quinta-feira, 31 de março de 2011

Dilma e a batalha árdua contra a língua portuguesa.

Dilma Rousseff é, sem sombra de dúvidas, uma pessoa ungida pelo Espírito Santo. Digo isso porque ela "fala em línguas estranhas", recorrendo a um amontoado de palavras que se assemelha, apenas ligeiramente, ao português. A inculta e bela, quando espancada por Sua Excelência, torna-se apenas inculta...

Vi no blog do Reinaldo Azevedo alguns trechos de uma entrevista que ela concedeu ao jornalista português Souza Tavares. Have fun!

Sobre os mortos e desaparecidos na época do regime militar:
"Sousa Tavares - O que [a senhora] vai fazer, se é que vai fazer alguma coisa, com relação aos arquivos desse tempo [da ditadura], que estarão guardados aqui a apodrecer em Brasília. Os arquivos onde se julga poder encontrar o destino, o que aconteceu aos 500 brasileiros, mortos sem sepultura, cujas famílias não sabem quando é que morreram, onde, onde é que estão?
Dilma - A Comissão da Verdade, que é a proposta que nós mandamos ao Congresso, ela tem por objetivo resgatar uma coisa que é algo fundamental, qual seja: o direito sagrado de as pessoas enterrarem seus mortos. Enterrar não é um ato físico apenas. Muitas vezes, enterrar é um gesto simbólico, psicológico, moral e ético. Então essas milhões… Milhões não é… centenas de pessoas e algumas milhares que tiveram seus filhos mortos, elas têm todo o direito de enterrá-los, dessa cerimônia. E o estado deve a elas uma explicação”.

Bom, pelo menos ela percebeu rápido que não eram milhões, né? O que diabos terá ela pretendido dizer com a expressão "centenas de pessoas e algumas milhares"? Mas essa nem é a melhor parte.

Sobre o Brasil daqui a 20 anos:
“Eu acredito que o Brasil será um dos países melhores de se viver. Eu imagino um país de renda média. Um país que tem essa capacidade imensa e essa plasticidade. Que tem uma cultura que permite que ele seja um país que olhe com muita alegria a vida, mas também que olhe com uma certa desconfiança as imposições. Acho que será um país de pessoas com uma formação educacional e cultural que torne seus valores éticos, seus valores, sua ética, sua vontade de mudar algo permanente. Um país que não se imobilizará e, portanto, jamais será decadente e, por isso, um país capaz de enfrentar os desafios daqui a 20 anos que nós não sabemos quais são. Mas, sobretudo, um país que sabe que país rico é um país onde não tem pobreza. Não há riqueza material onde metade da população negra vai pra prisão.

Se algum petista, esquerdista, lulista ou dilmista quiser explicar o que raios ela pretendeu dizer com "Um país que tem essa capacidade imensa e essa plasticidade", a caixa de comentários tá aí pra isso mesmo...

A outra passagem destacada, onde ela afirma que metade dos negros do Brasil está na prisão (!!!), está muito clara pra mim: Dilma, coitada, não sabe conferir...

Eu me deparo com esse tipo de assombro e lembro dos petistas, na época da campanha eleitoral, se gabando porque Dilma seria "intelectualmente preparada" e "tecnicamente competente"... Ô, se é!

Agora, o mais hilário! Atentem para o seguinte diálogo que Dilma travou com o jornalista (Level bonus: tentem não rir!):

Sousa Tavares - Para isso será preciso tomar medidas duras. Dizem que a senhora tem mau feitio, coisa que eu só lamento que não seja mais muito feito na política.
Dilma - [ar um tanto espantado] O quê?
Sousa Tavares - Ter mau feitio! Acho que, às vezes, é preciso ter mau feitio.
Dilma - [ainda sem entender nada, sorri, na esperança de que ele dê uma pista] Mau feitio, rá, rá, rá…
Sousa Tavares [achando que está sendo compreendido, não dá pista nenhuma] - Acha que esse mau feitio pode lhe dar melhor força nas medidas duras que vai precisar de impor?
Dilma [finalmente, ela se rende] - É que eu não sei direito o que significa mau feitio… Porque não tem essa expressão no uso…
Sousa Tavares [tentando explicar] - Mau feitio é um feitio complicado, difícil, que é muito dura nas negociações com as pessoas…
Dilma - Ah, entendi! Mau feitio, para nós, sabe o que é que significa?
Souza Tavares - Não!
Dilma - Uma roupa malfeita, mal cortada, sabe, ocê… Uma casa [da blusa] aqui assim, a outra aqui assim…

[Sem condições de escrever mais. Estou digitando essas poucas palavras do chão, onde caí em meio a um acesso convulsivo de gargalhadas. "Mal feitio"?! PUTAQUEOPARIU, HAHAHAHAHAHAHA!]

quarta-feira, 30 de março de 2011

"Movimentos sociais" apresentam a proposta de reforma política mais FASCISTA da história!

Sempre que coletividades acéfalas e abstratas como "movimentos sociais" e "sociedade civil" se juntam para apresentar suas idéias, meu estado de alerta é elevado ao nível máximo. A história está aí para nos lembrar que os grupos de pressão acostumados a agir em nome do "povo", quando em ação, causam mais mal do que bem. "Não haveria totalitarismo se não fossem as massas e suas rebeliões", aprendi com Ortega y Gasset.

Hoje os tais movimentos sociais apresentaram sua proposta para a reforma política. É coisa que faria Mussolini dar um tapa na própria testa, dizendo: "Putaqueopariu, como foi que não pensei nisso antes?!" Vejam, por exemplo, alguns dos pontos mais - como chamarei? - escabrosos:

1) Financiamento público exclusivo de campanhas com  voto de legenda em listas partidárias preordenadas,  com alternância de sexo e observância de critérios étnico/raciais, geracionais e  de orientação sexual;
2) Destinação do tempo de propaganda partidária para ações afirmativas;
3) Uso de recursos do fundo partidário para a educação política e ações afirmativas.

Beleza. São coisas que eu considero absurdas, mas são, reconheço, bandeiras históricas do chamado progressismo. O que me incomoda é: com que autoridade essa gente fala em nome da sociedade, se suas propostas representam apenas uma parte dela? É aí que reside a trapaça pura e simples!

Dinheiro público destinado a custear aulinhas de comportamento politicamente correto? Obrigado, mas não! O que seremos obrigados a ver nas "ações afirmativas" das propagandas eleitorais? Apologia do MST? Das minorias politicamente organizadas (gays, negros, mulheres, etc.)? E isso tudo pago com a nossa grana?! Mas esse povo é mesmo espertinho, heim? Coloque-se dois progressistas por uma hora numa sala fechada, e eles certamente sairão de lá com uma proposta para arrancar dinheiro público na manga.

Há mais:

4) Participação da sociedade na definição das prioridades de pauta do Congresso Nacional e demais Câmaras legislativas;
5) Criação de mecanismos de participação, deliberação e controle social das políticas econômicas e de desenvolvimento;
6) Criação de mecanismos de participação e controle social nas decisões do Banco Central, CMN - Conselho Monetário Nacional e no COFIEX - Comissão de Financiamento Externo;

Sim, claro! Tudo que o Brasil precisa é de um monte de gente arregimentada por MST, CUT, UNE e afins decidindo a taxa básica de juros... Tecnicalidade pra quê? O que importa é o tal "outro mundo possível", não é mesmo?

O melhor, porém, ainda está por vir - segurem-se nas cadeiras!

7) Criação de corregedorias populares com a participação da sociedade civil para avaliar e fiscalizar a ação do poder judiciário…
8) Fim do STF (Supremo Tribunal Federal) e criação de um Tribunal Constitucional como única instância acima do Superior Tribunal de Justiça;

"Corregedorias populares", é? Corrijam-me se eu estiver errado, mas é um órgão onde gente que não sabe porcaria nenhuma de Direito seria chamada a "avaliar e fiscalizar" o... Judiciário?! Santo Deus! Tenho conhecidos que me acusam de ideologizar muito os debates, vendo interesses esquerdistas em tudo quanto é coisa. Bem, desafio qualquer um a diferenciar essas tais "corregedorias populares" dos antigos soviets... Duvido que alguém consiga.

E o que dizer sobre ACABAR COM A SUPREMA CORTE? Mas são uns visionários! Stálin está dando duplos-twists-carpados no túmulo, feliz da vida ao ver como suas idéias foram encampadas e aperfeiçoadas (ou seria mais correto dizer pioradas?).

Dúvida: que interesse sombrio e nefasto leva essa gente a querer extinguir o Supremo? "Mas outro seria criado no lugar!" É?! Bom, se é pra fazer o mesmo serviço, por que diabos acabar com o que já existe?! Bem, suponho que seja para poder exercer sobre o novo um controle que não têm sobre este. Hum... "Grupos populares mobilizados" controlando a Corte Constitucional de um país? Bem, parece algo... fascista!

Entenderam por que sou um liberal, que acredita apenas no indivíduo? Coisas genéricas e etéreas como "movimentos sociais" e "sociedade civil" NÃO ME REPRESENTAM! E isso se dá por uma razão bem simples: eu defendo que a Corte garantidora da Constituição e das liberdades individuais seja protegida de toda e qualquer turba ensandecida. Eles, por sua vez, são a turba ensandecida!

Porque é RIDÍCULO e ABSURDO criar uma lei "criminalizando" a homofobia.

Lancei essa questão no Twitter hoje de manhã, e a coisa rendeu uma discussãozinha interessante. Resolvi trazer o tema pra cá, e ver o que os leitores do blog têm a dizer.

Bom, todos sabem que tramita no Congresso Nacional uma proposta que, na prática, criminalizaria aquilo que é chamado de "homofobia". Não vou tomar o tempo de você citando passagens da lei. Google is your friend, portando se socorram da internet sem medo! Quero avançar na discussão e ir direto a uma das maiores inconsistências lógicas que já vi em toda a minha vida.

