segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ALEGRIA PLENA.

A chuva que caiu incessantemente ao longo da última sexta-feira, parecia querer ecoar o pranto e a tristeza de toda a nossa família. Naquele dia, em meio a um frio que penetrava até os ossos e fustigava a alma, fomos levados, contra toda e qualquer vontade, a nos despedir da nossa princesinha Letícia. Minha sobrinha linda, com apenas um mês de vida, deixou de ser mais uma criança destinada a crescer junto com os priminhos. Em vez disso, Letícia agora é uma pequena anjinha. Nossa pequena anjinha...

A doença, repentina e fulminante, que roubou a vida da nossa lindinha, nada pôde fazer contra a beleza angelical dela. Foi forte o bastante pra machucar demais aquela pequenina pessoa, mas foi-se embora sem sequer macular nossa anjinha, até o fim deitada em repouso singelo; alva como uma pradaria coberta pela neve numa manhã de inverno, parecendo prestes a abrir aqueles olhinhos expressivos e chorar, pedindo pelo nosso colo.

E agora quem precisa do colo dela somos nós. Somos nós os frágeis e desprotegidos, que sentimos necessidade de abraçar, acalentar, acarinhar. Mesmo sabendo que ela estará para sempre com cada um de nós, guardadinha num lugar só dela, entre o coração e alma, não é fácil aceitar que ela teve de ir. Nunca será fácil... A tristeza, esta mejera, está sempre espreitando, tentando nos empurrar para um canto; para um chorro contínuo e profundo. Mas então eu lembro da nossa Letícia. Da nossa, "ALEGRIA PLENA".

Nem toda a confusão de sentimentos, nem a incerteza ou o temor que se abateram sobre nós nestes dias, conseguiram me fazer esquecer que a nossa anjinha, com seu nome lindo a gritar "alegria plena" para todos os lados, é e será sempre motivo de felicidade.

É essa "alegria plena" que brota de dentro da Josiana, mãe dessa pequenina, e faz emanar uma serenidade algo pacificadora. Ela consola a todos nós com um sorriso lindo que, embora marcado por um sofrimendo dilacerante, deixa transparecer desde agora aquela força própria da certeza que só o amor verdadeiro nos dá.

É essa mesma "alegria plena" que conseguiu encher de forças o pai, Daniel, para que ele carregasse nossa anjinha no colo até o fim; naquele colo protetor que é e sempre será o lugarzinho dela.

A saudade e a dor vão estar sempre presentes, companheiras indesejáveis que são e chegam sem pedir licença. Mas o espaço delas será sempre pequeno; cada vez menor. Se é verdade que chegam rápido e machucam, também é certo que são derrotadas por todas as lembranças maravilhosas da nossa pequena. Da nossa "alegria plena".

De repente, fica fácil entender como Letícia cativou tanta gente em tão pouco tempo. Pessoas que nunca a tinham visto, torceram, rezaram, se comoveram. Aliás, foi algo muito maior que isso: gente que não conhece pessoalmente nenhuma pessoa da família foi solidária desde o primeiro momento. Terão sido a tristeza e o drama capazes de arrebatar tantos, na esperança de ver Letícia ficar bem? Não! Isso só pode ser fruto dessa "alegria plena", que emanou da nossa anjinha e foi aquecer o coração de pais, tios, avós, familiares e amigos - conhecidos e desconhecidos.

O amor que ela irradiou até o fim. Que vai irradiar para todo o sempre. Esse amor que continuou a emanar dela mesmo depois que o último suspiro já havia fugido, e que aqueceu nossos corações sofridos naquela sexta-feira chuvosa que nunca sairá das nossas mentes.

Percebo, assim, que não eram os pais que tentavam confortar e aquecer a nossa princesinha, segurando-lhe as mãozinhas pequenas e banhando-a, de quando em vez, com lágrimas apaixonadas. Era ela, a nossa anjinha, quem segurava e acalentava eles, transmitindo amor e "alegria plena".

E agora é reaprender a viver. Não há que se falar em "retomar a rotina", porque nossa rotina precisaria da presença dela para estar completa. Na verdade, agora precisamos todos aprender a construir uma nova rotina. Saber conviver com a saudade dos poucos mas maravilhosos dias em que nossa anjinha esteve conosco, acompanhada da estranha saudade daquilo que nem vivemos junto dela. Levar adiante a vida um dia de cada vez, ensinando aos priminhos que ela já tem, e aos que certamente virão, que todos agora temos uma anjinha linda; uma estrelinha brilhante apacentando nossos corações.

