quarta-feira, 30 de março de 2011

Cadê os "humanistas" e "pacifistas" da era Bush, que não fazem nada quanto à guerra de Obama?!

Já falei aqui sobre a ação militar na Líbia. Em que pese eu apoiar a idéia de deter Gaddafi e impedir que esse carniceiro continue matando seu povo, faço várias ressalvas à maneira como a operação vem sendo conduzida. Mas em última instância, sim: eu acho que o tirano deve mesmo ser abatido!

Eu não mudei, meus caros. Sigo sempre sendo norteado pelos mesmo valores morais aborrecidamente imutáveis. Apoiei a guerra no Iraque, assim como apóio aquela da Líbia. Quem mudou foram os "humanistas" e "pacifistas" da era Bush, afinal sumiram do mapa. Cadê as milhares de pessoas fazendo passeata pela paz em Nova Iorque, ou em Roma? Cadê o Michael Moore, que não fez ainda um documentário condenando a guerra do Presidente-de-ébano? Pois é, desapareceram! E olha que não faltam motivos pra criticar o sujeito...

Um dos motivos que me levou a bater pesado em Obama aqui, foi a ligeireza com que ele igualou as crises sociais de Egito e Líbia. Naquele país, tivemos, de fato, uma população civil levantando-se pacificamente contra um regime ditatorial. Nesta última, porém, o que se vê é um caso típico de guerra civil, onde facções opositoras ao governo de Gaddafi querem apenas substituir a tirania atual por outra.

"Então o louco não deveria ser deposto, porque seus adversários também não prestam?!" Que nada! Lembrem do que escrevi logo no início: sou a favor da ação militar, mas acho que ela deve ter por escopo garantir a pacificação social, não contribuir para que tiranos matem tiranos. Gaddafi, com seu regime de força, concorria para manter a Líbia longe da influência de Hezbollah e Al Qaeda, cujos braços em seu país sempre lhe fizeram oposição. São esses grupos terroristas que, hoje, estão na linha de frente da oposição ao general, e que, muito provavelmente, tomarão o poder quando ele for derrubado. Quem diz isso não sou eu, mas o próprio comando das operações militares.

Ora, a intervenção americana no Iraque levou anos até garantir um mínimo de paz social, e uma das razões foi exatamente a necessidade de garantir que, depois da queda de Saddan, seus adversários igualmente sanguinários não assumissem o poder. Não bastava abater um tirano: era necessário garantir que outros (quiçá piores...) não ocupassem o lugar. Muito diferente do que faz agora Obama, cujo governo admite até mesmo - pasmem! - ARMAR OS OPOSITORES de Gaddafi!

Vamos recapitular? Temos que Barack Obama, aquele que prometeu o fim da política externa unilateral, imperialista e violenta, decidiu: 1) entrar numa guerra sem sequer consultar o Congresso americano, coisa que nem Bush, o grande satã do mundo, ousou fazer; 2) ficar ao lado de milícias alimentadas pelo Hezbollah e pela Al Qaeda, dois dos maiores inimigos dos EUA e do Ocidente; 3) dar armas para os mesmos grupos terroristas que, há apenas dez anos, organizaram o maior ataque já feito em solo americano.

O bando de Osama Bin Laden sendo armado pelo sujeito que veio ao mundo para trazer a paz?! Acreditem, o armagedom não seria tão catastrófico... Não sou marqueteiro do Partido Republicano, mas acho que seria uma boa hora pra espalhar outdoors pelo país com a foto de Bush, seguida dos dizeres: "Miss me yet?"

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