Acompanhem meu raciocínio: se o conceito de "homofobia" realmente existe concretamente no mundo, é lícito supor que a pessoa homofóbica é, antes de mais nada, alguém com um problema clínico. Ora, a tal homofobia, como qualquer outra fobia, seria uma alteração não-natural da psique humana, que, no caso, levaria a pessoa afetada a sentir medo/aversão de homossexuais. Se isso é aceito como verdade, obrigatório seria chegar à conclusão de que ninguém é homofóbico porque quer, mas porque sofre desse distúrbio.

A coisa toda, repito, é espantosamente lógica e linear - assombra-me saber que nenhum especialista tenha ainda se debruçado sobre o tema. Assim como nenhum aracnofóbico tem aversão a aranhas porque quer (ou porque gosta de ofender as aranhas), da mesma forma nenhum homofóbico escolheria, de forma livre e consciente, manifestar sua aversão aos homossexuais. Tudo seria fruto, como dito alhures, de um caso clínico, que demanda ajuda e acompanhamento médico.

Desta feita, editar uma lei objetivando criminalizar a homofobia acabaria por se revelar um rematado ABSURDO! Seria como se o Ibama editasse uma norma criminalizando a aracnofobia, a fim de evitar que os portadores, em razão de sua aversão clínica aos aracnídeos, acabassem por exterminar uma determinada espécie de aranhas... Ora, não se criam normas punitivas com o escopo de erradicar distúrbios clínicos! É absurdamente ilógico fazer algo assim.

Percebam: não estou de forma alguma dizendo que quem destrata, agride ou faz qualquer outro tipo de mal contra homossexuais deva permanecer impune. Longe disso! Aliás, é importante que se lembre algo que parece esquecido: a democracia brasileira já conta com um Código Penal, que cuida de proteger todos os cidadãos. Por que editar novas leis para proteger "categorias especiais"? Por que, enfim, os homossexuais mereceriam mais proteção do que - sei lá... - os falmenguistas? Ou os canhotos? Ou, ainda, os albinos? Se todos somos iguais perante a lei, a lei que me protege de agressões injustas, serve também para proteger um homossexual, ora essa. Ou o tapa dado a um homossexual é mais grave que o desferido contra um hétero?

Meu ponto é bastante simples: se existe, de fato, essa tal de homofobia, editar uma lei destinada a punir os homofóbicos é algo ABSURDO e - por que não dizer? - RIDÍCULO! Isso porque, repito, toda fobia é uma condição clínica que independe de escolha e vontade. Criminalizar a homofobia seria, pois, o mesmo que criminalizar a esquizofrenia, ou a paranóia.

"Ah, mas o objetivo da lei é apenas punir manifestações agressivas de preconceito." Ah, é?! Bom, então o termo homofobia, de fato, não existe. E deve ser ABOLIDO do debate, porquanto evidentemente impróprio para o caso, não é mesmo?

Alguém vê uma falha lógica no que vai acima? Por favor, sinta-se livre para apontá-la!

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P.S.: Sim, neste momento você está muito surpreso, se perguntando "como diabo não pensei nisso antes?!". Pois é... Culpa do consenso politicamente correto, que limita as discussões e cerceia os debates.

Cadê os "humanistas" e "pacifistas" da era Bush, que não fazem nada quanto à guerra de Obama?!

Já falei aqui sobre a ação militar na Líbia. Em que pese eu apoiar a idéia de deter Gaddafi e impedir que esse carniceiro continue matando seu povo, faço várias ressalvas à maneira como a operação vem sendo conduzida. Mas em última instância, sim: eu acho que o tirano deve mesmo ser abatido!

Eu não mudei, meus caros. Sigo sempre sendo norteado pelos mesmo valores morais aborrecidamente imutáveis. Apoiei a guerra no Iraque, assim como apóio aquela da Líbia. Quem mudou foram os "humanistas" e "pacifistas" da era Bush, afinal sumiram do mapa. Cadê as milhares de pessoas fazendo passeata pela paz em Nova Iorque, ou em Roma? Cadê o Michael Moore, que não fez ainda um documentário condenando a guerra do Presidente-de-ébano? Pois é, desapareceram! E olha que não faltam motivos pra criticar o sujeito...

Um dos motivos que me levou a bater pesado em Obama aqui, foi a ligeireza com que ele igualou as crises sociais de Egito e Líbia. Naquele país, tivemos, de fato, uma população civil levantando-se pacificamente contra um regime ditatorial. Nesta última, porém, o que se vê é um caso típico de guerra civil, onde facções opositoras ao governo de Gaddafi querem apenas substituir a tirania atual por outra.

"Então o louco não deveria ser deposto, porque seus adversários também não prestam?!" Que nada! Lembrem do que escrevi logo no início: sou a favor da ação militar, mas acho que ela deve ter por escopo garantir a pacificação social, não contribuir para que tiranos matem tiranos. Gaddafi, com seu regime de força, concorria para manter a Líbia longe da influência de Hezbollah e Al Qaeda, cujos braços em seu país sempre lhe fizeram oposição. São esses grupos terroristas que, hoje, estão na linha de frente da oposição ao general, e que, muito provavelmente, tomarão o poder quando ele for derrubado. Quem diz isso não sou eu, mas o próprio comando das operações militares.

Ora, a intervenção americana no Iraque levou anos até garantir um mínimo de paz social, e uma das razões foi exatamente a necessidade de garantir que, depois da queda de Saddan, seus adversários igualmente sanguinários não assumissem o poder. Não bastava abater um tirano: era necessário garantir que outros (quiçá piores...) não ocupassem o lugar. Muito diferente do que faz agora Obama, cujo governo admite até mesmo - pasmem! - ARMAR OS OPOSITORES de Gaddafi!

Vamos recapitular? Temos que Barack Obama, aquele que prometeu o fim da política externa unilateral, imperialista e violenta, decidiu: 1) entrar numa guerra sem sequer consultar o Congresso americano, coisa que nem Bush, o grande satã do mundo, ousou fazer; 2) ficar ao lado de milícias alimentadas pelo Hezbollah e pela Al Qaeda, dois dos maiores inimigos dos EUA e do Ocidente; 3) dar armas para os mesmos grupos terroristas que, há apenas dez anos, organizaram o maior ataque já feito em solo americano.

O bando de Osama Bin Laden sendo armado pelo sujeito que veio ao mundo para trazer a paz?! Acreditem, o armagedom não seria tão catastrófico... Não sou marqueteiro do Partido Republicano, mas acho que seria uma boa hora pra espalhar outdoors pelo país com a foto de Bush, seguida dos dizeres: "Miss me yet?"

Na DITADURA PERNAMBUCANA é obrigatório elogiar o MST.

Leiam com atenção o que vai abaixo, publicado no Estadão Online:

"Reforma agrária - esperança para o campo, comida na sua mesa". A afirmação, tendo como fundo fotos de trabalhadores cultivando a terra, ilustra 20 outdoors que foram afixados hoje em avenidas de Recife e região metropolitana e rodovias estaduais, como forma de retratação da Associação dos Militares do Estado de Pernambuco (AME) e da empresa Stampa que, em 2006, foram responsáveis pela veiculação de outro tipo de outdoor. Eles diziam: "Sem-terra: sem lei, sem respeito e sem qualquer limite. Como tudo isso vai parar?".

A atitude, considerada preconceituosa, difamatória e de criminalização dos trabalhadores sem- terra, provocou a reação de entidades de defesa dos direitos humanos que recorreram ao Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) visando a impedir a continuação da campanha e a buscar uma punição.

Comento:
Desafio alguém a demonstrar, com argumentos lógicos, que a ação do Ministério Público de Pernambuco seja diferente daquela dos censores a serviços das ditaduras.

Em essência, a atuação do MPPE significa que, em Pernambuco, ninguém tem o direito de não gostar do MST. Mais que isso: é obrigatório elogiar o movimento. Isso, meus caros, é algo que não se vê em nenhuma democracia do mundo civilizado. NENHUMA!

Por que diabos uma associação não pode discordar do MST e expor, legalmente - ainda que de forma contundente -, sua opinião? O que levou os promotores de justiça pernambucanos a colocar o bando de Stédile em um pedestal, acima de qualquer crítica? Duvido, por exemplo, que suas excelências se mobilizassem dessa forma para defender - sei lá... - a Santa Madre Igreja...

Ao longo da história, outras sociedades também impediam seus cidadãos de exercer a liberdade de expressão de forma plena. É o caso da União Soviética, da China Maoísta, do Camboja, de Cuba, além de tantos outros lugares onde era/é permitido apenas concordar. É A ESSE LIXO QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO DE PERNAMBUCO DECIDIU SE IGUALAR. Shame on you!

Não deixa de ser assustador perceber que uma instituição cuja função deveria ser garantir as liberdades democráticas, decidiu avançar de forma tão bárbara contra o objeto de sua proteção. Os responsáveis por cassar a liberdade de expressão da Associação dos Militares do Estado de Pernambuco não envergonham o Ministério Público apenas. Envergonham toda a espécie humana!

terça-feira, 29 de março de 2011

Morre o ex-vice-presidente José Alencar.

Depois de uma luta de 14 anos - e de 17 cirurgias - contra um câncer abdominal, faleceu na tarde desta terça-feira o ex-vice-presidente José Alencar, talvez a figura pública do governo passado que mais mereça respeito.

Em que pese as inconciliáveis divergências político-ideológicas que pudesse ter em relação a Alencar, é tocante a fibra e a serenidade que ele demonstrou ao longo de todo o seu calvário. Que Deus acolha sua alma para a vida eterna.

Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luce at eis.
Requiescant in pace.
Amen.

Algumas anotações sobre a coluna de Merval Pereira, em O Globo.

(...) O receio de assumir uma posição ideológica próxima de sua história política de centro-direita repete o mesmo erro do PFL e de seu sucessor, o Democratas, e retira do novo partido justamente a capacidade de representar um nicho eleitoral que, à falta de opções, votou em Serra e em Marina na eleição de 2010. (...)
Perfeito! Já escrevi aqui várias vezes: no Brasil não existe nenhum partido político eleitoralmente viável que represente a visão liberal (ou "de direita", como queiram). Estamos falando de algo em torno de 25% a 35%, número que pode ser ainda maior, a depender de como uma eventual campanha seja conduzida.