Letícia nunca será motivo para tristeza. Letícia será sempre e só alegria. A nossa alegria. A alegria de todos os amigos que se apaixonaram por ela, mesmo sem jamais tê-la visto pessoalmente. A nossa "ALEGRIA PLENA"!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A exceção que deveria ser regra.

Leiam o que vai abaixo, tirado daqui.

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa.

Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.

Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.

“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.

Comento: Sabem por que o Brasil não passa dessa republiqueta bananeira e pedestre? Porque políticos como Reguffe são a exceção, não a regra.

Mais uma da "OPOSICINHA" brasileira.

De repente me pego com vontade de escrever mais um pouco sobre a vergonha que é essa "OPOSICINHA" brasileira, mas aí leio os jornais e percebo que nenhum texto poderia ilustrar melhor o ridículo sem limites dessa gente baixa e mesquinha, do que aquilo que eles próprios fazem.

O que dizer, por exemplo, do presidente do DEM, Rodrigo Maia, ávido por derramar publicamente seu amor pelas ações do governo Dilma? Vai ver ele acha que garantir um governo confortável para a petista pode ajudar a pavimentar o sucesso do tal "Plano Minas", que culminaria com a chegada de Aécio Neves, "o belo", o Planalto... Só isso para explicar tamanha subserviência, tamanha genuflexão voluntária (copyright Veneno Veludo), diante de Dilma primeira, a ex-terrorista. Nenhum governista chegou perto de demonstrar o entusiasmo que Maia exalou ao falar dos cortes orçamentários promovidos pela petista. Pelo contrário, até! José Dirceu fez foi criticar a medida!

E assim a política brasileira segue inventando jabuticabas onde a oposição dona de 45 milhões de votos se transforma numa rastejante "oposicinha", pronta para cair de quatro diante do governo, ao mesmo tempo em que petistas os mais ilustres elaboram críticas - suaves, diga-se - às políticas do governo comandado pelo... PT!

Leram Gramsci? Tudo no partido, pelo partido, para o partido. E nada fora do partido. Nem a oposição! Por isso Dirceu faz as vezes de crítico, afinal só são admitidas as críticas feitas pelo partido. Só essas são "boas e construtivas".

Entendem agora minha preguiça de falar sobre a política brasileira? Cadê essa eleição americana de 2012 que não chega logo, meu Deus?!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vai uma pensãozinha "públicagratuitaedequalidade aí"?

Eu imagino a galerinha da esquerda radical, lá nos idos das décadas de 60 e 70, se reunindo numa sala escura, com as paredes adornadas pelas fotos de Che Guevara, Fidel Castro e Lênin, combinando algo mais ou menos assim: "Vumbora tentar derrubar o regime. Se a gente conseguir, vamos ter um governo socialista e mandamos os reaças tudo proparedão, que nem o companheiro Fidel fez. Se não conseguir, a gente espera a ditadura acabar e pede indenização pro Estado."

Poucos investimentos no Brasil se mostraram tão rentáveis ao longo da história, do que os feitos por essa turma socialista/comunista, que passou um bom tempo "aprontando altas confusões e tentando derrubar o regime militar em clima de azaração."* Se os radicais de esquerda tivessem conseguido vencer a ditadura, o resultado seria o mesmo alcançado na União Soviética, na China maoísta ou no Camboja: morte, miséria e terror. Como não conseguiram, resolveram cobrar uma graninha esperta da Viúva. Mas por que eles deveriam ser "indenizados"?

Nenhuma - nenhuma mesmo! - pessoa que militou em movimentos revolucionários de esquerda durante o regime militar defendia o sistema de liberdades individuais e a democracia. Se defendia, estava no lugar errado, sinto dizer. Estou errado? Pois desafio qualquer um a demonstrar, com base em fatos, isso! O que os movimentos socialistas e comunistas pregavam era a substituição de um regime totalitário por outro. Em resumo, queriam dar um solene bypass na democracia e no Estado de direito. Por que diabos, então, a sociedade democrática deveria ser grata a eles?

