções parece cada vez mais evidente. Ainda falarei mais a respeito nos próximos dias.

Eleições americanas: Republicanos impõem dura derrota a Obama e assumem o controle da Câmara dos Deputados.

Vamos falar um pouco sobre eleições realmente importantes? Ontem os americanos foram às urnas para renovar por completo a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e escolher 37 governadores. O resultado deveria servir de paradigma para a oposição brasileira, sempre tão avessa à idéia de confronto político.

Menos de dois anos depois do início da "era Obama", o Presidente-de-ébano sofreu uma derrota duríssima nas urnas, que custou ao Partido Democrata o controle da Câmara dos Deputados. Os oposicionistas Republicanos não apenas roubaram do governo a maioria da Casa, como também passaram a contar com uma dianteira mais que respeitável: 239 a 183 deputados até o momento (ainda falta definir 13 cadeiras).

O desastre só não foi maior porque os Democratas conseguiram manter a maioria no Senado, apesar de também terem perdido vários integrantes. Agora, o partido de Obama tem 51 senadores, contra 46 dos Republicanos (ainda há 3 indefinidos). A maioria é de apenas um voto...

Para que se tenha uma idéia, a folgada maioria obtida pela oposição na Câmara dos Deputados pode permitir, inclusive, a revisão do health care (reforma do sistema de saúde pública) aprovado por Obama, e apresentado pelo presidente como carro-chefe de sua gestão. Outros temas igualmente controversos, como a lei de imigração, dificilmente serão aprovados segundo os planos da Casa Branca. É, enfim, um cenário bem preocupante para o homem mais importante do mundo.

O que levou o Partido Republicano a semelhante triunfo? Não custa lembrar que depois da eleição de Obama, dez entre dez analistas políticos decretaram a "morte" do GOP (Grand Old Party), esmagado pelo sucesso do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Fora da América - no Brasil, inclusive! - chegou-se ao extremo de afirmar que seria o fim o bipartidarismo nos EUA, especulando-se sobre o surgimento de novas forças, diante da incontornável "derrocada do conservadorismo".

Tudo besteira! A onda de entusiasmo diante do charme e da retórica de Obama não durou nem dois anos. O Messias negro, que chegou a dizer, durante a campanha eleitoral, que "o mundo pararia de se aquecer" e que "o nível dos mares pararia de subir", descobriu que no exercício do cargo as cobranças são implacáveis. Mais que isso: descobriu que num país de raízes liberais, avançar sobre o bolso e a liberdade dos indivíduos não costuma render bons dividendos.

O conservadorismo e o Partido Republicanos nunca estiveram tão fortes na América, e há dois fatores primordiais que concorreram para isso: a) o surgimento do movimento denominado Tea Party; 2) a política permanente de enfrentamento que a oposição adotou diante do governo Obama, desde o primeiro dia.

É evidente que o tal Tea Party teve um papel importante, principalmente ao reavivar a militância mais libertária, que clama por um Estado menor, por menos impostos e menos regulação. Essas bandeiras sempre foram muito caras a boa parte dos americanos, e empunhá-la num momento em que o governo central adota uma política de aumento desenfreado dos gastos só poderia trazer - como trouxe - ótimos dividendos.

O principal, contudo, foi a postura firme e decidida do Partido Republicano no Congresso desde o início do governo Obama, partindo para o enfrentamento direto. Não houve trégua. Não houve condescendência. Nada! Obama foi confrontado com a realidade fria da política a partir do primeiro minuto, sem que houvesse espaço para qualquer misticismo. Em outras palavras, a ação dos Republicanos concorreu para destroçar o "mito Obama", cobrando ação do "homem Obama". Em vez de embarcar na retórica salvacionista do Presidente-de-ébano, o GOP atuou para tirar-lhe a força.

Nada mais lógico, afinal em 2008, mesmo derrotados, os Republicanos tiveram 47% dos votos, isto é, pouco menos que a metade do eleitorado americano votou neles. Honrar essa parcela importante do país, cumprindo o papel de fazer oposição a Obama foi o caminho para o sucesso de agora. É nisso que PSDB, DEM, PPS e quem mais quiser se opor ao PT e a Dilma precisam fazer. Isso se ainda pretendem voltar ao governo algum dia...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não me culpe, eu votei Serra (parte II): Prefeito tucano de 64 anos é AGREDIDO pelo MST.

