sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"Vida longa e próspera" para Ives Gandra Martins.

Sabe aqueles dias em que você se depara com algo totalmente inesperado e surpreendente, que te deixa com o queixo caído? Então, aconteceu isso hoje comigo quando li o artigo de Ives Gandra Martins, possivelmente o maior tributarista do Brasil. Ele destroça sem piedade a tal "comissão da verdade", idealizada pelas esquerdas, construindo uma analogia espetacular com Star Trek - sim, aquela série de ficção bacanérrima! Ao texto:

Sou um admirador das séries de "Star Trek". Suas edições refletem muito a história da humanidade. Os Borgs são um povo de humanos robotizados e respondem a um comando central único, que pretende ""assimilar" todos os povos do universo. Assimilar é fazer com que pensem rigorosamente como eles e obedeçam como uma só unidade. Senão, são mortos. 

Os Borgs representam as ditaduras ideológicas, que não admitem contestação e que procuram dominar os povos, eliminando as oposições e as verdadeiras democracias. Se a 1ª Guerra Mundial foi um embate pela realocação de poderes na Europa, a 2ª Guerra já foi uma guerra entre as democracias e os regimes totalitários (alemão, italiano e russo, visto que, no início, Stálin apoiou Hitler na invasão à Polônia).
 
A vitória de princípios democráticos naquele conflito, que gerou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10/12/1948, nem por isso eliminou essa luta permanente entre ideologias totalitárias, que não admitem contestação e que continuam poluindo a convivência das nações e das democracias.

Rawls, em dois de seus livros, "Uma Teoria da Justiça" e "Direito e Democracia", mostra que a democracia só pode ser vivida se as teorias políticas não forem abrangentes em demasia e possam conviver, em suas diversidades, com outras maneiras de pensar. Teorias abrangentes provocam a eliminação dos opositores ou a "assimilação", no estilo dos Borgs da "Star Trek", daqueles que vivem sob seu jugo.  Estamos no início de um novo governo, tendo a presidente sinalizado, mais de uma vez, que quer fazer um governo de união, mas com respeito aos opositores. Não creio que a Comissão da Verdade venha auxiliar muito esse seu projeto, na medida em que, sobre relembrar fantasmas do passado e rememorar dolorosos momentos de história em que militares e guerrilheiros torturaram e mataram, tende a abrir feridas e a acirrar ânimos.

Como ex-conselheiro da seccional de São Paulo da OAB, durante seis anos no período de exceção, estou convencido de que com a arma da palavra fizemos muito mais pela redemocratização do que os guerrilheiros com suas armas, que, a meu ver, só atrasaram tal processo.  À evidência, sou favorável a que os historiadores -e não os políticos- examinem, pela perspectiva do tempo, o ocorrido naquele período, pois não são os políticos que contam a história, mas, sim, aqueles que se preparam para estudá-la e examinam-na sem preconceitos ou espírito de vingança.  Apoio, entretanto, o entendimento do ministro Nelson Jobim de que, se for instalada Comissão da Verdade, ela deve refletir o pensamento dos dois lados do conflito.

Tenho fundados receios de que uma pequena ala de radicais, a título de defender "direitos humanos" por um único e distorcido enfoque -e os vocábulos permitem uma flexibilização infinita para todos os gostos-, pretenderá "assimilar", à maneira dos Borgs na "Star Trek", todos os que não pensem da mesma maneira, transformando uma Comissão da Verdade em Comissão da Vingança.  Pessoalmente, como combati o regime de então -sofri em 1969, inclusive, pedido de confisco de meus bens e abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar), processos felizmente arquivados- e participei da Anistia Internacional, enquanto tinha um ramo no Brasil, por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a "ideologização" dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia, de 1979.  Que os historiadores imparciais -e não os ideólogos- contem a verdadeira história da época, pois são para isso os mais habilitados.

Nós oposição, eles oposicinha.

A vontade de escrever sobre essa "oposicinha" (copyright @gravz) é praticamente nenhuma. O pouco que ainda existe seria de bom grado empregado no esforço de redigir inúmeros impropérios, que, porém, não ficariam bem num blog de família como este... Isso sem mencionar que o Gravataí Merengue [que também é o @gravz, caso não saibam (como se alguém na internerds brasileira não soubesse disso...)] já escreveu dois textos (aqui e aqui) a respeito, com uma qualidade e um distanciamento que este vosso criado jamais conseguiria igualar (corram lá e leiam os textos dele, gente!).

De toda a bateção de cabeça promovida por PSDB e DEM desde que a eleição presidencial terminou, há duas coisas principais que me chamam a atenção. Primeiro, não consigo entender como a oposiçã... Ops! "Oposicinha" tenha decidido chutar para escanteio alguém que conseguiu mais de 44 milhões de votos! Sério, não entendo mesmo. Quase metade do país acreditou na candidatura de Serra, mas os partidos da coligação que o apoiou no pleito fazem questão de desconstruir a imagem dele. Não há lógica alguma nisso!

Percebam: não estou defendendo que Serra seja líder inconteste da oposiçã... Ops! "Oposicinha". Nem mesmo candidato a presidente mais uma vez. Ele poderia - e teria plenas condições de sê-lo -, mas não é esse o meu ponto agora. O que questiono é essa disposição que tucanos e democratas mostram de enterrar o ex-governador de São Paulo, como se ele representasse um peso nocivo. Representa um peso, sim! Mas é o peso de quase 45 milhões de votos!

O outro ponto que custo a entender é o estado permanente de conflito interno que caracteriza a "oposicinha" brasileira. A eleição de 2006 era perfeitamente "ganhável", mas foi perdida, dentre outros fatores, por conta das disputas internas. A de 2010 nem preciso lembram a vocês como foi. Basta analisar a votação que Serra teve em Minas, e compará-la com aquela recebida por Aécio Neves...

Agora a turma se prepara para 2014, "aprontando altas confusões, em clima de azaração". O ano nem começou e já criaram o "grupo dos aecistas", aqueles que estão unidos em torno do tal "Projeto Minas" - o que quer que tal estrovenga signifique. E todo e qualquer político que não seja considerado partidário desse tal projeto, passa a ser tratado como inimigo. Não pretendo entender mais de política do que sua Excelência o senador Aécio Neves, mas será mesmo que essa linha é a melhor? Como já disse Reinaldo Azevedo, construir um "Projeto Minas" é fácil. Difícil mesmo é construir um Projeto Brasil...

Vai ver quem tá certo é o Coronel, e o plano de Aécio já dê como certo perder em 2014, aproveitando a eleição só pra se fazer conhecido e pavimentar uma candidatura em 2018. Eis a oposiçã... Ops! "Oposicinha" brasileira: a turma está se preparando para perder, porque essa, segundo eles, seria a melhor opção. São uns gênios!

Enquanto isso, PSDB e DEM seguem falando em "respeitar" o governo Dilma, se negando a fazer qualquer tipo de oposição. E olhem que material não falta, não é mesmo? O que tucanos e democratas pensam sobre os passaportes diplomáticos dados à família de Lula? Ou sobre a mais nova reeleição de Sarney à Presidência do Senado? Ou sobre as ações do MST? Ou ainda sobre a tragédia do Rio de Janeiro?

"Mas você defende que a oposição faça política até mesmo em cima de uma tragédia?!" Eu? Eu, não! Quem defende isso é o PT, basta ver que as enchentes em São Paulo são sempre culpa da trinca Serra-Alckmin-Kassab, ao passo que os quase mil mortos que jazem sobre os pés de Sérgio Cabral, Lula e Dilma são meras fatalidades...

Eu não cobro que a oposição brasileira se comporte de acordo com meus desejos pessoais. Que nada! Perdi qualquer esperança de ver PSDB e DEM defendendo uma política minimamente liberalizante. Quero apenas que honrem os votos que receberam e, principalmente, que façam valer o dinheiro que recebem dos cofres públicos. Sim, amigos, é isso mesmo! Tucanos e democratas ganham uma grana preta do tal fundo partidário (financiado com dinheiro nosso, claro!) para atuar como partidos. Ora, considerando que o povo brasileiro os encarregou de ser oposição ao governo do PT, pode-se concluir que eles estão recebendo o pagamento, mas não estão prestando o serviço.

E assim as coisas seguem... Kassab com um pé e meio na base do governo (aliás, vai ser divertido ver os petistas apoiando a candidatura dele, em 2014...), Aécio sendo tratado como uma espécie de Messias, que seria conhecedor das verdades futuras, e as birras internas (verdadeiros arranca-rabos de classes) minando qualquer chance de unidade futura.

Desse jeito Lula nem precisa se preocupar em voltar. Até o poste dele dá conta sozinho...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O absurdo das pensões no Brasil.

Ai, ai... Esse Brasilzão velho de guerra não é mesmo fácil, heim? Descobri agora há pouco que a filha de um sujeito que governou Santa Catarina durante a República Velha recebe até hoje a pensão que herdou do pai.