(...) A senadora Kátia Abreu tem uma explicação simples para esse impasse: todos querem dizer que têm preocupação social e parecem convencidos de que esse sentimento é um monopólio da esquerda. (...)
Bingo! A política no Brasil encontra-se num estágio tão atrasado, que ainda se alimenta a falsa verdade de que só as esquerdas têm "preocupação social". Aliás, o problema é ainda mais grave: confunde-se "preocupação social" com "fazer programa social". É urgente superar isso!

(...) Kátia Abreu está convencida de que existe um nicho eleitoral que o novo partido pode ocupar, representado pela nova classe média ascendente e por todos os anseios e necessidades que virão com ela. Além do fato de que existe um eleitorado que não vota no PT, que atingiu 44% na última eleição presidencial. (...)
ALELUIA! É a primeira vez que vejo um político brasileiro dizendo isso. Só posso dizer que, independentemente do partido, a senadora Kátia Abreu consiga levar adiante a idéia de representar a enorme parcela dos eleitores que sempre esteve órfã de alternativas aos projetos de poder das esquerdas.

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A íntegra da coluna do Merval Pereira pode ser lida no blog do Coronel.

Greve de juízes federais? CHAMEM O BOPE!

Ê, Brasilzão... Leiam o que vai abaixo, publicado na Globo Online:

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) decidiu em assembléia realizar uma paralisação no próximo dia 27 de abril. Os magistrados reivindicam atualização do teto constitucional remuneratório do funcionalismo público, ao qual estão subordinados, direitos iguais ao do Ministério Público Federal e maior segurança para os juízes, que têm sido vítimas de atentados de organizações criminosas. Segundo o presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, a assembléia que decidiu pela paralisação foi a maior da história da associação, da qual participaram 1.670 associados. Destes, 74% decidiram por parar o trabalho por um dia e 9% por uma greve imediata.

Os juízes argumentam que o pagamento de seus salários não está cumprindo a Constituição, já que deveria ser atualizado anualmente e foi aumentado apenas uma vez nos últimos seis anos. O aumento reivindicado é de 14,7%. Atualmente, segundo a Ajufe, os magistrados ganham cerca de R$ 20 mil, entorno de R$ 12 mil descontados os impostos (...)

Comento:
Eu leio esse tipo de coisa e me lembro de De Gaulle: "Le Brésil n'est pas un pays serieux." De fato, este não é um país sério... Difícil até saber por onde começar a destrinchar os absurdos teratológicos que a notícia acima revela. Que tal uma olhadinha na lei? Diz o art. 37, inciso VII da Constituição Federal que "o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica".

Diante disso, pergunto: cadê a droga da "lei específica"? Não existe?! Ora, então sinto muito, excelências, mas entendo que fazer greve simplesmente não é uma opção legal que esteja ao vosso alcance! "Ah, mas há jurisprudências em outro sentido!" Claro! Jurisprudência é igual medicina caseira: tem receita pra tudo que é gosto. Eu estou dando a minha opinião pessoal apenas. Posso? Sim, posso! Da última vez que chequei, o Brasil (ainda...) era um país livre. Adiante!

Não bastasse aquilo que considero um impedimento legal insuperável, há ainda a questão moral que, entendo, não pode ser deixada de lado. Ora, ninguém é obrigado a ser juiz federal. O sujeito escolhe essa carreira porque quer, atraído, principalmente, pelos altos salários (sim, excelências. São bem altos.), pela estabilidade e - por que não dizer? - pela vocação de exercer a magistratura e servir ao público. Trata-se, como é notório, de uma carreira de Estado, cuja importância é vital para a própria existência da democracia.

Um juiz não é um metalúrgico. Percebam: não estou desmerecendo nenhuma das profissões, apenas digo o óbvio: é preciso tratar desiguais como desiguais. Um metalúrgico pode fazer greve, porque se a Ford interrompe sua produção, o problema é interno; privado. O sindicato dos metalúrgicos que se entenda com os donos da montadora, e ponto final. Juízes, porém, não podem fazer greve, porque a paralização do Estado-juiz atenta contra o próprio fundamento da democracia - sem mencionar que prejudica única e simplesmente a sociedade, que paga altíssimos impostos para, dentre outras coisas, garantir os elevados salários de suas excelências.

Pessoalmente, sou radical quanto a isso: sou contra o direito de greve para os servidores públicos de qualquer cargo. Isso, eu disse contra! Vou além: no caso dos servidores das áreas de saúde e segurança pública, qualquer movimento de greve deveria ser tratado como ato de terrorismo, porque concorre diretamente para ameaças à vida da população.

Ninguém é funcionário público por imposição. Aqui no Brasil, principalmente, quem se decide pelo serviço público o faz em busca da malfadada estabilidade, e dos altos salários. Querem, enfim os bônus. Que arquem com o ônus, ora essa! Não tá satisfeito com o salário (20 mil dilmas por mês!!!) ou com as condições de trabalho? Ora, é sempre possível arrumar outro emprego... Vai - sei lá... - ser piloto de Fórmula 1, ou jogador de futebol...

É urgente que se resgate a essência etimológica da expressão "servidor público"... Ninguém toma posse num cargo público e pronto. Todos o fazem para, a partir daí, começar a servir o público, de quem todo servidor é empregado. Isso vale para vigilantes, enfermeiros, motoristas, promotores, procuradores, juízes e até para o presidente.

Greve de juízes?! Pra mim, isso se resolve com polícia.

UPDATE: pra quem gosta de dizer que "eu não sei do que tô falando", ou que "não tenho autoridade pra escrever isso, porque não sou juiz", vai o link para o artigo de um juiz federal sobre o assunto. Enjoy!

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P.S.: Antes que alguém venha derramar nos comentários a ladainha de como os servidores públicos são oprimidos pelos governos, que dão baixos reajustes e blá, blá, blá, quero deixar claro que penso o que penso mesmo sendo servidor público. Sim, vocês leram certo! Eu acho que servidor público nenhum deve ter direito de fazer greve, e acho isso mesmo estando na área. Podem ir chorar n'outra freguesia.

Obama e as "bombas humanitárias".

Eu vejo o Presidente-de-ébano falando certas coisas, e me pego pensando: "Ah, se fosse o tal jórji búxi..."

Ontem o Cristo negro falou à sociedade americana. Aliás, melhor dizendo, falou ao mundo! Na ânsia de justificar o início de uma guerra sem autorização do Congresso (coisa que nem búxi, o grande satã do pogreçismo mundial, foi capaz de fazer!), Obama - como diria Dilma - "tergiversou"... Vejam:

"Deixar de lado a responsabilidade da América como líder e, mais profundamente, nossas responsabilidades com outros seres humanos, nessas circunstâncias, seria trair quem nós somos (…). Algumas nações podem fechar os olhos diante das atrocidades em outros países. Os Estados Unidos da América são diferentes"

Hum... Que profundidade retórica, não é mesmo? Vendo-o pronunciar palavras tão carregadas de significado com aquele olhar fixado no horizonte, e o queixo erguido, como os bravos, é capaz até que alguém mais desatento verta um punhado de lágrimas. Não eu! Querem ver como é fácil demonstrar que Obama só desconversou? Pois bem, imaginem aquelas mesma palavras acima ditas por... búxi! Não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do cowboy republicano... Até posso ver a gritaria dos "humanistas": "IMPERIALISTA!"; "ASSASSINO!"; "INTERVENCIONISTA!"; "OPRESSOR!"...

Mas quem falou aquilo foi Obama, e o Messias negro, sabemos, representa uma "nova era". Ele é a personificação do jovem pobre que venceu a despeito da elite branca e preconceituosa, razão por que nada que ele faça merecerá nunca uma condenação definitiva. Ele é, enfim, o sujeito do iés, uí queim...
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P.S.1: Só para que não pairem dúvidas, lembro a todos que defendo a ação militar na Líbia (apesar de ter algumas ressalvas quanto ao modo), afinal o lunático chamado Gaddafi precisa ser abatido. Eu não mudei. Defendo isso agora da mesma forma como defendi a ação no Iraque. Os "humanistas de um lado só" é que mudaram...

P.S.2: Depois de prometer ao mundo que o papel da América em seu governo serria diferente, Obama tratou de dar início a mais uma guerra. E ignorando o Congresso dos EUA, coisa que - repise-se - nem Bush, o "unilateralista", ousou fazer. Resta ver se pelo menos o Presidente-de-ébano vai conseguir entregar ao mundo a cabeça do tirano que foi buscar. Bush conseguiu...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Opa! Assim, não, Excelência!

Acerca da Lei da Ficha Limpa, o ministro do STF - e presidente do TSE -, Ricardo Lewandowski disse o seguinte:

Uma das formas de evitar isso [que a lei seja questionada] é que alguém legitimado, um partido político de âmbito nacional, por exemplo, com assento no Congresso, ou a Ordem dos Advogados do Brasil ajuíze uma Ação Direta de Constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal antes das eleições. Isso permitirá que a Corte Suprema analise a lei como um todo e possa expurgir uma eventual inconstitucionalidade que exista em um ou outro ponto dessa lei, mas que ela (Lei da Ficha Limpa) possa ser utilizada nas eleições de 2012

Comento: 
Epa! Alto, lá! Aí é fazer trapaça jurídica, Sr. Ministro.

Corrijam-me se eu estiver errado, mas dei uma olhadinha na Constituição e não encontrei um único dispositivo autorizando a Suprema Corte a prestar consultoria jurídica à imprensa, ao "povo", à "voz rouca das ruas" ou ao diabo que o valha. Que papagaiada é essa?! Onde foi parar a liturgia do cargo? Aliás, nem é preciso chegar a tanto: onde foram parar o decoro e a compostura? É lícito, agora, que um magistrado venha dizer o que é preciso fazer para que uma norma não seja questionada? Ora, mas questionar normas não é um direito?! Não é, enfim, algo... constitucional?! Santo, Deus!

