Ao longo do fim de semana, pensei seriamente em deixar de lado essa história do "menino do MEP". Não em respeito ao PT, a Lula ou a quem quer que fosse. Em respeito a mim mesmo. Afinal, discorrer sobre os "instintos mais primitivos" dessa gente pogreçista é um tanto aborrecedor.
Mas não posso deixar de falar sobre a mais nova loucura dita por Silvio Tandler, aquele cineasta que resolveu defender Lula, dizendo que a história do "menino do MEP" não passara de uma piada ingênua. Vocês sabem, né? Essa gente humanista, ávida por nos salvar da besta-fera capitalista e por criar o tal "outro mundo possível", adora fazer brincadeiras sobre ataques sexuais...
Abaixo transcrevo dois trechos de uma entrevista que
Tandler concedeu nos últimos dias. O texto em questão eu o encontrei publicado no
blog do
Reinaldo Azevedo (
link aqui):
“Era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era um marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara… (...)
Começo com um comentário óbvio, só para irritar a petralhada: Quer dizer que "todos os dias o Lula sacaneava alguém"? Quer dizer que o sujeito era dado a piadinhas de cunho - se me permitem a construção - "estupratório"? Bom, ainda bem que ele não foi eleito, não é?! Naquele momento, o Brasil precisava muito de uma pessoa que dedicasse o tempo a analisar os problemas e apresentar soluções. Um vagabundo desocupado, dado a "sacanear" os outros, seria desastroso para o país.
Agora, uso o trecho grafado em vermelho acima para fazer uma pequena digressão. Os leitores tradicionais do blog sabem que costumo dizer que os americanos são melhores que nós. E melhores em tudo! Alguns - os mais bairristas - se aborrecem. Pura perda de tempo, afinal é a mais pura verdade. A prova? Bem, vejam lá o relato de Tandler, um intelequitual do pogreçismo nacional: "A vítima (...) era um marqueteiro americano" e "Lula inventou aquela história (...) para chocar o cara".
Que tal um rápido passeio, braços dados com a lógica? Vamos lá: Lula e seus macaquitos escolheram uma "brincadeira" acerca de um suposto crime sexual "apenas" para - como era mesmo? - "chocar" o americano, certo? Qual é a lição que tiramos disso? Simples: segundo a moral daquele visitante "gringo", semelhante conduta delituosa não seria aceitável. E os petralhas da vez estavam certos! Lá, onde eles são conservadores, moralistas e caretas, um candidato à Presidência não consegue se sustentar depois de sair por aí contando semelhante "piadinha". Já aqui... Perceberam? São melhores que nós! E em tudo!
Retornemos a Tandler, o defensor-mor de Lula. Vejam o que vai abaixo:
“E você acha que, se isso fosse, soasse, verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?”
Conseguiram captar todas as nuances do que vai acima? Sugiro que o trecho em questão seja salvo e guardado para a posteridade. Trata-se da prova cabal e conclusiva de que Antonio Gramsci, o terrorista italiano, tinha razão: a moral da canalha radical e revolucionária é mesmo diferente da nossa - que eles chamam de burguesa.
Quer dizer então que Tandler - este humanista! - ficariam chocado com a história, caso fosse verdadeira, porque ele é "da esquerda"? Mas não é fascinante?! Na moral de um direitista, suponho, o estupro de um companheiro de cela deve, provavelmente, ser admitido. É isso?! Que gente sórdida!
Há mais. A declaração do valente nos faz supor que, em sendo real a história da tentativa de abuso sexual, ele - e os demais integrantes "da esquerda" - ficariam revoltados porque tinham "amigos presos". Amigos estes, eu suponho, também "da esquerda". Hum... Se os presos - vítimas de tentativas de abuso - fossem "da direita", a coisa seria, pois, menos grave?
O que me enoja é notar que essa mentira estúpida da superioridade moral das esquerdas se assenta numa ideologia responsável por criar a maior e mais eficiente máquina de matar que a humanidade já conheceu. Sabem qual é o legado que a utopia de Tandler deixou para o mundo? Uma pilha com mais de 100 milhões de cadáveres! Convenhamos: quem é condescendente com o assassinato em massa, bem que poderia sê-lo, também, com o estupro...
Finalizo mostrando mais um particular encontrado no discurso do sujeito. Segundo Tandler, ele e os demais eram "da esquerda". Perceberam? Não é DE esquerda, mas DA esquerda. "Ah, Yashá. E daí?" Daí que essa gente revela a natureza sórdida do seu pensamento vagabundo: não existe indivíduo, ser humano, pessoa. O que existe é "O Partido". E todo o resto, por conseguinte, existe para "O Partido" e dentro "d'O Partido". Por isso Tandler era DA esquerda. Não foi um engano retórico, um mero tropeço nas palavras. Foi a confissão de um método.
Quem aceita fazer parte de um mundo onde a individualidade do ser deve ser destruída, a fim de permitir que todos sejam "d'O Partido" - assim como Tandler era DA esquerda -, está condescendendo com o fim das liberdades individuais e, portanto, ajudando a implodir a viga-mestra da civilização. Aquele que faz algo assim, acreditem, pode condescender também com o assassinato em massa e com o estupro. Desde, é claro, que seja em nome da "causa".