Ah, não! Alto lá! Não é possível que isso esteja certo! Let's check it again: Hercília Catharina (o naipe do nome já mostra que a sujeita deve ser velha como uma múmia...), hoje com 89 anos (não falei!), recebe atualmente - segurem-se nas cadeiras! - quinze mil reais mensais dos cofres públicos! Por quê?! Porque o papai dela, um sujeito chamado Hercílio Luz (o pai se chama Hercílio e a filha Hercília. Haja criatividade, heim?!), governou Santa Catarina de 1889 a 1930.

Com quinze paus por mês dá pra viver de boa, né? Pois saibam que a "tia Hercília" nem precisaria dessa bufunfa toda, afinal ela é dona de um cartório. Percebem como a coisa toda se torna putaquepariusticamente absurda?! A displicência com que se gasta dinheiro público no Brasil é algo  espantosa! Arrisco-me a dizer que algo assim não acontece em nenhum outro lugar civilizado do mundo.

Agora, vamos sair da "zona de conforto" que é esculhambar a pensão paga à véia rica de Santa Catarina, e partir pra polêmica? Here we go!

Por que todos concordamos que a pensão paga à filha de um governador do século XIX é absurda, mas ninguém diz nada sobre o "direito à terra quilombola", garantido a um tetraneto de escravo?

"Vixe, cara! Lá vai você falar nesses assuntos delicados." Pois é, vou mesmo! Eu defendo um Estado pequeno, que gaste apenas o necessário e não seja perdulário. Isso deveria ser visto como algo responsável, mas no Brasil é chamado de "direitismo". Fazer o quê? Tô me lixando pra rótulos! No meu mundo ideal, governo nenhum seria autorizado a desperdiçar dinheiro pagando pensãozinha nojenta a uma velha, só porque ela foi filha de um cara que exerceu um cargo público em mil oitocentos e Dom Pedro. Isso é absurdo! É ultrajante! Na mesma esteira, acho que essa palhaçada chamada "direito às áreas de quilombo" também são uma afronta à lógica.

Podem me acusar de muitas coisas, mas não podem dizer que me falta coerência. Eu não sou contrário a uma pensão absurda. Sou contrário a todas as pensões absurdas! E, sim! Esses direitos ligados às tais áreas de quilombo ganham áres de pensão, no fim das contas. Basta notar que são benefícios que atingem apenas os descendentes de determinado grupo social, criando uma categoria diferente de cidadãos.

Por que diabos uma determinada porção de terra só pode pertencer a um grupo negro? Porque alguns séculos atrás os antepassados deles moravam lá? Ora, tenham paciência! Eu adoraria ver alguém demonstrar, com os dois pés no chão e a mente focada na lógica, como isso seria diferente de uma segregação racial.

Os dois institutos são só alguns exemplos de como o Brasil é intelectualmente atrasado. Serão necessários séculos ainda, antes que estepaiz possa chegar à Idade Média...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Frei Betto, um apaixonado por Fidel Castro, critica o "fascismo" americano.

Poucos intelequituais brasileiros são mais divertidos que Frei Betto. Esse senhor, um cubanófilo declarado, não encontra motivos para criticar a maior e mais duradoura tirania da América Latina, nem se sente na obrigação de condenar Fidel Castro, o maior assassino que já caminhou sobre as terras deste continente. Em vez disso, prefere desfilar seu "humanismo" num texto contra os Estados Unidos. Ele pede uns bons chutes nas fuças, e isso é algo que não se nega a ninguém. Ao trabalho!

Caldo de cultura é quando fico atado a um videogame treinando matar figuras virtuais. Segundo a Newsweek, o videogame mais vendido nos EUA em 2010 foi o Grand Thief Auto 3 (O grande roubo de carros 3).
Um baita jogaço, por sinal! Aliás, uma tristeza que aflige este vosso criado: eu não sou tão bom em GTA quanto gostaria... Preciso me esforçar ainda mais!

O jogador progride quanto mais crimes comete. Se o jogador rouba um carro e mata um pedestre, a polícia passa a persegui-lo. Se atira no policial, o FBI aparece. Se assassina o agente federal, os militares entram no caso... 
Insinuar que jogar GTA torna o sujeito um meliante compulsivo é, na melhor das hipóteses, uma asneira. Da mesma forma que não meu torno um craque do futebol simplesmente por arrebentar no Winning Eleven, também não preciso ser considerado um homicida em potencial só porque sento na frente do console pra dirigir um carro.

Caldo de cultura é quando meu irmão luta no Afeganistão, assim como meu pai fez no Iraque e meu avô no Vietnã. 
Ah, a tradição... Uma das maravilhas do povo americano, que falta - e muito! - aos brasileiros.

Caldo de cultura é, aos 23 anos, entrar numa loja e comprar, sem a menor burocracia, uma pistola Glock 9mm e um pente extra que me permite disparar 33 tiros seguidos sem precisar descarregar - como fez Jared Lee Loughner, em Tucson (Arizona), no sábado, 8/1, matando 6 pessoas, entre as quais o juiz federal John M. Roll, e ferindo gravemente várias, inclusive a deputada democrata Gabrielle Giffords. 
Betto pretende atribuir a tragédia do Arizona à facilidade com que se compra uma arma de fogo em algumas cidades americanas. Besteira! Simplesmente comprar uma arma não quer dizer nada, afinal uma Glock 9mm não mata ninguém, não é mesmo? É sempre preciso que apareça um lunático disposto a puxar o gatilho... A trapaça retórica de Betto é muito simples de ser evidenciada: ocorrem mais crimes violentos no Arizona, onde qualquer um compra legalmente uma pistola? Ou no Rio de Janeiro, onde há inúmeras restrições para se adquirir uma arma dentro da lei? A resposta óbvia nos leva à seguinte conclusão: o calhamaço legal do Brasil, que restringe a liberdade dos indivíduos de portar armas dentro da legalidade, não contribui para evitar os crimes. Pelo contrário: aqui eles são mais frequentes do que alhures. 

Os EUA estão num impasse. A eleição de um presidente negro com discurso progressista não foi digerida por amplos setores racistas e conservadores.
Sério?! Bem, vamos relembrar como foi a votação de Obama, shall we? O Cristo-de-ébano ganhou entre os negros e... entre os brancos! Cadê o racismo duzamericânu, seu Betto?! Dá pra trazer fundamentações concretas pra sua argumentação, ou vamos só ficar nos clichês antiamericanos de sempre?

O que deu origem ao mais recente caldo de cultura fascista -o Tea Party, liderado por Sarah Palin, ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidenta pelo Partido Republicano em 2008. 
E lá vamos nós... Os pogreçistas simplesmente não conseguem viver se não tiverem um Satã pra chamar de seu. Antes do advento de Obama, o Messias negro, o demônio encarnado era o tal jórji búxi, responsável por todos os males do mundo - da guerra no Iraque, ao rebaixamento do Corinthians; do aquecimento global, à eliminação do Flamengo da Libertadores... Agora, o posto de inimigo público número 1 dos "humanistas" é de Sarah Palin. Seu crime? Ser conservadora...

O movimento Tea Party situa-se à direita do Partido Republicano. Para seus adeptos, as liberdades individuais estão acima dos direitos coletivos.
Dizer mais o quê? TEA PARTY PRA GOVERNAR O MUNDO!!! Um movimento politicamente organizado defendendo que o indivíduo esteja acima de quaisquer coletivismos? I rest my case!

Embora muitos sejam contra a guerra, eles coincidem com os ultramontanos ao reprovar a união de homossexuais e a legalização de imigrantes, e defender a abstinência sexual como o melhor preservativo ao risco de aids.
E por que ser contra a união entre homossexuais, por exemplo, seria algo ruim? Trata-se de uma posição política, e o Tea Party tem direito a ela. Eu, de minha parte, não me oponho à união civil entre homossexuais, nem à imigração. Mas reconheço que é possível haver pensamentos diferentes a este respeito, e respeito o que o Tea Party acha. Isso se chama convivência democrática, mas é evidente que Frei Betto não entende nada disso, afinal ele apóia Cuba...
Agora um detalhe importante: a abstinência sexual é o melhor preservativo! E não é assim porque eu ou o Tea Party queremos. É assim porque assim são os fatos! Qual a melhor maneira de não morrer atropelado? Ora, não sair na rua! Qual a melhor maneira de não morrer num acidente de avião? Não entrar em um. E qual é a melhor maneira de não contrair AIDS? Bem, I rest my case de novo!
Percebam: não estou dizendo que essa é a solução, nem defendendo que as pessoas se tranquem em suas casas e abandonem as viagens aéres e o sexo. Só estou falando que pregar a abstinência e a monogamia deve, sim, ser considerado como uma das alternativas na luta contra a AIDS. Mas é claro que o pogreçismo não quer isso, afinal trata-se de algo muito "conservador e reacionário", não é mesmo?