Imaginem que um ministro do STF falassa à imprensa dizendo algo mais ou menos assim: "Para evitar que crimes bárbaros aconteçam, basta que o Brasil aprove a pena de morte, o que pode ser feito da seguinte forma..."; ou ainda assim: "Para que alguém não seja enquadrado como traficante pela polícia, basta que tome o cuidado de, no momento do flagrante, fazer exatamente o seguinte..."; ou, por fim, assim: "A sociedade clama há tempo por uma política mais ética e moral, e está claro que a decepção com o Legislativo é grande. Boa parte do povo, aliás, é a favor de acabar com o Parlamento, tamanha a descrença. Bom, uma maneira de fechar o Congresso Nacional é..."

Sou só eu, ou mais alguém aí também acha que não cabe a um ministro do STF sair por aí dizendo o que deve ser feito para validar - ou invalidar - uma lei, segundo suas preferências pessoais? Hoje, Lewandowski se levanta por essa "boa causa" que é a Ficha Limpa. O que impede que amanhã alguém venha "ensinar" ao povo o que fazer para fechar o Congresso Nacional?

Sobre assassinos de estimação.

Estava eu, as always, esculhambando um pouco o assassino conhecido como Che Guevara ("Che" que, by the way, significa "porco fedorento"...), para aborrecer os esquerdistas que me seguem no Twitter, quando um fã do sujeito que prometeu "endurecer sem perder a ternura" (UI!) veio me confrontar.

Eu acabara de lembrar que Che, este "humanista libertador", executou um companheiro de revolução (entenderam?! Eu disse COMPANHEIRO! Não era um inimigo capitalistaburguêselitistaedeolhosazuis, não!) porque o sujeito cometeu o gravíssimo crime de roubar... pão! Ah, aí o interlocutor reagiu, e disse que (1) Che não matara o infeliz, mas "apenas" votara pelo assassinato dele, e (2) que o "criminoso" não roubara um pão, mas cometera deserção. Hum... Beleza! Pro negócio ficar divertido, vamos supor que essa versão é verdadeira, só pra mostrar como é fácil destroçar a argumentação dessa turma. Ao trabalho!

Se Che votou pela morte do sujeito, é porque Che queria a morte dele, correto? Sim, correto! Bem, como o cara acabou mesmo sendo morto, não há contorcionismo retórico capaz de esconder o óbvio: Che Guevara concorreu, sim, para aquele assassinato (e pra muitos outros, mas isso não vem ao caso agora...)! Simples assim.

"Ah, mas ele não puxou o gatilho! Só votou pela condenação do cara." Certo... Se essa - como chamarei? - "lógica" servir pra isentar Che de culpa, poder-se-ia dizer também que Hitler não matou nenhum judeu, afinal não era ele que ligava a torneirinha da câmara de gás, não é mesmo? Ou, ainda, ter-se-ia a obrigação de admitir que o responsável pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki não foi Truman, mas o piloto dos aviões... Essa argumentação amalucada é a melhor coisa que os fãs de Che têm a oferecer?! Vixe!

A segunda coisa dita para justificar aquele assassinato foi que o meliante de altíssima periculosidade não teria roubado um pão, mas tentado desertar. Sendo assim, a pena de morte seria facilmente explicada, afinal ela é sempre aplicada quando há deserção em tempo de guerra.

Ai, ai... O problema é que essa turma não leu as cartas de São Paulo, o apóstolo. Sigam meu conselho e leiam-nas! Todas as respostas que um ser humano precisa para a vida estão lá, como por exemplo saber que é preciso diferenciar a flauta da cítara (I Cor 14, 7). Ou, em outras palavras, separar alhos de bugalhos.

Ora, o que é a deserção? Segundo o Aurélio, desertar é "deixar o serviço militar sem licença". Tentemos ser, porém, mais específicos: segundo o Código Penal Militar (Art. 187), deserção é "Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por mais de oito dias".

Agora que sabemos o que é deserção, vamos tratar de diferenciar a flauta da cítara: Militar e Exército oficial são coisas muito diferentes de revolucionário e grupo guerrilheiro! E as coisas não são assim porque eu quero. São assim porque esses são os fatos! É simplesmente impossível considerar que regras próprias das Forças Armadas de um Estado de direito legalmente constituído possam ser apresentadas como fundamento para as ações de um grupo guerrilheiro, Santo Deus! "Ah, a gente quer destruir a democracia burguesa, e tal, mas vumbora aproveitar esse artigo aqui do código deles. Só dessa vez, eu juro!" Ah, francamente...

Assim, se os entusiastas do homem conhecido como "porco fedorento" querem tentar justificar os crimes cometidos por ele e por sua turba, be my guest! Mas vamos manter a discussão num nível intelectual minimamente aceitável, não recorrendo a teses que têm a profundidade argumentativa de um caramujo apresentando um simpósio sobre a teoria da relatividade...

Pra encerrar, é sempre interessante e revelador analisar a origem de certas discussões. Por que tanta gente fica enfurecida quando se critica Che Guevara, Fidel Castro, Lênin e demais facínoras? Ora, porque os progressistas têm assassinos de estimação! Eles precisam justificar as atrocidades que sua gente cometeu ao longo da história, para manter viva a utopia do "outro mundo possível". Por isso arrumam explicação pra tudo, desde a falta de papel higiênico no paraíso terrestre chamado Cuba, até os gulags, na antiga União Soviética.

De minha parte, não tenho bandidos, terroristas ou assassinos de estimação. Quero mais é que todo vagabundo arda no mais profundo dos infernos, seja ele de direita, de esquerda ou muito pelo contrário! Alguns, pra me apontar o dedo, "acusam-me" de ser direitista e tentam, ato contínuo, jogar Pinochet e os gorilas do regime militar brasileiro no meu colo. Ora, pro diabo com isso! Eu entrego as cabeças de todos esses assassinos numa bandeja de prata! E vocês? Entregam as cabeças de Che, Fidel, Lênin e companhia?!

Os progressistas sempre vão quebrar a cara enquanto insistirem em me medir pela régua deles. Eu não tenho assassinos de estimação, que precisam ser justificados e protegidos dos fatos. ELES, TÊM!

Bairrismo, o único refúgio de um idiota. Ou: ROGÉRIO BORGES WAS RIGHT!

Samuel Johnson dizia que "o nacionalismo é o último refúgio de um canalha". Permito-me reformular essa sensacional frase para dizer que o bairrismo é o único refúgio de um IDIOTA! Experimentem reparar com atenção: sempre que o nativo de um lugar não encontra mais argumentos para rebater as críticas feitas à sua terra natal, saca da manga argumentos como "mas é nosso, e precisa ser respeitado!"; ou ainda "deve-se amar e respeitar o lugar em que se vive".

Tudo besteira, é claro. Ninguém deve absolutamente nada a um lugar, pois o protagonista da vida em sociedade é e sempre será o indivíduo - e apenas ele! Ninguém tem trabalho, ganha salário e sustenta a família graças a um determinado lugar, mas sim graças às aptidões que possui. Quem precisa de raiz é árvore, como bem lembrou o brilhante Leandro Narloch, no seu monumental Guia politicamente incorreto da história do Brasil.

Pois bem, outro dia li por aí que o "povo" do Piauí estaria revoltado com um ator, porque este escreveu em sua página no Facebook que aquele estado seria "o cu do mundo". Ah, para quê! A gritaria bairrista imediatamente começou, e até a Assembléia Legislativa piauiense - que já deve ter resolvido todos as mazelas sociais que afligem aquele lugar... - entrou na briga, proibindo a realização do espetáculo que seria encenado pelo "ofensor".

É difícil até mesmo escrever alguma coisa acerca de semelhante absurdo. Por mais que o orgulho rastaquera dos bairristas diga o contrário, não há delito algum em achar que o Piauí - ou qualquer outro lugar - seja "o cu do mundo". Isso, meus caros, nada mais é que o salutar exercício da liberdade de expressão, um corolário de qualquer sociedade civilizada que, ao que parece, vem sofrendo investidas cada vez mais violentas por parte dos celerados espalhados por estepaiz.

Eu, por exemplo, não gosto do Amapá. Sou livre para achar este estado "o cu do mundo", se quiser. Não faço isso apenas porque a expressão me parece horrivelmente rasteira, nada mais que isso. Mas, repito: eu, como qualquer outra pessoa, sou livre para não gostar de um lugar. Há pessoas - pasmem! - que não gostam de Paris, por exemplo... Ora, se alguém pode ter a liberdade para sugerir que comer camarão com açaí na frente do rio Amazonas é melhor que degustar croissant com cappuccino ao pé da Torre Eiffel - sem ser internado num manicômio por isso! -, por que diabos eu não poderia achar Macapá um inferno, uma porcaria, um amontoado de buracos geometricamente organizados para destruir meu carro? É evidente que posso! Sou um indivíduo livre, e posso dizer o que penso a despeito do que o "povo" diga.

Sim, o "povo"... Basta que alguém critique um determinado lugar, para que os bairristas juntem-se em bando e avancem sobre o "detrator da honra local" gritando "Brains! Brains! Brains!" O bairrismo nunca é praticado por um indivíduo. Ele é, antes, um movimento acéfalo, externado sempre por uma coletividade abraçada apaixonadamente na flâmula do lugar. Os bairristas são uma legião, como os demônios!

Em nome de defender a honra desse tal "povo" (que, aliás, não existe concretamente no mundo real, afinal ninguém sabe qual o CPF ou o RG dele...), investem contra liberdades reais de indivíduos. Se eu afirmo que a casa do João é "o cu do mundo", é perfeitamente possível que ele se sinta ofendido. Mas nenhum "povo" pode se dizer atingido quando elenco as mazelas sócio-políticas do Amapá, do Piauí, do Acre, de São Paulo ou do Rio Grande do Sul, simplesmente porque o "povo" não existe! E, por não existir, não tem sentimento, honra ou virtude. Pelo contrário: no mais das vezes, todo "povo" tem apenas vícios.