É, amigos... Parece mesmo que os fascistas estão em polvorosa depois da eleição da primeira terrorista para a Presidência da República. Vejam abaixo notícia publicada no site do Diário de São Paulo (íntegra aqui):

O prefeito de Borebi, Antônio Carlos Vaca (PSDB), de 64 anos, foi internado na noite deste domingo, dia 31 de outubro, na UTI do Hospital Unimed em Bauru com traumatismo craniano.

A assessoria do hospital informa que o prefeito passou por uma cirurgia para drenagem do hematoma e para estancar o sangramento. Apesar da gravidade, o estado de saúde do Antonio Carlos é estável e ele não está sedado.

Antônio Carlos teve o traumatismo após se desentender com manifestantes do MST que comemoravam a vitória de Dilma Rousseff na eleição para presidente. Antônio Carlos, que é do PSDB, começou a discutir com o grupo, quando foi empurrado e bateu a cabeça na guia da calçada.

O prefeito mora próximo ao local onde acontecia a comemoração e teria se incomodado com o barulho e as provocações do grupo. Outra versão diz que os petistas queriam retirar cartazes de José Serra (PSDB) que estavam na casa de Vaca.

Comento: Viram? Perceberam a gravidade da coisa? Atenção agora: não se trata de um evento "isolado"! De jeito nenhum! Querem ver? Pois bem, reparem na imagem abaixo:






Como se nota, a presidente eleita já endossou o movimento fascistóide comandado por João Pedro Stédile. Isso quer dizer que os arruaceiros criminosos que atacaram o prefeito de Borebi agem sob o manto do apoio moral fornecido pelo petismo e, mais precisamente, por Lula e Dilma.

Não se deixem enganar, meus caros. A coisa é bem mais grave do que parece... O prefeito - um senhor idoso! - foi agredido porque queria impedir que cartazes de José Serra fossem retirados de sua casa! Sim, isso mesmo! Ele foi agredido porque queria manter os cartazes na sua propriedade! Se algum progressista estiver disposto a explicar, com base na lógica, como isso se diferencia do fascismo, este blog está pronto para ouvir.
Percebo que no nefasto episódio é possível perceber duas características claras de movimentos totalitários e terroristas. A saber: 1) O ódio pelo adversário, que deve ser "extirpado" (lembram de Lula?). Só isso explicaria o desejo de arrancar os cartazes de Serra, candidato derrotado nas urnas ontem. Pois bem, para os fascistas do MST ele precisa sumir! Ser apagado da história. 2) O vilipêndio claro e incontroverso das liberdades e garantias individuais, caracterizado, primeiro, pela tentativa de avançar sobre a propriedade do prefeito. Não bastasse isso, ainda agrediram um indivíduo apenas porque este tentava proteger sua casa!

O fascismo está nas ruas! E tudo isso sem que tenha passado nem um dia desde a eleição de Dilma, a primeira terrorista escolhida para ocupar a Presidência da República. O que será das liberdades depois que ela tomar posse?

-----
P.S.: Essa série "Não me culpe, eu votei Serra" vai ser mesmo beeem longa...

Não me culpe, eu votei Serra (parte I): Equipe do CQC é ESPANCADA em Brasília. Começou cedo, heim?

Nunca escondi que tenho um lado claro e definido: defendo a democracia representativa, a liberdade individual, o Estado de direito, o livre mercado e a meritocracia. Exatamente por isso me oponho ao governo de Lula e do PT e me alinho, desde já com a oposição ao governo Dilma.

É, pois, lógico que não espero um bom governo por parte de Dilma. Na verdade, me aproximo muito da posição de Diogo Mainardi nessa questão: conto com Michel Temer pra evitar uma guinada desastrosa de volta ao radicalismo filosocialista do PT. Mas não tenho dúvida de que muitos e graves problemas surgirão. E quando isso acontecer, meus caros, não me culpem. Eu votei Serra! Aliás, a dilapidação da democracia começou cedo. Dilma estava eleita não havia nem 24 horas, e uma equipe do CQC foi ESPANCADA por militantes e seguranças do PT

E isso considerando que Dilma, em seu primeiro discurso depois de eleita, disse que preferia "o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras". Hum... Quando diz "barulho", suponho que se refira aos gritos de jornalistas sendo espancados, não é mesmo?