Obama é uma decepção para muitos de seus eleitores. Nas eleições legislativas de novembro foi alta a abstenção entre jovens, negros e latinos que nele votaram. Não parece saber lidar com a crise econômica que afeta o país desde 2008. Muitos perderam suas casas devido ao estouro da bolha especulativa; 8,5 milhões de trabalhadores ficaram sem emprego e 8 milhões carecem de seguro-desemprego. O próprio governo admite que em 2012 a taxa de desemprego ultrapassará 8%. 
Então o cara tá fazendo tudo errado? Critica ele "di cum força", seu Betto! Não fica acanhado, nesse "mimimi" simplório. Entra logo de voadora na costela, igual na época do búxi, lembra?

Malgrado o Nobel da Paz, Obama não pôs fim às guerras no Iraque e no Afeganistão; não reduziu a ameaça terrorista; não avançou no quesito ambiental; não melhorou as relações com Cuba; não reformou o projeto de lei de imigração; e não tem segurança de que sua reforma da saúde será aceita pelo atual Congresso.

[Essa é a hora em que entra no palco o ex-Presidente americano, segurando um cartaz onde se lê: MISS ME YET?]

Hoje, os EUA estão mais à direita do que na eleição de Obama. No pleito de novembro, o Partido Republicano avançou 63 cadeiras. Agora, são 242 deputados republicanos e 193 democratas.

E só um idiota não teria previsto isso. A coisa toda chega a ser aborrecida, de tão óbvia: Obama ganha prometendo salvar o mundo (sim, ele fez isso! Disse até que "o nível dos mares pararia de subir"!!!), mas, evidentemente, não consegue. Aí os adversários dele crescem. É a mais pura lógica em ação.

Obama sente-se encurralado. Não ousa como Roosevelt nem inova como Kennedy.
Olha, cá entre nós, ainda bem! Ousar como Roosevelt - o Franklin - significaria endividar ainda mais a já combalida economia americana. Inovar como Kennedy significaria... bem, nada! No mais, porquanto seja evidente que não tenho lá muita simpatia por nenhum dos dois ex-Presidentes citados, é importante dizer que Obama não se assemelha a eles simplesmente porque não se compara a eles!

Já agradou os republicanos ao contrariar sua promessa de campanha e anunciar, a 6 de dezembro, a prorrogação dos privilégios tributários aos mais ricos, herança da era Bush. Deu um Papai-Noel de US$ 4 trilhões à elite usamericana.
Que estrovenga é a palavra "usamericana"?! A nova modinha do vocabulário pogreçista? Em vez de "estadunidense", agora falam "usamericana"? Francamente, essa turma é mesmo muito maluca!

E reduziu de 6,2% para 4,2% o imposto recolhido da folha de pagamento e destinado a financiar a Seguridade Social, agora com menos US$ 120 bilhões! 
Reduziu impostos? Esse Obama é esperto! Já, já recupera a popularidade perdida. Os americanos sabem que menos impostos é algo sempre salutar.

E o Senado, onde os democratas mantêm maioria, desaprovou, a 18 de dezembro, a legalização de 11 milhões de indocumentados que vivem nos EUA.
Ai, meu Jesus Cristinho! "Indocumentados"?! Essa novilíngua pogreçista não cansa de surpreender, heim?

A democracia fica ainda mais ameaçada desde que a Suprema Corte, há um ano, deu sinal verde para as grandes corporações financeiras abastecerem o caixa dois das campanhas eleitorais.
O que ele chama de grandes corporações abastecendo caixa 2, é, na verdade, um financiamento de campanha feito sem dinheiro público. Entendo que Frei Betto não goste disso, afinal ele é petista... Essa turma só quer o financiamento público, pra usar cada vez mais o nosso dinheiro em suas campanhas eleitorais - sem, é claro, deixar de recorrer ao caixa 2 por baixo dos panos...

Estima-se que nas eleições de novembro os republicanos angariaram US$ 190 milhões, e os democratas a metade.
De novo vemos apenas a boa e velha lógica em ação. Os Republicanos eram favoritos e estavam em alta, logo conseguiram mais doações. É assim em todo lugar do mundo, ou Frei Betto não sabe que Dilma foi quem mais recebeu dinheiro para a campanha eleitoral do ano que passou?

E a turma da privatização da saúde contribuiu com US$ 86,2 milhões para tentar boicotar a reforma proposta por Obama ao setor.
Ah, que inveja desses americanos... Lá eles têm uma "turma da privatização" agindo abertamente no mundo político, defendendo a redução do Estado. Como seria bom se no Brasil também houvesse algo parecido...

Em suma, o modelo usamericano de democracia é refém do dinheiro.


E olha esse "usamericano" maroto aí, de novo! Eu não consigo acreditar que alguém leia a sério um texto que contenha tais - como direi? - "neologismo...
A democracia americana é refém do dinheiro? É, sim! Que lástima, heim? Bom mesmo é a ditadura cubana, refém da falta de papel higiênico...

O novo Congresso vai bater forte na tecla de corte de gastos do governo.
E a minha inveja desses - como é mesmo que Betto diz? - "usamericanos" só aumenta...

Isso significa, num país em crise, reduzir os serviços sociais e multiplicar a exclusão social e a criminalidade.
É... Pouca exclusão social e quase nenhuma criminalidade a gente vê mesmo é no Brasil, onde não há corte de gastos, e o Estado aumenta a cada dia sua participação na vida econômica, não é mesmo, seu Betto?

Inclusive a dos fanáticos como Loughner, convictos de que as cabeças que não pensam como as deles merecem uma única coisa: bala.
De bala na cabeça esse Frei Betto entende! Basta lembrar que morre de amores por Fidel Castro e Che Guevara, dois dos maiores homicidas da história latinoamericana.

Ê, Amapá.... Que vergonha!

Vejam abaixo duas notinhas publicadas no Jornal A Gazeta, aqui de Macapá (cliquem nas imagens para ampliar):


Xeu vê se entendi: dois mil "empresários e políticos" do Amapá estariam sendo citados na Wikileaks por conta de "movimentação de dinheiro de origem suspeita"? VIXE! Parece algo muito sério... E é!

E o que dizer dos ilustres deputados que foram correndo atrás de habeas corpus preventivos? Hum... Essa Assembléia Legislativa do Amapá também não é de brincadeira! Não bastasse o fato de ter sido apanhada agasalhando (ops!) CATRAMELOS PLÁSTICOS, agora isso?! Tá feia a coisa...

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P.S.: E pensar que fui tão criticado sempre que apontei as mazelas daqui... Tadinhos dos que discordaram de mim. Não deve ser fácil perceber que quebraram a cara de forma tão arrebatadora.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Álvaro Dias, o Robin Hood brasileiro.

Já escrevi no passado, e repito agora: o ridículo da oposição brasileira é exatamente igual o do governo: não conhece qualquer limite.

Eu seria um estúpido se acreditasse que o senador Álvaro Dias, do PSDB, realmente pediu pra receber a aposentadoria paga aos ex-governadores do Paraná, apenas porque queria repassar a grana aos pobres. Trata-se de uma desculpa patética, que insulta a inteligência de todos.

"Poxa, mas ele apresentou recibos e tudo." É mesmo?! Ah, então a coisa muda de figura. Sabemos todos como é impossível conseguir recibos que não condizam com a realidade alegada, não é mesmo? Francamente...

É assim que a oposição brasileira pretende se "reerguer"? É assim que os tucanos pensam em se "refundar"? Sei lá, mas me parece o caminho errado... Em vez de correr atrás de mais dinheiro impresso pelo Estado, o senador Álvaro Dias deveria ter defendido a redução de custos tão esdrúxulos como essas pensões vergonhosas pagas a ex-governadores. Há casos em que o sujeito a pleiteia apenas por ter sido governador interino!

O resultado da última eleição presidencial deixou claro que quase metade do país não é simpática ao projeto de poder do PT. Essa foi a mensagem principal, mas há outras, mais subliminares. Por exemplo: há uma enorme parcela do eleitorado que pede - implora mesmo! - um Estado mais eficiente e menos perdulário. Isso não quer dizer acabar com os programas sociais, mas deixar de jogar dinheiro público fora em benesses pagas aos que ficam empoleirados na máquina pública. Essas pensões para ex-governadores são apenas um pequeno exemplo.

O PSDB e seus membros, em fez de empunhar de vez a bandeira de um Estado moderno, mais enxuto e menos gastador, prefere seguir a manada e mamar nas tetas da viúva. Claro! Se deu certo pro PT, por que não daria pra nós, devem pensar os tucanos...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Fé: minha coluna desta semana lá no Perspectiva Política.