No último sábado, o Twitter amapaense (Meu Deus, existe um "Twitter amapaense" já! CHEGA! É HORA DE FECHAR O TWITTER!), viu surgir um movimento pregando #ForaRestart. Pensei com meus botões: "Que maravilha! Finalmente as pessoas desta terra, cujo gosto musical é tão precário, decidiram fazer algo proveitoso. Estão rejeitando essa banda ridícula. Alvíssaras!"

Triste engano... A bronca de alguns amapaenses com o tal Restart surgiu em razão de uma entrevista onde um dos - vá lá... - "músicos" afirmou não saber se existe civilização em... Manaus! Santo, Deus! Não bastasse o bairrismo, agora o Amapá também inaugurou o "bairrismo POR AFINIDADE". O "povo" não se contenta mais em se sentir ofendido por quem faz piada com um determinado lugar: agora empresta sua revolta cívica aos lugares vizinhos. A coisa é de um ridículo tão pavoroso, que chega a causar embaraço...

Para que se tenha uma idéia do nível intelectual dos caras, um dos motes da "manifestação virtual" era algo mais ou menos assim: "Vamos expulsar essa banda xenófoba daqui!" Trata-se de uma construção tão surreal, que seria interessante um estudo psicanalítico para tentar compreender a mente dos envolvidos... Na mesma frase em que acusam a banda de xenofobia, instigam o "povo" a expulsá-la daqui. É fascinante! Seria como se alguém, em razão do holocausto, decidisse mandar os alemães para a câmara de gás!

O Amapá é um lugar tão apequenado, que nem chega a me provocar revolta. Eu sinto é descrença... Até quando acerta (repudiando o lixo musical do Restart), este rincão triste e esquecido por Deus faz a coisa errada, ecoando uma retórica bairrista rasteira.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O HORROR: terrorista esfaqueia uma criança de três anos e corta garganta de bebê de três meses!

Você tem lido os jornais? Tem acompanhado o noticiário na TV? Sim?! Ótimo! Mas, apesar disso, aposto que você não ficou sabendo por nenhum desses meios tradicionais que uma família judia foi executada durante a ação terrorista de um grupo palestino. Você tampoucou ficou sabendo que uma das vítimas foi uma criança de três anos, assassinada com uma facada no coração. Também duvido que tenha chegado ao seu conhecimento que uma outra vítima foi um bebê de três meses, que teve A GARGANTA CORTADA!

Que tipo de coisa justificaria algo semelhante? Que "guerra santa" poderia emprestar algum arrimo moral a uma barbárie tão teratológica? Quem faz algo assim é a escória do mundo! Representam o horror em seu estado puro. São animais, que deveriam ser apartados do convívio social em definitivo, porque impróprios para aproveitar a vida dentro de uma sociedade civilizada.

Não venham os "humanistas de um lado só" me indagar sobre as crianças (e demais vítimas) que existem aos milhares no lado palestino. Eu conheço a história! Não preciso que ninguém me diga o quanto uma guerra pode ser odienta, brutal e mesmo tola. Mas afirmo com convicção que o que vai acima consegue ser hediondo até mesmo dentro do contexto de um embate.

O bebê de três meses que teve a garganta cortada por um vagabundo sociopata não estava num lugar que abrigava lançadores de foguetes, ou bombas destinadas a produzir "mártires". Ele não estava sendo usado como escudo humano pela gentalha abjeta que rasteja na lama do fascismo islâmico, e que - ela, sim! - mercantilizou a carne dos palestinos, tornando-a produto barato ao alcance do matadouro da Jihad.

Há coisa de dois anos, na última vez em que israelenses e palestinos entraram em confronto aberto, escrevi aqui que o terrorismo islâmico de Hamas, Hezbollah e similares precisa ser enfrentado de forma implacável, e vencido. Trata-se, meus caros, de uma questão civilizacional: ou o ocidente democrático garante a supremacia do nosso modo de vida, onde bebês recebem carinho, não facas na garganta, ou teremos a barbárie daqueles que aceitam usar seus filhos como escudos e seus homens como mártires.

Falei "supremacia do nosso modo de vida"? Sim, falei! Do modo de vida e dos valores morais, afinal são eles que garantiram o surgimento e a consolidação da civilização atual, onde as mulheres não são mutiladas por costumes tribais primitivos e virgens não são sacrificadas em oferendas. É preciso proteger, sim, essa civilização que legou ao mundo os antibióticos e a literatura de Shakespeare. Não me deixo enganar pelo "multiculturalismo politicamente correto": esses valores e essas conquistas citadas são sem dúvida melhores e superiores às demais, a meu ver. Isso não significa que não possa existir povos que pensem diferente e vivam diferente. Claro que isso é possível! O que não podemos é tolerar que tais povos CORTEM AS GARGANTAS DE NOSSOS BEBÊS!

Notem que apesar de estarmos falando de um conflito que dura décadas e que já produziu uma pilha injustificável de cadáveres, quero afirmar sem meias palavras que vejo diferenças morais importantes entre os lados envolvidos. E isso é uma questão de fato, não de gosto: um civil morto porque estava ao lado de um terrorista, servindo como escudo humano, é muito diferente de uma criança de três anos que tem o coração esfaqueado durante a noite; Ou ainda: uma criança palestina que morreu numa mesquita usada pelo Hamas para guardar arsenal de guerra, sempre será muito diferente de um bebê de três meses, cuja garganda foi deliberadamente cortada.

Estamos falando de várias tragédias. De vários horrores. Mas não me escondo atrás do consenso politicamente correto: grupos terroristas que se organizam para, de forma livre e consciente, escolher DEGOLAR BEBÊS são a escória do mundo!

E não me venham dizer que o pobre povo palestino não tem escolha, e está no fogo cruzado. Besteira! O que aconteceu depois de Ariel Sharon, a fim de cumprir um acordo firmado com a Autoridade Palestina, retirou Israel da Faixa de Gaza? O que se viu?! Por acaso os palestinos criaram sua sociedade de paz e prosperidade, aproveitando que havia terminado a "opressão dos infiéis"? Que nada! Cuidaram de eleger - sim, deram voto! - os terroristas do Hamas, investindo-os de autoridade política real. O povo palestino votou e elegeu a gentalha que prega o assassinato de bebês a facadas! Ora, por que gente assim seria vítima?!

E não caiam na conversa de que o problema lá é por terra. Outra bobagem! O problema é a leitura deturpada que Hamas, Hezbollah e demais ícones do fascismo islâmico fazem do Corão, um livro que, na verdade, prega a paz e a fraternidade. Não importa quanto Israel recue e aceite as exigências feitas: os "servos de Allah" não vão sossegar até que "os infiéis sejam varridos do mapa".

Como dito antes, trata-se de um embate civilizacional. De um lado estão os valores de uma sociedade livre e democrática, onde crianças são protegidas e amadas, e do outro aqueles de uma sociedade que aceita baratear a carne de seus próprios civis, só para conseguir mais "mártires" para a "causa palestina".

Golda Meir estava certa: é preciso que os palestinos amem seus filhos mais do que odeiam os judeus. Só assim passarão a entender que não é aceitável dar abrigo a lançadores de foguetes, servindo como escudo humano. Só assim passarão a entender que uma mesquita é um lugar santo, de oração, não um depósito para o arsenal do Hamas. Só assim, enfim, poderão entender que degolar um bebê NÃO é um ato "heróico" e "corajoso", mas apenas uma vilania nojenta.

Para encerrar, notem que eu abri o post falando sobre a ausência completa desse atentado em todos os jornais. O fascismo islâmico já venceu a "guerra da propaganda". Cumpre ao mundo civilizado não permitir que vençam, também, o embate militar.

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P.S.: Fiquei sabendo desse episódio bárbaro no blog do meu amigo Angelo DA CIA, que também linkou as (poucas) notícias publicadas a respeito, além de um artigo espetacular, de uma mãe judia.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ainda a Ficha Limpa: Platão, Sócrates, as liberdades e a minha concepção de democracia.

No blog do Reinaldo Azevedo há a transcrição de um dos diálogos de Sócrates, que ajuda a entender bem a posição que externei no post abaixo, sobre o porquê de eu ser contra a lei da Ficha Limpa. Vejam as passagens que reproduzo abaixo (a íntegra está aqui):

(...) Portanto, querido Críton, não devemos nos preocupar com aquilo que o povo venha a dizer, mas sim pelo que venha a dizer o único que conhece o justo e o injusto, e este único juiz é a verdade. Donde poderás concluir que estabeleceste princípios falsos quando disseste inicialmente que devíamos fazer caso da opinião do povo acerca do justo, o bom, o digno e seus opostos. Talvez se me diga: o povo pode fazer-nos morrer.

(...) É correto que nunca se deve cometer injustiça? É lícito cometê-la em certas ocasiões? Ou é absolutamente certo que toda injustiça deva ser evitada como já concordamos há pouco? E todas essas opiniões, nas quais acordamos, dissiparam-se em tão pouco tempo e seria possível que em nossa idade, Críton, nossas mais sérias controvérsias tivessem sido como as das crianças sem que nos apercebêssemos? Ou devemos nos ater unicamente ao que dissemos, de que toda injustiça é vergonhosa e nociva para aquele que a comete, diga o que queira dizer a multidão, e resulte dela o bem ou o mal? Falaremos assim, ou não?

(...) Então, também não devemos cometer injustiça relativamente àqueles que no-la fazem ainda que este povo acredite que isto seja lícito, uma vez que concordas que isto não pode ser feito de modo algum.