"Poxa, mas eles chegaram a pegar em armas pra enfrentar os militares!" Sim! Assim como os soviéticos pegaram em armas contra os nazistas. Isso quer dizer que eu deveria ser grato a Stalin? Com os diabos! O sistema de liberdades individuais não deve reconhecimento algum a gente que teria, de bom grado, exterminado a democracia - que os ideólogos deles chamam de "invenção burguesa". Pagar pensões gordas e vitalícias, então, é algo ultrajante! Na prática, temos o Estado de direito democrático dizendo algo como "tá certo, eu sei que vocês queriam implantar uma ditadura aqui, mas vou dar uma grana pra vocês mesmo assim."

O que um político do PT, por exemplo, fez para merecer indenização paga pelo Estado? Trata-se de um partido que nasceu da costela de movimentos radicais da extrema esquerda, cujos líderes ainda hoje têm as mãos sujas pelo sangue de inocentes. Caso não lembrem, o compromisso do PT com a democracia é tamanho, que o partido se negou a subscrever a Constituição de 1988 - essa mesma que permitiu a Lula e Dilma chegar à Presidência... -, alegando que se tratava de um "documento burguês". O que a liberdade conquistada com o fim da ditadura militar deve a esse tipo de gente? Nada! Absolutamente nada!

Se os militares da ditadura não têm direito a indenizações pagas pelo Estado hoje em dia, por que diabos os esquerdistas têm?! Ambos os grupos nunca lutaram pela democracia, mas pelo direito de implementar no país seu próprio regime de terror! E que se note bem: não estou defendendo que se pague um centavo sequer aos militares. Cobro é que se pare de jogar dinheiro público fora, engordando os bolsos de gente cujo ideal maior era dinamitar os pilares do sistema de liberdades individuais.

Quem lutou pela democracia no Brasil foi gente como Tancredo, Ulysses, Montoro e Covas, não arruaceiros como Dirceu, Genoíno, Dilma, Ziraldo e tantos outros, de menor expressão - mas igual gula por uma indenizaçãozinha públicagratuitaedequalidade. Aqueles, não raro, caem no esquecimento, ao passo que estes agora ditam as regras, aboletados no poder e corroendo por dentro as instituições da democracia que sempre sonharam em dinamitar.

Assim é o Brasil, um país onde o Estado é chamado a explorar o cidadão comum, sobrecarregando-o de impostos os mais escorchantes, a fim de premiar com gordas indenizações aqueles que se notabilizaram por investir contra as liberdades individuais. País do futuro? Mas quê! Ainda não chegamos nem ao nível de civilidade institucional que havia na Grécia antiga...

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* Pra quem não lembrou, trata-se do bordão usado pelo cara que apresenta os filmes da "Sessão da Tarde, na Rede Globo. Podem reparar: ele usa sempre aquela expressão.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A (nova) eleição de Sarney ajuda a entender o marasmo da política brasileira.

E eis que Sarney foi novamente eleito para presidir o Senado. Ele não "desejava o encargo", tadinho... Mas como um valente filho da p... pátria, desses que "não foge à luta", aceitou. Dizer o quê? Ele também tem que fazer uns sacrifícios de vez em quando, né? Da mesma forma que todos os leitores do país não desejavam ver os livros desse sujeito publicados, mas tiveram de aceitar tal realidade, o bigodudo mais famoso desta republiqueta bananeira também se imolou em sacrifício.

Pessoalmente, já desisti de entender de onde vem essa sobrevida política interminável de Sarney. Para ser mais claro, penso exatamente como Millôr Fernandes: Sarney deveria sofrer impeachment só por ter escrito aquele horror chamado "Brejal dos guajás", um apanhado literário tão rasteiro, que faz Bruna Surfistinha (uma puta escritora!) parecer Jane Austen. Mas divago...

Que Sarney pretenda se manter no centro do poder, década após década, é absolutamente compreensível. Os irmãos Castro também querem. Kadafi também quer. Mubarak, lá no Egito, está tentando de tudo pra conseguir permanecer aboletado no poder, também. É da natureza deles, ora. A pergunta é: como conseguem?