Na coluna desta semana publicada lá no blog Perspectiva Política, do meu amigo Bruno Kazuhiro, trato da fé, essa estranha e incompreendida força capaz de nos levar além de toda lógica. O pano de fundo é a comovente história de Wellington e de seu filho Nicolas, que sobreviveram à tragédia da serra Fluminense por milagre - sim, acho que o termo é esse mesmo. Abaixo transcrevo apenas um trecho da coluna. A íntegra, caso interesse a vocês, está aqui.

"(...) Lembro-me de Chesterton: “quando o homem não acredita em Deus, ele acredita em qualquer coisa.” Perfeito! E é isso que me assusta… Muito mais que o tal obscurantismo imputado à Igreja Católica, por exemplo.

Ao se refugiar na fé, Wellington não o fez para ser passivo. Ele o fez para encontrar forças! Não se encolheu na terra e disse um “seja feita a Vossa vontade”, esperando pela morte. Em vez disso cravou as mãos na avalanche tenebrosa e decidiu defender a vida – dele e do filho pequeno. Defendeu a vida que ganhou de Deus, como aprendeu na sua fé. Então, que “seja feita a Vossa vontade”! E cavou…"

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O paradoxo do "faxineiro-burguês".

Eu não levo a sério o socialismo, simplesmente porque ele não tem a menor lógica. Sério! Experimentem apanhar as teorias dos socialistas, e tentar, racionalmente, aplicá-las na prática. É simplesmente impossível, e nem é necessário esfregar nas fuças dos amigos esquerdistas os 30 milhões de mortos do regime soviético, ou os 70 milhões de mortos da China Maoísta. Basta apresentar o sujeito àquilo que chamo de paradoxo do faxineiro-burguês. Vamos entender o que é isso, shall we?

Segundo o seu amigo socialista, todo trabalhador é "explorado", porquanto obrigado a vender sua força de trabalho em troca do "mínimo indispensável para sua subsistência". Na cabecinha deles, o patrão é sempre um explorador que se aproveita da mão-de-obra do empregado/explorado para levar vantagem - a tal da "mais-valia"...

Pois bem, considerando isso, imaginem um faxineiro contratado para limpar o chão de um McDonald's, sujo de maionese por famintos burguesinhos-fiilhos-de-papai-alienados-exploradores-e-de-olhos-azuis. Segundo o seu amigo socialista, o pobre faxineiro é um explorado, alguém cuja força de trabalho é garantia de lucro para ricaços donos de uma multinacional imperialista duzamericânu. Ele não vai querer saber se o faxineiro ganha seu salário certinho no fim do mês, porque esse salário será sempre apenas aquele "mínimo indispensável pra subsistência", enquanto que o patrão/explorador fica lá, nadando na banheira da "mais-valia". O amiguinho fã de Che Guevara também não quer saber se antes de ser faxineiro o sujeito era um indigentem que vivia muito pior, porque para ele aceitar a "condição de explorado" é sempre mais danoso. Também não adianta argumentar dizendo que o faxineiro está feliz com o emprego e com o salário, porque o amigo socialista dirá que isso é "alienação decorrente da opressão exercida pela classe dominante".

Esqueça tudo isso! Apresente ao sujeito o já mencionado paradoxo: o tal faxineiro do McDonald's é um burguês! Como?! Simples: se ele é explorado porque "vende seu trabalho em troca de algum dinheiro" - em vez de ser o dono da sua força de trabalho (aka: "meio de produção) -, ele também é um explorador quando gasta o salário. Explico.

Chega o final do mês e o faxineiro recebe aquele "mínimo indispensável para a subsistência" e abandona suas vestes de proletário explorado, partindo pra missão de explorar a geral. Ora, se o McDonald's é explorador quando contrata a força de trabalho do faxineiro, o faxineiro também é explorador quando vai na padaria e compra alguns pães, usando parte da grana que recebeu. Ou quando vai no bar e explora o português do balcão a fim de conseguir uma cachacinha. Ou, ainda, quando contrata aquele primo vagabundo que não arruma emprego em lugar nenhum pra limpar o quintal, só pra dar aquela força. Em todos os casos temos o faxineiro explorando a "força de trabalho" de outras pessoas, sempre em troca de algum dinheiro.

"Ah, mas é diferente!", gritará aquele amiguinho socialista. É? Como? Cadê a diferença? Ele responderá dizendo que quando o pobre faxineiro explorado compra uma caninha na esquina, ou paga alguém pra dar uma guaribada no quintal, há uma - atenção agora! - "troca voluntária".

Aí chega a hora de perguntar a ele: mas por que, então, não se pode considerar como sendo uma "troca voluntária" a relação empregatícia existente entre o faxineiro e o McDonald's, que fornece àquele a grana que ele precisa pra comprar pão, tomar uma cachaça e até dar uma força pro primo desocupado?

[Neste momento atente para a boca entreaberta do socialista, que estará louco da vida pra responder, mas completamente desprovido de qualquer argumento lógico. Não se surpreenda se ele partir pro caminho mais fácil, e sair dizendo que tudo isso é coisa que a "grande mídia" inventa pra enganar a "massa proletária explorada". Será o sinal de que você venceu a discussão.]

Pronto, está resolvida a questão. Com apenas algumas frases lógicas e objetivas, você destroçou por completo TODA a teoria marxista, e seu amigo socialista, se alguma inteligência tiver, já pode usar aqueles volumes todos de O Capital como pesos de papel. A sinuca de bico ideológica na qual você atirou o sujeito só deixa a ele dois caminhos:

A) Ele reconhece que estava falando besteira, e que o faxineiro não é explorado, mas apenas realiza uma troca voluntária do seu trabalho pelo salário, garantindo assim a grana do pão e da cachaça;

B) Ele teima que o faxineiro é explorado por um patrão burguês, e, por lógica, fica obrigado a admitir que o mesmo faxineiro, quando gasta o "mínimo indispensável para a subsistência" no boteco está, também, explorando outros.

Em qualquer um dos casos, as certezas do amigo socialista, adquiridas ao longo de anos de estupros mentais sofridos no ensino médio e na universidade, terão ruído sob o peso dos fatos e da lógica, e ele estará quase curado da sociopatia. Faltará apenas reconhecer que Fidel Castro é um vagabundo, que o mensalão existiu e que Cesare Battisti deveria ser devolvido às autoridades italianas.

A luta continua! Pelo fim da estupidificação geral das massas!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Emir Sader: o melhor exemplo do "intelequitual" brasileiro.

Emir Sader é um caso para ser estudado... Em nenhum outro país do mundo um sujeito capaz de cometer os estupros gramaticais que ele comete, seria lido a sério. Aqui, não apenas é lido, como também é considerado um dos maiores pensadores da atualidade. Não fica difícil de entender por que as universidades brasileiras são o que são...

Vejam abaixo um texto do sujeito, transcrito exatamente como no original. Sader é, sem dúvida, um sujeito unjido pelo Espírito Santo: ele se expressa em línguas estranhas.

O capitalismo passou por várias fases na sua história. Como reação à crise de 1929, fechou-se o período de hegemonia liberal, sucedido por aquele do predomínio do modelo keynesiano ou regulador. A crise deste levou ao renascimento do liberalismo, sob nova roupagem que, por isso, se auto denominou de neoliberalismo.

Pois é... O capitalismo traz em si mesmo o germe de sua salvação, como NÃO disse Karl Marx, ídolo-mor de Sader. Aliás, só essa micagem intelectual do marxismo já deveria ser suficiente para que os marxistas abandonassem essa "fé".

(...) A desregulamentação levou a uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao especulativo porque, livre de travas, o capital se dirigiu para o setor onde tem mais lucros, com maios liquidez e menos tributação: o setor financeiro.

Sader tenta aplicar uma voadora na lógica, confundindo "especulação" com "setor financeiro". Bobagem! Coisa de quem não sabe do que está falando. O setor financeiro lida com empresas as mais diversas, muitas das quais recorrem à bolsa a fim de captar recursos para fazer investimentos, não para especular. Não fosse a possibilidade de obter dinheiro para investir em pesquisas, a indústria farmacêutica não teria alcançados alguns dos antibióticos que permitiram à espécie humana chegar aos dias de hoje.

(...) É difícil para o capitalismo desembaraçar-se do neoliberalismo, etapa que marca o final de um ciclo desse sistema. A discussão que se coloca é de se o modelo chinês representa vida útil e inteligência mais além do neoliberalismo ou do capitalismo.

Olha o Sader se ajoelhando e pagando um pau monstruoso pra ditadura chinesa! Coisa linda esses pogreçistas! Tão nem aí se o país é uma tirania sanguinária. Se declarou de esquerda e contrária aozamericânu? Então eles gostam.

(...) O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia. (...)