Comento: É isso! Lembram da passagem, no texto abaixo, em que lembrei que a democracia precisa ser protegida de tudo, até do povo? A razão está explicitada pelas colocações de Sócrates, acima transcritas. O "povo", essa construção abstrata desprovida de vida própria (só os indivíduos têm vida e existem, de fato), não é juiz de valor ético ou moral nenhum! Em última análise, esse tal de "povo" pode nos condenar à morte (bastaria para isso, segundo Joaquim Barbosa e Ayres Britto, que houvesse "mobilização", "pressão" e sei lá quantos "milhões de assinaturas"...)!

O problema de violar uma Constituição - e, com ela, as liberdades individuais - não é o dano causado a outrem. Isso, acreditem, se torna secundário! O problema principal é o dano causado a nós mesmos, que a violamos - ou aceitamos que seja violada! Se flertamos com qualquer coisa que afronte os princípios capazes de nos fazer viver como sociedade civilizada, chegamos a um ponto em que viver em sociedade não faria mais sentido.

"Ah, mas Sócrates fala sobre cometer injustiças e fazer o mal, mas a Ficha Limpa tem um bom propósito.", dirão alguns. Concordo! Mas o que define essa coisa abstrata chamada "bom propósito"? O problema não é em nome do que se aceita subverter a ordem democrática. O problema é aceitar subverter a ordem democrática em nome do que quer que seja! Hoje o "povo" aceita transigir para apartar Malufs, Barbalhos e Genoínos da política. O que impedirá que amanhã a "voz rouca das ruas" se mobilize para caçar - e cassar - outras liberdades? Repito algo que pouca gente tem em mente: todo fascismo começou prometendo "limpar" a sociedade e apanhar os bandidos...

Atentem para o final da fala de Sócrates: não se deve condescender com injustiças nem contra os que as cometem. Não pelo bem deles, mas pelo nosso! E isso, meus caros, deve ser um valor absoluto; um imperativo categórico. Independentemente do que pense esse tal de "povo".

O porquê de eu ser contra a lei da Ficha Limpa.

Você, leitor deste blog [assustado e de olhos esbugalhados]: "Como assim é contra a lei?!"

Pois é, sou contra a lei.

Você, leitor deste blog [assustado, de olhos esbugalhados e com a boca aberta]: "Contra a aplicação imediata dela, já para as eleições passadas. É isso?!"

Não, meus caros. Sou contra a lei em si. Sim, eu sei que isso me torna antipático aos olhos da maioria das pessoas, mas fazer o quê? Não, eu não dou a mínima para a aprovação dos outros. Eu penso o que penso porque... bem... acredito no que penso! Não formo opiniões na esperança de conquistar os aplausos deste ou daquele grupo, mas na esperança de estar em paz com minha consciência e meus valores.

Sou contra a lei da Ficha Limpa por questão de princípio: em matéria de política, sou um liberal. Isso significa que minha concepção de democracia pressupõe, inclusive, o inalienável direito que as pessoas têm de... votar mal*. Sim, meus caros. Isso também faz parte do jogo político, afinal ele não é, nunca foi e nunca será perfeito.

Não me entendam mal: eu quero uma política mais "limpa" tanto quanto cada entusiasmado defensor da Ficha Limpa. Também folgaria em saber que Malufs, Barbalhos e Genoínos não ganhariam mais cargos eletivos no país em que vivo. A diferença é que, a meu ver, a constante depuração da classe política de um país deve ser resultado de escolhas livres da sociedade. É o povo que deve, por si só, entender que não é saudável votar num Maluf da vida, não ser proibido de fazê-lo por imposição de outrem. Em outras palavras, eu espero que meu filho aprenda que não deve bater nos coleguinhas, não que ande por aí com as mãos amarradas às costas, para que não tenha chance de agredir ninguém...

Hoje, a Ficha Limpa significa, na prática, que o Estado diz quem pode e quem não pode participar do jogo democrático. É por uma "boa causa", todos concordamos. O problema é que em nome de "boas causas" foram cometidas as maiores atrocidades da história humana. Todo fascismo um dia nasceu prometendo combater iniquidades e caçar inimigos, não esqueçam disso.

Como qualquer um que acredite no indivíduo e no sistema de liberdades democráticas, sou ideologicamente contrário a um Estado paternalista e protetor. Eu pago meus impostos porque quero polícia na rua para impedir que vagabundo venha me assaltar, não para ter uma Super Nanny oficial me dizendo que Maluf é feio, bobo e malvado, e não pode ser votado. Ora, para quem eu dou meu voto é um problema meu (indivíduo), não um problema público (Estado)!

Acho temerário que um ente público, ao alcance de partidos políticos, grupos organizados de pressão e ao sabor de paixões emanadas da sociedade, possa dizer o que seria um bom ou um mau voto. Primeiro porque o "votar mal" é um conceito claramente subjetivo, como qualquer um com polegares opositores sabe. Eu, por exemplo, acho que a maioria dos brasileiros votou mal ao escolher Dilma, entendem? Mas há ainda outro fator, ainda mais importante: a democracia é tão importante, que deve ser defendida de todos. Até do povo!

Hoje, comemora-se que a "mobilização" e a "pressão" da sociedade civil levaram à criação da Ficha Limpa. Mas e amanhã? O que impediria que essa mesma sociedade civil se mobilizasse e pressionasse o chefe do Executivo a - sei lá... - fechar o Congresso? Ou, então, que pressionasse o Legislativo a demitir os ministros da Suprema Corte?

Ora, existe uma Constituição exatamente para garantir que determinados princípios fundamentais para a garantia do processo civilizatório seja salvaguardados de tudo e de todos. Ou, para empregar uma expressão que causará arrepio em muitos, pode-se também dizer que a Carta Magna existe para conservar os dispositivos que fazem de nós uma sociedade de seres humanos - daí as famosas cláusulas pétreas.

Eu não consigo entender por que os italianos - um povo que já teve Cícero! - insistem em votar em Berlusconi, mas não acho que o Estado deva editar uma lei estabelecendo que o bufão, por ser quem é, não deve ser votado. Quero é que os cidadão percebam isso livremente. E, se não querem perceber, que vivam sendo governados por aquela piada ambulante.

Na mesma esteira, não entendo por qual motivo os americanos, que já tiveram Lincoln, T. Roosevelt e Reagan, tenham se deixado seduzir pela retórica de centro acadêmico esgrimada por Barack Obama. Mas espero que eles percebam o "erro" sozinho e o "corrijam" em 2012, por meio do voto, sem qualquer interferência do Estado.

O debate mais importante em torno da Ficha Limpa, portanto, nunca sequer foi feito. Discute-se a vigência, a anterioridade, a segurança jurídica e a presunção de inocência, todas questões importantes e que devem, sim, ser analisadas. Contudo, há antes delas uma outra face da lei que quase ninguém debateu: que autoridade o Estado tem para tutelar o voto dos indivíduos? A meu ver, nenhuma.

Como já mencionei alhures, a democracia pressupõe, dentre outras mazelas, o direito que qualquer pessoa tem de votar mal. "Ora, mas que grande porcaria esse regime de governo, então!", vocês podem dizer. É, eis uma verdade! Como já disse Churchill, a democracia é o pior regime, depois de todos os outros... Nós não vivemos numa democracia porque ela é - ou deveria ser - perfeita. Nós vivemos numa democracia porque as alternativas históricas a ela são os totalitarismos que levaram, invariavelmente, a morte, miséria e terror.

Não é, pois, uma "eleição limpa" garantida pelo Estado que garante a democracia e a liberdade dos indivíduos. São os indivíduos livres que garantem a existência da democracia! E liberdade, meus caros, ou é um conceito absoluto, ou não é liberdade. Ela pressupõe, inclusive, o direito que cada um de nós tem de usá-la mal...

Quem acompanhou a sessão de ontem do STF viu que os cinco ministros que falarm em defesa da aplicação imediata da Ficha Limpa desfraldaram o mesmo argumento principal: a lei reflete o clamor popular por uma política mais ética e proba. Ora, como marchar contra isso?! É o que todos queremos!

O busílis repousa no modo como as coisas serão feitas. Por meio da Ficha Limpa, o conjunto dos indivíduos - que forma essa coisa abstrata chamada de "sociedade" - resolveu desistir de pensar por si mesmo, e escolher os candidatos mais éticos, mais honestos. Preferiu-se, como em tantas outras ocasiões, recorrer à tutela do Estado paternalista, a quem caberia analisar a "vida pregressa" dos candidatos e dizer aos inocentes cidadãos: "Olha aqui, menino! Esse sujeito é malvado. Você é ingênuo e não consegue entender isso por si mesmo, por isso me obedeça e não vote nele, tá? Se votar, não vou contar seu voto! Moleque tonto!"

Ah, comigo, não! Eu sei os males que decorrem de uma sociedade acostumada a "votar mal". Basta ver os legados dos vários Malufs e Barbalhos, espalhados por todo o Brasil. O problema, é que os males decorrentes de uma sociedade que se deixa tutelar pelo Estado, desistindo de suas liberdades em nome daquilo que emana do poder público, são muito maiores e mais deletérios.

Não existe sociedade que tenha evoluído sem prezar, antes de qualquer outra coisa, suas liberdades individuais. Isso significa aceitar que o direito de escolher - inclusive de escolher "mal" - é precioso demais para que seja entregue a um bando de burocratas estatais, subordinados a coletividades abstratas (partidos, lobistas, etc.).

Enfim, não me deixo enganar por quem, como o ministro Carlos Ayres Britto, afirma que "purificar o processo eleitoral é o melhor caminho para a liberdade". Ora, como está grafado no alto deste blog, não existe caminho para a liberdade. A liberdade É o caminho!

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* Notem que empreguei várias vezes a expressão "votar mal", sempre entre aspas. Fiz isso porque trata-se de um conceito subjetivo: o que é mau, pra mim, pode ser bom pra você.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A primeira noite de um homem.

É, amigos... Todo Obama tem seu dia de Bush, não é mesmo?

O Presidente-de-ébano, aquele que venceu uma eleição presidencial cavalgando na onda do "anti-bushismo", e que prometeu uma "nova era", regada a - como era mesmo? - smart power e diálogo, para fazer contraponto com o imperialismo do antecessor republicano, acabou se vendo obrigado a puxar o gatilho.