Os irmãos cubanos, o líbio e o egípcio partiram pro jeito mais fácil: controle das Forças Armadas + golpe de Estado + matança geral de opositores = poder eterno. Mas e Sarney? O maranhense, tão querido em sua terra natal que precisou do Amapá para se eleger senador, ganhou da "indesejada das gentes" a Presidência da República, esteve ao lado de Collor, participou de uns dois terços do governo FHC e terminou caindo nas graças do lulo-petismo, ao declarar apoio ao apedeuta, em 2002. É um homem de valores; de princípios. Tem tantos, que sempre encontra um capaz de se adequar ao governo de plantão...

Depois de ter sido chamado de "bandido" por Lula e pelo PT, formou com a turma da estrelinha uma - para citar Dilma - simbiose perfeita, capaz de fazer frente à combinação Eddye Brock + parasita alien, que deu origem ao Venom.

O sujeito capaz de escrever um livro narrando as - como direi? - "peripécias" de uma prostituta cujos "mamilos excitavam até os cães" (ECA!), chegou à presidência do Senado contando com o apoio escancarado do governo Lula, e foi reconduzido, hoje, na condição de preferido de Dilma e do PT.

Aliás, não pensem que a união entre petistas e Sarney é coisa estratégica; de momento. Que nada! É coisa sincera, do tipo "PT e Sarney, a amizade nem mesmo a força do tempo poderá apagar. Amor verdadeiro!" Aqui no Amapá, por exemplo, é conhecido o episódio no qual o maranhense foi recebido na cidade pela cumpanherada da estrelinha aos gritos de "Sarney, guerreiro, do povo brasileiro!" Se isso não é prova de amor, meus caros, o que mais seria?

Na vitória de hoje, Sarney conquistou 70 votos. Pode comemorar a adesão em massa do PT, cujos senadores "fecharam questão" em torno do nome dele. Eis aí o grande legado do pogreçismo brasileiro: ter sido responsável por bancar a sobrevida política de Sarney. Guarde essa informação, amigo reacionário, e esfregue-a na cara daquele amigo esquerdista públicogratuitoedequalidade quando ele começar com a cantilena de que "o PT veio pra romper cá zelites".

O mais curioso, contudo, foi o fato de Sarney ter contado com a maioria esmagadora (senão com a totalidade...) dos votos de PSDB e DEM. O ridículo da política brasileira é tão gigantesco, que os dois principais partidos de oposição ajudaram a eleger o candidato escolhido pelo... governo! É fascinante! Desafio alguém a me apontar um único país civilizado do mundo onde algo semelhante tenha ocorrido.

Já imaginaram nos Estados Unidos o líder dos Republicanos dizendo que o partido dará seus votos ao escolhido de Obama, afinal o importante seria fazer uma "oposição responsável"? Ou então os Trabalhistas britânicos fechando questão em torno do candidato conservador porque, afinal, seria necessário uma "oposição propositiva"? Pois é, é impossível algo assim lá por aqueles lados...

"Poxa, mas será que eles não estão errados ao ser tão radicais? Não é mesmo importante uma oposição responsável?" É... Vai ver o primeiro mundo está mesmo errado, e certo está o Brasil. Por isso eles vivem na miséria, estudam em escolas vagabundas e nunca ganharam um prêmio Nobel, ao passo que esta vigorosa República... OH, WAIT!

PSDB e DEM tinham a obrigação moral de NÃO VOTAR EM SARNEY! Pouco importa se tivessem escolhido o candidato do PSOL, ou preferido votar em branco, nulo, ou ainda se abster. O importante era marcar posição e de forma clara honrar os mais de 44 milhões de votos que receberam em 2010.

A política brasileira não mergulhou num abismo porque o país é governado por uma ex-terrorista, eleita por um partido que emprestou apoio moral a todos os facínoras do mundo. O problema de fundo é muito mais grave. É de valores morais.

A classe política nacional - com algumas honrosas exceções - mostra que perdeu em algum lugar do passado aquele filtro formado a partir dos princípios civilizacionais mais básicos, que permitiu ao homem se erguer sobre os membros posteriores e evoluir. A noção do que é "certo" e do que é "errado" ficou pra trás, esmagada por interesses os mais escusos.

Neste dia sombrio em que mais um mandato de Sarney se inicia, sem que o escândalo dos atos secretos tenha sido esclarecido, ou que tenha sido derrubada a censura imposta ao jornal "O Estado de São Paulo", a culpa maior é da oposição brasileira. Como dito por Churchill no passado, "entre a guerra e a desonra, eles escolheram a desonra".