É isso aí! E vou dizer mais: que bom viver numa sociedade mercantilizada, onde as coisas podem ser compradas. Complicado deve ser a vida em Cuba, onde coisas pequeno-burguesas como sabonete e papel higiênico não são vendidas... Eis a utopia de Sader: acabar com a sociedade de consumo, e passar a viver num mundo socialmente mais fraterno, onde as pessoas andarão nas ruas com as nádegas empapadas de dejetos corporais, e fedendo a suor velho.

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P.S.1: Eu sei que é complicado compreender esse "dialeto" próprio de Emir Sader, mas não me venham pedir pra traduzir a baguaça. Usem o Google Translate.

P.S.2: A íntegra do texto dele está publicada no portal Carta Maior, e pode ser acessada aqui.

P.S.3: Engraçada essa ideologia deles, né? Começa sempre prometendo a redenção da humanidade e um futuro glorioso, de fraternidade e igualdade, mas termina sem conseguir sequer fornecer material de higiêne pro povo... É que limpeza é coisa da burguesia, que atrasa a revolução, né?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nova regra para comentários no blog: escolha direito o seu insulto.

Nem sou fã de Paul Krugman, mas uma das frases que ele usou num post sobre a área de comentários do blog é simplesmente ES-PE-TA-CU-LAR! E será desavergonhadamente kibada por este escriba, passando a valer como regra aqui também:

"Get your insults right. There is, I believe, a fair bit of evidence against the hypothesis that I’m stupid. What you mean to say is that I’m evil."

Perfeito! Tá dado o recado. Você, amigo hater profissional, fica obrigado a empregar o insulto correto quando decidir abandonar a argumentação lógica e partir pro primitivismo, beleza? Um abraço!

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P.S.: Li sobre isso lá no Amiano Marcelino, o que torna minha kibada original uma sorte de crime continuado...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Defesa do terrorista Cesare Battisti reclama de "golpe de Estado". São uns cínicos!

Transcrevo abaixo a nota à imprensa divulgada por Luís Roberto Barroso, advogado do terrorista italiano Cesare Battisti, intercalada com alguns comentários meus.

A defesa de Cesare Battisti não tem interesse em discutir a decisão do Ministro Peluso pela imprensa mas, como é próprio, irá fazê-lo nos autos do processo, com o respeito devido e merecido.
Vamos ver se entendi: a defesa não tem interesse em discutir a decisão pela imprensa, preferindo - como é correto - fazê-lo nos autos. Ora, então a tal nota à imprensa deveria ser encerrada só com o parágrafo acima! Mas quê... Todos sabemos que eles querem, sim, discutir o assunto na imprensa, não é mesmo?  
 
A manifestação do eminente Ministro Peluso, no entanto, viola a decisão do próprio Supremo Tribunal Federal, o princípio da separação de poderes e o Estado democrático de direito. 
Blá, blá, blá... Mimimi... Qualquer um que tenha cursado direito sabe que a retórica empregada acima é usada sempre! Mesmo quando o cliente está errado e o julgado certo, a defesa parte pra esse papo.
 
O Excelentíssimo Senhor Presidente do STF votou vencido no tocante à competência do Presidente da República na matéria. Ainda uma vez, com o respeito devido e merecido, não pode, legitimamente, transformar sua posição pessoal em posição do Tribunal.
Epa! Aí a coisa se torna trapaça retórica, destinada a enganar os incautos. Cesar Peluso não tentou transformar sua posição pessoal em posição do Tribunal. O STF decidiu sobre a competência para aceitar - ou negar - o pedido de extradição do terrorista defendido por Roberto Barroso. Já o ministro Presidente do STF decidiu sobre a soltura imediada dele. O que diabos uma coisa tem a ver com a outra? Nada! Mas como quase ninguém entende o riscado, a defesa de Battisti tenta "ganhar no grito"...
 
Como qualquer observador poderá constatar da leitura dos votos, quatro Ministros do STF (Ministros Marco Aurélio, Carlos Ayres, Joaquim Barbosa e Carmen Lúcia) entenderam que o Presidente da República poderia decidir livremente. O quinto, Ministro Eros Grau, entendeu que, se o Presidente decidisse com base no art. 3, I, f, do Tratado, tal decisão não seria passível de revisão pelo Supremo. O Presidente da República fez exatamente o que lhe autorizou o Supremo Tribunal Federal, fundando-se em tal dispositivo e nas razões adiantadas pelo Ministro Grau. 
"Decidir livremente" é o escambau! Olha o douto senhor Roberto Barroso trapaceando de novo! O STF decidiu que Lula poderia decidir de acordo com o tratado de extradição. Livremente my ass!
 
A manifestação do Presidente do Supremo, sempre com o devido e merecido respeito (afirmação que é sincera e não meramente protocolar), constitui uma espécie de golpe de Estado, disfunção da qual o país acreditava já ter se libertado.
Ai, ai... Esses adevogados são uma graça, não é mesmo? Primeiro ele diz que respeita o Presidente do STF - fazendo questão de dizer que fala sinceramente! -, mas depois o acusa de praticar um... golpe de Estado! Vixe! Vamos lá, senhor Roberto Barroso: cadê o golpe? Deixe de lado a linguagemrebuscadapraencherlinguiça e aponte fatos, pra variar. Em que a decisão do ministro Cesar Peluso ameaçou a ordem democrática? Ou as liberdades e garantias individuais? A construção acima feita pelo advogado de Battisti é tão ridícula quanto inútil. Só serve mesmo como embaixadinhas pra torcida pogreçista que se formou no Brasil a favor do terrorista.
 
Não está em jogo o acerto ou desacerto político da decisão do Presidente da República, mas sua competência para praticá-la.
Segundo a mente torta de Roberto Barroso, se o Presidente decide, todo o resto do país se curva. Eu suponho que ele não levantaria objeção alguma a um decreto presidencial que - sei lá... - decidisse pelo fechamento do Congresso... Afinal, "não está em jogo o acerto ou desacerto político da decisão", não é mesmo?
 
Trata-se de ato de soberania, praticado pela autoridade constitucionalmente competente, que está sendo descumprido e, pior que tudo, diante de manifestações em tom impróprio e ofensivo da República italiana.
Vamos ver direito isso: a República democrática italiana processou e condenou, segundo as regras do due process of law (NR: devido processo legal, caso o ilustre causídico não saiba...), Cesare Battisti, um assassino. O Brasil, por declarada afinidade ideológica com o criminoso cliente de Roberto Barroso, decidiu oferecer abrigo a Battisti. Mais que isso: pessoas do governo brasileiro declararam várias vezes duvidar do regime democrático italiano, insinuando que Battisti seria "perseguido" se voltasse para lá. Isso é golpe! Isso é ato aberto de hostilidade.
 
De mais a mais, as declarações das autoridades italianas após a decisão do Presidente Lula, as passeatas e as sugestões publicadas na imprensa de que Cesare Battisti deveria ser seqüestrado no Brasil e levado à força para a Itália, apenas confirmam o acerto da decisão presidencial.
Num texto de tão poucos parágrafos, inúmeras trapaças retóricas. Que coisa feia, seu Roberto Barroso! Quem insinuou que Battisti deveria ser sequestrado no Brasil?! Onde está escrito isso?! Percebo que o ilustre adevogado tem passado muito tempo junto com seu cliente...
 
Em uma democracia, deve-se respeitar as decisões judiciais e presidenciais, mesmo quando não se concorde com elas.
Perfeito! Brilhante! Isso quer dizer que Vossa Senhoria vai instruir seu cliente a se entregar para a democracia italiana, a fim de finalmente respeitar a decisão judicial prolatada contra ele? Ou é só mais uma firula redacional vazia, como todo o raciocínio exposto nesta nota ridícula?

Rápidas notas sobre a tragédia.

1) Curioso que quando a chuva cai em São Paulo, a culpa é da trinca Serra, Alckmin e Kassab (este último apenas por mais alguns meses, pois quando estiver no PMDB a coisa será diferente...), mas quando desaba o mundo no Rio de Janeiro, o culpado seja sempre São Pedro...

2) Aliás, curioso também como o PIG (aka = Partido da Imprensa Governista), tão serelepe quando se trata de "cobrar responsabilidade e ação" dos governos PSDB e DEM - o que é muito correto, diga-se -, não demora nadica de nada a ficar num luto silencioso quando a desgraça acontece em lugares governados pela base aliada.

3) Dica esperta pra Dilma e pro governo do PT: mandem pro Rio de Janeiro a ajuda que negaram a Santa Catarina, em 2009. 

4) Aliás, cadê aqueles "humanistas" do progressismo? Onde estão aqueles valentes defensores dos direitozumanos, que não falam uma vírgula sobre a catástrofe do Rio, responsável pela morte de mais de 500 pessoas? Ah, já sei! São mortos sem pedigree, né? Eles só se ocupam das "vítimas" ideologicamente engajadas...