Nada de "inverter a lógica do papel que os EUA exercem no mundo". Nada de "substituir a força pelo diálogo e pela fraternidade". Na hora que o bicho pegou, o Cristo negro jogou na lada de lixo da história toda aquela lorota de "CHANGE!" e mandou um sonoro "Yes, we can... fight!".

Nada como a realidade crua dos fatos para destroçar o mito de marketing chamado Obama, e mostrar ao mundo o quão o homem Obama é despreparado. Eu rezo toda noite para que o mundo sobreviva ao mandato desse senhor, afinal não me conforta saber que a maior máquina de guerra do mundo está sob o controle de um sujeito que tem tudo para roubar de Jimmy Carter o título de pior presidente da história americana.

Obama venceu prometendo coisas que ele jamais poderia entregar. Sempre faço piada aqui, por exemplo, com uma frase que ele falou ao ganhar a nomination do Partido Democrata: "Este é o ano em que os mares vão parar de subir e o mundo vai parar de se aquecer." Santo Deus! O sujeito não deveria ser candidato à Presidência dos EUA, mas ao posto de novo Cristo!

Mas isso nem foi o principal. Obama também prometeu que a "era do unilateralismo" tinha chegado ao fim, como se Bush tivesse decidido entrar sozinho no Afeganistão e no Iraque por birra, e não pela covardia desavergonhada dos países europeus. A história, quero crer, fará justiça a isso. Algum dia haveremos de lembrar que França e Alemanha, dois países que estavam sendo massacrados pelo armagedom nazista e foram libertados graças, também, à ação dos Estados Unidos, negaram apoio à América quando esta, atacada em seu território, precisou revidar. Mas divago...

Obama viveu o colapso do governo Mubarak, no Egito, inerte como uma figueira. O público interno não perdoou e criticou a lentidão da Casa Branca, que se deixou pautar - pasmem! - pela Al Jazeera! Pouco depois, o Messias negro se deixou surpreender pelo caos social líbio. Convenhamos: o simples fato de o presidente dos EUA ser apanhado de surpresa por dois conflitos no Oriente Médio, já seria motivo mais que suficiente pra enterrar a biografia do sujeito no lixo!

Ávido por dar uma resposta diferente e mais forte, Obama, dessa vez, agiu com pressa, algo que é bem diferente de agir com rapidez. Depois de uma semana de confrontos, cravou que o governo de Gaddafi tinha chegado ao fim, e que "o povo" rebelado contra o tirano deveria ser protegido e ajudado. O que se viu depois disso? O maníaco líbio começou a recuperar terreno sobre seus opositores e mostrou pra Obama que estava mais vivo do que nunca. Que alternativas restavam ao americano? Ou ele deixava Gaddafi lá, depois de ter dito ao mundo que o sujeito estava acabado - e correndo o risco de vê-lo sentando no colo da Al Qaeda -, ou ia lá abater o assassino.

O curioso é que na Líbia não está ocorrendo uma "revolta popular", como se viu no Egito. Na verdade, há uma guerra civil, onde grupo políticos rivais, armados até os dentes, estão querendo abater Gaddafi para tomar-lhe o poder. E aí, como fica? Obama é tão amador, que está colocando o aparato militar dos EUA ao lado de bandidos que só não são tão carniceiros quanto Gaddafi por falta de oportunidade - pelo visto podem vir a ter tal oportunidade em breve...

Lembram de Bush, o grante satã do pogreçismo mundial? Pois bem, toda razão humanistária invocada para justificar um ataque à Líbia estava presente - e com mais intensidade - no Iraque. Ora, então por que tanta gente foi contra apear Saddan do poder? Outra: Bush não levou os EUA à guerra sem consultar o Congresso americano - e obter a aprovação dele. Obama não só dispensou a opinião do parlamento, como autorizou um bombardeio por telefone, durante uma viagemzinha sem importância a estepaiz. É o smart power sendo substituído pelo asshole power.

"Ah, você queria que ele deixasse o tirano lá, matando civis?!" Eu?! Eu, não! Leiam o arquivo deste blog: eu defendi a intervenção militar no Iraque e defendo essa agora, na Líbia. Querem mais? Por mim eles entravam também em Cuba, no Irã, no Congo, no Sudão, et caterva. Quero mais é imperialismo yankee por todo o mundo! O que não tolero é o contorcionismo moral e retórico que certos "humanistas de um lado só" fazem para pintar com cores de pacifismo iluminado a guerra do Cristo negro, quando, há coisa de dois anos atrás, marchavam com tochas em punho pedindo a cabeça de Bush.

O fato é que ver Barack Obama, o outsider, o pacifista, o conciliador mundial, autorizando um bombardeio a um país muçulmano é algo que não tem preço. Acabou a era da retórica furada e das frases lapidadas cuidadosamente pelos marqueteiros. O "homem Obama", como previ ainda em 2008, vai se encarregando de destroçar o "mito Obama".

Em algum lugar no seu rancho, lá no Texas, George W. Bush dá uma risadinha marota...

terça-feira, 22 de março de 2011

Ainda a questão da liturgia: respondo ao comentário de uma leitora.

Ontem escrevi um post curtinho sobre a liturgia da Santa Missa, e recebi um comentário da Morena Flor, uma assídua leitora do blog. Achei melhor respondê-lo aqui na home, porque a questão é interessante e pode proporcionar boas discussões. Indagou ela: "Quem fez a liturgia? Deus ou os homens(para adorar a Deus)?" E aqui vou eu, me atrevendo a responder:

Reputo que a questão acima não pode ser reduzida a uma resposta simples e direta. Antes de se debruçar sobre ela, é imprescindível que qualquer pessoa se ocupe de outra questão: Existe um Deus? Sem responder a isso, ninguém pode avançar para o ponto proposto pela Morena Flor.

De fato, quando alguém é crente - e aqui, é óbvio, estou empregando a acepção mais ampla da palavra -, acredita na existência de um Deus. Eu me incluo nessa categoria, e minha fé me permite acreditar no papel fundamental de Deus em nossas vidas. Assim sendo, acredito que houve um Jesus Cristo, e que ele, ao cear com seus apóstolos pela última vez, repartiu pão e vinho e convidou os comensais a repetir esse ritual sempre, a fim de honrar sua memória e rememorar seu sacrifício.

Assim, temos que a simbologia da comunhão do corpo e sangue de Cristo foi um rito criado pelo próprio Jesus, segundo o que nos conta a santa palavra d'Ele, transmitida séculos após século nas Sagradas Escrituras - outra instituição na qual os crentes escolhem acreditar.

Quem, porém, não se reconhece na fé - sejam ateus, agnósticos ou qualquer outra coisa -, não pode acreditar que a liturgia - ou parte dela - tenha sido criada por Deus, afinal a pessoa simplesmente não crê numa divindade superior.

Temos, pois, que a única forma de responder a pergunta feita pela Morena Flor é: "Para os que têm fé, é possível dizer que o papel de Deus na liturgia é claro e incontroverso. Para os que não têm, não."

Dito isso, cumpre observar que toda igreja é uma instituição formada por pessoas, e organizada segundo preceitos administrativos. É da natureza delas ser assim, afinal uma das funções de uma igreja é unificar os postulados morais, de forma a sistematizar as regras que os fiéis, por sua livre vontade, escolhem observar.

O cerne da mensagem deixada por Cristo (e aqui, uma vez mais, o que escrevo só "faz sentido" para os crentes) convida todos os fiéis a reviver seu sacrifício por meio da comunhão do seu corpo e do seu sangue, dados em holocausto. A Igreja Católica Apostólica Romana, no decorrer de sua história, sistematizou a forma como o ato de reviver a última ceia seria feito.

Temos, assim, uma liturgia que, embora nascida a partir do que foi ensinado pelo próprio Cristo (again: se você não tem fé, isso não é pra você), foi evidentemente lapidada por homens. Homens da igreja fundada por aquele, é verdade. Mas sempre homens - sujeitos a erros e acertos.

Importante ressaltar que quando emprego o termo "lapidada", não pretendo insinuar que a mensagem de Jesus precisava de qualquer aperfeiçoamento. Trata-se apenas da idéia de padronizar, de formatar um processo por meio do qual todo fiel, em qualquer lugar do mundo, pudesse reconhecer sua celebração maior.

A liturgia, enfim, foi feita por Deus e pelos homens, afinal o próprio Jesus convidou seus apóstolos a construírem, dia após dia, sua igreja.

Toda essa discussão, porém, não pode acontecer sem que antes seja posta a questão primordia da existência - ou não - de fé. Rebater crenças espirituais com argumentos forjados em crenças materiais não só é algo pouco inteligente a se fazer, como é uma coisa absolutamente improdutiva, afinal todo crente escolheu ter uma fé.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O poder civilizador de DESCER O PORRETE.

Li no blog Repiquete, aqui do Amapá, a notícia abaixo:

Meninas brigaram na faca ontem a noite na escola Zolito Nunes.
Isso é sério e vem acontecendo com freqüência nas escolas. Sério e triste.
Escolas, pais, instituições e organizações que trabalham com adolescentes, devem encarar e buscar alternativas eficientes para esse problema, antes que fique mais grave. Para que nossos jovens possam ir à escola com vontade de estudar, não com espírito de matar.

Comento: Eis o resultado de anos daquilo que eu chamo de "psicologia da conivência". De repente, o mundo deu uma guinada e passou a tratar com benevolência - quase subserviência - todos os caprichos da molecada. Psicólogos desocupados, cujas pias estavam apinhadas de louça suja, gastaram seu tempo cunhando o termo "adolescente", e a sociedade passou a empregá-lo como justificativa para toda e qualquer afronta feita pela garotada. "Nossa, meu filho TÁ NA FASE de me responder toda hora."; "Ah, essa menina TÁ NA FASE de querer sair toda noite, e voltar só de madrugada." Evidente que o resultado é produzir cada vez mais uma sociedade viciada e sem qualquer noção de hierarquia, respeito e limites.