Mas é como dito acima: NÃO ME CULPE, EU VOTEI SERRA!

Que a oposição honre seus votos e faça... oposição!


Vejam ao lado o "retrato" do Brasil pós-eleição. A vitória de Dilma, de Lula e do PT é inequívoca. Mas o país está dividido.

A trincheira cavada ontem pelos milhões de eleitores que votaram em Serra dá à oposição condições materiais e políticas para resistir bravamente. PSDB e DEM, que deveriam ter sido destroçados por uma suposta "onda vermelha" que se abateria sobre o Brasil, estão muito fortes. Governarão juntos dez estados brasileiros, dentre os quais São Paulo e Minas, os mais importantes. Pode-se dizer isso de outra forma: metade dos brasileiros terão governos de oposição, e a maior parte do PIB, ou seja, o Brasil que produz, também terá governadores de oposição.

O principal, contudo, são as condições morais e ideológicas que a oposição passa a ter a partir de hoje. É preciso falar ao país, e as urnas deram a PSDB, DEM e PPS plenas condições de fazer isso. Agora, cumpre se comunicar de forma clara e objetiva antes de mais nada com o eleitorado que votou contra a candidata do PT. Em seguida, é preciso falar aos 20% de eleitores que deixaram de votar, e que poderiam, como é óbvio, ter mudado o resultado do pleito. Por fim, cabe falar inclusive aos eleitores de Dilma, de Lula e do PT, mostrando que há um projeto alternativo a este. Mas, repito: o principal é falar para a oposição e como oposição!

E dizer o quê? Bem, sugiro que se insista no processo de desconstrução de Dilma. A oposição perdeu em 2006 e 2010 porque foi cúmplice do fenômeno que levou ao surgimento do "mito Lula". Não pode e não deve repetir o erro com Dilma. Dilma não é Lula! Vou além: Dilma não terá a aprovação popular que Lula ostentou ao longo dos últimos oito anos. A oposição não tem desculpa para não se confrontar com o governo.

Uma boa idéia é explicar ao país que Dilma hoje é presidente apesar do seu passado, não graças a ele. Sim, é preciso desmistificar esse passado "guerrilheiro" de Dilma e chamar as coisas pelo nome: ela foi uma terrorista! Não foi? Bem, ela que mostre que defendia a democracia, então. Duvido que conseguiria...

Mas há mais a fazer. O PSDB e seus aliados precisam quebrar alguns paradigmas que vêm se mostrando danosos para a oposição. Em especial, é imperativo desmistificar as privatizações, falando ao Brasil e mostrando os ganhos que o processo de abertura da economia trouxe. Serra ensaiou fazer isso quando defendeu a privatização da telefonia, mas o fez de forma tímida. É preciso mais arrojo! Além disso, é urgente que a oposição fale para o Nordeste. Não importa se Lula e o PT continuarão vencendo naquela região. Mas é fundamental que a distância seja reduzida. Enquando o petismo beliscar 70% dos votos nordestinos, vai ser muito difícil derrotá-lo, afinal as vitórias em São Paulo e no Sul, apesar de importantes, se darão sempre por percentuais mais modestos, já que o PT tem entrada e história nessas zonas também.

Eu não convoco PSDB, DEM e PPS a serem irresponsáveis e destrutivos como o PT sempre foi. Longe disso! O que peço é coerência e honestidade: o mandato que a oposição recebeu ontem, nas urnas, foi, antes de qualquer outra coisa, uma ordem para fazer oposição a Dilma e ao PT. Que se faça isso! Depois de oito anos, tucanos e demais oposicionistas não podem mais cair no conto da "união nacional" e da "mão estendida", pois sabem que isso só vale para o PT quando se trata de aprovar a agenda do... PT! Foi Dilma que recebeu o bônus de ser governo. Deixem para ela também o ônus!