5) Por falar em progressistas, ainda não apareceu nenhum "humanista da cureta" usando a tragédia fluminense como justificativa para a liberação do aborto? Até imagino como seria o raciocínio dessa turma: "Se nascer menas gente, vai morrer menas gente nos deslizamentos de terra".

6) Outra coisa que falta no meu checklist: os fiéis da Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias ainda não "subiram nos escombros" para apontar seus "little green fingers" na cara do capitalismo, da sociedade de consumo, dos conservadores e da elitebrancadeolhosazuis. Ceis já foram mais rápidos em matéria de explorar tragédias, ecochatos!

7) Nem se iludam. Rapidinho surgirá algum progressista sugerindo uma solução públicagratuitaedequalidade pra tragédia do Rio. Talvez a estatização da lama, de modo que ela não possa deslizar sem que haja uma lei regulamentando o processo.

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P.S.: E, não! Eu não estou fazendo chacota com uma tragédia. Quem fez isso foi Sérgio Cabral, que, um ano depois da catástrofe ocorrida em Niterói, esqueceu que as chuvas costumam trazer o caos para as grandes cidades brasileira neste período do ano, e foi dar um rolé pela Europa.

Leitura indicada: Sol Moras.

O Sol Moras escreveu dois posts ES-PE-TA-CU-LA-RES dando umas belas traulitadas em Noam Chomsky e Emir Sader. Vou transcrever abaixo só alguns trechos, mas vocês tem de prometer que vão até o blog dele, ler tudo na íntegra, beleza? Então lá vai:


(...) "A natureza das sociedades contemporâneas é capitalista. Estão assentadas na separação entre o capital e a força de trabalho, com aquela explorando a esta, para a acumulação de capital." Por que o capital é separado do trabalho? O capital é o resultado - se tudo der certo - do trabalho, o capital não surgiu do éter pra "explorar" os trabalhadores.
(...) "Para que fosse possível, o capitalismo precisou que os meios de produção –na sua origem, basicamente a terra – e a força de trabalho, pudessem sem compradas e vendidas. Daí a luta inicial pela transformação da terra em mercadoria, livrando-a do tipo de propriedade feudal." Ainda bem que a propriedade privada acabou com o feudalismo, não? (...) "E o fim da escravidão, para que a força de trabalho pudesse ser comprada." Contabilizando aqui: o capitalismo acabou então com o feudalismo e com a escravidão. Continue, por favor.
(...) "O capitalista remunera o trabalhador pelo que ele precisa para sobreviver – o mínimo indispensável à sobrevivência -, mas retira da sua força de trabalho o que ele consegue, isto é, conforme sua produtividade, que não está relacionada com o salário pago, que atende àquele critério da reprodução simples da força de trabalho, para que o trabalhador continue em condições de produzir riqueza para o capitalista." Essa é boa, o "capitalista" é tão malvado que paga ao trabalhador apenas e tão somente o "mínimo necessário pra que ele sobreviva" e possa então ser "explorado" ad infinitum. Mas como se calcula esse "mínimo necessário"? Um Bolsa-Família? 540 reais? 1.000 reais? E as pessoas que, como o Emir, ganham mais do que isso, também recebem apenas o "mínimo necessário"? Ou isso varia de pessoa pra pessoa?

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(...) "Na década de 20, os trabalhadores americanos não tinham nem uma fração dos direitos dos trabalhadores europeus, mas tinham muito mais bens. É um país muito livre, mas extremamente opressivo." Eis a vaibe de um partido como o PSOL, que juntou socialismo e liberdade sem medo de ser feliz. Os EUA, segundo o Chomsky, são "um país muito livre, mas extremamente opressivo". Tem como explicar isso ou a contradição virou uma forma válida de argumentação? O fato dos trabalhadores europeus terem um monte de "direitos" no papel não garante - como ele mesmo admite - esses direitos; frases (leis) num livro (constituição) não garantem automaticamente uma "vida digna a todos" nem que haja muita "vontade política" (imposição). Sorry, a culpa não é minha e nem sua. Tem também a discussão de como seria essa "vida digna a todos", mas vamos em frente. "Porque o governo federal é a única força suficientemente forte para enfrentar os interesses das corporações." Não, o governo federal é a única força suficientemente forte pra se aliar de maneira simbiótica com as corporações amigas pra impedir o funcionamento livre do mercado.
(...) "O governo Reagan, por exemplo, informou à comunidade de business que não iria seguir as leis e deixou claro para as corporações que elas podiam demitir trabalhadores e não precisavam cumprir as leis." Quando o Chomsky ficar insatisfeito com o serviço da sua diarista, ele vai pedir licença pro Obama pra demiti-la? É o pensamento da caneta mágica: se houver uma lei determinando que ninguém pode ser demitido, o desemprego desaparecerá. Cuba tentou essa fórmula e foi esse sucesso todo que o Fidel hoje em dia reconhece. "Essa é uma sociedade dirigida pelo business e boa parte do business são instituições totalitárias." A Coca-Cola é "totalitária" em que sentido? Como é que o McDonald's oprime o cidadão? (...)

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P.S.: Lembrem do nosso acordo e corram lá pro blog do Sol Moras!

Macaquismo bolivariano: Brasil impede navio britânico de aportar em território nacional.

Da Folha Online (íntegra aqui):

O governo argentino considerou uma prova de "irmandade" o fato de o Brasil ter impedido um navio britânico vindo das ilhas Malvinas de fazer escala no porto do Rio de Janeiro neste mês.
O chanceler do país, Hector Timerman, falou nesta quarta-feira pela primeira vez sobre o assunto, após o governo brasileiro ter confirmado à Folha que barrou a embarcação britânica HMS Clyde por razões "políticas e diplomáticas". O episódio ocorreu no início de janeiro.
"Essa medida mostra nossa relação tão próxima com o Brasil. É parte dessa construção que temos realizado de aliança estratégica e de irmandade, que é demonstrada não só pelo comércio, mas também por meio deste reconhecimento da soberania [argentina nas ilhas Malvinas]", disse o chanceler em entrevista a uma rádio local. (...)

Comento: Eis o resumo perfeito da política externa brasileira adotada no governo do PT. Gostam de se mostrar "altivos" - o correto seria desrespeitosos... - diante das grandes democracias do mundo, mas nunca deixam de se prostar diante de qualquer republiqueta caudilhesca do terceiro mundo. Uma lástima!

As Falklands - este é o nome correto! - estão sob controle do Reino Unido porque foram defendidas da sanha de um governo ditatorial argentino, em 1982. Os generais da ditadura "hermana" decidiram, de inopinado, tomar aquele território, e colocaram seu bloco totalitário na rua. As Forças Armadas da democracia britânica, por sua vez, defenderam o lugar. E aplicaram uma surra retumbante nos macaquitos bolivarianos.
Na questão das Falklands, tem-se um embate muito claro e bem definido: a democracia e a civilidade do ocidente, contra o primitivismo e o totalitarismo da ditadura argentina. O PT - claro! - escolheu o lado das trevas. Não surpreende, afinal é o partido que apóia Mugabe, Kadafi, Ahmadinejad, Kim Jong-Il, Chávez e Castro.

Eu, como não poderia deixar de ser, escolho o outro lado. VIVA O EXÉRCITO DA COROA BRITÂNICA! GOD SAVE THE QUEEN!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Alguns comentários sobre a prova do vestibular da Universidade Federal do Amapá.

Encontrei na internet a prova discursiva aplicada na segunda fase do vestibular da Universidade Federal do Amapá. Triste... Além de apresentar um nível absurdamente baixo, com questões primárias, o conteúdo da prova também vem recheado de dirigismos ideológicos, quase que "forçando" o aluno a se expressar como um progressista. Vejam abaixo, por exemplo, um print da prova de redação (clique na imagem para ampliar):


Notem o destaque em vermelho feito por mim, bem ao final da imagem. Um dos textos apresentados pela Unifap aos vestibulandos foi publicado no portal "Vermelho". E daí? Bem, pra quem não sabe, trata-se de "uma página mantida e gerida pela Associação Vermelho, entidade sem fins lucrativos, em convênio com o Partido Comunista do Brasil - PCdoB" (vejam aqui).

"Ah, então uma prova de vestibular não pode apresentar aos estudantes textos partidários?", podem perguntar alguns. Ora, claro que pode! Meu problema não é que o texto seja originário de um portal declaradamente ligado ao PCdoB. Meu problema é que tal informação seja omitida! E é impossível negar que isso faz muita diferença, afinal uma opinião partidária será sempre o reflexo de um projeto político de poder.

Há mais coisas curiosas. Vejam, por exemplo, uma das perguntas da prova de geografia:


Só o tal - vá lá... - "poema" já rende material suficiente para um tratado acerca do primitivismo argumentativo de certo pensamento brasileiro. Isso para não mencionar que chamar o que vai acima de "poema" só pode ser uma licença poética... Mas deixemos de lado a aparência do negócio, e cuidemos do conteúdo:

Atentem para o final do "poema", onde o autor indaga: "Quem não trabaia na roça / Que diabo é que qué com terra?" Bem, a resposta é mais simples do que se imagina: talvez produzir grãos em larga escala, para levar comida aos supermercados brasileiros; ou para manter a balança comercial brasileira superavitária...