Os pais abdicaram de sua autoridade natural, e deram ouvidos a "modernos estudiosos" que resolveram condenar o sacrossanto direito de DESCER O CACETE em moleque travesso! Então os pequenos vândalos começaram a ver que nada mais era motivo pra repreensão dura, afinal tudo deveria sempre ser encarado com "diplomacia, diálogo e cuidado" - pois se trata de "uma fase"... O resultado é o que vemos. Ninguém atenta contra o poder civilizador da repressão impunemente. A "sociedade moderna", ao fazer isso, escolheu ser subjugada por um bando de moleques intelectualmente rasos, que consideram a saga "Crepúsculo" literatura.

Minha opinião é bastante simples e objetiva: alunos armados brigando na escola? Desculpem-me os mais modernos e progressistas, mas isso não é assunto pra psicologia, diálogo ou estudo. Isso É CASO DE POLÍCIA! Simples assim. Se eu puxo uma faca e brigo com um colega de trabalho, ou com um vizinho, quem resolve é a PM, não a Super Nanny. Por que esse DELINQUENTES PRECOCES deveriam ter outro destino?!

Ah, já sei! Porque é "só uma fase"...

P.S.: Entenderam por que nenhum governo do mundo nunca vai me proibir de dar uma bela palmada no meu filho, sempre que eu entender necessário?

"Na raiz desta falta de espiritualidade está a insuficiência da formação litúrgica."

Muito interessante a entrevista que o padre Gregório Lutz, doutor em liturgia, concedeu ao portal Zenit. Transcrevo apenas um pequeno trecho, que me chamou particularmente a atenção (íntegra aqui):

(...) muitos dos nossos irmãos padres e leigos não têm consciência da função de Jesus Cristo como "celebrante principal" da Liturgia, muitos também não sabem que nas ações litúrgicas tudo acontece "pela força do Espírito Santo" (SC 6). Espiritualidade diz de fato respeito à presença e ação do Espírito Santo em nosso ser e agir como membros da  Igreja e, particularmente, na Liturgia. É verdade que o Espírito Santo sopra onde quer e, certamente no campo da Liturgia ele estava presente em muitas das iniciativas próprias e características da Igreja no Brasil. Mas, sobretudo quando uma pessoa acha que só ela possui o Espirito Santo ou, pior ainda, quando ela se acha dona da Liturgia, deve-se duvidar que o espírito, no qual age, seja o de Deus. Em verdadeira espiritualidade trabalha quem entende os ministérios ou qualquer serviço dentro da Liturgia ou ligado a ela, no espírito de Jesus, que é o de servir gratuitamente, para que os outros tenham vida; neste espírito a pessoa se esforçará na medida do possível e para uma Liturgia  autêntica. Acho que devemos reconhecer que também no Brasil nem todos os agentes de pastoral litúrgica têm esta espiritualidade e que esta falta é causa de abusos e banalizações que de fato também existem entre nós. Neste contexto, eu gostaria de lembrar mais uma vez que na raiz de todos os problemas que encontramos em nossas celebrações litúrgicas, e também desta falta de espiritualidade, está a insuficiência da formação litúrgica.

Comento: Em outras palavras, quem aceita forró, samba, marabaixo e outros tipos de "música" nas celebrações, e instiga os fiéis a praticarem a "aeróbica de Jesus", num repetir-se infinito de "tira o pé do chão!" e "joga a mão pra cima!", sorry, but you're doing it wrong!

Por outro lado, como esperar que certos sacerdotes compreendam a profunidade que se encerra numa liturgia tradicional, se não sabem sequer encadear os plurais de uma frase, ou coordenar as orações construídas? Triste...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Olavão arrasador!

Um ser humano pode agir, uma empresa pode agir, um grupo político pode agir, mas “a sociedade”, como um todo, não pode. Toda ação subentende a unidade da intenção que a determina, e nenhuma sociedade chega a ter jamais uma unidade de intenções que justifique apontá-la como sujeito concreto de uma ação determinada.
(...)
“Sociedade justa” não é portanto um conceito descritivo. É uma figura de linguagem, uma metonímia. Por isso mesmo, tem necessariamente uma multiplicidade de sentidos que se superpõem e se mesclam numa confusão indeslindável, que basta para explicar por que os maiores crimes e injustiças do mundo foram praticados, precisamente, em nome da “sociedade justa”.

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Acima transcrevo apenas um pequeno trecho no novo artigo de Olavo de Carvalho. Está espetacular, amigos! Recomendo-o vivamente a todos.

Ah, você não lê o Olavão porque ele é muito conservador e de direita? Beleza. Continuar burro é um direito de todos. Forte abraço!

O "lado cristão" do PT, e a blasfêmia.

"O PT tem esse lado cristão forte, de saber perdoar."

A frase acima foi dita por Jilmar Tatto, do PT de São Paulo. Essa gente é mesmo abjeta! Merecem acabar no mais profundo dos infernos!

E isso vale também para todo religioso que emprestou/empresta apoio a eles. São hereges, tanto quanto os petistas!

Que Deus tenha piedade de suas pobres almas...

Graças aos belos olhos de Obama, ONU já autorizou o Ocidente a atacar Gaddafi.

Leiam o que vai abaixo, publicado na Folha Online (íntegra aqui):

O governo da Líbia anunciou nesta sexta-feira um cessar-fogo imediato no país, em obediência à resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovada na noite de quinta-feira e que permite aos países usar a força militar no país africano para proteger os civis.
A aprovação da resolução pela ONU era o obstáculo que os países citavam para não iniciar uma intervenção na guerra que se arrasta há um mês na Líbia, entre as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi e rebeldes de oposição. Não há um saldo oficial atualizado, mas estimativas de organizações humanitárias falam em até 6.000 vítimas em mais de um mês de confrontos.
Pouco depois da aprovação, a França já iniciava seus preparativos e falava em um ataque "em horas". O Reino Unido já deslocou seus aviões de guerra para bases próximas e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também já iniciara seus preparativos para uma intervenção.(...)

Comento:
Bom, em primeiro lugar fica claro que o governo Gaddafi tá se borrando de medo, afinal ele não é - como direi? - um Saddan... Gaddafi é um bufão caricato que controla, ainda, um exército, mas não tem sequer parte do poder de fogo que o iraquiano tinha. Em outras palavras, ele sabe que será paeado do poder rapidamente, razão por que anunciou um cessa-fogo imediatamente após a resolução da ONU.

Sim, a ONU... Que coragem do Conselho de Segurança, não? Rapidamente se reuniu, deliberou e votou uma resolução duríssima, que autoriza, sem meias palavras, uma ação militar externa na Líbia. E por quê? Para conter o maníaco genocida que insiste em atacar seu próprio povo dia após dia. Pergunto: por que diabos essa mesma ONU não achou válido abater Saddan, cuja pilha de cadáveres era infinitamente maior que a de Gaddafi?

É que durante a "era Bush", os Estados Unidos eram governados pelos Republicanos, esses imperialistas dispostos a intervir em outros países. Agora é diferente. CHAAAAANGE! Hoje é Obama, o Presidente-de-ébano, quem dá as cartas no mundo. E ele é um Democrata. Um progressista. Enfim, um... imperialista disposto a intervir em outros países...

O que eu acho? Bom, acho que a OTAN tem mesmo que entrar na Líbia e abater Gaddafi! Sou, vocês sabem, um conservador: acho que um maníaco não pode ficar bombardeando o próprio povo impunemente. Acho, enfim, que ele precisa ser detido!

Eu não mudei. Apoiei a ação militar no Iraque, assim como apóio uma ação militar na Líbia. Quem mudou foram os pogreçistas - e a ONU! -, antes tão decididos ao condenar a "guerra de Bush", mas hoje ligeiros em emprestar "justificativas humanitárias" as mais diversas a uma intervenção no país de Gaddafi. São a turma da moral maleável, que se amolda a todo tipo de realidade do momento...

O curioso é que qualquer "razão humanitária" apresentada para justificar a ação na Líbia estava também presente, e em escala muito maior, no Iraque!

Mas é aquela coisa: Bush era um Republicano; um reacionário; um conservador; um direitista. Bacana é Obama, um Democrata; um progressista...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Se era pra virar mais um partido "pogreçista", era melhor ter sido extirpado, DEM!

Primeiras palavras do senador José Agripino Maia, novo presidente do Democratas:

“Eu não sou direita. Eu recuso a pecha de direita. Defendo a modernidade. Essa será a marca do DEM.”

Entendi... Então o DEM quer "se reestruturar" só pra virar mais um partido de esquerda?! Não bastasse a quantidade absurda de pogreçistas no Brasil, ainda vamos ter que aturar mais um?! Esse papo do Agripino só reforça algumas coisas que sempre escrevi aqui:

1 - O Brasil não tem nenhuma força de direita (ou liberal, como queiram...) politicamente organizada e eleitoralmente viável. Nenhuma!

2 - Essa conversa mole dos pogreçistas de que PSDB e DEM são "neoliberais" não passa de retórica trapaceira, feita para enganar trouxas. Basta lembrar que o governo FHC, que uniu aqueles partidos, criou vários programas sociais de transferência de renda. Cadê o neoliberalismo nisso?!

3 - Estou (eu e mais um punhadinho de pessoas) ferrado! Ninguém nessepaiz quer me representar e defender a ordem legal, a repressão ao crime, a redução do Estado, a diminuição dos impostos e a garantia das liberdades individuais. Caso não saibam, ser "de direita" é isso...

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P.S.1: Se era pra se prestar a um papel ridículo desses, era melhor ter se deixado "extirpar" pelo Lula, né, DEM?!


P.S.2: De onde esse energúmeno tirou que "direita" e "modernidade" são termos antagônicos?! Taí, desafio qualquer um a demonstrar, com fatos, isso! Valendo um picolé em barra de ouro, que vale mais do que dinheiro.


P.S.3: VOLTA, BORNHAUSEN!