Se perderem novamente o timming de iniciar o confronto, sofrerão nova derrota daqui a quatro anos, fatalmente. Neste momento, pouco importa quem será o líder e o próximo candidato. Importa, isso sim, definir estratégias, programas, discurso e valores. Se tem uma coisa que ficou clara nesta eleição é que se a bandeira for "dar continuidade", o eleitor votará no candidato da situação. O que, convenhamos, é até óbvio. Uma oposição precisa oferecer diferenças, confronto e vigilância contínua. E se o misticismo em torna da "personagem Lula" oprimiu os oposicionistas nos últimos oito anos, essa desculpa não existirá a partir de agora. Repito: Dilma não é Lula! O atual presidente podia chorar sobre um passado de miséria, que contava a história do pobre que venceu e se tornou líder político. Já o passado de Dilma, qual é? Estaria o PT disposto a investir no "mito da guerrilheira"? Duvido! Vai que o Brasil descobre - sei lá... - civis mortos na ficha de Dilma. Isso não é comovente, como a história de Lula. É repugnante!

Enfim, é hora de mudar a estratégia. Está claro que o discurso apático dos últimos anos fez mal à oposição. É preciso, pois, que se faça mais confronto e mais embate. A continuidade, está claro, é oferecida pelo PT. Da oposição queremos ALTERNATIVAS! Mas alternativas a quê? Bem, ao mensalão, a Erenice, a Dirceu, a Sarney, a Maluf e a Collor. Querem mais? Ao aparelhamento da máquina, ao rebaixamento das instituições e ao assalto aos cofres públicos. Não é o bastante? A uma política que tornou o Brasil cúmplice moral de todos os ditadores do mundo, levando a bandeira brasileira a tremular ao lado da de nações onde mulheres são apedrejadas até a morte nas ruas. É para oferecer alternativas a isso que a oposição recebeu mais de 43 milhões de votos ontem. Só resta a ela uma alternativa: honrar o mandato recebido pelos eleitores.

-----
P.S.1: Teremos muito que escrever sobre os problemas da oposição, é claro. É grande a chance de que o PSDB passe, uma vez mais, os próximos quatro anos brigando pra ver quem acabará perdendo em 2014. É da natureza deles, fazer o quê? Eu acho até que talvez fosse hora de uma cartada surpreendente... Quem sabe apostando numa figura nova, e num discurso que encampasse mais a agenda liberal. Difícil? Bem, acredito que há espaço para esse discurso no Brasil, como falarei mais nos próximos dias. Mas vamos devagar. Uma coisa de cada vez.
P.S.2: A Folha e o Estadão anunciaram que usarão o termo "Presidente" para se referir a Dilma. Eu, por outro lado, continuarei a usar o termo "TERRORISTA".

Dilma chega à Presidência da República.

A certeza matemática que foi divulgada pelo TSE ainda ontem, por volta das oito da noite, chegou, na verdade, bem mais cedo. Quando os primeiros dados foram divulgados pela justiça eleitoral, quase 60% das urnas de todo país já haviam sido apuradas, a maioria das quais vinha das regiões Sul e Sudeste, principais fortalezas da oposição e de José Serra. Quando os dados chegaram mostrando Dilma entre qutro e cinco pontos percentuais à frente, estava claro que a derrota do lulo-petismo e a virada da oposição não aconteceria, afinal faltavam ainda boa parte dos votos vindos do Nordeste, reduto de Lula.

Dilma se tornou, assim, a primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil. Não que isso tenha sido uma conquista das mulheres. Longe disso. A vitória de Dilma se deve, principalmente, a Lula. A primeira mulher a governar o país chegou ao poder graças a um homem. Não vejo como algo assim possa elevar as mulheres como um todo. Antes, as diminui.

A petista é, por direito, presidente de todo o Brasil. Repito: de todo o Brasil! Isso não quer dizer, porém, que todos os brasileiros devam colocar de lado as divergências em nome dessa coisa algo abstrata chamada "unidade nacional". Não! Mais de 43 milhões de brasileiros se opuseram ao lulismo, ao petismo, a Dilma e a um projeto de poder caracterizado pelo assalto ao Estado e pela dilapidação da democracia. Não somos 3%. Somos 44%! QUASE METADE DO BRASIL!