Dizer que só pode ter terra quem "trabaia na roça" é um conceito, na melhor das hipóteses, primitivo... Por que impedir que tenham terra também os que produzem e geram empregos na "roça"?

Notem ainda o trecho destacado em vermelho, na última linha: "Cite e explique uma política governamental relacionada ao desenvolvimento da Reforma Agrária no Brasil." O que a Unifap quer? Selecionar os alunos intelectualmente mais preparados, ou aqueles que melhor conhecem os programas do governo do PT? Percebam que a prova em momento nenhum abre espaço para que o vestibulando critique a tal política governamental. Os elaboradores das questões foram bem objetivos: "Cite e explique".

Sou só eu, ou mais alguém acha que seria muito mais produtivo instigar o aluno a discorrer sobre o que ele pensa acerca da reforma agrária? Quiçá indo além e rompendo o senso comum, deixando-o discorrer acerca da efetiva necessidade dela... Assim se fazem debates acadêmicos sérios, abertos a realmente todas as visões. Não exigindo que tenha sido lida a cartilha do PT.

Ainda na prova de geografia, encontra-se o seguinte:

Novamente o estudante é direcionado. Uma vez mais lhe são postos antolhos, para evitar que ele ouse escapar do "pensamento padrão". Percebam que a questão é muito clara: a construção de barragens "poderá trazer consequências desastrosas". Sim, claro que poderá! Qualquer empreendimento poderá sempre levar a isso, ora. Mas também poderá trazer consequências boas, não é mesmo?

"Ah, mas você está defendendo a depredação ambiental!" Uma ova! Estou é dizendo que uma universidade deve sempre fomentar o debate acadêmico, não cerceá-lo! Uma questão de tal natureza, relacionada a uma obra de tamanha envergadura, deve ser tratada com hoestidade intelectual, pondo-se na mesa todos os pontos, não apenas os negativos. O debate franco é preterido à doutrinação e ao dirigismo. E depois não se entende por que o nível das universidades brasileiras é tão baixo...

Enquanto o verdadeiro debate acadêmico for evitado no Brasil, apresentando-se apenas as linhas de discussão que agradam ao establishment universitário - majoritariamente influenciado pelo pensamento progressista -, não será possível esperar amadurecimento intelectual verdadeiro na elite da sociedade.
Não é sem motivo que o Brasil nunca viu um prêmio Nobel. Nem parece próximo de ver... Para se ganhar um Nobel, é preciso produzir conhecimento. E isso não se consegue tendo uma formação direcionada eminentemente para a doutrinação, não para o verdadeiro aprendizado.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Jair Bolsonaro e um texto que envergonha toda a espécie humana - uma crítica públicagratuitaedequalidade feita por um reacionário.

Eu não entendo, sinceramente, por que tanta gente considera o deputado Jair Bolsonaro um ícone da "direita liberal". Aliás, entendo: isso é decorrente da completa falta de compreensão que o Brasil tem das teorias políticas clássicas. Aqui, ainda estamos naquela fase da história em que qualquer um que se diga contra o comunismo soviético é imediatamente chamado de "reacionário"...

Bolsonaro é tão liberal quanto eu sou japonês. O discurso rançoso dele contra as esquerdas em geral, não tem o condão de transformá-lo em representante da direita, principalmente porque a direita não tem representantes. Os liberais acreditam no indivíduo, não em construções abstratas destinadas a representá-los. Isso de falar em nome de uma catiguria, aliás, é bem mais típico do progressismo.

Vejam abaixo um artigo que Bolsonaro escreveu e que foi publicado na Folha de São Paulo de hoje. A coisa é tão caricata, que chega a parecer uma pegadinha. Não quando se trata de Bolsonaro, o sujeito que já defendeu - a sério! - dar uns tapas num filho que se demonstrasse homossexual. As palavras dele serão intercaladas com comentários meus, para que vocês tenham uma exata noção da quantidade abissal de asneiras ali escritas. Ao trabalho!

Os militares só conseguem manter a hierarquia e a disciplina porque a verdade está para eles como a fé está para os cristãos.

Trata-se de uma boçalidade, nada além disso. Aliás, uma boçalidade muito perigosa, afinal esse mesmo discurso é entoado pelos terroristas do fascismo ilâmico, que invocam sua "fé" para justificar as monstruosidades que praticam.

A mentira e a traição fazem parte da vida política brasileira, em que os vitoriosos se intitulam espertos, pois, afinal, dessa forma estarão sempre no poder.

Não sei ao certo o que diabos ele pretendia dizer com isso, mas não custa lembrar ao deputado que os militares infelizmente também fazem parte da "vida política brasileira". O golpe de 64 - E, sim! Tratou-se de um GOLPE mesmo! - levou os militares ao posto mais alto do poder político nacional. Eles não são uma sorte de "salvadores outsiders". São mais uma página da vida política nacional. Uma página muito triste, diga-se.

A esquerda no Brasil chegou ao poder pelo voto, graças aos militares que impediram em 1964 a implantação de uma ditadura do proletariado.

Vixe! Eis que o negócio começa a ficar encrespado... Ninguém - nem esquerda, nem centro, nem direita, nem porcaria nenhuma - chegou ao poder "graças aos militares". Quem venceu legitimamente eleições no Brasil pós-ditadura, o fez apesar dos militares. As Forças Armadas impediram o surgimento de um regime comunista no Brasil? Pode ser... Não há dúvida de que o baguncismo instalado por João Goulart estava provocando uma ebulição na extrema esquerda brasileira, mas é - e sempre será - impossível dizer o que teria acontecido, pois o "se" não existe na história. De resto, não sei qual o objetivo de Bolsonaro ao escrever o período acima... Ele quer dizer que a esquerda deve agradecimento aos militares? Ou quer dizer que os militares devem desculpas ao Brasil? Eu achava que a principal desgraça causada pela ditadura militar havia sido a... ditadura militar! Agora Bolsonaro diz que ela é responsável também pelo sucesso do PT! Meu Deus! Essa turma da farda só fez besteira, então!

Os perdedores, nos anos subsequentes, financiados pelo ditador Fidel Castro, partiram para a luta armada, aterrorizando a todos com suas ações, que ainda fazem inveja ao crime dito organizado dos dias atuais.

Financiados por Fidel Castro? O sujeito em cujo país não há carne, leite, sabonete nem papel higiênico?! Ah, faça-me o favor... Nem o mais tresloucado comunista acredita que Castro conseguiu mandar dinheiro cubano pros radicalóides brasileiros. A turma da extrema esquerda partiu pra luta armada? Sim! Aterrorizaram muita gente? Sim! Fazem inveja aos bandidos comuns? Muita (principalmente porque ganham pensões gordas do erário...)! Mas esses foram os militantes da - repito - extrema esquerda. Não os "perdedores" citados por Bolsonaro, porque quem o golpe militar de 64 derrotou não foram os esquerdistas, mas todos os homens e mulheres livres do Brasil. Perdedores foram a democracia e as liberdades individuais! Bolsonaro vai deixando claro a cada linha que entende muito pouco acerca do regime democrático...

Foram 20 anos de ordem e de progresso.

Eita! Temos certeza que Bolsonaro não estava sob efeito de alguma substância entorpecente?! Vinte anos de ordem e progresso?! Senhor deputado, NENHUM REGIME TOTALITÁRIO REPRESENTA PROGRESSO! Quando um país se vê durante duas décadas sem liberdades individuais as mais basilares, é impossível falar em qualquer tipo de progresso! O Brasil experimentou 20 anos de VERGONHA e RETROCESSO! Nenhuma tirania é justificável, não importa as desculpas que levaram ao surgimento dela. Ordem? É possível... Até a Alemanha nazista viva em "ordem"... Mas progresso, nunca! A frase acima é uma VERGONHA para toda a espécie humana! E deixa claro que Bolsonaro não representa nada sequer parecido com o liberalismo, inimigo feroz de todos os regimes tirânicos. O deputado só fala em nome dele mesmo - e das vozes que por ventura ouça dentro de sua cachola...

Os guerrilheiros do Araguaia foram vencidos, evitando-se que hoje, a exemplo da Colômbia, tivéssemos organizações como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) atuando no coração do Brasil.

Sim, os guerrilheiros do Araguaia foram vencidos. Não, eles jamais seriam uma espécie de FARC brasileira, mesmo porque não tinham pedigree para tanto. Bolsonaro novamente recorre a uma trapaça retórica muito comum em discursos tresloucados como o feito por ele nesse artigo: aponta o mal representado pelo inimigo, para justifica o mal endossado por ele. Lixo! Uma linha de argumentação tão primitiva só poderia se prestar a defender uma idéia igualmente primitiva.

O nosso povo vivenciou sequestros de autoridades estrangeiras e de avião, dezenas de justiçamentos, tortura, execuções como a do adido inglês e a do tenente da Força Pública de São Paulo no Vale do Ribeira, bombas no aeroporto de Recife e carro-bomba no QG do 1º Exército, respectivamente com mortes de um almirante e de um recruta, latrocínios, roubos etc. O regime, dito de força, negociou e foi além das expectativas dos derrotados ao propor anistia até mesmo para crimes de terrorismo praticados pela esquerda.

Sim, a esquerda radical praticou todas as atrocidades descritas acima por Bolsonaro. Isso não é segredo, nem ilação. É fato histórico! Já cansei de escrever aqui: a extrema esquerda brasileira, que promoveu a luta armada contra o regime militar, é tão hedionda quanto a ditadura que pretendia combater. Entre esquerdistas revolucionários e militares golpistas, não há mocinhos. São ambos vilões! Ambos algozes da democracia. Na guerrilha deles, quem perdeu foi a sociedade livre e a democracia. Nenhum dos lados merece defesa ou justificação. VÃO AMBOS PARA A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA! Eu defendo de forma radical o indivíduo e suas liberdades fundamentais, por isso condeno com igual veemência a esquerda extrema, e o regime militar. Por isso digo que Bolsonaro escreveu um artigo que é a síntese do pensamento mais simiesco que pode haver, na busca desenfreada por emprestar arrimo moral para o mal em estado puro. Finalizo este ponto com uma observação: quer dizer que o regime militar "negociou e foi além das expectativas" ao propor a Lei da Anistia? Ora, conversa fiada! Os militares não propuseram a anistia porque queriam ser bonzinhos com os terroristas da esquerda, mas porque queriam proteger seus torturadores e seus assassinos! Repito: NÃO HÁ MOCINHOS NESSE CONFRONTO! E não são as trapaças redacionais de Bolsonaro que mudarão os fatos históricos.

Agora, no poder, eles querem escrever a história sob sua ótica, de olhos vendados para a verdade.

Atentem para isso: acima começa o único parágrafo correto do artigo de bolsonaro. A tal "Comissão da Verdade" idealizada pelo governo do PT pretende, de fato, apresentar uma "versão própria" para fatos históricos. Essa coisa de punir criminosos e limpar a história é conversa fiada! Quisessem fazer algo a sério, cuidariam de apurar TODOS os crimes cometidos entre 64 e 84, INCLUSIVE AQUELES PRATICADOS PELA EXTREMA ESQUERDA! Essa conversa de punir um lado só - o lado que é inimigo deles - é apenas outro golpe, nada mais. Note-se bem: eu não sou contra que os crimes cometidos durante a ditadura militar sejam punidos. Eu sou contra é que apenas PARTE deles o seja! Querem colocar atrás das grades dos militares que torturaram e mataram ao longo de 20 anos? Eu apóio! Mas exijo que os terroristas da esquerda também sejam punidos - começando por aqueles que estão aboletados do Palácio do Planalto atualmente. Comigo é assim: não tenho bandidos de estimação, nem justifico qualquer um dos lados do terror. Quem faz isso é Bolsonaro, ao justificar uma ditadura. Ou Dilma, Lula, Franklin Martins e demais petistas, ao justificar o terrorismo das esquerdas.

Projeto do Executivo, ora em tramitação na Câmara, cria a dita Comissão da Verdade, composta por sete membros, todos a serem indicados pela presidente da República, logo ela, uma das atrizes principais dos grupos armados daquele período, que inclusive foi saudada pelo então demissionário ministro José Dirceu como "companheira em armas". Ninguém pode acreditar na imparcialidade dessa comissão, que não admite a participação de integrantes dos Clubes Naval, Militar e da Aeronáutica. Essa é a democracia dos "companheiros". Ainda pelo projeto, apurar-se-iam apenas crimes de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres, não tratando de sequestros, atentados a bomba, latrocínios, recebimento de moeda estrangeira de Cuba, sequestro de avião e justiçamentos.

O deputado nada mais fez do que resumir como funcionaria a tal "Comissão da Verdade". E, sim! A ser isntituída da forma como está no projeto, estaríamos diante de um tribunal de exceção das esquerdas, destinados apenas a caçar algumas bruxas. Repito o que já afirmei antes: querem caçar bruxas? Ótimo! MAS QUE SE VÁ ATRÁS DE TODAS!
 
É notório que a esquerda quer passar para a história como a grande vítima que lutou pelo Estado democrático atual, invertendo completamente o papel dos militares, que, em 1964, por exigência da imprensa, da Igreja Católica, de empresários, de agricultores e de mulheres nas ruas intervieram para que nosso país não se transformasse, à época, em mais um satélite da União Soviética.

Sim, a esquerda radical, de fato, tenta se mostrar como uma grande defensora da democracia. E isso não só no Brasil, mas no mundo todo. E isso a despeito das provas incontroversas de que lutou ao longo de toda a sua história para sabotar as liberdades, não para promovê-las. Mas daí a dizer que os militares só agiram porque "empurrados" pelo povo? Aí é demais! Aí entramos no terreno da desonestidade intelectual mais rasteira. Vejam: é impossível negar que o golpe militar teve, sim, a simpatia de alguns grupos sociais, dentre os quais estão várias camadas populares. Essa história de que as Forças Armadas atendiam os interesses dos "ricos", enquanto os "pobres" eram defendidos pela esquerda radical é mentira! Muita gente normal saiu às ruas para saudar o golpe. Até gente que hoje se senta confortavelmente no colo do lulo-petismo, como Elio Gaspari, por exemplo. Mas isso foi uma reação. Clamor prévio pela entrada em cena do Exército? Ah, isso é piada! E, mais: o que mudaria, caso fosse verdade? Nada! Hitler teve apoio popular, nem por isso estava certo... Quem disse, aliás, que "o povo" está sempre do lado certo? Costumo dizer que a democracia é tão importante, que precisa ser defendida de tudo. Até do povo. Novamente Bolsonaro se mostra desesperado na busca de justitificar o insjustificável.

Os militares sempre estiveram prontos para quaisquer chamamentos da nação, quando ameaçada, e, se a verdade real é o que eles querem, as Forças Armadas não se furtarão, mais uma vez, a apoiar a democracia.

Opa! Olha a trapaça retórica aí, mais uma vez! Como assim, "mais uma vez, apoiar a democracia"?! Isso faz supor que ao dar um golpe contra a ordem democrática, as Forças Armadas estivessem apoiando a... democracia! Mas é um paradoxo inacreditável! Bolsonaro se mostra exatamente igual a Emir Sader e demais radicalóides da esquerda, ambos revindicando o título de "defensores da democracia", quando, em última análise, defendem aquilo que a aniquila.

Se hoje nos acusam de graves violações de direitos humanos no passado, por que não começarmos a apurar os fatos que levaram ao sequestro, à tortura e à execução do então prefeito Celso Daniel em Santo André?

Ah, a língua inglesa tem uma ótima expressão para definir o que pretende o deputado Bolsonaro com a construção acima. Blackmail! Notem que não resta qualquer dúvida: Bolsonaro se vê ameaçado pelas investigações do tribunal esquerdista de caça às bruxas, e responde como? Ameaçando-os com os esqueletos que eles mesmos têm em seus armários. Patético... Em essência, pode-se reescrever o que vai acima mais ou menos assim: "Se não nos acusarem de graves violações no passado, não começaremos a apurar o caso Celso Daniel"... Lixo! Como dito, ele e os extremistas da esquerda nada mais são que duas faces da mesma moeda: a moeda do totalitarismo que avilta a democracia e as liberdades! Eu remarei uma vez mais contra as duas correntes: por que não apuramos TUDO? Se é mesmo o caso de "resgatar o passado" e "limpar a história", que ela seja limpa de todos os cadáveres, não só apenas daqueles produzidos por um lado...

Ou será que, pela causa, tudo continua sendo válido, até mesmo não extraditar o assassino italiano Cesare Battisti por temer o que ele possa revelar sobre seu passado com terroristas brasileiros hoje no poder?

Olha, se tem alguém que entende dessa coisa de "pela causa tudo é válido", esse alguém é Bolsonaro. Afinal, foi ele que, ao longo de todo esse artigo lastimável, nada mais fez que produzir contorcionismos retóricos os mais ridículos a fim de justificar uma tirania. Esse senhor não pode ser tomado como representante de nada! Quanto menos dos liberais, que seriam os primeiros a chutar-lhe o traseiro, como sempre fizeram ao longo da história com todos aqueles que tentaram encontrar argumentos para defender o assalto à democracia e às liberdades individuais.

E pensar que há quem escarneça de um Tiririca...